Fenômeno 16: O Primeiro Ciclo.

1 Fenômeno Sixteen: O Fim é um novo começo.


O ciclo é infinito, e por mais que você tente escapar, tudo terá começo, meio e fim, e logo, reiniciará, assim foi com a terra, assim será com os humanos, e assim será infinitamente.

E quando todos pensavam que a Terra havia acabado, o deserto e seus perigos ainda mostravam que a Terra estava longe do fim, o seu novo começo trouxe novos horizontes, novas catástrofes, novas ameaças, e apenas os mais fortes sobrevivem.

É difícil acreditar, mas mesmo naquela tempestade de areia fortíssima do imenso deserto, havia uma criança caminhando, cobrindo seu rosto com o capuz negro do seu pequeno agasalho. Suas mãos estavam no bolso e nas suas costas havia uma mochila desgastada. Afastando sua vista do garoto, tudo que se vê é a areia do deserto, com prédios e casas soterrados de baixo daquela imensidão desértica, o fim do mundo já havia passado por ali, mas mesmo o fim do mundo, ainda não era o fim de tudo, era apenas uma nova página para aquela história. Todo ciclo que termina, é um ciclo que se inicia.

EXPD Comics, e Victor Lima. 02/01/2018. São Paulo.

Fenômeno 16: O Primeiro Ciclo.

Respirar, comida, água, vestimenta, sobrevivência. Estes eram os princípios básicos daquela criança que caminhava pelo deserto do mundo sem saber como foi parar ali ou como aprendeu aquelas coisas, sem saber quem foi, de onde viera, e para onde iria. Seu foco era apenas a sobrevivência ao deserto, com o decorrer de sua busca por outras pessoas.

Respirar.

O garoto possuía sérias dificuldades para respirar nas tempestades de areia, seu foco total nestes períodos era respirar, sobreviver a mais uma das tempestades, até encontrar um local seguro para se esconder.

Comida.

Muitas vezes vomitou por não saber se aquilo a sua frente era comível ou não, e por pouco não morreu, talvez graças a sua imunidade mais do que alta. Com o tempo, aprendeu a distinguir o que era e o que não era. Perdera a conta de quantas vezes passou fome. O Pior era encontrar os adultos no caminho, todos mal intencionados, todos querendo rouba-lo ou mata-lo, não se lembra da ultima vez que algum adulto não o atacou logo na primeira vez que o viu.

Água.

Um dos fatores mais difíceis, encontrar água naquela imensidão de areia, e quando acontecia, seus olhos brilhavam, e um sorriso aparecia, ele agradecia com imensidão. Os tempos de chuva eram onde o garoto se sentia mais feliz.

Vestimentas.

Era o mais fácil, qualquer pano velho, qualquer coisa de tecido, era suficiente para cobrir seu corpo. Era importante ter bastante, pois as tempestades de areia não eram piedosas, seu corpo precisava estar muito bem agasalhado, e mesmo com muitas roupas, o garoto já havia sido lançado longe pela tempestade várias e várias vezes.

Monstros.

O Deserto era traiçoeiro, e os principais monstros encontrados por lá eram os insetos, e o garoto precisava encontrar os locais mais inusitados para se esconder ou fugir, pois confrontar aquelas criaturas era o mesmo que enfrentar a morte.

Relações?

Era um ser humano, querendo ou não. Mas, não se lembra de suas relações passadas, era uma criança órfã, obrigado cedo a se virar, não conhecia a sensação do afeto ou da aproximação, do carinho...

Sim, isso o afetava, inúmeras noites de choro compulsivo, mas ele não entendia que sua dor se tratava dele estar sozinho, era apenas o choro vindo mais uma vez para limpar seu rosto sujo.

Mas tudo isso acabou, quando o garoto finalmente encontrou um lugar.

A Criança subia uma duna de areia, a tempestade estava fraca, na verdade, era apenas um vento desértico comum que ele estava torcendo para não aumentar. Ao terminar de escalar a duna, o garoto se depara com uma grande construção, um local que estava tampado pelos muros de concreto mais altos que o mesmo havia visto em toda sua curta vida de 7 anos, o que aguardar daquilo?

O garoto desceu as dunas escorregando e rolando, e correu em direção ao grande muro, na esperança de encontrar finalmente alguma coisa diferente, não apenas areia e monumentos soterrados.

Ele enxerga um portão de metal e se aproxima, o portão era tão grande que o mesmo não sabia distinguir a altura, e certamente nunca abriria aquele portão sozinho, talvez um gigante abrisse.

Desesperado por algo novo, ele bate no portão e grita alto, esperando que alguma coisa aconteça, mas tudo que se ouve no meio daquele deserto, são os ecos do grito do garoto e das batidas no grande portão de metal.

Nenhuma resposta, ou som. E então, o garoto abaixa a cabeça a cabeça, não surpreso por mais uma vez ter que ficar sozinho. Mas de repente, o grande portão começa a abrir, e as engrenagens do portão faziam um barulho muito alto.

O garoto se assusta e cai para trás enquanto os portões vão se abrindo em sua direção, ele corre na direção contrária dos mesmos, com medo de ser atropelado. Até que finalmente, os portões se abrem por completo...

Uma luz muito densa vem na direção do garoto, o obrigando a fechar os olhos. Mas ele não ouve nada após a abertura do portão, apenas o som do silêncio que ele já conhece muito bem.

Cerrando os olhos e os abrindo de vagar, ele começa a enxergar a sua frente, uma centena de pessoas, sendo grande maioria crianças. Todos de frente a uma escadaria, olhando surpresos para o garoto, como se nunca na vida tivessem visto uma criança antes.

— É um sobrevivente! Peguem-no rápido e fechem os portões! — Grita uma mulher ruiva e magra. Homens correm na direção do garoto e o pegam no colo, enquanto cochichos e falas das crianças curiosas fazem o som de fundo.

Todos olhavam para o garoto muito surpresos, enquanto o garoto não entendia o que estava acontecendo. Ele estava tão pasmo quanto todos que estavam ali. E então, o mesmo começa a chorar, por vários motivos, medo, confusão, e até mesmo alegria, principalmente por saber que não estava sozinho na imensidão do deserto.

Os homens adentram com o garoto no colo enquanto os portões vão se fechando, e a partir daquele momento, um novo ciclo da vida do garoto se iniciava...