Ferindo ao meu Coração
1 Ferindo a nós dois — Capítulo Único.
Notas iniciais
Ferindo Ao Meu Coração
Athena agora estava morta, caída no chão com a garganta sangrando. Seus olhos — oh, que belos olhos! — agora estavam cerrados, e os lábios, normalmente róseos, tomavam um tom arroxeado. Mas apesar disso permanecia serena, bela, como se ainda emanasse vida por aquele corpo humano. Seus cosmo reconfortante continuava a pulsar fracamente.
Milo, porém, não presenciava aquilo, não tinha cabeça, pois fitava com ódio o ruivo. Fora um grande impulso de sua parte, já que, desde o momento em que a Deusa fora apunhalada pela agada dourada de Saga, o grego levou suas mãos ao pescoço de Camus, apertando com força e o levantando do chão. Não se importava com o fato do francês já estar morto, iria matá-lo novamente.
Era tudo culpa dele.
Camus era o principal culpado pela morte da jovem, da luz do mundo. Se ele não tivesse deixado Hyoga vencer... Se não tivesse se sacrificado no começo... Se não tivesse vendido a droga da alma para Hades em troca de doze horas! Merda, onde estava o Cavaleiro extremamente fiel a Athena que conhecera no passado? Onde estava o Picolé? Quem diabos era o resto de homem em sua frente?
Apertou com mais força, ouvindo o gemido vindo do mais velho, ignorando totalmente. Por que o aquariano não se debatia? Por que não tentava respirar? Por que não o atacava a prendia no esquife de gelo? O simples fato de não revidar lhe trazia dúvidas. Droga! O louro odiava duvidar de algo.
Tirou a mão direita, sem afrouxar a esquerda, levantando seus olhos azuis para encarar os vermelhos a sua frente. A situação de seu ex-melhor amigo era degradante, sujo e ferido, sangue para todo o lado e a sapuris aos pedaços. Mas isso não o havia impedido de trair sua Deusa, a quem um dia se orgulhara de ser fiel.
Apontou seu dedo.
A Agulha Escarlate estava pronta para ser lançada, mesmo que tremesse muito. Mirou para o Cavaleiro — ou devia dizer Espectro? — que segurava à centímetros do chão. Lançaria as quinze logo de uma vez, e acabaria com o resto da vida dada a Camus ali mesmo.
— Mi... Lo... — sem ar o outro sussurrou. Apenas um sussurro foi suficiente para fazer o Escorpião fraquejar um pouco.
— Cale a boca, traidor! — gritou, desviando o olhar um pouco, abaixava a cabeça para não ter que encara-lo. — Como... Como você pode fazer isso seu pinguim idiota? Como pode se voltar contra Athena? Com... — um toque de leve em seu rosto o fez levantar o olhar, fitando o rosto em sua frente.
Um sorriso.
Um sorriso vindo de Camus. Um sorriso doce vindo de Camus, junto com lágrimas cristalinas que escorriam pelas bochechas do francês.
O grego não entendia, realmente não entendia, e nem queria entender, em lágrimas atacou. E em lágrimas, descobriria depois os verdadeiros sentimentos de Camus.
Ferir o coração dele era ferir o seu.

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