Ferris Bueller's Back To The Future
2 Capítulo 2
Chicago, 1986.
— Querido! — Disse a senhora Bueller, quando colocou a testa na mão do filho. — Ferris está doente de novo!
O rapaz tossia fortemente, estava pálido e a temperatura estava acima de 40°.
— Deixe-me ver. — O senhor Bueller logo chegou, pegando o termômetro. — Bem no dia que iríamos viajar para a casa da Tia Gail...
— Mãe, pai... — Ferris tossiu e fungou, acabado. — Acho que vocês deveriam ir sem mim... Já pagaram muito na entrada do trailer.
— Mas querido, isso não é um dia só que você ficará em casa sozinho, e sim duas semanas enquanto estamos viajando!
— Cameron e Sloane podem cuidar de mim.
— Cameron está ocupado com seu emprego, e duvido que os pais de Sloane a deixarão ficar sozinha com você o dia todo.
— Eu cuido dele.
Era Jeanie, que não pôde deixar de ouvir a conversa.
— Você tem certeza, Jeanie? — Perguntou a senhora Bueller. — A Tia Gail queria tanto te ver.
— Tenho mãe, alguém tem que cuidar do coitadinho do Ferris... — Piscou para o irmão, que sorriu aliviado por esta apoiar sua mentira. — Acho que é melhor vocês irem, para evitar o trânsito.
Os dois hesitaram por instantes, mas no mesmo momento, Jeanie descera para fazer uma compressa de gelo.
— Vamos, querido. — A senhora Bueller tocou no ombro do marido de leve. — Eles vão ficar bem.
Após a senhora Bueller dar um beijo na testa do filho doente, o casal foi embora. Quando estavam longe o suficiente, Jeanie subiu e foi até o quarto de Ferris, encontrando o irmão perfeitamente saudável, terminando de se calçar.
— Você me deve duas. — Falou, sorrindo.
— Já compensei uma, tem duas semanas livres pra fazer o que quiser.
— Tá bom. Mas o que você pretende fazer, Ferris?
— Bom — Fez uma pausa, parando em sua frente. — Primeiramente eu pretendo comprar dois ingressos para o festival de bandas que vai ter hoje a noite. Depois, é o que a vida quiser.
— Tá bom... — Jeanie riu de leve. — Quer uma carona?
— Me querendo fazer te dever mais uma?
— Engraçadinho. Anda logo, não tenho o dia todo.
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Estava um lindo dia em Chicago, menos para Cameron. Tinha mais 7 horas de trabalho, limpando o chão da lanchonete e servindo clientes.
Observava as pessoas no lado de fora, invejando sua felicidade. Estava preso naquela espelunca escura e fria.
— Frye! — Seu gordo e sujo chefe gritou do balcão enquanto contava o dinheiro. — Pare de ficar que nem um retardado olhando pro vidro e limpe o resto do chão!
Murmurando palavrões enquanto passava o esfregão. Ao passar por um canto, viu que alguém ainda não havia pedido nada. Pegou seu bloquinho e caneta e perguntou:
— O que vai querer... — Fez uma pausa, vendo melhor quem era. — Sloane?
— Cam?
Ele sorriu para a garota, estendendo sua mão para cumprimentá-la, mas esta se levantou e deu-lhe um abraço na hora.
— Pode ficar um pouco? — Ela perguntou docilmente, batendo de leve na mesa. — Queria conversar com alguém...
Cameron olhou para trás rapidamente, duvidoso, mas seu chefe estava distraído para vê-lo.
— C-certo...
Ao se sentarem, Sloane tocou de leve em suas mãos. Estavam ásperas e geladas, diferente das dela, suaves e mornas. O rapaz ficou nervoso, mas a expressão doce da moça o pedia para relaxar.
— E então, como está a vida?
— Bem, olha... Uma bosta. Achei que algo aconteceria, mas não, nada mudou, tirando o fato que estou aqui ganhando 300 dólares por semana nesta espelunca.
— Ainda morando com seus pais?
— Pois é... Depois do que aconteceu com a Ferrari, meu pai nunca me daria um apartamento.
— Falando nisso, você nunca me contou o que aconteceu quando foram conversar...
Cameron congelara ao ouvir isto, o que preocupou Sloane.
— Cam? — Ela tocou em seu rosto de leve, arrepiando o rapaz. — Está tudo bem?
No mesmo momento, Ferris entrou na lanchonete, e Cameron se levantou rapidamente.
— Sloane! — Exclamou, chegando mais perto da garota e a beijando. — E aí, preparada para mais tarde?
— O que vai ser? — A garota perguntou, um pouco sem jeito por causa do momento.
— Vamos ver o festival de música. Consegui com um amigo ingressos lá pra frente.
— Ah, que ótimo! — Ela sorriu, mas logo se virou para Cameron, que havia ficado no vácuo. — Ahn, Cam, você vai,ficar bem?
— Ééé, claro...
— O que houve Cameron, parece que viu um fantasma!
— N-nada... Mas seus pais estão vindo ali.
Ferris se virou na hora, e assustado, correu pro banheiro.
Cameron foi até a mesa do casal Bueller, procurando ser mais natural o possível.
— Posso anotar seu pedido? — Perguntou, tentando aliviar a tensão.
— Ah, olá Cameron — A senhora Bueller sorriu. — Dois cappuccinos, por favor.
— Com licença, eu vou ao banheiro. — Disse o senhor Bueller, retirando-se.
Cameron foi até o balcão e encheu as xícaras na máquina. Deu uma breve olhada em Sloane, e viu que esta também o observava.
— Aqui está... — Deixou a bandeja na mesa, um pouco trêmulo. — São dois dólares.
— Certo...
Enquanto isso, Ferris estava no banheiro esperando o tempo passar, até que ouviu passos. Para se garantir, entrou no toalete.
Seu pai abriu a porta, e Ferris o reconheceu pelos sapatos que este usava. Recuou um pouco, tentando se esconder melhor. Logo quando seu pai fora lavar as mãos, viu os sapatos de Ferris, e suspeitou por um momento. Começou a se aproximar, fazendo o garoto suar frio. Cada passo parecia um segundo a menos nos próximos anos de sua vida. Mas o senhor Bueller parou antes.
"Mas o que estou fazendo?" Pensou.
Esperou mais uns minutos, até que ouviu passos de novo, voltando para o banheiro. Temeu por um segundo, até que ouviu:
— Ferris, sai daí, eles já foram!
Ele suspirou profundamente, aliviado.
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