Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.
20 Capítulo 12 - Mercado - Parte 3
Notas iniciais
– Mas me conta! O que aconteceu depois que ele pegou e limpou seu caderno pra te entregar?
– Ah... Eu só agradeci porque... Eu não o conhecia e também você sabe que eu não confio muito nos meninos! – Bianca consente com a cabeça e apenas diz “hum-hum”. – Saí andando e ele me disse “Espera! Qual é o seu nome?”! Eu respondi que não sou nenhuma ingrata, que eu o agradeço, mas, que não falo meu nome para desconhecidos!
– Garota difícil! – Caçoa Bianca. Elza ri encabulada.
– Ah, também não é assim! – Sua amiga também ri e responde:
– Tá bom, vai! Continue!
– Bom, ele ficou insistindo, entrando na minha frente toda hora e... – Elza conta tudo o que lhe acontecera naquele dia e nos demais encontros com o rapaz. Entre rir, ficar boquiaberta e fazer algum breve comentário, Bianca atenta-se a tudo que a anfitriã lhe revela. Em determinado momento, Elza diz ao terminar de contar sobre o que lhe acontecera na estação de trem:
– Eu cheguei à casa dela ... – Refere-se à sua colega de classe onde realizara o trabalho escolar. –... Mas quase nem consegui prestar atenção em nada! Eu não parava de pensar no que ele me disse! – Bianca, mais uma vez, abre a boca estupefata. Elza prossegue com as explicações e sua amiga mantém-se da mesma forma anterior, alternando entre rir, ficar boquiaberta, comentar sobre algo ou apenas ficar atenta ao que a garota de olhos claros lhe narra. Após terminar seu relato, Elza fala. – E... Foi isso! – Bianca ainda boquiaberta, não diz uma palavra. – F-Fala alguma coisa! – Pede a loira encalistrada e ridente.
–... Sei lá! Tô sem palavras!
– Er... E isso é bom ou ruim?
– Ótimo! Vou dar uma de Marília agora: Case-se com ele! UR-GEN-TE! – Ambas riem.
– Tá bom! Vou marcar pra amanhã! ‘Me ajuda’ com meu vestido? – Gargalha envergonhada.
– Opaaa! Claro! – A morena ri igualmente e prossegue. – Elza! Você vai apresentá-lo pra mim, não vai?
– Ah, não, Bi! Eu morro de vergonha!
– Como assim? Depois de tudo que você me contou, agora, eu quero conhecê-lo!
– Ahn... Er...
– Nem que seja de longe!
– Tá, mas... E se ele me vir e chegar perto?
– Ué! Não seria bom? Você gosta dele! Que é que tem se ele vier falar com você? – Elza enrubesce.
– Tem uma grande diferença entre GOSTAR e ter CORAGEM de falar com ele! – Bianca gargalha e Elza também ri, porém, menos que a amiga.
– Ai, Elza, para de tanta vergonha! Como é que vocês vão ficar juntos assim?
– Ah... Sei lá! – A menina ri com timidez e faz a morena rir novamente.
– Que bom que ele é mais saidinho! Senão, não ia dar certo! Os dois iam olhar um para a cara do outro e não ia dar em nada! – Caçoa e gargalha. Elza também ri em demasia, contudo, seu rosto cora mais uma vez.
– Para, sua boba! – Brinca a bela loira risonha.
– Hahaha! Tá ok! Mas me apresenta, hein?!
– Ai... Tá booooom! Eu apresento! – Concorda extremamente encalistrada.
– Eeeeeh! – Comemora a moça de cabelos negros. – Que tal a gente sair um pouco depois do almoço?
– Hm? Ai, ai, ai... Tá! P-Pode ser!
– Aí, se ele aparecer, você já me mostra! E se ele te vir, eu saio de fininho pra vocês ficarem a sós! – Pisca para a anfitriã.
– Ah, não, Bianca! Você fica comigo!
– Quê? Elza! Ficou doida? Eu não vou segurar vela, não!
– Q-Q-Que vela? Não t-tem vela, não!
– Hum-huuuuuuuum! Sei! – Debocha Bianca fingindo que concorda. Elza gargalha.
– Ah, por favor, vai! Não vai embora! Eu morro de vergonha perto dele!
– Só perto dele, pelo jeito! – Escarnece.
– O quê? – Ambas riem mais uma vez. – Affe! Paaara!
– Hahahaha! Tá legal, mas, e se eu estiver junto, você não vai ficar com mais vergonha ainda?
– Ah... Sei lá! Mas ainda assim prefiro que você fique!
– Aaaaaaaai, Senhor! Tá bom! Que menina tímida, como diria a Marília! – Bianca e Elza dão risada.
Nesse momento, Letícia sobe as escadas para falar com suas filhas. Após bater na porta do quarto de Luciana e dar um recado, vai até o quarto de Elza que abre seu guarda-roupa e diz à sua amiga:
– Você me ajuda a escolher uma roupa bem bonita pra quando formos sair?
– Claro que sim! Mas você entende mais de roupas do que eu! – Ri.
– Ah, nada! Mas... – Elas ouvem alguém bater na porta e Elza percebe que é a sua mãe lhe chamando. – Oi, mãe! Já tô indo! – Gira a maçaneta e, ao abrir, sua mãe lhes avisa com doçura na voz:
– Meninas, o almoço tá pronto!
– Obrigada, dona Letícia! – Diz a visitante.
– Obrigada, mãe! A gente já tá indo!
– Não demorem! Senão, esfria! Aproveitem que tá quentinho! – Alerta a mãe de Elza. – Ah, além do mais, assim, todo mundo almoça junto!
– Ah, tá! Mas é rapidinho! Uns cinco minutos e a gente já desce! – Avisa a adolescente de cabelos claros.
– Tá bom, então! – Ao dizer isto, Letícia dá um sorriso tímido e sai do quarto de sua filha caçula, descendo as escadas em seguida. Elza fecha a porta como anteriormente e Bianca, intrigada, lhe pergunta:
– Que foi, Elza?
– Já pensou se minha mãe ouve a gente? – Explica aos sussurros e torna a sentar-se na cama.
– Ah, tá! Entendi! Haha! Mas o problema maior é com o seu pai, né?
– Sim! Pra minha mãe eu até falaria! Mas eu tenho medo que ela conte pro meu pai!
– Mas e se você pedir pra ela não contar?
– Acho que não falaria, mas, e se acontecer sem querer? E se meu pai descobrir quando todo mundo souber? Todo mundo que eu falo é a minha mãe e a Luciana! – Dá um breve riso.
– Ah, Elza, não fique com tanto medo! Uma hora, seu pai muda de ideia! Ainda mais conhecendo esse Alberto! Ele parece ser legal!
– “Legal” é apelido! – Diz a menina apaixonada. Bianca ri e Elza a acompanha.
– Eu sei! É que se eu elogiasse muito, você podia ficar com ciúme! – Sorri abertamente para Elza e caçoa. A jovem loira a repreende com o olhar e lhe mostra a língua, contudo ri em seguida.
– Boba! – A morena gargalha.
– Você tá é poderosa! Todos os meninos da escola querem você! – Escarnece.
– Affe! Que exagero! – Elza que ri em demasia agora.
– Tá ok, vai! Mas uns meninos da sala, outros de outras salas... Bem que já te xavecaram!
– Ah, mas, os da nossa sala são muito bobos! E de outras salas também! – Ri.
– Você que é muito exigente!
– Sou nada! – Mostra a língua novamente.
– Para com isso! Vou cortar essa língua! – Elza gargalha. – Tá, mas, então... Tem o Fellipe, tem o Alberto, tem... – Zomba.
– Você tá doida? O Fellipe eu não quero nem pintado de ouro! Tá! Bonito ele é! Só que a ruindade dele estraga tudo! Eu não quero um mau caráter!
– Ele é cruel!
– Ô! Obsessivo! Não sei o que ele tem na cabeça! Completamente diferente do Alberto! Tem nem comparação!
– Ai, pelo jeito esse Alberto é TU-DO de bom, não? – Provoca. Elza gargalha mais uma vez e enrubesce.
– Paraaa! Eu vou te acertar, quer ver? – Elza pega uma almofada de sua cama e joga na amiga fazendo iniciar uma batalha. Após gargalhadas e razoáveis gritos, a menina de cabelos dourados levanta-se da cama e vence a amiga.
– PARA! PARA! TÁ BOM! VOCÊ VENCEU! – Diz Bianca quase aos berros e rindo muito. – Ai ai... – Suspira e respira fundo. – A gente tem que descer, lembra?
– Medrosa! – Elza ri.
– Hahaha! Eu não! Você prometeu pra sua mãe!
– Verdade! Vamos, então! – A moça se levanta e Bianca faz o mesmo. Elza ameaça abrir a porta, todavia, é interrompida pela morena.
– Elza! O seu guarda-roupa tá aberto!
– Hã? O quê? – Bianca ri pela distração da amiga.
– Eu disse ABERTO, tá? Não foi ALBERTO não! – Gargalha deixando Elza ruborizada.
– Ah, não começa de novo! – Finge se irritar, entretanto, não consegue, pois fica risonha. A anfitriã caminha até seu guarda-roupa e o fecha. – Ah, o computador também tá ligado! Esqueci de desligar! Espera aí... – Prossegue após desligar o aparelho. – Pronto! Podemos ir!
– Vamos! ‘Se concentra’ no almoço! Eu falei ALMOÇO, não ALBERTO, hein? — Elza não aguenta e gargalha envergonha pela provocação da amiga. Elza dá um tapa de leve no braço de Bianca que ri.
– Paaaara! – Ambas gargalham e decidem parar com as brincadeiras. Falam mais baixo e, logo depois, silenciam ao descer as escadas e encontrar a família de Elza já sentada à mesa para a refeição.
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