Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.

6 Capítulo 4 - Mistério - Parte 3 (Final)


Notas iniciais
Enfim, a última parte do aniversário de Alberto. Espero que curtam! ;)

29 de novembro. No caminho de volta, Elza vê suas amigas reunidas e sentadas em uma espécie de mureta com uma grade atrás que faz parte de uma praça relativamente grande, porém, menor que a principal do bairro onde Alberto mora. Algumas lojas simples poucos metros atrás da praça completam o ambiente em que Bianca, Marília, Júlia, Débora e Ariane estão. Refletindo ainda no que acabara de lhe acontecer, Elza não diz nada mesmo ao vê-las. Notando sua expressão de pasmo, suas amigas a cumprimentam e a convidam para sentar-se junto com elas. A menina nega, pois, está sem reação e confusa com todo o ocorrido. Bianca lhe pergunta, preocupada:

- Que foi, Elza? Que cara é essa?

- Hã? Ah... Er... Não... Nada! – Responde de início, para não preocupar suas amigas.

- Como nada? Tá aí com essa cara de espanto! Que houve? – Diz Ariane.

- Ah... Tá... Não... É que... Aconteceu uma coisa estranha agora! O Fellipe veio me atacando e...

-... E desde quando isso é estranho? Ele sempre te encheu! – Brinca Marília, no entanto, igualmente apreensiva assim como as demais amigas de Elza.

- Maríliaaa! – Repreende Bianca, levemente risonha. A jovem atacada pelo cruel rapaz, ainda perplexa, não dá muita atenção e prossegue com as explanações.

- Eu sei! Mas... Tá... Foi assim: Eu tava andando... Naquela praça lá... Do cupido...

- Justo essa? – Marília a interrompe e a olha com desconfiança. Elza a repreende com o olhar e ri.

- Engraçadinha! Então... E ele veio me encher! Depois de muito tentar, eu o empurrei, mas, fiquei com medo que ele viesse atrás de mim! Eu não ia conseguir correr muito! Ele ia acabar me alcançando! Mas eu não entendi depois! Porque ele sumiu... Não foi me procurar...

As cinco meninas ficam boquiabertas e algumas franzem as sobrancelhas.

- Ei! Lembra daquele dia que a gente viu o Fellipe e o Lucas machucados? Será que o mesmo que bateu neles aquele dia apareceu pra te defender hoje? – Presume Ariane.

- O SEU NOIVO?! – Zomba Marília, boquiaberta. Elza a olha, ridente e reprovando-a.

- Que história é essa de noivo? – Estranha Débora, rindo.

- É... A gente só sabia que os dois apanharam, provavelmente, mas... – Concorda Júlia, risonha, querendo dizer que souberam, pelas amigas, do ocorrido.

- Não... Tem nada de noivo! É invenção da Marília! – Diz Elza, um pouco encabulada.

- Mas, sério, você não conseguiu, então, descobrir o que aconteceu? – Pergunta Bianca.

- Não! Eu voltei pra praça e vi uma sombra! Aí, fiquei conversando, perguntando quem tava lá, agradecendo, só que não me responderam... ‘Me senti’ falando sozinha... Mas eu tenho certeza que tinha alguém... Porque... Além da sombra, eu ouvi uma respiração...

- Respiração? Como era essa respiração? – Pergunta Marília.

- Quê? Como assim?... Ah, sei lá! Era uma respiração, ué! – Elza franze as sobrancelhas. As outras garotas riem um pouco, estranhando também o que Marília estaria querendo dizer desta vez.

- Ah, então, respira aí do jeito que você ouviu!

- Deixa de ser louca, menina! – Debocha Ariane, rindo. Marília gargalha alto.

- É sério, gente! – Diz a mais brincalhona das meninas, ainda rindo muito.

- Tá... Foi... Mais ou menos assim – Elza tenta imitar a respiração de Alberto, porém, começa a rir. – Ah, enfim... Pareceu um... Um... – Olha suas amigas e prefere não dizer para evitar escárnios.

- Um...?

- Um... O quê? – Pergunta Marília, assim como Ariane.

Elza respira fundo e toma coragem para completar sua frase:

- Um... Suspiro! – Fala com certa rapidez e menor volume na voz. Entretanto, suas amigas ouvem.

- Suspiro? Elza! Ele tá apaixonado por você! – Brinca novamente Marília, boquiaberta. As quatro amigas de ambas gargalham. A mais brincalhona fica risonha. Elza enrubesce e ri.

- M-Marília! Chega! Tá? Fica quietinha! – Responde a menina protegida por Alberto.

Marília gargalha mais uma vez e completa:

- Tá bom! Eu paro! Mas eu tô te falando que você devia se casar com ele!

- Aaai! Eu vou te bater! – Elza ri, envergonhada.

- Não! Não! Calminha! – A menina de cabelos ruivos ameaça levantar-se, ridente.

- Bom... Eu sei que ainda vou descobrir o que aconteceu hoje! Se alguém me defendeu e quem foi! Mas agora... Eu fiquei tão feliz por ter me livrado do Fellipe que vou pagar um sorvete pra cada uma! – Diz a vítima do agressor. As amigas levantam-se e comemoram com gritos de alegria, porém, não exagerados. – Mas um só... Também não tô podendo tanto assim, hein?!

- Ok! Tá ótimo! – Concorda Débora.

- Viu? Ele já te faz feliz! – Zomba Marília.

- Ai... – Elza ameaça dar um tapa de brincadeira na amiga. A ruiva corre, escondendo-se atrás de Ariane que está mais distante da mesma. As seis meninas riem e caminham até a sorveteria, conversando e gargalhando.

Enquanto isso, Alberto entra em casa e vai direto ao banheiro para lavar sua boca ensanguentada. Dá sorte de sua mãe não o ver assim, ao menos, até então. Antes, passa um pedaço de papel, fechando-o bem para que sua família não perceba para não se preocuparem e joga-o no cesto de lixo. Lava sua boca e também seu braço, próximo ao cotovelo. Percebe que sua boca para de sangrar um pouco, mas a ferida ainda, apesar de pouca, pode-se notar. Vai até a lavanderia e pega um pequeno pedaço de pano para conter o sangramento do braço. Enquanto segura o pano, recorda-se encantado da menina que salvara. Sorri sem perceber. Sua mãe entra na lavanderia e o tira de seus pensamentos.

- Oi, filho! Não tinha visto que tinha chegado!

- Pois é... Er...

- Então, agora... – Cibele o interrompe. – Você não vai sair mais, né?!

- Não, não! Vou ficar em casa! – Alberto sorri timidamente.

- Ah, bom! Depois, se arrume, então! E... Alberto, o que é isso na sua boca? – A mãe do rapaz assusta-se ao ver a pequena ferida em seus lábios.

- Ah, não é nada, não, mãe! – Prefere não preocupá-la.

- Sei... ‘Me mostra’ o braço! Por que você tá com esse pano, hein?!

- Mãe, não...

- Alberto! ‘Me mostra’ logo esse braço! – Cibele diz séria. Alberto tira o pano de cima e estende seu braço. O sangue não escorre mais como antes. Porém, o machucado é bem visível. A senhora suspira e o repreende:

- Não acredito! Você já ‘tava’ brigando na rua... De novo?

- Mas, mãe... Não aconteceu nada! Eu tô bem!

- Que bom, né?! Só que você já parou pra pensar que isso pode ser perigoso?

- Relaxa, mãezinha! De boa! Já disse que eu tô legal! – Alberto tenta despreocupá-la com jeito.

- Ai... Será possível que, nem no dia do seu aniversário, você fique mais na sua, pra não correr riscos? Filho, eu me preocupo com você! Seu pai também e...

- Mãe, eles não escolhem dia pra atacar!

- Tá bom, eu sei, mas há outras maneiras de denunciar esses...

- Eu sei! Mas até lá, eles já acabaram com todo mundo! Não dá pra ficar esperando!

- E eles vão acabar com meu filho?

Alberto olha sua mãe com carinho, sorrindo timidamente. Aproxima-se e a beija em sua testa.

- Mãe! Eu tô bem! Tá? Fica tranquila! Eu sei me cuidar!

- Ah... Sabe, né?! – Cibele respira fundo. – Ai, eu não sei mais o que fazer... Bom, vê se o senhor cuida dessa ferida e se aquieta em casa agora! Seus amigos disseram que horas viriam? Não pode ser muito tarde porque seu pai chega cansado, a Carla dorme cedo e...

- Eu sei! Eles vêm lá pelas 18 ou 19 horas! E eu vou pro meu quarto ficar lá quietinho, tá? – Sorri.

- Você tá é muito feliz pra quem acabou de brigar na rua! Posso saber o que aconteceu?

- Feliz? Não... Nada! Tô... Normal! Ah, acho que é pelo aniversário! Bom, tô indo lá pro meu quarto! – Tenta fugir do assunto.

- Tá bom! Ê, menino!

Alberto ri e entra em seu quarto, encosta a porta e deita em sua cama, exausto. Com algumas horas ainda para seus amigos chegarem, relaxa e fica pensativo em tudo o que acontecera no dia. Especialmente na menina de cabelos dourados que não lhe sai da cabeça. “Ela é tão linda! Como será que se chama?”, o rapaz perde-se em seus pensamentos. De repente, lembra-se do alerta de Fellipe para afastar-se dela. Promete para si mesmo que irá protegê-la e, apesar de sentir certo incômodo com as palavras do agressor, pensa que aquela bela menina é apenas mais uma vítima de pessoas mal-intencionadas como ele e Lucas. Não chegaria a se aproximar tanto dela assim como o garoto dissera. Somente a defenderia como faz com os demais agredidos ou atacados por nefários como eles. Mesmo depois de tudo que sentira perto da jovem, acredita que é só uma ansiedade passageira, que ele está misturando as coisas, seu aniversário é que deve ser o motivo de sua sensação de alegria. Ter visto aquela garota fora mera coincidência. Permanece nesses pensamentos por longos minutos. Mesmo esgotado, descansa e, por pouco, não adormece. Contudo, agitado pelo dia e por seus devaneios, perde o sono e continua reflexivo. Assim, passam-se as horas e seus amigos chegam. Seu pai, Guilherme Carvalho, 45 anos, já havia chegado do trabalho e o chama de fora do quarto. Alberto responde e levanta-se em um pulo, deixando o pano que usara em um canto. Após todos os cumprimentos e presentes entregues, Henrique, Pedro, Anacleto, Mateus e o aniversariante ficam sozinhos na sala enquanto Cibele e Guilherme arrumam os últimos detalhes na cozinha com a ajuda de Amanda. Carla fica sentada em uma cadeira brincando com uma boneca, observando e perguntando tudo.

- E aí, Alberto? E aquela sensação? Passou? – Pergunta Pedro, na sala.

- Ah... – Um pouco tenso, prefere escapar do assunto. Até porque, se dissesse uma de suas desconfianças, mesmo achando coincidência, seus amigos, com certeza, zombariam. – Passou, sim! – Não mente, pois, a verdade é que depois que vira Elza não sentira mais nada.

- Falei que era dor de barriga! Melhor você nem comer o bolo e deixar tudo pra mim! – Escarnece Henrique para provocar Alberto.

- Bolo? Que bolo? O bolo já tá todo aqui, ó! – Alberto responde à provocação com outra brincadeira, tocando em sua própria barriga.

- Ahh... – Henrique o olha desconfiado e risonho.

- Primo, que isso na sua boca? – Pergunta Mateus.

- Ahh, é... — Alberto levanta o braço direito para tocar em sua boca e os quatro garotos olham a ferida no mesmo.

- E no braço também? – Completa Pedro. — Andou brigando?

O aniversariante faz um gesto com a mão estendida para frente balançando-a repetidas vezes para que falem mais baixo, pois, apesar de seus pais saberem de sua sede de justiça, prefere evitar que ouçam a conversa para não se preocuparem mais. Quando Alberto vai começar as explicações, Henrique o interrompe, zombando:

- Alguém teve coragem de te bater? – O jovem corajoso o olha com reprovação. Pedro, Mateus e Anacleto ficam risonhos, conhecendo a fama de Alberto. Após poucos segundos, o rapaz que defendera Elza, sorri timidamente e diz:

- Er... Então... Desconsiderando esse comentário... – Brinca. Os quatro amigos do jovem gargalham. – É... Parece que esses ‘caras‘ não aprendem... – Muda sua expressão, com raiva de Fellipe.

- Não acredito! F-foram os mesmos? De novo? – Pergunta Anacleto.

- Um deles! – Responde o rapaz valente. – O que te ameaçou!

Todos na sala ficam sérios e com ar de reprovação pelos garotos perversos.

- E quem foi a vítima dessa vez? – Mateus resolve cortar o silêncio.

- Uma... Menina! – Alberto se lembra de Elza e da sensação, contudo, acha melhor não comentar com os amigos sobre a mesma, somente respondendo sem muitos detalhes a pergunta de seu primo. – Aquele idiota ficava ‘machucando ela’, tentando beijá-la à força...

- E você ficou ‘empatando’? – Interrompe Henrique, debochando e querendo dizer que Alberto estaria atrapalhando o suposto namoro.

- Quê? Tá louco? – O aniversariante, sentado em um lado do sofá, apoia-se no braço do mesmo e ameaça se levantar, fitando seriamente o amigo brincalhão sentado no outro sofá da sala.

- Calma! Relaxa! Não precisa ficar nervoso! – Henrique, risonho, levanta as mãos como sinal de falso temor. – Eu tô zoando!

Alberto recosta-se no sofá novamente, ainda encarando o rapaz e controlando o riso.

- Esse “cara” é um imbecil! Não sabe tratar... – Pensa melhor em sua frase para evitar escárnios. – Não sabe respeitar ninguém! – Os outros quatro garotos silenciam reflexivos.

Amanda entra na sala e, sem saber da conversa dos amigos, diz:

- Pessoas, o bolo tá na mesa!

- Amandinha! Amor da minha vida! – Henrique arranca gargalhadas da menina e dos três amigos, exceto Alberto que só fica risonho. – Tá vendo, Alberto? Mentiroso! – Zomba.

- Cala a boca, moleque! – Retruca o irmão de Amanda, rindo.

- Menino, deixa de ser bobo! – Amanda repreende Henrique, gargalhando. – Vão logo antes que eu acabe com tudo! – Brinca.

- Vai nada! – O mais brincalhão dos rapazes levanta-se rapidamente e corre para a cozinha!

- Alguém segura o Henrique! – Brinca Mateus.

- Nem olhe pra mim! – Responde Amanda rindo.

Os quatro garotos riem e vão junto com a irmã de Alberto para a cozinha.

- Oi, sogrinha! Sogrão! Er... Quer dizer... Dona Cibele... Seu Guilherme! – Debocha Henrique rindo. Os pais do aniversariante entreolham-se risonhos e Carla somente observa o galhofeiro.

- Como é, rapaz? – Pergunta Guilherme, segurando o riso. Os pais de Alberto já o conhecem desde pequeno assim como os outros amigos. Sabem como o garoto é pândego.

- Vaaai! – Zomba Mateus, olhando para Henrique.

- Você prefere apanhar agora ou depois? – Indaga-lhe Amanda, ridente, ouvindo o que o brincalhão dissera.

- Pode deixar que eu faça isso! – Zomba Alberto, na porta da cozinha assim como os outros amigos e a irmã mais velha que gargalham com as truanices do jovem.

- Epa! – Henrique recua levantando suas mãos na altura do rosto simulando medo. Olha Amanda, Alberto e Guilherme. Carla também gargalha assim como os demais.

- Ah, agora, eu quero ver! Tem pavor do Alberto! – Escarnece Pedro.

- Q-quem tem pavor? – O brincalhão finge balbuciar. – Só porque o cara parece um guarda-roupa ambulante?

- Pareço o quê? – O mais robusto dos garotos aproxima-se fingindo seriedade.

- Naaada! Nada, não! – Henrique corre para a porta da sala por onde sairia para a garagem. Todos gargalham mais uma vez.

- Esse moleque é louco! – Alberto gargalha repetindo a frase que dissera na escola no mesmo dia para sua irmã.

Assim que o aniversariante se aproxima, igual aos demais, o zombador gira a maçaneta da porta tentando abri-la, no entanto, sem sucesso.

- Tá emperrada! – Debocha e mente Alberto.

- Ai, caramba! – Diz Henrique. — JANELAS! – Corre sem direção, lembrando-se dos quartos da casa. Arranca risadas de todos novamente.

- Todas têm grade! – Mais uma vez Alberto responde, agora, com sinceridade, pois, antes de Carla nascer, seus pais resolveram colocá-las para segurança da menina.

- Affe! Então, tô ferrado! Não tenho pra onde fugir!

- Henrique! Para de palhaçada! – Repreende Amanda, ainda gargalhando.

- Isso! Vamos voltar pra cozinha e cantar “parabéns”! – Concorda Cibele, tentando contornar a situação.

- ‘Bora’! – O brincalhão resolve se controlar um pouco. Alberto passa seu braço pelos ombros do amigo demonstrando calma. Henrique escapa e corre para a cozinha por brincadeira. O aniversariante ri.

A família e os amigos de Alberto cantam os “parabéns” para ele. Na hora de assoprar a vela que sua mãe insistira em colocar, Carla pede para Alberto se ela poderia fazê-lo. O irmão da menina a ergue e a mesma sopra a velinha, colocando-a no chão de volta, em seguida. Todos brincam dizendo para Alberto fazer um pedido na hora de cortar o bolo e, por um instante, lhe vem à mente a imagem de Elza. Disfarça e, sem pensar em nenhum desejo, parte o doce assim mesmo.

Assim, a noite passa com mais brincadeiras de Henrique, conversas e comilanças. É tarde quando Mateus, Pedro Anacleto e Henrique vão embora. Todos resolvem deitar-se e descansar do dia agitado. Alberto faz o mesmo. Entretanto, assim que se deita, torna a pensar em Elza. A linda menina parece ter se fixado em seus pensamentos. “Mas que coisa!” pensa. Vira-se e, logo, adormece pela exaustão.

Notas finais
Curtiram? Como está ficando, gente? Gostaram das palhaçadas de Marília e de Henrique? Haha! ♥