Feliz Natal, Quinn!
1 CAPÍTULO ÚNICO
Quinn Fabray estava longe de casa, não era o primeiro natal que iria passar longe da família, mas provavelmente era o mais solitário. O pessoal da firma foi liberado mais cedo no dia 24 de dezembro.
Seus colegas de trabalho saíram apressados, desejando feliz natal e felicitações, Quinn enrolou um pouco mais para juntar suas coisas. Logo desligou o computador e pegou seu casaco e a bolsa.
Assim que pisou na calçada uma rajada de vento frio a fez se encolher, fechou o casaco, subindo o zíper até seu limite e colocou o gorro de cor vermelha. Caminhou apressadamente até o metrô, queria logo chegar em casa, para ligar o aquecedor e tomar um chocolate quente.
O trajeto que ela fazia do trabalho para casa durava em média vinte minutos, sem contar a caminhada da estação até o prédio em que residia. Durante sua pequena viagem ela perdeu as contas de quantos “Feliz Natal!” ela ouviu, tentou ser simpática e respondeu à todos que lhe pareciam tão hospitaleiros.
Quinn entrou na portaria tremendo de frio, agradeceu a Deus, por te finalmente entrado em lugar quentinho para se aquecer. O porteiro, um rapazinho de uns vinte anos, chamou o elevador e antes que a loira pudesse ir ele desejou:
— Feliz natal, senhorita Fabray, uma boa noite.
Ela agradeceu e logo apertou o botão que a deixaria no décimo segundo andar. Tirou sua chave do bolso do casaco e caminhou lentamente pelo corredor, tirando o gorro pelo caminho e ajeitando a bolsa em seu ombro. Destrancou a porta e logo lançou sua mão ao interruptor acedendo a luz e clareando o apartamento.
A loira pendurou a chave em um gancho que ficava próximo a porta e caminhou até a sala, deixando sua bolsa de lado e jogando-se no sofá, tirou as botas de canos longos e abriu o zíper do casaco, livrando-se dele.
Pegou o controle da televisão e a ligou, passou os canais rapidamente até encontrar um filme bobo de natal. Depois disso foi até o quarto, para procurar um de seus pijamas de flanela. Não demorou muito no banho, logo estava seca e aquecida dentro da roupa quentinha. Colocou um saco de pipocas para estourar no micro-ondas e preparou chocolate quente com marshmallows.
A loira lembrou-se dos sobrinhos, eles adoravam seu chocolate quente e suas histórias de natal, e ela adorava estar com eles e ver a carinha de felicidade quando abriam os embrulhos que papai Noel deixava. Quinn queria estar com eles, queria estar muito, mas desde que Russell Fabray voltara para casa, a situação se transformou intragável para Quinn.
Ela não tinha uma boa relação com seu pai, desde que assumira a sexualidade e fora expulsa de casa, isso ainda no colegial. Se não fosse pelo apoio de sua mãe e de Francine, sua irmã mais velha, ela com certeza não ficaria bem e nem seria o que é hoje.
Mas tudo bem, isso eram águas passadas. Ela respirou fundo e deu o primeiro gole em sua bebida. Era tão gostoso, ela pensou. Pegou seu saco de pipocas e voltou à sala de estar. Iria começar um novo filme em poucos minutos, então ela esticou-se no sofá e esperou.
Grinch começou, a loira se animou, era seu filme preferido de natal. E também era baseado em um de seus livros preferidos da temática natalina. Ela se divertiu durante o fim da tarde com aquilo, até que um barulho no corredor chamou sua atenção. Rapidamente a loira deixou o filme de lado e abriu a porta, espiando rapidamente.
Uma morena estava no meio do corredor, juntando algumas caixas que estavam no chão. Quinn rapidamente foi ajudar. A morena era sua vizinha a um pouco mais de seis meses, elas já haviam se esbarrando algumas vezes na portaria, porém nunca se falaram.
— Boa tarde— Quinn desejou— Deixa eu te ajudar com isso.
— Obrigada.
Logo as caixas estavam empilhadas de forma correta, a loira abriu um sorriso simpático e se prontificou a levar os embrulhos até o fim do corredor, onde o apartamento da morena ficava.
— Você mora no 1201?
— Sim— a loira confirmou— Meu nome é Quinn, a propósito.
— Sou Rachel Berry.
A morena destrancou a porta e deu passagem para que Quinn entrasse. O apartamento era bem simples, pouca mobília, porém parecia muito aconchegante. Além disso tinha uma decoração invejável de natal.
— É muito bonito aqui.
— Obrigada— Rachel tirou o casaco— aceita beber algo?
— Não, eu vou... Vou voltar ao meu apartamento. Não quero atrapalhar.
Rachel agradeceu mais uma vez pela ajuda e Quinn voltou ao seu apartamento, ou pelo menos tentou, a porta bateu e ela estava sem a chave para abrir. Ficou desesperada. Passaria a véspera de natal trancada em um corredor, que ótimo.
Olhou para o 1204, onde Rachel morava e pensou em voltar lá. Logo estava refazendo seus passos e tocando a campainha. A morena atendeu e franziu o cenho.
— Quinn, esqueceu algo?
— Na verdade a porta do meu apartamento bateu, eu posso usar seu interfone e pedir ajuda ao porteiro?
— Claro, entra.
Rachel guiou Quinn até a cozinha. E a loira viu que a morena estava preparando algumas comidas. Tinha um peru de tamanho pequeno e arroz no fogo.
— Sinta-se a vontade.
Howard o porteiro, disse que seria impossível ajuda-la, pois o zelador, que cuidava desse tipo de emergência, estava fora. A loira bufou baixinho e levou as mãos até o cabelo, puxando os fios rapidamente.
— Algum problema?
Rachel perguntou curiosamente, desviando sua atenção da salada de batata e limpando a mão no avental.
— Howard disse que o zelador está fora, e que terei que esperar para ter algum tipo de ajuda.
— Você pode ficar aqui comigo, a culpa de você estar trancada do lado de fora é minha.
— Não quero te atrapalhar, você deve estar esperando seus convidados.
A morena negou rapidamente:
— Na verdade eu não estou esperando alguém— Rachel deu de ombros— Meus amigos desmarcaram na ultima hora, meus pais não conseguiram passagens para hoje, então estarei sozinha.
As duas começaram a conversar, Quinn dizia com uma animação contagiante que o Natal era seu feriado preferido, mas logo murchou quando Rachel perguntou o motivo da loira estar sozinha.
A loira falou rapidamente, pulando algumas partes. Quando o peru saiu do forno, o relógio marcava oito da noite. A morena colocou dois pratos sobre a bancada que separava a cozinha da sala de estar e pegou uma garrafa de vinho.
Quinn se deliciou com a comida, era tudo bem temperado e delicioso. Além disso a companhia de Rachel era excelente, a morena era divertida e inteligente, e sempre tinha um assunto interessante.
— Você trabalha na Broadway, então?
— Mais ou menos, eu só fiz um off— a morena comentou— estou tentando alguns testes, mas por enquanto eu não consegui nada.
— Tenho certeza que logo uma oportunidade aparecerá.
— Espero que sim— A morena cortou um pedaço do peru— E você trabalha com o que?
— Em uma editora de livros. É um bom emprego.
No fim do jantar, Quinn se ofereceu para lavar a louça. Rachel colocou em um episódio de Friends e chamou a loira para assistir com ela.A mulher mais alta se ajeitou no sofá. As duas ficaram ali uma do lado da outra, as vezes trocando olhares, outras vezes um sorriso discreto.
Passado alguns minutos da programação, a mão da loira escorregou sorrateiramente, buscando a mão livre da morena. Entrelaçando os dedos.
Rachel sentiu um mini choque elétrico passar por seu corpo, ela olhou para Quinn rapidamente e encostou-se ainda mais contra o corpo esguio da loira. Sentindo uma sensação aconchegante.
Quinn, pensou que passaria um natal solitário. Mas fora agraciada com uma grande surpresa, estar com Rachel Berry era melhor do que as dezenas de planos que fizera durante a semana. Estar com Rachel Berry fez algo mudar. E foi por isso que à meia noite ela buscou os lábios carnudos de Rachel para um beijo.
— Feliz Natal, Quinn.
Fale com o autor