Ficarei Ao Seu Lado

8 Onde Está Castle?


Notas iniciais
Oie, gente. Voltei com mais um :3 Muito obrigada pelos comentários, assim que postar, responderei a todos. NOTA IMPORTANTE: (leiam com um tom de voz bem de boa, e imaginem unicórnios, arco-íris e nuvens coloridas, só para o caso de parecer que fui grossa sem ter a intenção) Fui pesquisar sobre os procedimentos seguidos por empresas aéreas e cheguei à conclusão de que a realidade é boring, então eu não serei fiel aos fatos reais. Como sabiamente diria nosso adorável Rick Castle: don't ruin my story with your logic. — Outra coisa, esse capítulo tá meio bad, se joguem e peguem lencinho :) Esclareci alguns pontos que deixei soltos no capítulo anterior. Obrigada pela ajuda de sempre, girlfriend. Tem flashback no capítulo só pq eu sei que vc ama :3

Posso ajudar em algo, doutor Davidson?

O médico congelou ao reconhecer a dona daquela voz. O que diabos ela fazia ali?!

Nesse mesmo instante, Ryan e Esposito chegaram ao local – a pedido de Beckett – e, vendo que o médico já se encontrava defronte a sua superior, os dois trataram de sair do carro e, rapidamente, posicionaram-se atrás da capitã, cada um de um lado.

– Beckett. – Josh disse em choque, deixando transparecer um pouco de medo em sua voz.

Temendo pelo que poderia ocorrer ali, Kate olhou para a filha, que já estava bem próxima a eles – ainda agarrada à mão de sua professora e com uma expressão de medo presente em sua face –, e pediu de forma gentil, tentando mostrar à filha que não havia nada a temer.

— Minha pequena, pode me esperar lá dentro? Prometo que não irei demorar.

Nesse momento, Josh se virou para ficar de frente para Sofia.

— Sof, o papai veio de ter. Lembra-se de que combinamos?

— Eu não admito que você diga uma palavra a mais para ela! – Kate disse com dureza na voz, dando alguns passos em direção a Josh para bloquear a visão que ele tinha da menina.

"Sofia, por favor.", a mulher pediu novamente, virando-se para a filha.

– Tudo bem, Kate. – ela disse calmamente, com sua doce voz infantil, e levantou a cabeça olhando para a professora, que observava tudo com certa tensão.

Espo e Ryan se postaram ao lado de Josh, prontos para agir, caso fosse necessário.

Kate acenou levemente com a cabeça para a professora e esta entendeu o recado, pegou Sofia no colo e voltou para o interior do edifício, deixando os outros quatro na companhia do segurança da escola, que ainda se encontrava em seu posto, próximo ao portão metálico.

— Você não tem o direito de se aproximar dela e, muito menos, de falar com ela. – Kate começou, virando-se para o médico e deixando transparecer toda a sua fúria, tanto na voz quanto no olhar. – Quem diabos você pensa que é?

— Eu sou o pai dela!

Kate deixou escapar uma alta, porém curta, risada de sarcasmo.

— Pai? Você nunca foi um pai para ela. Você a abandonou e ainda a impediu de ter convívio com a mãe.

Josh tentou interrompê-la, mas ela continuou a falar em um tom alto e duro, sem gritar.

"Eu aturei você ter ido até a minha casa atormentar a paz da minha família, mas agora você passou dos limites! O que você pretende, seu verme? Bagunçar ainda mais a cabeça da minha filha para terminar de concretizar essa sua vingancinha doentia por consequência de algo que você mesmo deu causa?!"

— Beckett... – ele tentou novamente, sendo interrompido pela segunda vez.

– Já chega! – a capitã exclamou com firmeza.

Ryan e Esposito apenas observavam a cena, segurando as respectivas armas em mãos, a postos.

— Eu não quero tornar a ver a sua cara, eu não quero tornar a ouvir a sua voz. Você me dá asco, doutor Davidson. Você não passa de um ser humano vil, medíocre demais para sentir um mínimo de compaixão pela própria filha.

Kate direcionou seu olhar para os garotos e disse: – Levem-no.

Esposito segurou as algemas em mãos, enquanto Ryan permaneceu com sua arma apontada para o médico.

— Joshua Davidson, você está preso. – Espo anunciou, colocando os braços do homem para trás e algemando-o em seguida.

— Preso?! – ele questionou incrédulo.

— Você descumpriu uma ordem judicial, doutor Davidson. – dizendo isto, o latino se virou levando o homem consigo.

— Hey, Ryan. – Kate chamou, assim que os outros dois se afastaram – Castle...?

Kevin apenas agitou a cabeça em negação, indicando que ainda não havia feito nenhum avanço. A mulher sorriu fraco, agradecendo, e girou o corpo, seguindo para dentro do colégio.

Sofia aguardava a mãe, sentada ao lado da professora, na área de convivência do colégio. A menina agitava as perninhas em sinal de ansiedade, temendo pela demora de Kate, devido às outras vezes em que ela e Josh haviam se visto.

A senhorita Caridade Burbage conversava com a garotinha na tentativa de deixá-la tranquila, quando as duas avistaram Beckett vindo em sua direção. Sofia pulou do pequeno banco feito a cimento em que se encontrava e correu em direção à mãe, pulando em seus braços.

— Você demorou, Kate. – ela disse abraçada à mulher.

A capitã sorriu e correspondeu ao abraço, levantando a garotinha em seu colo.

— Obrigada por ter ficado com ela. – Kate disse se direcionando à professora, que observava a cena com um leve sorriso em seus lábios.

"Senhorita Burgage, eu vou precisar conversar com você depois. Josh está proibido de fazer visitas a Sofia, gastaria de saber tudo o que ele fez aqui e como conseguiu entrar. Vou precisar também das filmagens das câmeras de segurança".

— Vou providenciar o mais rápido possível, senhora Castle.

A capitã agradeceu e partiu para casa, acompanhada de Sofia. Agora que dera fim no assunto "Josh", tinha um muito mais importante e angustiante para tratar: o paradeiro de seu marido.

#

Assim que entraram no loft, Sofia correu para seu quarto, com um aviso de Beckett para tomar banho enquanto ela prepararia o jantar.

O vazio daquela casa sem Castle causava uma dor que ela jamais sentira na vida. Sempre teve a certeza de que não conseguiria mais viver sem ele, porém, só agora que isso estava se concretizando, é que ela foi saber, de fato, que era incapaz de dar um passo sem ele.

Kate se jogou no sofá e se desligou do mundo, deixando que sua mente fosse invadida pelas lembranças de seu amor. Passou alguns minutos naquela penumbra, apenas sentindo a dor da ausência.

Olhou para o lado e viu uma foto dos dois, sorridentes, em um porta-retratos disposto na mesinha de centro. Eu vou te encontrar, Rick. Ela disse em um sussurro para si mesma, levantando-se e procurando pelo seu celular.

Yo, Becks.— Esposito atendeu, fazendo sinal para que Ryan se aproximasse – Como está a pequena?

— Ela está bem.

Ótimo. O doutorzinho já foi levado para a cela, ainda não fizemos o interrogatório, porque...

— Espo! – Beckett o cortou impaciente, não lhe interessava o que fariam com Josh – Eu não liguei para isso. Quero saber de Castle.

O latino trocou uma olhadela cheia de significados com seu parceiro e, em seguida, colocou a ligação no modo viva-voz para que ambos pudessem participar. Direcionaram-se para a sala de descanso a fim de terem mais privacidade. Tornou a falar.

Nós entramos em contato com a empresa. Eles ainda estão em busca.

— Como assim? – ela elevou o tom de voz – Não é possível que sejam tão incompetentes a ponto de não saberem onde o próprio avião está.

Ao que parece — Ryan começou a falar, pronunciando-se pela primeira vez –, a aeronave perdeu a rota.

— Já se passaram dois dias! – ela o interrompeu, esbravejando ao telefone.

Kate, eles só deram notícia do desaparecimento na madrugada de domingo. Isso foi ontem.— Esposito informou, tendo sua fala continuada por Ryan.

Foram dezoito horas de voo. Havia muita neblina e foi nesse momento que o avião perdeu a rota.

"Está acontecendo uma tempestade violenta onde o avião, provavelmente, se encontra agora. Não souberam nos informar o motivo de não conseguirem localizá-lo com precisão".

— Parece que só decidiram tomar alguma providência após a minha ligação.

Há um protocolo a ser seguido, Kate.— Javier disse calmamente. Ambos podiam sentir a tensão da amiga e o quanto ela estava sofrendo apenas em ouvir sua voz. – Naquelas circunstâncias, era previsível que algo do tipo pudesse acontecer, mas decidiram arriscar, porque o avião pousaria com uma enorme distância do local da tempestade, e horas antes de esta começar.

"Quando tiveram notícias do ocorrido, eles tomaram as providências necessárias, imaginando ser um problema de rápida resolução. Não avisaram às famílias de imediato justamente por isso. Mas quando perceberam que o problema era mais grave do que o previsto, eles foram em busca dos parentes de cada passageiro".

Espo informava tentando acalmá-la a todo custo, mesmo sabendo ser uma tarefa quase impossível. Em se tratando de Rick Castle, Kate Beckett só ficaria calma e pensaria racionalmente quando soubesse onde e como ele estava.

Todas aquelas justificativas apenas a feriam mais e mais. Pensamentos obscuros e negativos começaram a dominar-lhe a mente. Sabia que não podia e nem devia se entregar assim, mas o que poderia fazer se a única pessoa capaz de tranquilizá-la era, precisamente, o motivo de seu desalento?!

Cada célula de seu corpo clamava desesperadamente por notícias de seu marido. Sentia que não suportaria nem mais um dia nessa lúgubre.

— Eu só preciso saber onde ele está. – a capitã disse fraco, sentando-se ao sofá e deixando que lágrimas escorressem por sua face.

Próxima à sala, Sofia ouvia a conversa de sua mãe ao telefone. Não entendera muito bem o que havia acontecido, mas sentiu uma enorme tristeza ao vê-la chorar com tanta languidez. Ela era sempre tão forte e decidida, que presenciá-la naquele estado apático causou à garotinha uma enorme vontade de cuidar da mãe.

Mas o que uma pessoinha como ela poderia fazer?! Com um sorriso mínimo brotando no canto de seus lábios, a menina se direcionou à cozinha. Ajudaria Kate a seu modo.

Tenha calma, Kate.— Espo disse, sendo seguido por Ryan.

Tudo irá se resolver.

— Obrigada, rapazes, mas eu só ficarei calma quando Castle estiver aqui de novo.

Desligando a ligação, ela deixou a cabeça pender para o lado, escorando-se no sofá e deixando que mais lágrimas escorressem, desejando que levassem sua dor embora.

Por um momento, esqueceu-se que havia dito a Sofia que prepararia o jantar, até que escutou os passinhos de sua menina se aproximando, vindo da cozinha.

Kate passou as costas de suas mãos no rosto tentando limpá-lo e se ajeitou no sofá. Assim que seus olhos bateram em Sofia, não pode evitar que um sorriso brotasse em seus lábios.

— Preparei nosso jantar.

A garotinha falou indo de encontro a Kate com uma pequena bandeja de metal – que ela carregava com certa dificuldade – contendo dois copos de achocolatado e algumas torradas feitas na torradeira.

A capitã sorriu, comovendo-se com o gesto de sua filha, e se levantou para tirar a bandeja de suas pequenas mãos e depositá-la na mesinha de centro, voltando a se sentar e dando palmadinhas com a mão no espaço ao seu lado, para a menina acompanhá-la.

Sofia sentou-se ao lado de Kate e abriu um sorriso tímido para ela, esperando que fizesse alguma observação.

— Que jantar delicioso, meu amor. – ela comentou, pegando ambos os copos e entregando um deles à menina. O que fez brotar um novo sorriso em seus lábios, mas que logo se dissipou.

— Por que você estava chorando, Kate?

— Nada, pequena, não se preocupe.

— É por causa do que meu pai fez? Você ficou triste porque eu o vi?

Entendendo a preocupação da menina, ela tratou logo de tirar esses pensamentos de sua mente, agitou a cabeça em negação e trouxe a filha para seus braços, plantando um beijo suave em sua testa.

Sabia que ela era muito nova para entender o que estava acontecendo, mas também não achava justo esconder tudo aquilo. Respirando fundo, ela procurou as melhores palavras para explicar a situação.

— Sofia, eu quero te contar algo. – a menina afastou-se minimamente do abraço, levantando a cabeça para olhar nos olhos da mãe.

Kate respirou fundo novamente e segurou as mãozinhas de Sofia nas suas.

— Você sabe que Rick viajou em turnê, certo? – vendo a filha menear a cabeça em afirmação, ela continuou. – Pois bem, ele não chegou ainda no local onde deveria estar, e ninguém sabe onde ele está agora.

Sofia olhou para Beckett com uma confusão estampada em sua face. Não compreendera a gravidade do que estava acontecendo.

— Então... é por isso que você estava chorando?

— Sim, pequena, eu estava chorando por não saber onde Rick está, e isso me deixa preocupada.

­– Não fica assim, Kate. – ela disse com sua voz calma e infante – Tio Rick vai aparecer logo, ele ama muito você e não vai te deixar preocupada.

Ela comentou com a sua inocência meninil e deitou a cabeça no peito da mulher, abraçando-a e se aconchegando em seu colo. Kate sorriu e envolveu sua doce menina em seus braços, sentindo uma felicidade – mesmo que incompleta – crescer em si.

As duas ficaram um tempo naquela posição, e depois comeram o "jantar" feito por Sofia, o qual Beckett agradeceu mentalmente, pois não tinha a menor vontade de ingerir comida. Em seguida, deitaram-se abraçadas na sala de TV.

#

— Katherine? – a voz de Martha ecoou pelo loft.

Kate, que ainda permanecia deitada no sofá com a filha, tirou a menina de cima de si e seguiu em direção a Martha.

Ao ver a nora, a ruiva abriu os braços embalando-a entre eles. Ficaram um tempo nessa posição, apenas dando forças uma para a outra, sem que uma única palavra fosse pronunciada.

— Onde está Sofia? – a mais velha quebrou o silêncio, soltando o abraço para sentar-se no sofá, puxando Kate para seu lado.

— Está dormindo na sala, ela quis ver um filme comigo.

— Ah. Tem notícias de Richard? – ela questionou diretamente.

Assim que soube do sumiço da aeronave, Kate ligou para Martha a informando.

A ruiva achou por melhor não comunicarem o ocorrido a Alexis. Não que quisesse esconder nada dela ou que achasse que ela não pudesse lidar com a situação, apenas não queria alarmá-la em vão. Em seu coração de mãe, tinha o pressentimento de que Castle estava bem e que logo apareceria.

Ademais, ela estava em semana de provas na faculdade – e em nada poderia contribuir na busca pelo pai –, tomar conhecimento da situação apenas iria atrapalhá-la.

— Nada ainda. – Beckett respondeu, suspirando pesadamente – Tudo o que dizem é que o avião saiu da rota e, com isso, eles perderam o sinal. Disseram que estão fazendo de tudo para encontrá-lo.

—Ele aparecerá logo, querida. Precisamos ter fé. – Martha disse segurando em suas mãos.

A morena a encarou e lhe deu um sorriso sincero. Sempre se impressionara com a fortaleza de Martha Rogers. Seu filho estava sumido há quase dois dias, sem que qualquer informação relevante fosse dada e, ainda assim, ela tirava forças, sabe-se lá de onde, para confortar a nora.

Era uma mulher realmente admirável, e Beckett reconhecia isso.

Seguiram-se longos minutos de conversa, nos quais Kate lhe contou o que Ryan e Esposito a informaram, e também se lamentou e chorou, deixando-se embalar pelos reconfortantes braços da sogra, pousando a cabeça em seu regaço acolhedor.

Para Kate, Martha era mais que apenas a mãe de seu marido. Ela era como sua segunda mãe, e a consideração era recíproca.

#

Lanie arrumava-se após o término de seu expediente. Tirou o jaleco pendurando-o no lugar de sempre, e pegou sua bolsa. Ajeitou os cabelos e seguiu sorridente ao encontro de Javier.

Chica! – o latino se levantou de sua mesa, abrindo os braços para receber a noiva.

— Já podemos ir? – ela perguntou após trocarem um rápido, porém apaixonado, beijo.

— Só preciso finalizar esse relatório e vamos.

— Você, Javier Esposito, protelando o expediente para terminar um relatório?! – ela disse rindo, com uma leve ironia em sua voz.

— Ah, se você tivesse recebido uma ligação da capitã Kate Beckett hoje, saberia o porquê de eu querer terminar esse relatório o quanto antes.

— Tão ruim assim?

Espo apenas meneou a cabeça em afirmação, com uma expressão de lamento, e ela compreendeu tudo. Sentou-se de lado na mesa dele e pediu que lhe contasse tudo: as novidades sobre Castle, a prisão de Josh e o estado de ânimo de Kate.

Ele explanou tudo com riqueza de detalhes, relatando, principalmente, o quão desolada Beckett estava.

— Seria bom você ir falar com ela.

— Sim, eu ia dizer isso agora mesmo. Conhecendo Kate Beckett como conheço, posso afirmar que as chances de ela fazer alguma loucura são vultosas.

Ok, chica. Encontro você mais tarde, então?

— Pode apostar que sim.

A legista o olhou com um sorriso travesso brincando em seus lábios e os dois trocaram outro beijo apaixonado, demorando-se no ato.

Com algumas horinhas de conversa, Martha voltou para casa, deixando Kate novamente a sós com a filha. Ela voltou a se sentar ao lado da criança e passou a observá-la dormindo, enquanto lhe afagava os lisos cabelos castanhos.

Um tempo depois, recebeu uma ligação de Lanie avisando que acabara de estacionar em frente ao loft e estava subindo para lhe fazer uma visita.

Kate sorriu com a ligação, sentindo-se um pouco menos aflita. Precisava de alguém que a acalmasse e colocasse seus pés no chão. E, na ausência de Castle, quem poderia ser melhor que Lanie Parish para isso?!

— Oi, garota. – a ME saudou, abraçando a amiga demoradamente – Como está tudo por aqui?

— Vazio. – ela respondeu, afastando-se dos braços de Lanie e lhe oferecendo um sorriso triste.

— Sinto muito, amiga. Javi me disse que estão tentando de tudo para encontrá-lo.

— Sim, ele me falou. Eu queria tanto estar lá, mas tem Sofia...

— Por falar nela, onde está minha afilhada?

— Dormindo na sala de TV como um anjinho.

Kate comentou com um sorriso bobo nos lábios, lembrando-se de como o relacionamento das duas já havia avançado.

Chamou Lanie para a cozinha e lhes serviu duas taças de vinho, sentando-se à bancada sendo acompanhada pela amiga.

— Eu não posso simplesmente deixá-la, Lanie.

— Eu sei, amiga. – a morena disse ao segurar suas mãos, dando-lhe conforto.

— Eu... eu não nego que estou morrendo por dentro e que o que eu mais queria era jogar tudo para o alto e sair em busca de Castle, mas... eu tenho uma filha pequena.

Ela comentou como se tentasse se justificar, mesmo sabendo que não precisava, e que Lanie – ou qualquer outra pessoa – não a julgaria por isso. Continuou, agora se referindo totalmente à filha.

"Ela já sofreu tanto. Sempre foi abandonada, deixada de lado, tratada sempre como segundo plano. Eu não quero que ela volte a passar por isso. Não quero que ela, sequer, cogite a possibilidade de voltar a ser deixada de escanteio. Ela é a pessoa mais importante para mim, Lanie. Ela e Castle".

Lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto da capitã, e ela não as conteve. Não precisava esconder suas fraquezas ante a amiga. Não precisava e nem queria.

A legista se aproximou dela acolhendo-a entre seus braços, deixando que ela chorasse tudo o que precisava. Apenas por citar o nome do marido, Kate já sentia seu coração vacilar e toda a dor existente em si transbordava de seu corpo em forma de pranto.

Ainda dentro do abraço hospitaleiro da amiga, Kate voltou a falar. A voz saindo abafada, tanto pelo choro quanto pelo rosto enterrado no peito de Lanie.

— Não posso abandoná-la de novo, Lanie. Eu tentei evitar que ela soubesse de tudo o que está acontecendo e, mesmo não entendo a gravidade por trás dessa situação, ela sabe que algo sério aconteceu com Castle.

— Tudo se resolverá logo, Kate, você vai ver. Logo o menino escritor aparecerá e toda essa dor vai passar. Enquanto isso, continue cuidando da nossa garotinha. Ela precisa de você, e você precisa ainda mais dela.

— Eu falhei miseravelmente na tentativa de esconder dela o que estou sofrendo. – Kate comentou, afastando-se dos braços de Lanie e passando a palma das mãos no rosto para secar as lágrimas – Ela fez nosso jantar quando me viu chorando.

Ela fez?! – a ME questionou impressionada.

— Sim – Kate riu com a lembrança –, ela fez dois copos de achocolatado e algumas torradas. Castle a ensinou como se usa a torradeira.

Lanie riu, achando adorável a atitude da afilhada. Ela realmente estava se abrindo para a mãe e isso, com certeza, era o que Beckett mais precisava no momento. Sofia seria seu ponto de força para enfrentar toda aquela dor que habitava nela.

— Eu fui tão inconsequente com ela, Lanie.

— Kate, eu não acredito que você ainda se culpa por aquilo!

— É claro que sim.

— Amiga, foi um acidente. Ninguém tem culpa.

— Se eu não tivesse agido sem pensar, se eu tivesse ficado na delegacia como deveria, nada disso teria acontecido.

— Kate... – a morena tentou argumentar, mas foi interrompida.

— Não, Lanie. Sofia nasceu prematura e foi levada por causa da minha inconsequência.

* flashback: sétimo mês de gestação *

Beckett, Esposito e Ryan estavam no meio de uma investigação. A capitã Gates havia proibido que a morena fosse a campo, deixando-a apenas com a papelada e ajuda dentro da delegacia.

Castle não pode participar da resolução do caso naquele dia, Gina o havia convocado – porque só assim ele não faltaria – para uma reunião na editora. E ele foi, mesmo que a contra gosto, deixando Kate cheia de recomendações: não faça nada imprudente, eu voltarei logo; ligue-me se precisar de algo, não importa o que seja; não se esqueça de se alimentar, as duas pessoas que mais amo no mundo estão aí nesse corpo.

Ela apenas riu, achava extremamente adorável todo o cuidado que seu escritor tinha para com ela. A cada dia sentia-se mais apaixonada por aquele homem.

Espo e Ryan haviam saído em busca do assassino, e Beckett ficou sozinha no 12th. Aproveitando que ainda não tinha trabalho burocrático a fazer, ela se dispôs em frente ao quadro branco, acariciando sua volumosa barriga de trinta semanas de gestação, e passou a observar todas as evidências que haviam coletado ao longo da semana.

Ai não, ela sussurrou ao constatar algo.

Eles estavam indo atrás da pessoa errada e, pior, o verdadeiro assassino iria fugir.

Correu em busca de seu celular e disparou ligação atrás de ligação para os dois parceiros, mas eles não a atendiam. Resolveu ligar para Castle e nada também.

"Mas que droga, qual é a dificuldade de atender um celular?", a detetive esbravejou em desespero. Não podia deixar que o assassino fugisse assim, precisava fazer algo.

Sabia que havia jurado a Castle que não faria nada imprudente, mas não poderia simplesmente ficar sentada em sua cadeira e deixar que um homicida saísse impune. Isso sim seria imprudente. Ela tinha obrigação de impedi-lo.

Pegou as chaves de seu carro e correu para o estacionamento. Passou uma mensagem de texto para os rapazes, e também para Castle, informando o que estava fazendo e para onde iria.

"Você não vai fugir, não dessa vez", ela disse, já apertando o acelerador, indo a toda velocidade em busca de seu suspeito. Passados menos de cinco minutos, a detetive avistou o carro que buscava e deixou escapar um sorriso vitorioso.

A sirene da viatura ligada. Os olhos fixos no Audi preto à sua frente. Todos os sinais vermelhos sendo ultrapassados.

De repente, o som de seu celular tocando invadiu o carro, ela pensou em ignorar, mas viu o nome de Castle na tela. Era melhor atender. Desviou rapidamente os olhos de seu caminho e deslizou o botão verde para o lado, em seguida, deixou o celular no banco do carona, ativado no modo viva-voz.

Kate, para esse carro!— ele disse assim que ela atendeu.

— Não posso, Rick. Ele está há centímetros de distância. Vou ultrapassá-lo e obrigá-lo a parar.

Kate, é arriscado. Esposito e Ryan estão te procurando, me diga onde você está.

— Castle, não dá tempo, ele vai escapar.

Kate, por favor, me...

Mas ele interrompeu sua fala bruscamente ao ouvir um estrondo do outro lado da linha. Um som estridente de uma buzina ecoou pelo alto falante do aparelho, seguido do grito de sua namorada. E, de repende, silêncio.

Castle chamou desesperadamente por Kate, mas era tarde, a ligação havia caído.

#

— Precisaremos realizar um parto de emergência em sua mulher, senhor Castle, a vida dela e da criança está em risco. – o médico informou, precisava da autorização de Castle para dar prosseguimento à cirurgia.

O escritor apenas meneou a cabeça em afirmação, ainda complemente atordoado pelo ocorrido de momentos atrás. A sirene e o grito de Kate repetiam-se como um eco em sua mente, um eco que lhe dilacerava a cada repetição.

— Faça o que precisa ser feito, doutor. Mas salve minha mulher e minha filha.

— Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, senhor Castle.

O médico falou, retirando-se em seguida. Rick escorou na parede, deixando seu corpo deslizar até o chão, sendo amparado pelos braços da mãe.

Todos estavam ali, aguardando e desejando que tudo acabasse bem.

*flashback off*

Lanie achou melhor não dizer mais nada, sabia que não iria conseguir tirar essa ideia da cabeça da amiga. Ela carregaria essa culpa para sempre.

Ao menos, agora, sua criança estava de volta.

#

— Senhor Castle? – o homem chamou, aproximando-se – É hora de irmos.

Notas finais
E então, o que acharam? Comentemmmm, por favor. Qualquer reclamação ou, sei lá, se quiserem ser minhas amiguinhas, vou deixar aqui o meu twitter: @beijaostana. Gritem lá à vontade ;)