Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.
16 Capítulo 11 - Doce e misterioso herói - Parte 4
Notas iniciais
Elza levanta-se vagarosamente e o rapaz faz o mesmo, acompanhando-a somente com o olhar, no entanto, sempre atento aos gestos da garota. Ele afasta a bolsa de Elza no banco. Capengando um pouco, a jovem diz, ora olhando para Alberto, ora fixando sua visão em seus próprios movimentos com muita cautela:
- Olha! Já consigo andar! Ainda tô mancando, mas... – O garoto sorri de modo tímido.
- Que maravilha! Mas se você ainda tá assim, é melhor esperar mais um pouco!
- É... É verdade! – A moça torna a sentar-se lentamente e Alberto, muito cauto, cuida, apenas observando-a, para que ela não caia ou se machuque de alguma forma. Senta-se assim como ela, com as pernas para frente e, mais próximo à menina do que antes de se levantarem, a contempla em silêncio, fazendo com que a mesma fique razoavelmente ruborizada. – Q-Que foi? – Estranha o olhar fixo do rapaz.
- Er... É que... Eu não sei se posso chegar mais perto... Melhor não, né?! – O jovem vira a cabeça para o outro lado e apoia sua mão no banco para se afastar, todavia, Elza segura em seu pulso rapidamente. Alberto vira seu rosto outra vez e vê a mão da menina em seu braço. Ela o solta igualmente com rapidez assim que percebe o que fizera. Seu protetor abre um sorriso que a deixa corada.
- Ah... Er... Er... M-Minha bolsa! C-Cadê? O-Onde tá? – Finge procurar sua bolsa, apesar de realmente não saber onde está.
- Desculpa! – O rapaz pega o objeto que está ao seu lado e entrega-o a ela. – Eu coloquei desse lado pra poder... Sentar aqui... Mais perto! – Encabulada, Elza apenas responde:
- Hm... – Alberto torna a admirá-la extasiado, fixando seus olhos na garota que, olha para ele assim que o mesmo a chama:
- Elza... Como você consegue ser tão linda? – A garota enrubesce ainda mais.
- Ah... Q-Que isso?! É m-m-maquiagem! N-Não, quer dizer... — Alberto sorri de lábios fechados.
- Você é linda mesmo sem maquiagem! Fica linda de qualquer jeito! Até brava você é linda! Como pode isso? – A olha completamente encantado e risonho. Encalistrada em demasia, Elza responde, de cabeça baixa e controlando um sorriso:
- T-T-Tá m-me d-deixando sem graça! – Alberto dá um breve riso.
- Fica mais linda ainda vermelhinha!
- N-N-N-Não t-tá ajudando... – Alberto ri mais ainda e se aproxima mais de Elza.
- Por que fica tão envergonhada? Nunca te disseram isso?
- N-Não! S-Sim! Er... N-Não d-desse jeitinho... Er... Q-Quer dizer... – O rapaz toca mais uma vez no rosto de Elza e, segurando seu queixo carinhosamente, levanta seu rosto fazendo a menina olhar para ele com os olhos arregalados.
- Eu posso falar isso sempre pra você! – A admira, alternando entre observar seus olhos e sua boca. – Extremamente envergonhada, Elza muda de assunto:
- Ah... Ah... Ah... Er... V-V-Você a-avisou s-s-seus pais q-que t-tá aqui? Q-Quer dizer... N-Na rua? Q-Quer d-dizer... N-Não t-tem ninguém q-q-que p-possa estar p-p-preocupado c-com v-você? – O garoto sorri timidamente mais uma vez, soltando lentamente o rosto de Elza.
- Minha mãe me viu em casa quando fui buscar o pano! Eu falei pra ela que ia sair de novo!
- Ah... E... E... S-Seus amigos? Er... Er... N-Namorada? – Tenta disfarçar, entretanto, fala com certa ojeriza e receio do que Alberto possa lhe responder. Seu protetor, risonho, diz:
- Ah... Os moleques... Digo... Os meus amigos não vão sentir minha falta assim! Eles sobrevivem! – Brinca. – Agora... Namorada... Não falei nada, não! É melhor avisar mesmo! – Zomba ele mais uma vez, pegando seu celular e dissimulando seriedade. Elza não gosta do que ouve, ficando um pouco brava e taciturna, contudo, finge não se importar sem conseguir disfarçar muito:
- Então, avisa! – Fala com rudez e frieza. Alberto percebe sua reação e continua a brincadeira.
- Pensando bem... Não vou avisar, não! – Guarda seu aparelho telefônico em seu bolso.
- O quê? Avisa! Eu que não quero ter problema com...
- É que não dá...
- Hã? Como assim “não dá”? Liga... – O rapaz a interrompe novamente:
- Só se você me explicar uma coisa!
-... O... Quê?
- Como eu vou avisar uma coisa a alguém... Que não existe? – Sorri largamente e pensa “Ainda!”. A menina ruboriza-se mais uma vez e responde, após alguns segundos:
- Affe! Engraçadinho! – Tenta, porém, não consegue disfarçar que a brincadeira lhe desagradara.
- Desculpa! Você não gostou! Não brinco mais assim com você! – Sem jeito, ela responde:
- N-N-Não é i-isso! E-Eu só n-não gosto que me enganem, que brinquem com... Er... Você f-faz da sua vida o que você q-quiser! O que eu t-tenho a ver com isso?
- Tudo! – Responde em tom mais baixo e com ternura na voz.
- O... Q-Quê?
- Tudo o que eu não quero é te machucar!
- D-Do que você tá f-falando? E-Eu só p-perguntei se você avisou s-seus pais, a-amigos... Er... P-Porque você tá aqui f-faz t-tempo e... P-Podia ter alguém p-preocupado... Er... – O garoto toca no rosto da jovem com as duas mãos e, com bastante doçura, fala:
— Não se preocupe comigo, minha princesa! – Elza arregala mais uma vez seus belos olhos e enrubesce ainda mais.
-... V-Você disse o quê? – Alberto solta seu rosto lentamente.
- Pra você não se preocupar! – Sorri de modo tímido.
-... P-Pra eu não me pr...? – Franze as sobrancelhas e lembra-se de que seu protetor lhe dissera a mesma coisa quando falara com ela.
- Que foi? Falei algo errado?
- Ah... N-Não! N-Nada! Deixa! – Engole em seco. Faz uma pequena pausa e prossegue. – Maaas... E-Eu te falei meu nome! É Elza, tá? – Envergonhada, diz com certa rispidez, apesar de não querer fazê-lo por gostar dos carinhos e das palavras afetuosas do rapaz. Alberto brinca quase sorrindo e não se importando com a aspereza da menina:
- Tudo bem! Eu posso te chamar de “minha princesa Elza”! – Sua protegida não acredita no que ouvira e silencia de cabeça razoavelmente baixa, encalistrada e controlando um sorriso. – Mas eu não te chamo assim na frente dos outros se você preferir!
-... E-Eu falei que n-não gosto de brincadeiras assim!
- E eu falei que não brinco com essas coisas! – A olha embevecido outra vez.
-... Q-Q-Quê? – Pergunta atônita. Alberto aproxima-se dela de novo. Fitando-o, Elza abre vastamente seus olhos e sua face cora com cada aproximação do rapaz.
- Elza, não tenha medo!
- M-M-M-Medo? P-P-Por que m-medo? – Seu herói toca em seu rosto mais uma vez.
- Eu sei de tudo o que você passa... Pelo que você me falou... Eu não vou te forçar a nada! Não vou te tratar mal como te tratam esses... “Caras” aí! Muito pelo contrário!
- D-D-Do q-que você t-tá f-f-falando? – Alberto emudece por um sucinto instante e diz:
- Você já passou por muita coisa hoje! Qualquer dia, eu te explico melhor!
-... Hã? Q-Que dia? – Risonho, lembra-se de que ela lhe perguntara a mesma coisa quando se falaram pela primeira vez ao defendê-la, tratando-se do dia em que Alberto se revelaria seu protetor, no entanto, sem aparecer para a menina. Responde o mesmo que dissera naquele dia:
- Breve! – Mais uma vez aturdida e com a respiração arfante, lembra-se outra vez do que seu defensor lhe avisara e pergunta:
-... M-Mas b-breve quand... – Alberto sussurra em seu ouvido da mesma maneira em que conversara com ela quando a salvara, mudando sua voz:
- Confie em mim, pequena! – Elza arregala os olhos e segura nos braços de Alberto que sorri, fitando a moça.
- V-Você... É...
-... Sou...?
-... O...
-... Fala, linda!
-... Alberto... – Diz quase murmurando. O garoto, ridente, zomba:
- Sim! Eu sou o Alberto! – Elza ri e solta seus braços bastante encalistrada.
- N-Não era isso!
- Era o quê? – Indaga com doçura, inclinando sua cabeça para o lado vagarosamente.
- N-N-Nada! D-Deixa quieto! – “Ele vai negar de novo se eu perguntar! Aposto! Mas... Parece muito...” pensa ela olhando-o fixamente e com as sobrancelhas ligeiramente franzidas. Olha para baixo, pega seu celular em sua bolsa somente para ver a hora, guardando-o logo depois e coloca seu pertence assim como estivera anteriormente, atravessado em seu corpo. – Er... V-Vou levantar de novo! Er... E... De novo vou tentar sozinha, tá?
- Tá certo! – Sorri de modo tímido e, assim que Elza se levanta, ele faz o mesmo e a observa atentamente para protegê-la. A jovem anda um pouco e olha para ele sorrindo:
- Já estou bem melhor e mancando bem pouco agora! D-Dá pra notar, mas...
- Que ótimo! Fico contente por isso e... Triste por outra coisa!
- P-Por quê?
— Isso quer dizer que você vai embora... – Alberto expressa certo esmorecimento. Elza o admira enlevada e pensa “
Awn
!”, procurando disfarçar que gostara de seu querençoso comentário.
- E-Eu tenho que ir! C-Combinei de me encontrar com as minhas amigas e... B-Bom... Enquanto isso, m-minha perna e meu pé vão melhorando!
- Verdade! – Elza se aproxima dele e, ficando de costas à direção em que vai ao encontro de suas amigas, continua:
- Além do mais... E-Eu te dei meu telefone... Er...
- Vou te ligar amanhã, tudo bem? Bom, tentar porque... Pode ter gente perto na hora e... Er... Pra poder conversar mais... À vontade! Posso ligar que horas?
- Às oito! N-Não! Às n-nove... Da noite é melhor!
- À noite? Só?
- É que... É m-meio c-complicado...
- Tudo bem! – Sorri de lábios cerrados mais uma vez.
- Ah... Alberto... O-Obrigada por... M-Me ajudar, p-por ficar aqui t-todo esse tempo e... P-Por cuidar do meu braço... Ah, enfim... O-Obrigada por tudo! – Alberto sorri largamente.
- Minha pequena... Não precisa agradecer!
- Precisa, sim! – Elza ergue seus pés e beija o rosto de Alberto que engole em seco e arregala os olhos. A menina sorri em seguida para ele. – Er... T-Tchau! – Vira-se para ir embora, porém, o rapaz, atordoado e muito feliz, a segura em seu braço e fala:
- Elza! Espera! – Sem dizer nada, ela apenas se vira e seu protetor se abaixa, pegando na mão fria e suavemente transpirada de Elza, tocando o rosto dela com sua outra mão e a beijando em sua bochecha por longos segundos. A moça estremece e se arrepia com o beijo de seu misterioso herói, soltando um conciso suspiro quase imperceptível. Assim que ele para de beijá-la, a olha fixamente em seus olhos arregalados e diz:
- Espero te ver de novo e muito em breve! – Elza ameaça um sorriso, contudo, sua timidez a impede. Apenas se despede novamente:
- Er... Tch-Tch-Tchau!
- Até!
- A-Até! – Continua olhando para ele e, assim que percebe o que faz, vira-se e vai embora, completamente ruborizada. Alberto abre um sorriso muito largo. Toca em sua própria bochecha em que Elza o beijara. Espera alguns segundos até que sua amada se afaste mais e solta um lacônico grito de alegria, fazendo gestos. Logo depois, pega seu squeeze e o pano que a jovem deixara no banco e vai para sua casa.
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