Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.
2 Capítulo 2 - As meninas
Notas iniciais
Última semana de outubro. Elza abre o portão de sua casa para suas amigas entrarem.
–Oieee! – A primeira a entrar e a cumprimentar Elza é Marília Costa. De cabelos bem avermelhados, lisos, com o comprimento pouco abaixo de seus ombros, pele clara, Marília tem 14 anos, recém-completados. É a mais brincalhona das meninas. Suas amigas divertem-se com suas brincadeiras, porém, às vezes, Marília é repreendida pelas mesmas por seus excessos na hora de motejar. Preza muito pela amizade delas e, se for para defendê-las, é capaz de falar o que pensa, quando necessário, seja a quem for. – Há quanto teeempo! – A garota escarnece, dando um abraço apertado em Elza que tenta se desvencilhar, pelo exagero do carinho.
– Aaai! Menos, Marília! A gente se viu ontem mesmo! – Diz Elza.
Marília a solta e a segunda a entrar é Bianca Vieira, sua melhor amiga dentre as cinco que fazem visita em sua residência naquela tarde ensolarada de sábado. Bianca a cumprimenta com um beijo no rosto. Pele clara, cabelos negros e lisos até a metade das costas, a adolescente tem 14 anos e é muito bonita assim como as demais meninas. Bianca é, normalmente, a que tenta controlar suas amigas, especialmente Marília e Ariane, as mais animadas da turma. Contudo, muitas vezes, não consegue e acaba rindo junto ou brincando com as outras cinco garotas. É muito próxima à Elza com a qual divide mais segredos.
Em seguida, entra Ariane Gomes, 14 anos, cabelos loiros claros, tingidos e lisos até a altura do pescoço. Ariane é a mais experiente das meninas com relação aos garotos. É também a que mais gosta de falar sobre eles, aconselhando sempre suas amigas a não terem medo de se apaixonar ou de se aproximar dos mesmos. Quando entusiasmada, pode parecer oferecida, mas, respeita muito suas amigas, sabendo o limite de seus atos. Brincalhona, não se inibe ao paquerar os meninos, contudo, prefere os mais retraídos.
Assim que Ariane entra, dá lugar a Débora Mendes. Pele preta, cabelos negros e cacheados, Débora também tem 14 anos, é romântica e até quieta, a menos que esteja entre as amigas, rindo e divertindo-se bastante.
E, por fim, Júlia Marins, 14 anos, pele clara, cabelos castanho- escuro, repicados, com pequenas mechas azuis, até a altura dos ombros, é a mais quieta entre elas. Não exatamente por timidez, todavia, pela euforia das outras meninas e por seu jeito próprio. É mais próxima à Ariane.
Assim que as cinco garotas a cumprimentam e adentram a casa, caminham até a escada para ir até o quarto da menina. Na frente, vai Elza Azevedo, 14 anos. Elza é considerada pelas amigas como a mais bonita dentre elas. Sua pele clara, rosto angelical, cabelos naturalmente dourados e ondulados que vão até a metade de suas costas e seu belo par de olhos verdes como duas esmeraldas despertam a atenção de muitos garotos, principalmente, da escola onde estuda. De gênio forte, Elza chega a ser rude com a maioria – senão com todos – os meninos que se aproximam dela para flertá-la. Não suporta cantadas sem propósito. Apesar de sua personalidade forte, é meiga se adquire confiança e também romântica e sonhadora.
Quase na porta do quarto, entre uma conversa e outra, Marília diz um pouco arfante:
– Ai, meu coração está acelerado! Minha respiração está ofegante...
– Ai, Ma, tá apaixonada? – Pergunta Ariane.
– Não, não! É que eu acabei de subir a escada! – Marília responde e ri assim como as demais amigas.
– Ai, Marília! – A repreende Bianca, porém, rindo.
Elza chama as garotas para entrarem e encosta a porta sem trancar para não fazer muito barulho com as conversas das mesmas e para não serem interrompidas pelos pais da anfitriã.
– Não, gente, é sério! Eu tô com uma coisa aqui! – Marília aponta para seu estômago, encostando sua mão em sua própria barriga. – Como um calor subindo, uma sensação esquisita...
– Ah, então, você TÁ apaixonada?! – Desconfia Débora.
– Não! Eu tô com uma queimação no estômago, azia! Acho que foi alguma coisa que eu comi! – Zomba.
As meninas gargalham igualmente à brincalhona.
– Marília, como você é boba, viu?! – Brinca Elza.
– Só essa Marília mesmo! – Fala Júlia.
– Que isso, gente?! Sou tão boazinha! – Finge um sorriso.
– Aham! Um amor! – Elza brinca mais uma vez e senta-se na cadeira em frente ao computador, próximo à janela do quarto, ligando-o. Cada menina ajeita-se, sentando em cadeiras e pufes já preparados para elas e até na cama de Elza. Começa a mostrar fotos suas e de suas amigas na festa de aniversário de Marília, ocorrida poucos dias antes, virando a tela para elas poderem ver.
– Sua festa foi muito legal, Ma! Adorei! Só acho que faltaram uns gatinhos! – Brinca Ariane.
– Tá! Da próxima vez, eu pego uma ninhada... – Debocha Marília.
– Rááá, engraçadinhaaa! – Ariane ri.
– Vamos falar sério, vai! Eu tô é preocupada com a prova de Matemática! O professor passou muita coisa pra estudar! – Diz Débora.
– Ah, é nada! Vai ser mole! Ele faz isso só pra assustar! No final, as questões são bem fáceis! – Explica Bianca.
Marília discorda e retruca:
– Fácil pra você, né, Bi?! Você entende tudo de Matemática!
– Não é bem assim!
– É sim!
– Nhééé! – Bianca mostra a língua para Marília e ri um pouco, assim como a amiga.
Elza tenta contornar a situação:
– Ah, povo! Vamos relaxar, ok?
– Isso! Vamos falar sobre gatinhos! E eu tô falando de MENINOS, viu, Marília? – Zomba Ariane.
– Quê? Eu não disse nada! – Suas amigas dão risada. – Mas vamos, sim! Vai! Diz! Quem você viu dessa vez?
– Ai, nem te conto! – Responde Ariane, entusiasmada.
– Então, não conta!
– Ai, Maríliaaaa! ‘Deixa ela’ falar! – A reprova Débora, pegando uma almofada e jogando na amiga.
– Boba! Outro dia, eu vi um que... Elza, você tá ouvindo? – Ariane vira-se para a menina.
– Oi? Ah, tô sim! É que tô aproveitando e vendo meus emails!
– Sei! Não é pra fugir do assunto, hein?!
– Eu? Claro que não! Eu já expliquei meu ponto de vista!
As cinco amigas entreolham-se levemente risonhas.
– Ah, ‘miga’, dá uma chance pra algum gatinho da escola! Têm tantos que dão em cima de você... – Pede Ariane.
– Tantos? Que exagero!
– Exagero nada!
Elza suspira e diz:
– Eu já disse que quero alguém que me faça sentir única, especial! Além do mais, aqueles meninos da escola são muito... Bobos! Não querem nada com nada! Ficam xavecando todas as meninas! Não respeitam... Principalmente aquele Fellipe! Muito sem noção! Não! Assim, eu não quero!
– Ahhh, Elza! – Diz Ariane, amuada.
– Quer saber? Às vezes, eu acho que os meninos são TODOS uns bobos! Às vezes...
– Pois mesmo sendo “às vezes” você deveria mudar de ideia! Conversa com eles, troca ideia, você vai ver como eles são divertidos! Você quase nem conversa... Devia fazer amizade...
– Amizade? Eles são interesseiros! Só chegam junto pra xavecar! Affe!
Ariane faz um muxoxo e fica meio risonha pra tentar acalmar a amiga.
– Também... Quem manda você ser linda e loira dos olhos verdes? – Brinca Marília.
– Rá! Ai, Ma, você é realmente muito boba! Não tem nada a ver! – Elza responde, risonha.
– Eu também sou linda e loira! – Zomba Ariane.
Marília retruca:
– Ah, mas você é loira fabricada! A Elza é naturalmente loira!
– Ah, é? E você que é uma ruiva fabricada, hein?
– Não joga na cara, tá?
– Foi você quem começou! – Ariane joga uma almofada em Marília que repete o gesto da amiga começando uma batalha no quarto de Elza. A única que não participa é a própria, repreendendo as demais, risonha.
– Ei! Ei! Chega! – Ri. – Deixa eu completar o que eu ia falar?! — Aos poucos, as garotas silenciam e concordam, a deixando falar. – Eu acho que esse negócio de “se apaixonar” é muito... Sei lá, doloroso! Você sofre, chora por quem você gosta... Alguém que não te dá a mínima! Eu que não vou ficar chorando por homem nenhum! Quero namorar um dia! UM DIA! Agora, não!
– Você tá esperando seu príncipe encantado sentado em seu cavalo branco te levar pra um castelo lindo e enorme, não é isso? – Debocha Marília.
Elza, ridente, mostra a língua para a amiga.
– Nada a ver! Mas ele bem que podia não ser “encantado”, mas, “encantador”, né?! Ter um olhar e um sorriso lindo... Tá, eu sei! Já tô querendo demais!
– Tipo assim? – Ariane levanta-se do pufe onde havia sentado e aproxima-se de Elza, pedindo licença e mexendo no computador, procurando imagens de garotos na internet. – Olha esse aqui! Tipo esse? – Aponta para a foto de um deles, exibidas uma ao lado e abaixo da outra. – Aaai, olha aquele sem camisa! Que tanquinho é esse?
Marília também se levanta e chega perto de Ariane para poder ver as fotos. Elza, sem espaço, afasta-se, arrastando sua cadeira para trás.
–Deixa eu ver! Nossa, hein?! Me deu uma vontade de lavar roupa! – Gargalha.
– Não é? – Ariane vira-se para Marília. – Pra que máquina de lavar? Eu queria é ter um tanquinho desses em casa!
– Ah, eu ia lavar roupa direto!
As outras garotas gargalham exceto Júlia que fica somente um pouco risonha, meio sem jeito. Elza repreende Ariane e Marília, porém, rindo.
– Saiam daqui, suas assanhadas!
– Vocês são duas doidinhas! – Bianca ri.
As duas brincalhonas tornam a sentar-se rindo em demasia.
– Ah, mas, deixa eu falar de um que eu vi outro dia! Bem gatinho! O único defeito é que tinha umas “GALINHAS” em volta dele... – Ariane expressa nojo ao falar “galinhas”. Ia prosseguir, entretanto, Elza a interrompe, muito séria.
– Aí, viu? E é por isso que eles ficam “se achando”! Tem um monte de menina que fica babando! Hoje em dia, as meninas não se valorizam! E eles acham que a gente é objeto!
– Credo, Elza! Que coisa! Mas não são todos assim como você tá pensando! Além disso, não se pode generalizar nem as meninas nem os meninos!
– Ah, tá bom, tá bom! Mas se eu fosse você, não babava tanto assim!
– Eu não tô babando! Eu nem cheguei perto dele! Só fiquei olhando...
– Tá! Me desculpa! Eu não quis te ofender! Eu sei que você é diferente dessas meninas! Mas que eles “se acham” cada vez mais quando essas... Aí... Ficam no pé...
– Tá desculpada! – Ariane ri. – E quer saber? Eu tava pensando aqui... O Fellipe até tem uma barriga de tanquinho! Outro dia, eu o vi jogando na quadra da escola e...
– Ah, não! Então, eu prefiro uma máquina de lavar! Não! De jeito nenhum! Nem pensar! – Elza diz séria. As cinco amigas da menina riem. Elza começa a rir também. Assim, passam a tarde conversando e divertindo-se esquecendo do mundo lá fora.
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