Notas iniciais
É, evidentemente, a interpretação do ponto de vista do estado de São Paulo de sua própria história. Só esses primeiros pedaços que serão mais dinâmicos e provavelmente trarão a perspectiva de João Ramalho. O começo é um pouquinho moroso e talvez cansativo mas depois vai melhorar, quando irá chegar na parte com mais ação (que inclui guerra, sociedades secretas, bandeiras, maldições e pragas...) e sim, é tudo baseada em história real, claro que com alguma liberdade interpretativa!

— ano 1513, nas imediações da atual

Ilha de São Vicente –

Os Tupiniquins de Ingaguaçu

O farfalhar das folhas se intensificava com a tempestade iminente, as nuvens tornavam-se mais pastosas e escuras, até que finalmente o céu resolveu se derramar sobre a cabeça dos homens com toda sua inclemência e indiferença, lavando os campos e as florestas inundadas de sangue das constantes guerras tribais daquela região, e todo seu tributo caudal chegava às praias de areias acastanhadas da ilha de Ingaguaçu.

Não só o céu mostrava seu temperamento arredio e indômito, como também os mares que se chocavam com as pedras litorâneas partindo aquela única nau que se aventurava por estas paragens mais ao sul do globo, lançando os seus tripulantes a todo tipo de sorte... Ou de azar.

João Ramalho estava com sorte.

E aquele que seria a província de São Vicente descobriria que a sorte de Ramalho era sua sorte também.

Ao chegar às areias da praia, embora inacreditavelmente feliz e surpreso por sobreviver, o homem se entregaria ao cansaço, desmaiando ali mesmo depois de enfrentar o mar por horas, suas energias totalmente drenadas.

Toda aquela intempérie já dizia muito a respeito da personalidade túrbida que a criança que representava aquela região viria a ter, mas naquele momento ainda restava a presteza dos nativos curiosos com aquele sujeito tão parecido e ao mesmo tempo tão diferente, os índios que estavam ali no litoral o levaram para o cacique Tibiriçá, no planalto de Piratininga, aquela espécime inusitada não podia ser ignorada, era uma criatura deveras intrigante que devia ser analisada.