Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.

5 Capítulo 4 - Presente de Aniversário - Parte 2


Notas iniciais
Bom, gente, na verdade, como já disse, esse "capítulo" teve que ser dividido, mas em três e não em dois como havia pensado. sauhuhasuh Portanto, Os capítulos 4, 5 e 6 são o mesmo dia! ^^ Coloquei o "29 de novembro" no início, mesmo assim, pra não ficar confuso! Espero que gostem! *--*

29 de novembro, meio da tarde. Elza retorna de uma banca de revistas, onde procurara uma que lhe entretivesse, porém, sem sucesso, apenas carregando uma pequena bolsa a tiracolo. Passa por uma praça abandonada, chão cimentado, com sobejos de um banco, um pilar alto e razoavelmente largo, onde ainda conserva-se uma estátua de cupido, pois, é o melhor caminho que há no momento. Receosa, olha para trás para garantir que não há perigo de caminhar sozinha por ali. Resolve acelerar o passo, todavia, quando torna a olhar para frente depara-se com Fellipe a encarando sorridente. A menina assusta-se, arregalando seus olhos.

- Mas olha quem eu vejo aqui! – Provoca o jovem.

- Tô com pressa! – Responde rude e pávida, passando pelo rapaz apressadamente. Fellipe a segura pelo braço.

- Pressa? Por quê? Tenho tanto pra falar com você...

- Pois eu não tenho nada pra conversar com você!

- Calma aí, loirinha! Bravinha assim, eu só tenho uma saída! – Fellipe a agarra.

- ME SOLTAAA!

- Hmmm... Não! Tenho uma ideia melhor! – O garoto tenta beijá-la à força, porém, Elza faz o possível para se desviar.

- ME LARGA! Ou eu vou gritar!

- Ah, fica quietinha, vai! Quieta, você fica muito mais bonita!

Elza dá um grito muito alto que faz Fellipe soltá-la e tapar seus ouvidos, expressando incômodo. A garota tenta escapar, no entanto, o pravo jovem a detém mais uma vez, puxando-a pelo braço.

Alberto caminha próximo a essa praça que fica no bairro vizinho, perto da divisa, mudando seu trajeto habitual, sem saber exatamente o porquê, só queria andar um pouco e tentar esquecer a tal sensação. Ouve o grito de desespero e corre para procurar de onde teria vindo. Assim que se aproxima mais, anda vagarosamente e com muita cautela.

Enquanto isso, Elza ainda tenta se desvencilhar de Fellipe:

- Saaai! Já disse que não quero... Ai, eu nunca vi alguém mais sem noção do que você!

- E eu nunca vi alguém mais gostosa do que você! – Diz, com olhar malicioso.

A menina enrubesce um pouco e ameaça dar um tabefe no rapaz, irritada:

- Seu... SAFAD... – Fellipe segura seu braço e a impede.

- Opaaa! Se eu fosse você, não faria isso!

- MAS NÃO É! – Elza tenta se livrar já que o agressor resolve segurá-la pelo outro braço igualmente.

Alberto chega sorrateiro e se esconde atrás de uma parede onde havia um comércio, agora, abandonado e parcialmente destruído, assim que descobre de onde vem o clamor de desespero. Vê Fellipe de costas e o reconhece: “De novo esse idiota?”, pensa.

- ME LARGAAA! – Grita Elza, mais uma vez.

Assim que Alberto vê a menina que está sendo atacada por Fellipe paralisa. Seus olhos arregalam e ele fica entorpecido. Aquele friozinho no estômago que sente desde manhã, volta com extrema intensidade. Olha, então, para sua barriga e pensa: “Então... Era...” Não sabe bem o que imaginar. Seria aquela garota o motivo da sensação agradável? Levanta sua cabeça novamente e olha Elza da cabeça aos pés, embevecido com sua beleza. Observa cada detalhe: sua pele, seus cabelos, sua blusinha verde como seus belos olhos e sua saia branca cheia de estampas, um pouco acima dos joelhos. Pisca seus olhos e balança levemente sua cabeça para despertar do êxtase em que estivera.

- Sai, Fellipe! – Resmunga a moça. “Hmm... Fellipe! Então, é esse o nome dele?!” pensa Alberto.

- Mas como você é difícil, hein?! Pois eu gosto das difíceis!

- E você é IMPOSSÍVEL... De agüentar! E eu não gosto nem um pouco de você! Me solta ou eu grito de novo!

- Já disse que você fica mais bonita quietinha!

Elza torna a gritar. O rapaz, irritado, a segura por um braço e solta o outro para tampar seu ouvido novamente. Alberto apenas vendo e ouvindo tudo, expressa certo incômodo, porém, ri, em seguida, gostando da atitude da menina. Pensa: “Preciso fazer alguma coisa! Mas o quê? Não posso deixar que ela me veja...”. Preocupa-se, pois, está acostumado a não se expor, apesar de sua fama no bairro. Não ajuda, não protege com a intenção de se ostentar. Alguns poucos anos atrás, não se importava com isso. Não pensava que poderia lhe trazer prejuízo o fato de aparecer na hora de defender alguém. Por esse motivo, muitos o conheceram e o admiram, porém, há aqueles que só querem ver sua derrota. Quem é protegido não lhe quer mal, muito pelo contrário. No entanto, mostrar-se mesmo para a vítima que não o conhece pode não ser uma boa ideia já que esta pode querer contar para outras pessoas e, sem querer, acabar prejudicando-lhe.

- Ahhh! Para de gritar! Já sei! É a melhor coisa pra fazer você ficar quieta! – Fellipe tenta beijá-la mais uma vez. Elza faz o possível para desviar-se.

Alberto enfurece fechando lentamente e com firmeza uma de suas mãos. Torce para que a garota consiga libertar-se do agressor. A menina, com muita raiva e atemorizada, consegue empurrar Fellipe com força, desvencilhando-se do mesmo. Corre o mais rápido que pode, sem olhar para trás. O perverso garoto quase cai, entretanto, consegue se equilibrar.

- Isso! – Murmura Alberto para si mesmo, sorrindo.

- EI! VOLTA AQUI! A GENTE AINDA PRECISA CONVERSAR! – Grita o cruel rapaz, recuperando-se e indo atrás de Elza.

- Sua conversa, agora, é comigo! – Alberto sai de trás da parede e pega na gola da camiseta de Fellipe, pelas costas, sufocando-o e arrastando-o para fora da praça, porém, nos arredores da mesma.

Um pouco distante dali, Elza não percebe o que aconteceu e nem consegue ouvir os dois garotos. Esbaforida e ainda apavorada, esconde-se atrás de um muro de um dos terrenos abandonados da região. Percebe que tudo fica calmo e estranha. Olha com muito cuidado para ver se está segura, se Fellipe estaria atrás dela. Nada. Desconfiada, permanece escondida por mais alguns minutos.

Enquanto isso, Fellipe, sem reação, por ter sido pego de surpresa, tenta puxar com as duas mãos a gola da própria camiseta para poder respirar. Alberto o segura pelo braço e o vira, segurando sua camiseta, agora, pela frente, com as duas mãos. Empurra-lhe com força contra a parede onde estava anteriormente:

- Pensei ter dito que era pra deixar os outros em paz! – Repreende furioso.

- Ah, não... – O agressor respira fundo e irrita-se, mexendo rapidamente a cabeça para o lado, tornando a encarar Alberto, em seguida. – Você de novo?

- Pois é! E já que você é bom em guardar fisionomias, guarda a minha, então... FELLIPE!

- Ahhh! Já sabe o meu nome?! Muito bom! Meus parabéns! Agora, vê se não esquece, hein?! – Ironiza.

- Ouvi a menina falar!

- Sério? Que coisa feia! Ouvindo a conversa dos outros!

- Coisa feia é...

- Você?

-... O QUE VOCÊ FAZIA COM ELA! NÃO SABE TRATAR UMA MENINA, NÃO?

-Ai, ai... O que eu tenho que ouvir... – Fellipe olha para cima com descaso. – Escuta! Me solta e a gente conversa civilizadamente, ok?

Suspeitoso, Alberto permanece alguns segundos fitando o agressor com muita ira no olhar. Vendo que este não reage, o solta, dando-lhe um voto de confiança.

- Aí! Muito bem! – Diz Fellipe, fingindo calma. Levanta seu braço direito repentinamente e dá um soco no rosto de Alberto que cai no chão. – Ah... Esqueci! “Civilizadamente” não é uma palavra que consta no meu vocabulário! ‘Foi mau’!

O jovem valente dá uma rasteira em Fellipe fazendo-o cair e levanta-se.

- DESGRAÇADO! Deveria aprender umas coisinhas! A ser civilizado... – Alberto o segura pelo braço novamente e lhe dá um murro. – E a respeitar as garotas!

O malvado, enfurecido, ergue-se do chão e alerta:

- Fica... Longe dela, entendeu? Você pode até defender seu amiguinho idiota que mais parece uma criancinha indefesa! Mas dela... É melhor você se afastar!

Alberto sorri irônico.

- Que medo!

- POIS É BOM TER MEDO, SENÃO... – Fellipe ameaça bater em Alberto novamente.

- SENÃO O QUÊ? – O corajoso rapaz segura o braço do inimigo pelo pulso, entortando-o. Fellipe grita.

- SOLTAAA! – Alberto larga o pulso do garoto e este olha seu braço e toca-o com a outra mão, sentindo muita dor. – IDIOTA!

- Vaza!

- OTÁRIO! BABACA! INÚTIL! IMBECIL!

- Tá perdendo seu tempo me xingando! Tô nem aí pro que você fala!

- Pois vai estar quando eu tornar sua vida um inferno! UM INFERNO, ENTENDEU?

- Aham! Entendi! Agora, dá o fora! – Responde indiferente.

- Você ainda vai me pagar por isso! Ah, vai! – Fellipe começa a ir embora ainda segurando seu pulso. Olha para trás e avisa. – Não tente se aproximar dela ou você vai se arrepender!

Alberto não diz nada para não prolongar mais a briga. Assim que Fellipe vira de costas e se distancia, o jovem balança a cabeça negativamente.

Elza resolve retornar ao local da confusão, pois, na hora de fugir, sem pensar, correra para o lado contrário de onde teria que ir para voltar para sua casa ou para onde suas amigas estivessem talvez. Percebe que está tudo tranquilo, porém, tem receio, pois, sabe que Fellipe não a deixaria em paz assim tão facilmente. Anda devagar até a praça. Alberto retorna ao mesmo lugar onde Elza fora atacada e, com cautela, olha ao redor para saber se está tudo bem e onde estaria a bela moça que vira sendo assediada pelo agressor. Olha para frente e, de longe, vê que a menina volta ao local. Sem que ela perceba, se esconde rapidamente atrás do pilar onde há a estátua. Elza somente vê uma sombra como se alguém se movimentasse com rapidez. Receosa, para e caminha em seguida, bem devagar, olhando toda a praça. Alberto se esconde do lado contrário de onde a menina está. Por isso, ela não o enxerga ali. Estranha mais uma vez e desconfia de que não seja Fellipe, pois, se fosse, para que ele se esconderia?

- O-oi! T-tem alguém aí? – Pergunta a jovem, balbuciando. – O que aconteceu? – Diz com voz mais baixa como se perguntasse para si mesma, tentando entender o sumiço repentino do cruel rapaz. – F-foi você quem me salvou? — Percebe que ninguém responde. — Acho que não tem ninguém aqui! – A menina anda próximo ao pilar. Alberto escuta os passos de Elza e muda de lugar, ficando novamente do lado contrário de onde está a garota. – Ei! Eu só quero agradecer! Por que você não aparece? – “Não precisa agradecer, pequena!”, pensa Alberto, sorrindo timidamente. – Será que eu tô falando sozinha? – “Não tá, não!” pensa o rapaz mais uma vez. Sem querer, Alberto acaba respirando fundo, quase suspirando, não conseguindo controlar a sensação prazerosa que tem ao estar perto da jovem, sem nem mesmo entender o porquê. – Eu... Ouvi alguma coisa! Uma respiração! Tem alguém aqui, né?! – Alberto engole em seco. Elza anda mais um pouco em volta do pilar, no entanto, Alberto consegue esconder-se de novo. – Hã?! N-não tô entendendo nada... – O garoto que a livrou dos braços de Fellipe ri, contudo, sem fazer barulho algum. A jovem continua caminhando e Alberto torna a se esconder a cada passo da menina, procurando fazer o mínimo de barulho possível para ela não notar a sua presença. Elza pensa em ir embora, desistindo de tentar descobrir o que teria acontecido, se alguém a teria salvado. Antes, diz:

- Eu... Só queria agradecer! Mas... Você não aparece... – Fala um pouco amuada, porém, com carinho na voz. Vira de costas para o pilar, pensativa. Percebendo que silenciou, Alberto olha com muito cuidado, para ver se ela ainda está lá. Por sorte, ela não o vê e ele a admira, pensando: “Desculpe, coisinha linda!”. O frio na barriga só aumenta cada vez mais. Elza torna a virar-se para o pilar, e antes que ela o visse, o garoto esconde-se novamente. – Ei! Foi você que acertou o Fellipe e o Lucas da outra vez? Quer dizer... No início do mês? Acho que foi na primeira semana! – Insiste em tentar uma conversa. Alberto reflete, lembrando-se do que aconteceu e do que Elza estaria falando: “Fellipe e Lucas? Ah, agora, já sei os nomes dos dois! Acho que ela tá falando do dia em que eles bateram no Anacleto!”. – Cuidado, tá? Aqueles dois são... Malucos! Ninguém sabe o que se passa na cabeça deles! – “Não se preocupe, lindinha!”, responde em pensamento e sorri novamente.

Elza resolve ir embora e despede-se:

- Bom... Já que você não quer aparecer... Eu tô indo... – “Que pena!”, pensa Alberto, mudando sua expressão. – Mas... Obrigada, tá? Mesmo! Você não sabe o alívio que me deu por me livrar do Fellipe! Ele é muito sem noção! – Alberto sorri de lábios fechados mais uma vez, feliz pelo comentário de Elza. – Er... T-tchau! Isso se eu não estiver falando sozinha mesmo... – A menina caminha em direção ao local aonde iria anteriormente, quando foi impedida por Fellipe.

Alberto aguarda alguns segundos e, olhando para conferir se a jovem fora embora mesmo, sai de trás do pilar e a observa de longe, extasiado. Percebe seu coração bater acelerado e toca em seu peito, lentamente.

- Ah, não, Alberto! Caramba! – Diz para si mesmo, reprovando-lhe. Olha para a estátua de cupido e brinca, em voz baixa. – É culpa sua! – Sorri. – Eu tô ficando maluco já! – Resolve ir embora para sua casa, tocando sua boca e seu braço direito que estão sangrando, porém não com muita intensidade.

Notas finais
Gostaram? Por favor, me digam se tem algo errado, os tempos verbais (que eu fiquei muito na dúvida), ortografia e etc. Podem falar sem problemas! Me ajudam e MUITO! ;) Estão curtindo a história? Podem me dar dicas, agradeço! ♥