Feliz

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oi pessoal, tudo bom? Depois de anos luz, eu finalmente resolvi aparecer para mais uma One.

Espero que gostem, espero vocês nos comentários ;)
Beijinhos

Era, pelo menos a décima vez que Rony se encarava no espelho. Estava inquieto sem conseguir ao menos sair do quarto e ir ao encontro de Harry, Padma e Patil, que estavam o esperando na sala comunal. Não entendia por que sua mãe havia feito isso com ele, enviar a roupa de baile mais horrível que ele tinha visto em toda sua insignificante vida. Até o fazia achar incrível as roupas repassadas pelos irmãos mais velhos e que tinham incontáveis remendos.

Assim, olhando pela janela e percebendo que talvez tivesse se demorado demais, resolveu que teria que enfrentar a noite do baile de inverno antes que sua acompanhante desistisse e ele tivesse que enfrentar o mesmo destino de Hermione. O que seria até que prazeroso.

— Hermione já desceu? – Perguntou Ron, ignorando o fato de todos estarem olhando de cima abaixo e de suas orelhas já estarem queimando.

— Não… Eu acho que você a deixou chateada de verdade, Rony.

— Você sabe que ela foi má desta vez. Ela não tem um par, o que custava ir com a gente?

— Vocês vão ficar aí parados ou nós podemos ir? – perguntou Padma, revirando os olhos.

Ron se perguntou se aquela noite poderia ser ainda pior.

(...)

“— Hermione, Neville tem razão, você é uma garota…

— Bem observado — respondeu ela com azedume

— Então… poderia acompanhar um de nós!”

Não…

“— Não posso ir com vocês, porque estou indo com outra pessoa.

— Não, não está. Você só disse isso para se livrar de Neville!”

Com a cara amarrada e amarela, as orelhas vermelhas como fogo e uma vontade imensa de vomitar, Ron viu Hermione entrar com ninguém menos do que Viktor Krum. O fato era que ela não havia mentido, afinal, e ela estava com o cara que ele era fã. Ou melhor, o inimigo dentro do torneio tribruxo. Para ele, naquele momento, não podia haver maior traição. Trocar uma amizade de 4 anos por alguém que estava tentando derrotar Harry e Hogwarts. Achava que ela teria pelo menos o respeito pela escola que tanto amava, se não era pelos amigos.

Definitivamente, aquela não era sua noite.

Se perguntou, de repente, como eles conversavam ou quando tinha acontecido. Será que ela havia se encontrado com ele nos jardins? nos corredores de Hogwarts? Talvez na biblioteca, já que ela vivia lá. Ou talvez não. Não a conhecia mais.

“Ah foi? só porque você levou três anos para reparar, Rony, não significa que mais ninguém tenha percebido que eu sou uma garota!”

— Você não vai dançar? – perguntou Padma, sentada ao seu lado, depois de uns bons minutos apenas fazendo cara feia.

— Não.

— Vai ficar o baile inteiro aqui sentado? Para que me chamou então?

— Eu não te chamei.

Ela dançava com Viktor como em um daqueles contos de fadas trouxas que ela tinha lhe contado uma vez, durante o café da manhã. Não tinha prestado muita atenção, mas algo naquela cena, o fazia acreditar que algo era muito parecido.

Hermione estava muito bonita e assim, se perguntou se ela teria tomado algum tipo de poção de Veela. Mas no fim, chegou a conclusão que aquilo não existia.

— Eu não acredito nisso. Com licença. – Padma se levantou num pulo, indo em direção a um garoto sentado sozinho. Em poucos minutos, os dois estavam na pista de dança.

Ron não se importava. Mas se importava em saber como ela conseguia rir tanto e se perguntava o que raios ele estava dizendo para ela.

Se pegou imaginando levantar e socar a cara de Viktor. Mas logo depois encarou a realidade de que ele era um atleta e um cara como ele, nunca conseguiria chegar nem perto do rosto dele. Mas talvez conseguisse se chegasse por um outro ângulo....

— Eu vou até lá. — disse em voz alta, se levantando em um pulo

— Vai até onde? – perguntou Harry, nem me lembrava que ele ainda estava ali.

— Ahm…– olhei novamente pro lugar onde Hermione estava e não a vi mais. – Onde ela foi?

— Onde quem foi? Rony, você bebeu e eu não percebi?

— Não, eu só…

Ela apareceu, alguns minutos depois, toda suada, os cabelos alisados grudados no rosto e no pescoço e se sentou, bem do meu lado.

— Oi — disse Harry, com uma cara de quem preferia estar dormindo.

— Oi. Tá quente aqui, né? Viktor foi buscar uma bebida pra gente.

Como ela ousava dizer aquilo? Engoliu em seco e resolveu encarar a pista de dança novamente.

— Achei que já estivesse chamando ele de Vitinho.

— Que bicho te mordeu? – A culpa é toda sua Hermione Granger. – Eu nunca achei que esse baile pudesse ser tão legal. Cadê as Patil?

— Eu não sei. – respondeu Harry cabisbaixo.

— O bicho do Rony te picou também? Poxa Harry, você podia esquecer um pouquinho a Cho e ir se divertir, não é?

— Como você…

— Você nem disfarça, por merlim…

— E você Rony? desistiu da Padma porque ela não era bonita o suficiente pra você?

— Não enche.

— Sério… que bicho te mordeu?

— Se você não sabe… não sou eu que vou te dizer — disse grosseiramente, como nunca antes.

— Ron, eu não consigo entender o que você diz.

— Ele está competindo. Está competindo contra Harry, contra Hogwarts. Você… Hermione, você está… contra Harry!

Ron não sabia o que tinha acontecido com ele. Não sabia onde estavam as palavras e nem onde estava a sua voz, não que ele fosse bom nisso. Tentou se recordar se havia bebido alguma coisa que o tivesse deixado daquela maneira.

Talvez Viktor fosse muito melhor com as palavras. Talvez por isso Hermione gostasse tanto dele.

Estava com a cabeça tão nublada e turbulenta, que não ouviu quando Mione, com o nariz empinado e a voz autoritária de sempre, disseram:

— Não seja tão burro! Francamente, não foi você que ficou todo excitado quando viu Krum entrar? Queria até pedir um autógrafo dele. Você tem um modelinho dele no dormitório, francamente!

Tentava, de todas as formas, organizar as palavras da melhor maneira possível.

— É óbvio! ele é aluno de Karkaroff. Só está tentando se aproveitar de você para chegar até o Harry, tirar informações sobre ele ou até chegar perto o suficiente para lançar uma maldição.

— Não acredito nisso! Quem você acha que eu sou? — perguntou Hermione indignada e corada, ao mesmo tempo. Tinha, assim como Rony, perdido as palavras.

— Por que você não vai procurar o Vitinho? Ele deve estar te procurando.

— Pare de chamá-lo de Vitinho! — respondeu, se levantando decidida a não conversar mais com os amigos. Não mais naquela noite.

Como ele poderia ter sido tão cego? como poderia ter achado que Hermione se importava com ele e que o achava especial? Com certeza Vitinho era mais inteligente e com certeza fazia todas as tarefas, mesmo sem olhar as dela para tirar uma base. Devia passar mais tempo na biblioteca e devia ler vários livros por semana.

No fim das contas, talvez os dois fossem muito parecidos e ele nunca fosse chegar nem ao menos aos pés de Viktor Krum. Talvez, o que estivesse fazendo nos últimos tempos, treinar o suficiente pra entrar no time de quadribol da grifinória, fosse uma completa besteira. Ele era o sexto filho dos Weasley, afinal. Aquele que recebia tudo usado e de segunda mão.

— Onde está Hermi-o-nini? – Perguntou uma voz.

Ron não podia acreditar. Só podia ser um pesadelo.

— Não sei. Perdeu ela, foi? – respondeu emburrado

Krum havia ficado carrancudo, mas Ron não deu a mínima.

— Pom, se focê a virr, diga que esstou com as bebidas.

Se imaginou no lugar de Krum, procurando Hermione para entregar uma das bebidas e assim, poderiam voltar para a pista de dança e se divertir pelo resto da noite. Talvez, até pudessem andar pelos jardins, sentar em um dos diversos bancos espalhados e jogar pedrinhas no lago, como faziam nas tardes quentes de sábado. Ou, se não, poderiam andar pelos corredores desertos até a cozinha. Sabia que ela gostava de chocolate quente com um pouco de canela.

Mas, nada daquilo importava, por que ele não era Krum e ele estava com uma roupa horrível, sentado em um dos piores lugares do salão e, agora que sua parceira havia ido embora, sozinho.

— Vamos dar uma volta. — Murmurou para Harry — sair desse lugar péssimo.

Fingindo que estavam indo em direção a mesa, para reabastecer as bebidas, deram a volta na pista de dança e pararam próximos a entrada principal. Subindo dois degraus, resolveram se sentar ali mesmo e observar os vários casais que se formavam, agora que uma música lenta começara a tocar.

Quando saiu de onde estava, sua intenção era não olhar mais para a pista de dança, mas isso, a essa altura, era algo inevitável, já que do alto da escada, ele tinha uma visão privilegiada.

Viu quando Krum e Hermione se encontraram, quando começaram a rir novamente, bebericando suas bebidas, e viu quando os dois sumiram por um tempo. Se perguntou o que eles poderiam estar fazendo e a imagem dos dois, passeando pelos jardins, não conseguia sair de sua mente. Porém, apenas ignorou esse fato. A Mione que ele conhecia jamais faria isso.

Percebeu quando os dois retornaram, com a felicidade estampada na cara e pararam bem no centro de sua visão. Estavam abraçados e dançando lentamente, como mandava a música.

De repente, parecia que tinha bebido 5 copos de whisky de fogo, seu estômago começou a revirar, sua cabeça doía e sentia que tinham aumentado a temperatura no salão. Foi obrigado a tirar seu casaco. Sua visão ficou embaçada por uns instantes e a música martelava em sua cabeça junto com a risada de Hermione. Tudo em sua volta ficou em câmera lenta e foi obrigado e ver as mãos e Krum na cintura dela, ele a girando lentamente e sendo recebido com um sorriso no rosto.

Lembrou de quando ela tinha dado aquele sorriso para ele. Em uma tarde, logo que começaram o 4º ano. Ele tinha lhe feito uma pergunta, que já não se lembrava mais qual era e ela tinha respondido, com um sorriso no rosto, os olhos brilhando e o cabelo, preso num rabo de cavalo com uma fita azul. Ela ainda não tinha diminuído os dentes, mas ele sentiu o sol naquele dia.

Sentiu seu estômago dar solavancos a cada passo que Krum e Hermione davam, lentamente, de um lado para o outro. Percebeu o cabelo dela a acompanhando lentamente e pensou como seria poder tocá-los assim.

Lembrou-se do dia em que, chateada pela morte de bicuço, mione o surpreendeu o abraçando e chocando em seu ombro. Sempre pensou que esse papel era do Harry. Naquele dia, percebeu que não. Sentiu o abraço quente dela mais uma vez e começou a se perguntar se alguém tinha o amaldiçoado ou espetado um alfinete, como os que sua mãe costumava usar, em alguma parte de seu corpo.

Talvez aquele traje estivesse com algum tipo de feitiço, que sua mãe não tivesse sequer percebido.

Sentiu não conseguir mais respirar quando viu Hermione acariciar o braço de Krum no meio da dança. Mais uma vez, sentiu solavancos no estômago e a sua visão ficando turva. Sentiu que iria vomitar a qualquer momento.

E vomitou. Vomitou no vaso de lírios ao seu lado, na entrada para o baile.

— Acho esse um ótimo momento para irmos embora. — Disse Harry, vendo que seu amigo, assim como ele, não estava em seus melhores dias. Talvez tivesse bebido mais do que ele.

(...)

Se sentia péssimo. Não conseguia nem ao menos se levantar nos primeiros momentos. Só depois de um tempo que Harry lhe chamou para voltarem para a sala comunal da grifinória, foi que conseguiu ficar de pé. E, quando conseguiu, viu Hermione se despedindo de Krum e direcionando a ele um olhar gelado. Passou por ele como um foguete, nem ao menos conseguiu acompanhar com os olhos. Talvez ele ainda estivesse em camera lenta.

Chegou na sala comunal e viu Hermione sentada frente a Lareira. O cabelo todo bagunçado e grudado em seu pescoço. Os sapatos em suas mãos, as chamas refletidas em seus olhos.

— Qual é o seu problema? — perguntou se levantando em um salto, cruzando os braços e parando bem de frente a ele.

— Qual é o meu problema? eu já te disse qual o meu problema, Hermione — berrou em resposta.

— Eu não aceito essas suas desculpas esfarrapadas. Seja grifinório ao menos uma vez na vida.

Aquilo o atingiu como uma faca congelada, bem no meio de seu peito.

— Anda, Ronald! Ou vai me dizer que essa história de confraternização com o inimigo é realmente aquilo que você quer que eu acredite? O que fez você mudar de ideia tão rápido sobre o Viktor?

— Talvez seja o fato de eu ser de fato amigo do Harry! — suas orelhas queimavam como fogo

— Faça-me rir, Ronald — disse rindo sarcasticamente e berrando como nunca antes — até ontem você estava juntando coragem para pedir um autógrafo.

— O que é muito diferente de sair pra ele – berrou em seguida.

— Ora, se você não gosta, então sabe qual é a solução, não sabe? – seu rosto estava vermelho de raiva e seu cabelo ficava cada vez mais bagunçado.

— Ah é? Qual é? – berrou, mesmo sabendo que a qualquer momento poderia vomitar novamente.

— Da próxima vez que houver um baile, me convide antes que outro garoto faça isso, e não como último recurso! – berrou, Hermione. Subindo para o dormitório feminino em seguida.

Percebeu, enfim, que Harry tinha presenciado a briga que tivera com Hermione e, juntando as últimas forças que tinha, disse:

— Bem, isso só prova que ela não entendeu nada.

Se perguntou se ele tinha entendido algo daquela noite, se jogando na poltrona em frente à lareira em que Hermione estava.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!