Festim De Sangue
11 Procurar e Destruir!
Ouvir as palavras desesperadas de Isabelle Hellsing faz a fúria tomar conta de Alucard, todo o seu ódio eclodindo de uma só vez, como um vulcão prestes a entrar em erupção. Sente o corpo trêmulo da menina Hellsing e as lágrimas desesperadas dela molhando sua calça e, para não perder tempo, decide ler a mente da criança para obter respostas mais concretas ao invés de perguntar a ela o que está acontecendo.
Utilizando seus poderes, nem é preciso vasculhar muito para descobrir o que procura. A menina Hellsing se recorda perfeitamente bem de acordar, tomar um banho, trocar de roupa e vai ao quarto da mãe, assim como faz todas as manhãs. Bate várias vezes na porta, porém Integra não dá sinas de estar no quarto. A menina Hellsing então entra no aposento privado da mãe e, para sua surpresa, não a encontra. Encontra a cama totalmente desarrumada e uma arma caída no chão. A criança chama em vão por sua mãe, procura no closet e no toalete, mas não há sinais da presença de Integra. Isabelle deixa o quarto e começa a procurar pela mãe por toda a mansão, primeiro no escritório, depois nos outros aposentos da mansão Hellsing. Começando a se desesperar, a herdeira de Integra procura no último lugar em que acha que a mãe possa estar, no quarto de Philip e, novamente, entra no quarto do pai sem bater. Não encontra nada no quarto do homem, muito menos sinal do pai, e é então que deduz que seu pai levou sua mãe.
― Senhor vampiro...! – a menina Hellsing chora de forma descontrolada – Eu quero a minha mãe...! Quero que Philip a devolva...!
De forma brusca e sem se importar com a filha de sua mestra, Alucard se levanta, fazendo a pequena Hellsing perder o equilíbrio e cair no chão.
― Maldito humano!!! – rosna Alucard em toda a sua fúria!
A pequena Hellsing, ainda caída no cão, olha confusa para o vampiro que não é capaz de conter o ódio. Sente uma estranha sensação, um arrepio em seu corpo só de olhar para aquele ser das trevas! Compreende que Alucard desperta medo em qualquer humano, o vampiro desperta o pior de todos os medos, o medo da morte. Mas... Por mais estranho que possa parecer, ela não sente medo perto dele... Sente-se estranhamente... Segura...!
A pequena loira de cabelos platinados observa os cabelos negros da criatura das trevas voarem enquanto o vampiro deixa vir à tona todo o seu ódio. De repente e, em um gesto que a menina estranha, Alucard estende sua poderosa mão para aquela criança, que é tão parecida e, ao mesmo tempo, tão diferente de sua mãe.
Sem pensar duas vezes, Isabelle Hellsing segura a mão que Alucard lhe oferece e, sem ao menos se dar conta, é levantada do chão pelo vampiro como se pesasse menos do que uma pena.
― Vai trazer a mamãe de volta...? – pergunta a pequena Hellsing.
― Vou. – responde Alucard – Agora venha comigo, há perguntas que precisam ser respondidas.
Sem dizer uma única palavra, a menina segue o vampiro por entre os frios corredores do sub solo da mansão Hellsing, até chegarem ao destino de Alucard, o quarto de Seras Victoria. O lixeiro da Hellsing adentra o aposento de forma brusca, e encontra a vampira dormindo em seu caixão. Sem pensar duas vezes, o lixeiro da Hellsing dá um forte chute no caixão da vampira, fazendo com que ela acorde e se levante de forma abrupta.
― O que...?! Que...?! Onde...? – Seras Victoria questiona olhando de um lado para o outro sem parar.
― O que você pensa que está fazendo, idiota? – pergunta Alucard, sem esconder o tom de desaprovação em sua voz.
― Mestre?! – fala Seras Victoria, ainda confusa.
Imediatamente, a vampira serva de Alucard se levanta de seu caixão em uma velocidade que olhos humanos não são capazes de acompanhar. Ela encara seu mestre, que, olha furioso para ela, enquanto ela não é capaz de entender o motivo de tamanha raiva vindas do imortal a sua frente.
― Vai me responder o que pensa que está fazendo?! – Alucard volta a rosnar.
― Eu, nada! – responde a vampira prontamente – Mas por que isso incomoda o mestre agora?
― PORQUE ENQUANTO VOCÊ ESTAVA AQUI A FAZER “NADA”, INTEGRA DESAPARECEU!!!!!! — Alucard joga a verdade em cima de Seras Victoria com toda a sua fúria.
Seras olha atordoada para seu mestre! Não é possível que ele esteja falando a verdade...!
― O que?! – a vampira olha para Alucard ainda confusa – Como é que uma coisa dessas foi acontecer?!
― Eu é que pergunto isso!!! – Alucard volta a rosnar – Me conte o que foi que você fez noite passada que não se deu conta do que aquele maldito humano fez!!!
― Noite passada eu apenas segui as ordens de Sir Integra. – a vampira tenta se explicar – Ela me mandou ficar com a pequena Isabelle, e foi o que eu fiz! Passei a noite toda ao lado de Isabelle, para que Philip não pudesse chegar perto da menina, assim como me foi ordenado! Juro para o senhor que não ouvi nenhuma movimentação suspeita na casa!
Alucard, ainda furioso e sem conseguir conter toda a sua fúria, escuta com atenção cada palavra proferida por Seras Victoria, tentando encontrar uma brecha nisso tudo, um lugar que o maldito humano possa ter usado como ponto para agir.
Sabe que durante todo o casamento dele com sua mestra, o humano fez o que fez e Seras não moveu um único dedo para impedi-lo, e que, só se sentiu ameaçado após sua chegada. Tudo isso só faz com que Alucard tenha mais e mais certeza de que a parição misteriosa do vampiro chamado Ripper e suas estranhas palavras não foram um mero acaso ou um ataque isolado, não...! Fora muito mais que isso...!
Tem quase certeza de que, assim como ele serve a Integra, o misterioso Ripper serve a Philip!
Esta é uma das chaves para o mistério!
― Agora a primeira peça deste estranho enigma começa a se encaixar! – rosna Alucard.
― Do que o senhor está falando, mestre? – pergunta Seras Victoria, com a voz um pouco trêmula, com medo da ira do vampiro a quem serve.
― Que Ripper serve a Philip. – responde Alucard – E que ele apareceu noite passada para me distrair enquanto o maldito humano agia livremente dentro desta mansão, já que sua presença aqui não serve para absolutamente nada!
*****
Árvores gigantes cobrem uma floresta com seus imensos galhos, dando a ela um aspecto sombrio e assustador, o brilho da lua não chega a iluminar a floresta, assim como os raios de sol, pois os galhos das árvores são tão grandes e suas folhagens tão volumosas que impedem a passagem de luz.
Pela pouca luminosidade da floresta, a umidade toma conta do local, e musgo preenchem todos os espessos troncos das árvores, todas as grandes rochas, e poucos animais são vistos nesta sombria floresta.
Mas, em algum lugar dela, em uma localização de difícil alcance, está localizado uma pequena e perfeita construção, altos muros feitos com as mais poderosas rochas cercam o local, em que uma grande casa é cercada por eles.
A casa é construída com as mesmas rochas, e por fora, tem uma aparência que chega a ser quase assustadora. Uma casa que mais parece um forte do que uma casa em si, tamanha as rochas que a sustentam e os muros que a protegem.
Dentro da casa está a mais completa e sombria escuridão, não sendo possível enxergar um palmo, parecendo que as trevas dominaram completamente o local. Uma figura humana segura uma vela e com ela, começa a andar por um dos escuros e sombrios corredores da casa que parece não ter fim.
O humano está usando uma grande túnica preta, que lhe cobre completamente, dos pés à cabeça, e, a túnica também tem uma touca, capaz de esconder perfeitamente bem seus sedosos cabelos loiros.
Após uns dez minutos andando com a vela pelo corredor que parece não ter fim, o humano chega a um cômodo bastante úmido e gélido, ainda sem nenhuma iluminação. E, sem fazer qualquer questão de iluminar o recinto, ele apenas começa a andar pelo lugar, sabendo perfeitamente bem aonde está indo e, se senta uma bela e macia poltrona, onde permanece com a vela em mãos.
No mesmo instante, o rosto de um imortal de aparência fantasmagórica surge em sua frente, iluminado apenas pela pequena chama da vela.
― Estou de volta, meu mestre. – anuncia Ripper, sem qualquer expressão facial em seu rosto cadavérico.
― Percebo. – responde Philip, a chama da vela mostrando claramente um sorriso cruel e vitorioso em seus lábios.
― A missão seguiu-se exatamente como ordenado pelo senhor. – continua Ripper – Distrai o Nosferatu Alucard tempo suficiente para que o meu mestre pudesse agir sem a intromissão do vampiro inimigo.
Lembranças da noite anterior povoam a mente de Philip, enquanto ele lembra como fora fácil agir na noite anterior. Sem o maldito Alucard, as coisas saíram exatamente como ele quis que saíssem.
― E o que achou do vampiro de estimação de minha esposa?
― Ele é tudo e mais um pouco de tudo o que já ouvira falar sobre ele. Mas, o que ele sabe fazer, eu também sei. Se ele é um vampiro de primeira classe, eu também sou. Será divertido enfrentar o Nosferatu mais e mais vezes.
― Bom que você pense, assim, porque pretendo manter esse Alucard bastante ocupado para que este maldito vampiro não possa me atrapalhar.
― E será conforme o seu desejo, meu amo e senhor.
Philip leva sua mão que não está segurando a vela em seu rosto, no local ferido pelo maldito Alucard.
― Integra jamais será sua... Maldito vampiro...! – sussurra Philip, mais para si mesmo do que para Ripper.
Integra fora destinada a ele, a cobiçara desde o momento que seu olhar cruzou rapidamente com o dela em um dos bailes promovidos por Sua Majestade e, desde aquele momento, soube que Integra lhe pertence...!
A Lady Hellsing é sua e de mais ninguém! E, não será um maldito ser das trevas, que nem ao menos está vivo, que irá tirá-la dele!
Não...!
Está mostrando para Alucard que, por mais que ele seja poderoso, por mais que ele se ache o mais forte dos imortais, Integra lhe pertence e a mais ninguém!
Integra lhe pertence e somente a ele!
A própria Integra já havia se conformado com seu destino, mas então, este maldito Alucard resolveu voltar do mais profundo dos infernos para acabar com sua vida e com seu lar, e então o lado selvagem de Integra resolveu despertar e ela, achando que teria o vampiro para protege-la, teve a grande ousadia de lhe desafiar, esquecendo-se de tudo o que ele é capaz de fazer.
Nem a breve lição que dera a ala, antes dos últimos acontecimentos fora suficiente pala lembrá-la de que ele está no comando! Porque o maldito Alucard sempre estava ali, entre eles!
Mas Integra também irá aprender a lição e, da pior forma possível!
― Ascenda as luzes. – ordena Philip – Está muito escuro aqui.
Sem dizer uma palavra, Ripper se afasta de seu mestre e anda até uma parede, ascendendo um interruptor de luz. Imediatamente, uma grande luminária de cristal, no centro do salão, ilumina o local.
O grande salão está praticamente vazio, com exceção da poltrona que Philip está sentado e, no centro do salão, um grande altar com uma enorme mesa de mármore em seu centro. Ao redor da mesa, cercando-a totalmente, várias velas apagadas.
Philip se levanta e, com passos decididos, começa a se dirigir para o altar, seguido por Ripper, que está logo atrás dele. Deitada na fria mesa de mármore, Integra Fairbrook Wingates Hellsing está inconsciente. Seu corpo trajando um belo e sensual vestido vermelho sangue, em que o busto deixa claramente o colo dos seios de sua esposa a mostra, e, a grande saia cai em volta de toda a mesa, caindo no chão. As mãos de Integra estão cuidadosamente repousadas, uma em cima da outra, sobre o tórax dela.
Philip entrega a vela que está segurando a Ripper, que a pega imediatamente para, em seguida, se aproximar do corpo descordado de sua esposa. Com um cuidado e uma calma em demasia, o humano pega uma mecha dos cabelos loiro platinados de sua esposa, beijando-os com uma paixão doentia.
― Integra. – fala o homem com uma voz rouca de desejo e paixão – Espero que agora você esteja entendo que é minha, somente minha e de mais ninguém!
*****
A noite chega a Londres e, na Mansão Hellsing, Isabelle olha pela janela de seu quarto a grande e bela lua cheia, que estranhamente emite um brilho avermelhado. Lembra-se de sua mãe e, de forma involuntária, lágrimas inundam seus pequenos e belos olhos azuis, tão parecidos com o da Madame Hellsing.
― Mamãe...! – a menina diz tentando em vão segurar as lágrimas que começam a banhar seu rosto infantil.
Com a manga de seu vestido, a pequena Hellsing enxuga a suas lágrimas, determinada a não mais chorar. Na sua idade, sua mãe matara o próprio tio, e assim se tornara a líder da Hellsing, se tornando também a mestra do senhor vampiro...! Não, a mestra de Alucard! É esse o nome dele!
Ela é filha de Integra e, como tal, deve ser forte igual a sua mãe! Na sua idade, provavelmente sua mãe nunca deve ter chorado! Sua mãe é a mulher mais forte, a melhor pessoa que já conheceu e é tão mulher que até o mais poderoso do vampiro obedece as suas ordens sem pestanejar!
Não sabe o que Philip fez, não sabe onde está sua mãe! A única coisa que sabe é que, quer ela de volta e não vai descansar enquanto não ver sua mãe novamente!
Chega de chorar...! Chega de ser uma doce menininha...! É hora de crescer e mostrar que tem sangue dos Hellsing nas veias, e não o maldito sangue de Philip, o homem que infelizmente é seu pai! É filha de Integra Fairbrook Wingates Hellsing e trará sua mãe de volta custe o que custar.
Com este pensamento em mente, a pequena Hellsing deixa seu quarto e se dirige para o quarto de sua mãe. Sem pensar duas vezes, a pequena loira de cabelos platinados entra no quarto de sua mãe e olha diretamente para chão, encontrando no mesmo instante o que está procurando, a arma de sua mãe.
Sem pensar duas vezes, a pequena Hellsing pega a arma do chão e, por alguns minutos fica ali, apenas vendo a arma, a lembrança de sua mãe cada vez mais forte em sua mente.
Onde ela estará agora?
Sem que Isabelle ao menos se dê conta, Alucard surge na sua frente.
― Isso não é um brinquedo para você brincar! – fala o vampiro, porém sem fazer menção de tirar a arma das mãos de Isabelle.
― Eu sei que não é um brinquedo! – protesta a pequena loira de cabelos platinados – E eu não sou criança!
Alucard olha para a pequena criança a sua frente e não consegue deixar de compará-la a Integra. De repente, sua mente volta ao passado, quando, com a mesma idade desta menina, Integra o acordara com seu sangue doce tantos anos atrás. E, voltando ao presente, pela primeira vez desde que regressou, Alucard consegue enxergar muito mais de Integra nesta menina do que a aparência.
E, em se tratando de aparência Isabelle parece o clone da mãe, parece que a pequena também herdou um pouco da personalidade de Integra. Os olhos da menina, emanam o mesmo brilho dos olhos de sua mestra e ele consegue enxergar claramente o desejo da pequena de encontrar a mãe que está supostamente desaparecida.
― Já encontrou a minha mãe? – a menina Hellsing pergunta, sem tirar o olhos da arma que segura.
― Acha que é tão fácil assim, criança? – questiona o vampiro.
― Já disse que não sou criança! E você é um vampiro, para você deve ser mais fácil encontrar a mamãe!
― As coisas não tão fáceis como você julga, pequena. Não tenho pistas de onde sua mãe possa estar, e muito menos de seu pai! Sem alguma pista concreta, não há nada que eu possa fazer!
― Quer dizer que você não vai fazer nada para salvar a mamãe?
― Quer dizer que vou investigar, criança. Quer dizer que iniciar uma busca e mover céus e inferno para trazer Integra de volta! Quer dizer que matarei com toda crueldade todos aqueles que estão com sua mãe, especialmente ele!
Ouvir as palavras de Alucard faz com que Isabelle volte a encarar a arma de sua mãe, ainda em suas mãos, despertando a curiosidade do Nosferatu, que tira seus óculos para ver melhor a pequena Hellsing a sua frente.
― Para que você quer esta arma, criança? – questiona o lixeiro da Hellsing.
― Já disse que não sou criança! – rebate Isabelle, zangada, fazendo com que Alucard involuntariamente se lembre de Integra na idade dela – E está na cara que eu quero esta arma para matar uma pessoa!
As palavras de Isabelle fazem com que Alucard gargalhe de prazer. Esta menina realmente não nega ser filha de sua mestra.
― E eu posso saber quem você quer matar com a arma de sua mãe? – pergunta o vampiro, curioso com a resposta da menina, poderia ler a mente dela, mas, por alguma razão, quer ouvir a resposta da boca da filha de Integra.
― Não está na cara? Vou matar Philip, quem mais seria?
A risada de Alucard ecoa de forma macabra por entre as quatro paredes do quarto.
― Seu nome é Isabelle Cook. – afirma o vampiro – Você é filha de Philip.
― Não! – diz a menina de forma enfática e colocando as mãos na cintura, em sinal de autoridade – Meu nome é Isabelle Fairbrook Wingates Hellsing! Filha de Integra Fairbrook Wingates Hellsing! E ordeno que você mate o Philip e salve a minha mãe! A ordem é PROCURAR E DESTRUIR!!! PROCURAR E DESTRUIR!!!
Alucard se surpreende com toda a demonstração de coragem da filha de sua mestra, e o vampiro não consegue deixar de sorrir, uma gargalhada tétrica. A menina agora está mostrando que tem o sangue de Integra correndo em suas veias. Ele tira seu chapéu e se ajoelha perante a pequena Hellsing a sua frente, com um sorriso tão satisfeito que mostra todas as suas presas.
― Seu desejo é uma ordem, minha pequena mestra.
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