Notas iniciais
essa é a décima nona fic da série e antes dela teve "A Lona Romana"

Eu estava deitado naquela cama espaçosa de hotel com Sereny em meus braços. Ela estava silenciosa por algum motivo que eu não sabia. Eu ainda me acostumava com suas profundas reflexões.

– Pode me dizer o que é que você está pensando? – eu perguntei, depois de um longo tempo em silêncio.

– Estou pensando em como esses dias têm sido bons pra mim – ela respondeu, em voz baixa e eu ri de seu desanimo.

– Quanto entusiasmo! – disse, irônico.

Ela me olhou surpresa. Sereny fazia muito disso, não sei se era porque minhas ações a surpreendiam mesmo, ou se era por minhas reações que ela passava a enxergar melhor as dela.

– Desculpe, não quis que parecesse entediada... É que, só de pensar que se aproxima o dia de partir... – sua voz desaparecer, eu achei que ela estava engasgada com um nó na garganta.

– Ah – essa era minha ‘brilhante’ resposta. Apertei-a em meus braços.

– Não quero ficar longe de você... – ela se apertou em meu peito.

– Nem eu...

– Eu não quero voltar, Kou... Não quero ir embora, me deixa ficar aqui?

– Era tudo o que eu mais queria... – confessei.

Ela ergueu o rosto pra me encarar, o sorriso que eu amava iluminando seu rosto. Senti um aperto no coração e desviei o rosto.

– Mas eu preciso pensar antes em você do que no que eu quero... – suspirei.

Seu sorriso se fechou, assim como seus olhos.

– Eu não quero voltar... – ela disse, manhosa.

– Mas e o seu francês? Sua pós? Seu mestrado e seu doutorado?

– Eu largo tudo!

Eu ri. Como era lindo quando ela demonstrava seu amor por mim.

– É um peso muito grande sobre os meus ombros – declarei.

– O que quer dizer?

– Você jamais me pediria pra desistir da banda como eu posso deixar que desista de sua carreira por mim?

Ela ficou um tempo em silêncio.

– Não é lá que eu quero estar. Não é lá que eu devia estar! – Sereny disse, novamente manhosa.

Eu a puxei para o meu colo e afaguei seus cabelos. Ela beijou meu pescoço.

– Você tem um plano... – eu lhe disse.

– Não importa.

Eu ri.

– Quando você quer ser teimosa...

– Eu sei o que eu quero, Kou!

– Eu sei, Ny! E eu já sou seu.

Ela deitou a cabeça em meu ombro, entristecida.

– O que aconteceu? Pensei que estivesse animada com o francês...

Ela suspirou.

– O futuro ainda me assusta...

– Mas eu estou aqui – a abracei ainda mais forte.

– Por isso não quero ir embora – ela envolveu minha cintura com os braços e se aninhou em meu peito.

– Sua mãe me mataria se eu permitisse que ficasse, Sereny – disse sério.

– Ela teria de vir até aqui – ela desafiou.

– Você tem de voltar.

– Você sabe que os últimos quatro anos foram os piores da minha vida! Eu nunca senti tanta angústia, pavor e solidão! Eu chorei por meses sem parar, sem esperança...

– Agora você tem a mim! Não está mais sozinha!

– Kou! É um ano de francês, dois de pós...

– Dois de mestrado e três de doutorado. Sei disso! Mas o mestrado e o doutorado não são tecnicamente aulas, apenas pesquisa, não é? Depois da pós, não vai mais precisar sentar numa classe e assistir.

– Mas eu vou terminar com 30 anos!

– E eu vou estar com 38...

Ela suspirou, aflita. Se tinha uma coisa de que ela realmente não gostava era de ter seus argumentos rebatidos e não era apenas porque ela não gostava de perder, o que ela menos gostava era de tentarem convencê-la ao invés de simplesmente concordar com ela.

E o que eu menos gostava era de ver aquele rosto entristecido. Adorava paparicá-la e satisfazer todos os seus caprichos, me via deliciado quando ela me convencia a fazer o que ela queria e quando ela sorria por ter conseguido. Mas dessa vez, eu não podia ceder.

– Eu não vou sobreviver a isso... – ela disse, emburrada.

– Ora, não seja dramática! – eu ri. – Sobreviveu à faculdade, não sobreviveu?

– Hum – ela respondeu, mal humorada.

– Ny – segurei seu rosto entre as mãos, forçando a me olhar. – Não fica desse jeito, vai? Você sabe por que eu tenho que falar “não”!

– Por favor... – ela choramingou.

Fechei os olhos, tentando não encarar aqueles olhos entristecidos e pidões, sentindo imensa dor. Era mais difícil do que eu imaginava lhe negar alguma coisa.

– Por favor, Kou... – ela disse, mais uma vez. Que jogo baixo o dela...

– Não faça isso comigo...

– Mas eu só quero ficar com você... – ela distribuiu beijinhos por todo o meu rosto e eu colei seus lábios nos meus com urgência e entusiasmo.

Separamos nossos lábios necessitados de ar, mas sem nos afastar, permanecendo com as testas encostadas, os olhos fechados, ambos respirando o mesmo ar.

– Vamos fazer assim – comecei – você volta, faz o francês e os dois anos de pós – ela resmungou e eu ri e apertei sua bochecha. – Posso terminar? – ela assentiu. – Se você ainda quiser desistir, eu busco você, te trago pra cá e você está livre do mestrado e do doutorado. Se quiser, eu até me entendo com seus pais...

Seus olhos brilharam e ela sorriu.

– Faria isso por mim?

– Eu acho que vou passar o resto de meus dias tentando fazer tudo que me pedir...

Era a coisa mais verdadeira que já disse em minha vida. Ela me amava do jeito que eu era e faria tudo pra vê-la feliz.

Notas finais
mereço reviews???

a fanfic depois dessa se chama "Com Todo o Meu Coração"
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!