Festim De Sangue
19 Começa o Festim de Sangue
Notas iniciais
A madrugada segue na Irlanda do Norte e, em uma das ruas silenciosas e sombrias da cidade, dois vampiros conversam.
Os dois tem a pele clara, característica dos mortos vivos e os olhos vermelhos, sangrentos e sedentos por sangue. A diferença entre os dois é a aparência física. Enquanto o primeiro é alto e extremamente magro, com cabelos loiros escuros e longos, soltos até o meio das costas. O segundo é baixo, igualmente magro, com cabelos ruivos que vão até a altura de seu ombro. Os dois se vestem de forma parecida. Camisa branca, suja de sangue e calça jeans.
― Acho que não temos mais nada o que fazer aqui, Jaime. – fala o loiro – Já cumprimos a missão que nos foi dada pelo Conde Philip, espalhamos centenas de vampiros por toda a cidade e, a esta hora, o Nosferatu e sua assistente devem estar lutando inutilmente contra eles, tudo conforme os desejos de nosso Conde.
― Tem razão, Mance. – concorda Jaime – Até aqui, tudo está saindo conforme os desígnios de nosso Conde. Ele tem sua Lady, e, após o ritual de sacrifício, ela será dele para sempre, e, a vingança dos Cook sobre os Hellsing estará completa.
― Vamos voltar para o nosso Conde. Afinal, antes que os raios de sol tragam um novo dia, o sacrifício de nosso Conde será consumado, a Vingança dos Cook será realizada e, a Lady Integra pertencerá para sempre a nosso conde.
Os dois vampiros então deixam de conversar e, começam a andar pelas ruas da cidade, sem ao menos se importarem com as centenas de morcegos que encobrem todo o céu, vendo tudo o que acontece pelas ruas da cidade.
Jaime e Mance caminham devagar pelas ruas, vendo o estrago provocado por todos os vampiros que eles soltaram pelas ruas da cidade. Cadáveres de humanos mortos estão pelas ruas e, todos os lugares o cheiro do sangue de todas as pessoas mortas, aguçando os sentidos dos vampiros, que surgem de todas as ruas, a procura de mais humanos para que eles possam se alimentar.
Mas, os dois vampiros não se importam com o cheio de sangue, nem com os vampiros que não param de aparecer a procura de mais humanos para servir de alimento, e, continuam a sua jornada, pelas ruas da cidade.
Durante o longo trajeto que eles fazem, não trocam uma única palavra um com o outro, e, no lugar em que seus corações deveriam estar batendo, sentem apenas a antecipação pelo que está por vir.
Sabem tudo o que seu mestre humano está tramando. Sabem toda a história de Philip Cook e, anseiam pelo momento do sacrifício derradeiro, em que o Conde a quem sevem terá a sua vingança e mostrará a sua soberania sobre os Hellsing.
Conforme caminham, os dois vão se afastando do centro da cidade, e, chegando a uma parte mais distante dela. Aos poucos, ao dois continuam caminhando e vão saindo da cidade, chegando a uma densa floresta.
Continuam a sua caminhando, adentrando a floresta e aos poucos, a visão das criaturas da noite começam a avistar ao longe, uma enorme casa e, sorrisos estampam os lábios dos vampiros, pois finalmente eles estão chegando a seu destino.
Mais alguns quilômetros de caminhada e, eles chegam ao portão da antiga construção. Os dois vampiros abrem os portões com as chaves reservas e adentram a construção, atravessando os jardins para então adentrar a porta, fechando-a atrás deles.
Os dois estão tão distraídos que, não percebem, do lado de fora, os morcegos que estão por todo o céu, começando a se aglomerar e a tomar a forma de dois vampiros verdadeiros.
― Então é aqui que ele a mantém? – Alucard fala consigo mesmo, sua voz sem qualquer emoção.
― Ao que tudo indica, parece que sim, mestre. – Seras Victoria fala a seu mestre.
― Pode ter demorado um pouco mais do que eu havia planejado, mas, finalmente encontramos o local em que aquele maldito humano está mantendo a Integra prisioneira.
― Não esqueça que agora, ao que tudo indica, Philip também está mantendo a Isabelle como refém, e, não somente Sir Integra.
― Eu não esqueci, Policial e, como vejo que você tem uma forte ligação com a Mini Integra, no momento em que adentrarmos estes portões, você será a responsável por ela. Eu vou atrás de Integra e do maldito humano chamado Philip.
― Sim, mestre.
Após dizer estas palavras Alucard saca as suas duas armas, a Casull e a Jackal, seus olhos vermelhos brilhando de fúria por baixo de seus olhos, cada pequena parte de seu ser clamando pelo sangue de Philip, para fazer o maldito humano pagar por todo o mal que ele fez e que está fazendo a sua mestra!
Seras Victoria também está pronta para a batalha, com sua Halconnen já preparada para enfrentar o que for. Se mil vampiros estiverem no seu caminho para resgatar Isabelle, mil vampiros irão morrer em suas mãos, pois terá Isabelle sã e salva em seus braços, cumprindo uma promessa que fez há muitos anos para Sir Integra.
Os dois vampiros estão prontos para adentrar a propriedade e fazer um grande estrago mas, no momento em que vão adentrar a propriedade, eles são arremessados para longe, pois uma poderosa barreira protege toda a propriedade, impedindo as criaturas da noite de atravessarem os muros e portões, e adentrarem a casa.
― Mas o que...? – questiona Seras Victoria, sem entender o que está acontecendo.
― Uma barreira!!! – responde Alucard, sem conseguir conter a sua fúria – Aquele maldito humano colocou uma barreira neta casa, impedindo a nossa entrada!!!
― Mestre, mas se o que você está dizendo é verdade, como aqueles dois vampiros conseguiram entrar?
― Há muito tempo, uma teoria tem passado pela minha mente. E, a conversa que ouvimos entre aqueles dois vampiros só fez com que as minhas certezas aumentassem acerca desta teoria.
― E que teoria seria essa, mestre?
― Que Philip usa magia. Mas, não uma magia qualquer, mas uma magia antiga e poderosa e, é por isso que a voz de Integra não me alcança.
E, após dizer estas palavras, Alucard saca as suas armas, começando a atirar contra a poderosa barreira, a fim de quebrá-la de qualquer forma. E, enquanto atira, seus olhos vermelhos se tornam escuros e sombrios, tamanho o ódio que ele sente do humano, e sua boca começa a emanar rugidos furiosos, pois, quanto mais ele atira, menos efeito faz sobre esta barreira, que o separa de sua mestra.
Mas, não importa como, ele vai continuar a atirar e, com isso, não importa quanto tempo ele leve, vai conseguir quebrar esta maldita barreira e encontrar a sua mestra.
Seras Victoria, vendo o que seu mestre está fazendo, também saca a sua arma e começa a atirar contra a barreira, na esperança de que, os dois juntos, possam destruí-la, para irem ao resgate de Integra e Isabelle!
*****
― MAMÃE!!!— exclama Isabelle, ao ver Integra acorrentada a uma mesa de pedra.
A menina tenta correr até a mãe, porém, ela é impedida por Ripper que, se coloca a sua frente, impedindo a sua passagem.
Philip então se aproxima de Integra e, com a mão livre, segura uma das mechas de cabelo loiro platinado de sua esposa, sua boca curvada em um sorriso de puro prazer.
― E então Integra? – pergunta Philip, com a voz carregada de prazer – Gostou da surpresa que eu lhe fiz?
Ao ver sua filha ali, correndo perigo de vida e, assim como ela, correndo um grande perigo nas mãos de Philip, Integra perde o seu chão, é como se, seu último fio de esperança tivesse sido acabado. Pois agora, com Isabelle nas mãos deste monstro em forma humana, tudo está perdido!
Era para sua filha estar em segurança com Seras e Alucard, e não neste lugar, que está prestes a se transformar em um festim de sangue.
― Isabelle...! – exclama Integra, sua voz quase que um sussurro, medo e desespero impregnados em sua voz.
― Pelo visto, você gostou da surpresa, meu amor! – Philip volta a falar, com a voz carregada de ironia.
― Miserável! – exclama Integra, tentando mais uma vez se soltar – Você prometeu que deixaria Isabelle fora disso!
― E você acreditou em minhas palavras? – Philip gargalha de prazer, ao mesmo tempo em que olha para Isabelle, que tenta desesperada passar por Ripper e chegar até a mãe – Como você é tola, Integra! Você perdeu toda a sua inteligência quando perdeu o seu orgulho, tantos anos atrás, quando eu a possui pela primeira vez, consumando o nosso casamento e tornando-a minha! Mas eu sabia que seria assim, afinal, tudo fazia parte do plano!
― Plano?! – a voz de Integra soa totalmente confusa.
― Meu amor, você, que se gaba por ser a líder da famosa Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes nunca se perguntou por que escolhi você? Ou por que tenho tanto poder sobre você, a ponto de controlar a sua alma?
Ao ouvir a pergunta de Philip, Integra fica calada, pois, nunca se perguntou nada disso. Aliás, desde que sua vida começou a se tornar um inferno, por culpa deste homem, não se pergunta nada. E, sempre achou que o poder de Philip sobre a sua alma viera por conta do nascimento de Isabelle, tantos anos atrás.
Parecendo adivinhar os seus pensamentos, Philip encara sua esposa, desta vez, tocando o rosto machucado de Integra e, forçando-a a encarar os seus frios e calculistas olhos verdes.
― Sei o que você pensa, meu amor, que tudo aconteceu naquela fatídica noite em que Isabelle veio ao mundo. Mas, eu posso te garantir que tudo vai muito além daquela note, meu amor. E, o nascimento de Isabelle foi só a cereja do bolo, para completar a magia de sangue que me daria controle total de sua alma. Você se lembra daquele dia, não é?
*****
Dez anos atrás...
Uma forte chuva cai sobre o céu de Londres, e, na mansão Hellsing, Integra está em seu escritório, trabalhando. Por conta da barriga grande, evidenciando os seus nove meses de gestação, está se cansando com mais facilidade e, vem trabalhando menos.
Desde que a Millenium fora derrotada, cerca de vinte anos atrás, vampiros aparecem de forma esporádica, mas, esta semana, estranhamente, eles têm aparecido com mais frequência.
E, justamente esta semana, em que tem se sentido tão cansada, justamente por conta da gestação avançada, vampiros resolveram aparecer para acabar com a paz de Londres. E, por conta destes vampiros, é obrigada a trabalhar até mais tarde, como ela está fazendo agora.
Está prestes a desligar o computador para se recolher aos seus aposentos quando o telefone toca e, é obrigada a atender.
― Hellsing! – fala Integra, ao atender o telefone.
― Sir Integra, um vampiro está atacando as ruas de Londres. Precisamos que envie reforços. – fala o soldado do outro lado da linha.
― Mandarei Seras Victoria imediatamente. – Integra volta a falar, desligando o telefone em seguida.
Ao desligar o telefone, a líder da Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes sente uma leve contração e, se lembra de que, no começo da semana, o seu obstetra lhe dissera que seu bebê poderia nascer a qualquer momento, e, espera sinceramente que o bebê não venha esta noite, não com a vampira fora.
― Seras Victoria! – chama Integra.
No mesmo instante, Seras Victoria aparece na frente de Integra.
― Qual o problema, Sir Integra? – pergunta a vampira – Sente-se mal?
― Estou bem. Mas, acabo de receber um telefonema, um vampiro está atacando o centro de Londres e, cabe a você obliterar a criatura.
― Irei agora mesmo, Sir integra.
E, após dizer estas palavras Seras Victoria volta a desaparecer. Novamente sozinha, Integra sente outra contração, um pouco mais forte que a anterior e, morde o lábio inferior a fim de conter um grito de dor.
A líder da Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes se levanta e vai para o quarto e, no caminho, sente outra contração. Dessa vez, ela não consegue conter um forte grito de dor, ao mesmo tempo em que sente a bolsa amniótica estourar.
― Droga...! – fala Integra, sentindo a dor insuportável de mais uma contração.
A loira de cabelos platinados se encosta em uma parede, sem conseguir mais andar. Sente que o momento finalmente chegou, que, após nove meses de espera, o seu filho finalmente vai nascer.
Integra sente tanta dor que, não percebe Philip se aproximando e, só percebe que ele está bem a seu lado no momento em que ele a pega em seus braços e, começa a leva-la para o quarto.
― O que pensa que está fazendo, Philip? – pergunta Integra, de forma bruta.
― Não está na cara, meu amor? – responde Philip – Estou levando você para o quarto, parece que o nosso bebê vai nascer e você precisa de ajuda!
― Não da sua ajuda! Posso me virar sozinha! Me coloque no chão!
― A esta altura de nossa vida juntos, ainda não percebeu que você não manda em mim? Que eu faço o que eu quero? Vou leva-la para o quarto e cuidar de você, afinal de contas, quer você queira ou não este filho que está em sua barriga é tão meu quanto seu, meu amor!
Philip então chega ao quarto de Integra e, deita a mulher na cama. Integra grita após sentir mais uma contração.
― Me dê o telefone! – ordena a loira de cabelos platinados – Eu preciso chamar o meu médico!
Philip, dessa vez, faz o que Integra está pedindo e, entrega a ela o telefone sem fio. Porém, quando a loira liga o aparelho, percebe que este está sem linha, o que faz com que se sinta desesperada, pois, as contrações estão cada vez mais fortes e, em intervalos cada vez menores.
― Qual é o problema, Integra? – pergunta Philip.
― O telefone está sem linha...!
― Deve ser por conta desta chuva que está caindo. Sinto muito, meu amor, mas, não podemos contar com o seu médico!
― Então chame algum empregado...! Meu filho vai nascer...! Não posso fazer isso sozinha...!
― Sinto muito, meu amor. Mas, eu dei folga a todos os empregados. Nós estamos sozinhos aqui! O que significa que, se nosso filho vai nascer, eu é que farei o seu parto e trarei o fruto de meu amor por você ao mundo!
*****
Os gritos de Isabelle, tentando desesperadamente passar por Ripper e alcançar a mãe fazem com que a mente de Integra voltem ao presente.
― Parece que você estava se lembrando do passado, não é mesmo, minha amada Integra? – Philip volta a falar, em um tom de voz que é puro sarcasmo.
A loira de cabelos platinados encara o homem a sua frente com todo o ódio que tem em seu coração, ao mesmo tempo em que tenta encontrar algum sentido nas palavras de Philip.
O loiro de olhos verdes parece compreender a confusão nos olhos de sua esposa e, gargalha de prazer, pois, há anos vem esperando por este momento!
― Integra, será, em nenhum momento, você se perguntou por que me aproximei de você? Nunca se perguntou porque tive paciência de permanecer anos casado com você? Eu sempre disse que te amo, e, não menti! Eu te amo como jamais amei qualquer mulher na vida! Te desejei, porque você, é a mulher mais bela que os meus olhos já viram! Desde que eu me entendo por gente, eu sempre soube que deveria me casar com a líder da Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes para levar adiante a vingança da família Cook, mas, quando a vi, me apaixonei por você, por sua beleza selvagem e sua personalidade forte! E, naquele momento, eu soube que iria te amar, te desejar e adorar cada minuto passado ao seu lado!
A cada palavra dita por Philip, Integra fica mais confusa, principalmente porque ele fala de uma vingança contra a sua família que ela não é capaz de entender.
Por sua vez, Philip continua a encarar o rosto confuso e sua esposa e, sorri de forma irônica, por ela não ser capaz de compreender as suas palavras. Por anos a fio, esperou por este momento, para que a vingança de sua família sobre os Hellsing finalmente fosse concluída e, agora que este momento finalmente chegou, quer apreciar cada pequeno segundo dele!
Se aproxima de sua esposa e a beija com uma paixão doentia, saboreando cada momento deste beijo, e, principalmente, saboreando a repulsa que Integra sempre sentiu! Nunca se importou com a repulsa dela e, não é agora que vai se importar! Muito pelo contrário! Depois do que irá acontecer esta noite, Integra será eternamente sua, quer ela goste ou não!
Depois desta noite, a magia estará concluída e não haverá nada que ela e que ninguém poderá fazer! Muito menos aquele maldito vampiro de quem ela tanto se orgulha!
Philip termina o beijo, para então voltar a encarar o olhar cheio de ódio de sua esposa. O loiro então vira as costas e encara Ripper, que continua bloqueando a passagem de Isabelle. O homem manda um sinal para o vampiro com apenas um olhar e, neste momento, Ripper abre passagem para Isabelle, que corre desesperada em direção a mãe. E, no mesmo instante em que Ripper abre passagem para Isabelle, Philip se afasta do altar, a fim de deixar que a menina se aproxime da mãe acorrentada.
E, no instante em que Isabelle coloca os pés no altar em que está a mesa de mármore na qual Integra é mantida refém, Philip usa a foice que tem em suas mãos e, em um movimento rápido e perfeito, transpassa o coração de Isabelle.
― Ma... Mãe... – a voz de Isabelle soa sufocada, em meio a uma grande golfada de sangue.
A menina cai de joelhos, a vista se turvando a se apagar completamente. Seus olhos se fechando para sempre.
O rosto de Integra perde completamente a cor, enquanto ela vê a sua filha dando o seu último suspiro e perdendo a vida. Seus olhos azuis começam a verter as mais tristes lágrimas que já derramou em toda a sua vida e, sua Boca dá voz a um grito completamente desesperado e impotente:
― ISABELLE!!!!!!!!!!
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