Feliz Halloween
1 Capitulo único
Era noite de Halloween.
Todas as crianças brincavam e corriam alegres pela rua, com suas fantasias esvoaçantes, batendo de porta em porta, pedindo doces, e saindo alegres por terem ganhados seus chocolates e balas, pirulitos e chicletes.
E eu fazia o mesmo que todas elas.
Batia de porta em porta, pedia doces, sorridente, e corria pelas ruas alegre.
Neste ano, mamãe havia feito uma fantasia nova. Eu já estava enjoada de todos os anos me vestir de laranja e preto, listras e babados. Neste ano, eu quis inovar. Pedi um longo vestido branco, mamãe fez uns rasgos nele, e respingou tinta vermelha em algumas partes, para parecer sangue. Pintei meus olhos de preto, e um pouco de roxo, para parecerem olheiras. E fiquei descalça. Eu era uma fantasma. Uma encantadora fantasma pálida de longos cabelos negros, que escorriam até a cintura. Uma linda fantasma de 12 aninhos de idade, que queria doces e sustos, em sua adorada noite de Halloween.
Mas não foi isso que esta adorável fantasma recebeu.
Lá fui eu, pedir doces em algumas casas que ficavam mais pro final da rua. As casas estavam decoradas com luzinhas, abóboras, fantasmas de brinquedo pendurados nos galhos das árvores. Tentativas bobas de tentar deixar tudo mais assustador,
Mas uma casa em especial, era mais assustadora do que todas as outras.
Ela ficava no final da rua, longe de todas as casas. Ela não tinha um jardim muito bonito, as flores eram mal cuidadas, os arbustos, igualmente. As árvores estavam secas, talvez o dono tenha deixado assim para esta noite. A casa, era de madeira. Podiam-se ver os traços que os cupins deixaram pelas paredes, e algumas telhas quebradas do telhado. Achei a casa assustadora, mas já que o dono havia tido tanto trabalho para deixar a casa daquele jeito para aquela noite, ele provavelmente tinha bastante doces gostosos!
Lá fui eu, correndo até a casa.
Abri o pequeno portãozinho que ficava na entrada. Ele estava velho, a madeira era velha, assim como a do cercadinho. Fui entrando, passando pelo jardim, todo mal cuidado. Na entrada, havia uma pequena escadinha, de uns 3 degraus, que quando a gente pisava, a madeira rangia. Subi, e toquei a campainha uma vez. O som dela era agradável, e aparentemente, ela funcionava muito bem. A ponto de parecer nova.
Ouvi passos atrás da porta, e logo vi a maçaneta girando. Quando a porta abriu, logo e eu pude ver o rosto do homem que jazia em minha frente.
Ele era alto, magro, mas parecia forte. Era extremamente pálido, parecia jovem. Os cabelos eram negros, curtos, sedosos e brilhantes. Os olhos eram igualmente negros, e apertados. Ele tinha uma expressão de surpresa no rosto, me olhava com certa curiosidade. Usava um suéter cinza, uma calça jeans escura, e um tênis. Tinha uma aparência... Normal.
Normal até demais.
— Deseja alguma coisa? – perguntou ele, com uma expressão de curiosidade misturada com simpatia.
— Ah, bem... Doces ou travessuras? – disse eu, sorrindo simpaticamente.
— ah, sim, hoje é Halloween... claro, claro, venha, eu devo ter alguns doces aqui.
Ele indicou para que eu entrasse. Segui ele. A casa era bem mobilhada, as paredes eram de madeira, pareciam novas. A decoração era bonita, combinada com o ambiente. Fomos até um lugar que parecia ser uma cozinha. A casa toda parecia normal. Mas havia um certo cheiro estranho no ambiente, um cheiro de... podre, que parecia que tentaram disfarçá-lo.
Ele indicou para que eu me sentasse em uma cadeira, também de madeira. Me sentei, coloquei a abóbora de plástico com os doces em cima da mesa, e observei-o abrir calmamente a geladeira e procurar alguma coisa. Nada encontrou. Foi até um armário que ficava em cima da pia, abriu as portas e procurou alguma coisa. Tirou de dentro uma caixa de bombons de licor.
-bem, eu não tenho um doce como o que você esperava... mas toma aqui, pode comer aqui, se quiser. – disse ele.
-obrigada – respondi – vou comer aqui.
Ele me entregou a caixa, eu a abri e comi alguns bombons. Ele estava encostado na pia, tomando chá, olhando pra mim. Eu comia os bombons normalmente, até que comecei a sentir uma sensação estranha. Me sentia... enjoada, com sono frio. Sentia que estava saindo de mim. A última coisa que vi foi ele vindo me segurar, enquanto caia, adormecida.
Quando acordei, eu não sabia exatamente onde estava. Eu ainda estava meio grogue, mas já conseguia raciocinar um pouco. O quarto era escuro, de madeira. O ambiente fedia, havia apenas um pouco de luz. Eu estava sentada, amarrada em uma cadeira de madeira, sem poder mexer pés e mãos. Minha boca estava amordaçada, a única coisa da qual me lembrava era... Dele.
Comecei a me debater, tentava gritar, mas o pano que tampava minha boca não permitia. Eu estava desesperada, em estado de pânico, quando ouvi passos vindos de uma escada (também de madeira). Eram passos leves, mas ainda assim, rápidos. Era o homem que havia me convidado para entrar.
Eu não conseguia enxergar direito, eu estava chorando por causa do medo e do desespero. Após algumas piscadas, pude notar que ele se aproximava, sorrindo, olhando pra mim.
-então, como se sente? – perguntou ele, sorrindo.
Não pude responder, apenas emiti alguns sons que nem eu consegui decifrar.
-ah, claro, que indelicadeza a minha. Eu me chamo Lucas. E você, como se chama? – disse ele.
Novamente, fiquei em silêncio.
Ele tirou o pano da minha boca, eu gritei muito alto, e ele me virou um tapa na cara, que acabou fazendo um corte no meu rosto. Depois, ele segurou meu rosto pela mandíbula com força, de modo que não pude mexer meu rosto.
-ora, queridinha, torne as coisas mais fáceis para nós dois, está bem? Diga, claramente, qual é o seu nome. E não tente nenhuma gracinha, se não o próximo tapa será mais forte. – disse ele, calmo.
Ele soltou um pouco a minha mandíbula, de modo que pude falar.
-me... me chamo... Ellen... – disse eu.
-Ellen... é um belo nome. E quantos anos tem, Ellen?
-Doze...
-Doze... és bem jovem, pequena Ellen. Diga-me, você gosta da noite de Halloween?
Ele soltou meu rosto, e andou até um balcão, que tinha ao lado esquerdo do quarto.
-G-gosto... – eu disse, com dor por causa do corte, já que as lágrimas escorriam e faziam ele arder – porque está fazendo isso?
-isso o que? – perguntou ele, indiferente.
-isso, me amarrar, me bater...
-ora, pequena Ell, eu não fiz nada com você ainda — disse ele, sorrindo para mim.
- o... o que você vai fazer comigo? – perguntei, desesperada.
- você verá o que vou fazer... mas por enquanto, se prometer ficar quietinha, não farei nada com você, por enquanto. Até porque, não adianta gritar. Estamos no porão, e estamos longe de todas as outras casas. Ninguém te ouviria.
Eu fiquei em silêncio. Logo, ele mexeu em algumas coisas no balcão, depois andou até mim, olhou nos meus olhos e disse calmamente:
-eu vou te soltar, e vou te levar até aquela maca ali – ele apontou uma maca, que ficava em baixo de uma lâmpada – chegando lá, eu vou te prender naqueles negócios ali, e você vai ficar quietinha. Se você tentar alguma gracinha, eu vou te bater até você desmaiar, entendeu bem?
- ta – eu disse, com medo.
Ele me desprendeu, colocou meus pulsos pra trás, e me levou até a maca. Chegando lá, mandou eu me deitar, e prendeu meus pulsos, apenas meu pescoço e meus pés ficaram soltos.
Depois, começou a rasgar a minha roupa, até que me deixou completamente nua. Depois, começou a se despir.
Em alguns segundos, ambos estávamos nus.
Ele subiu na maca, se posicionou em cima de mim, olhou em meus olhos e disse:
-eu prometo que não vai doer muito.
Após isso, ele abriu minhas pernas, e me penetrou com uma força absurda.
Eu me lembro de tudo, com detalhes. Ele me penetrava rápido, e com força. Abria minhas pernas com violência, eu gritava de dor e desespero, implorava que ele parasse, mas ele continuava, cada vez mais violento. Mas, depois de um tempo, ele parou. Saiu de cima de mim, vestiu suas calças e andou até a escada. Subiu-a, e saiu do quarto em silêncio.
Eu estava com dor. Pude me erguer um pouco, e pude ver marcar arroxeadas e vermelhas nas minhas coxas. E havia sangue. Havia um pouco de sangue saindo da minha vagina. Talvez eu estivesse machucada, não sei. Mas doía. Ah, mas como doía!
Eu comecei a procurar um jeito de me desprender daquelas amarras, até que vi que uma delas estava se rasgando. Eu puxei com força, e com cuidado pra ele não escutar. Depois, com a minha mão direita livre, soltei a amarra da mão esquerda e saí da maca com um pouco de dificuldade. Eu estava com muita dor, fui procurar uma saída. Mas só o que haviam era a porta lá em cima, na escada, e uma janelinha muito pequena, que não poderia passar nem um bebê de 1 ano. Eu fiquei desesperada, quando ouvi os passos dele na escada. Ele me viu solta, desceu a escada rapidamente. Eu comecei a gritar, e ele me virou outra tapa, eu caí no chão, e ele me segurou, me jogou pro lado e começou a me bater. Não me lembro de muita coisa, mas me lembro que ele estava com muita raiva. Até que ele esbarrou em alguma coisa, que fez alguns papéis em uma mesinha pegarem fogo. Ele ficou nervoso, tentava apagar o fogo mais não conseguia. Logo em seguida, eu desmaiei.
Quando acordei de novo, eu estava em uma maca. Havia um caminhão de bombeiros, eu estava do lado de fora, dois enfermeiros e uma médica estavam me levando para uma ambulância. Eu não consegui ficar acordada muito tempo, logo depois, desmaiei de novo.
Quando acordei de novo, estava no hospital.
Eu fiz tratamentos, exames, tive que tomar muitos remédios, por um longo período de tempo. Mas as seqüelas do estupro e do incêndio ficaram comigo para sempre. Todas essas coisas não adiantaram muito, e eu tive que ser internada em uma clínica psiquiátrica, quando tinha 14 anos. Lá, eu vi coisas horríveis, acabou que minha sanidade mental só piorou com as coisas que vi. Mas depois de um ano na clínica, eu fui solta. Tentei viver uma vida normal, arrumei emprego, mas nunca consegui, sei lá, arrumar um namorado, ter um relacionamento, por causa do trauma. Mas, quando eu estava com 17 anos, entrei em depressão. Não saía de casa, só chorava, e depois de 7 meses naquele estado, eu tentei cometer suicídio. Meus pais decidiram me internar em um sanatório, e não foi uma experiência agradável. Tentei suicídio mais umas... cinco vezes, acho.
Viver, não foi uma experiência agradável pra mim.
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