Fica Comigo? Ps: A Vida Inteira.
1 Capítulo 1 - Os meninos
Notas iniciais
Outubro estava na metade. Após a escola e o almoço em casa, no meio de uma tarde, quatro adolescentes conversam em uma grande praça, a maior e mais conhecida do bairro onde moram. Nesta praça, há um parquinho onde muitas crianças brincam, enquanto seus pais as observam atentos e cautelosos. Também há vários bancos, uma pequena lagoa, diversos tipos de comércio, o que atrai muitas pessoas de várias idades, principalmente, jovens. Com esses quatro adolescentes, não é diferente. Caminham tranquilamente enquanto olham ao redor as pessoas que transitam por lá, especialmente as garotas.
Pedro Andrade, 15 anos, cabelos escuros, cara de bravo é, muitas vezes, superprotetor com os irmãos mais novos: Anacleto, 14 e Talita, 13. Apesar disso, é até brincalhão e calmo, porém, não suporta somente um tipo de brincadeira: as que insinuam ou se referem ao homossexualismo.
Henrique Lemos, 15 anos, é preto dos cabelos negros e, apesar de ser um rapaz com certa beleza, não chama muito a atenção das garotas, talvez, pelo seu jeito meio exagerado de ser. Brincalhão, quando está em turma, adora ser o centro das atenções. Faz de tudo para que as meninas lhe notem, no entanto, sem muito sucesso. É mais próximo a Pedro, porém, seu maior alvo de zombaria é Alberto, pelo qual sente um pouquinho de inveja. Contudo, não lhe deseja nenhum mal. Pelo contrário. Preza muito pela amizade do rapaz. Henrique apenas gostaria de conquistar as garotas com a mesma facilidade que Alberto possui.
De personalidade marcante e força descomunal, Alberto Carvalho, 15 anos, não suporta ver e nem saber de injustiças ou abusos — algumas vezes, seguidos de agressão — contra pessoas incapazes de se defender, sendo elas meninas ou meninos. Não mede esforços para proteger quem precise de sua ajuda e, se for o caso, parte para cima dos agressores. Mesmo sabendo que a violência não é o melhor caminho, sua sede de justiça e, principalmente, seu temperamento forte falam mais alto.
É dono de uma beleza exuberante e de um físico invejável que faz chamar a atenção de muitas garotas de sua idade. Mais alto dentre seus amigos, possui cabelos lisos, castanho-claro, com o comprimento até os ombros, pele parda, rosto perfeito, olhar penetrante e sorriso encantador. Por onde passa, provoca diversos suspiros. Alberto é razoavelmente conhecido em seu bairro, especialmente, pelos adolescentes. Uns já ouviram falar nele e em sua sede de justiça, outros, não.
E, finalmente, Mateus Ribeiro, 15 anos, primo e melhor amigo de Alberto. Sua bela aparência, cabelos levemente ondulados, castanho-escuro, comprimento também até os ombros e olhos expressivos escondem um rapaz sobremodo calmo e tímido. Apesar de ser igualmente muito bonito, não possui a mesma fama do primo mais velho – Mateus é dois meses e meio mais novo que Alberto – e nem a mesma força física. Ambos consideram-se como irmãos.
- Ai, papaaai! Que gatinhas! – Diz Henrique, olhando e virando seu corpo para admirar um grupo de meninas que passeia por lá.
- Uau! Lindas demais! – Concorda Pedro.
- Muito gatas!
- É... Gatinhas mesmo! Ei! Inauguraram uma loja de esportes ali?! – Fala Alberto, concordando com seu primo e apontando para uma nova loja na praça.
Os três amigos fitam o rapaz.
- ‘Mano’, você tá louco? Cheio de gatas aqui e você olhando loja de esportes? – Debocha Henrique com certa ironia.
- Ué... Tá na minha frente! E você sabe que eu curto!
- Mais do que GAROTAS? – Brinca o jovem com ar de reprovação.
- Não, né, ‘vacilão’! Lá vem você querendo me ‘zoar’!
- Também... Tanta ‘mina’ no seu pé e você nem liga...
- Não enche, Henrique! Não é bem assim!
- Não? Então, como é? Me explica porque até agora eu não entendi!
- Liberdade! Sabe o que é isso?
- Aff! Mas você não precisa se prender a nenhuma delas! Basta dar ‘uns pegas’ e fechou! Assim, você até esquece a...
- Eu já esqueci! Só estou a fim de ficar na minha! É pedir muito? Olhar, eu olho! ‘Troco ideia’... Mas tô na minha, só isso!
- Se você acha melhor... – Diz Mateus, prestando atenção na conversa de Henrique e Alberto.
- Acho! Depois de tudo que aconteceu, acho melhor, sim!
- Então, você não a esqueceu ainda... – Discorda Pedro. Alberto o interrompe.
- Claro que esqueci! Ela é passado! Mas não tô... A fim de ‘me amarrar’ de novo e acabar me ‘ferrando’...
- Mas é o último dos românticos mesmo... ‘Vei’, você não precisa ‘se amarrar’, só ‘dar uns pegas’, já falei! – Zomba Henrique.
Risonho, Alberto retruca:
- Você que inventou isso de “último dos românticos”! Além do mais, eu... – Passando perto da loja de esportes que o jovem avistou, acha uma ótima ideia interromper o que dizia e mudar de assunto. – Olha essa chuteira, ‘mano’! – Alberto fica admirando-a da vitrine.
- Não! Ninguém merece! – Debocha o mais brincalhão dos garotos.
— ‘Falou’, Alberto! Então, a gente vai andando enquanto você fica aí na loja!
Mateus completa o que Pedro acabava de dizer:
- Vê se não demora, senão, não alcança a gente!
- O Alberto? Não demorar na loja favorita dele? Você tem certeza de que conhece bem o seu primo, Mateus? – Escarnece mais uma vez Henrique.
Mateus e Pedro riem. Alberto diz:
- Rá, rá! Palhaço! Eu já vou! Vão andando que eu alcanço vocês!
- Beleza! – Confirma Pedro.
Ao que os três amigos afastam-se, Alberto entra na loja perguntando sobre tudo o que lhe chama a atenção por lá. O atendente explica-lhe tudo e o permite, somente um pouco, que o jovem quique uma bola que havia gostado. Acaba deixando-a cair no chão e, antes que a mesma role para fora da loja, agacha-se na porta, coloca sua mão na bola e percebe outra mão tocar a mesma simultaneamente. Levanta sua cabeça e vê uma garota fitando-lhe e sorrindo timidamente.
- Deixa que eu pego pra você! – Diz a menina.
- Não precisa, não! – O garoto levanta-se com a bola nas mãos. Ela faz o mesmo.
- Você gosta de esportes, né?!
- Sim, eu curto bastante!
- Percebe-se! – A garota o olha dos pés à cabeça.
- Deixa eu entrar porque a bola não é minha! Preciso entregá-la...
- Tá bom! Te espero aqui fora!
-... Por quê? – Espanta-se Alberto.
- Pra gente passear juntos! Tá um dia tão bonito pra se passear juntos, você não acha? Você parece estar sozinho!
- Ahhh... É! – Um pouco sem graça, porém, acostumado com as cantadas de algumas garotas, Alberto mexe em seu cabelo e, mente, pra tentar finalizar o assunto. – Me passa seu telefone e a gente marca outro dia! Tô meio atarefado hoje! – Até gosta dessas paqueras, o distrai, no entanto, como havia dito, prefere não ficar com nenhuma menina, pois, ainda pensa no que lhe aconteceu com sua ex-namorada. Alberto sempre preferiu tratar as meninas com jeito, com respeito. Sabe que o fato de só ficar com alguma delas sem compromisso é comum na sua idade. Muitas meninas até curtem isso. Todavia, Alberto é de se entregar se apaixonado. Quer evitar que isto ocorra novamente tão cedo. Tem receio de se machucar mais uma vez. Não pensa mais em sua ex como antes, mas, ainda prefere ficar só. Acha que teria liberdade para fazer suas coisas sem se preocupar com mais nada.
- Ahh, que pena! Tudo bem, então! – A jovem abre sua pequena bolsa e anota o número de seu celular, entregando, em seguida, para Alberto que pega e, sem olhar muito, guarda em seu bolso da bermuda que usa no dia.
- Tá certo! Falou! Quando der, eu ligo! – Mente, apesar de não gostar disso. Solta um sorriso tímido e uma piscada que faz a menina encantar-se e suspirar assim que o rapaz entra na loja.
- Ai, ai... – Sai sorridente achando que Alberto a ligaria! Realmente, ele não gosta de enganar as garotas, porém, o assédio, muitas vezes, excessivo das mesmas o deixa sem reação. Alberto encanta-se mais com meninas de gênio forte e até um pouco tímidas. Somente sua ex, diferente de sua preferência, o fascinou de forma que o fez apaixonar-se sem saber exatamente o motivo. Apenas sabia que era encantadora e, por isso, perigosa.
Devolve a bola para o atendente, pergunta preços e, após alguns minutos, amuado, sai da loja e pensa: “Pena que não tenho dinheiro pra comprar nada aí! É tudo muito caro!”. Alberto é um garoto simples, sem mordomias. Contudo, às vezes, gostaria de ter mais dinheiro para poder comprar o que tivesse vontade, especialmente, artigos esportivos que ele tanto gosta.
Resolve esquecer o assunto e procurar seus amigos.
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