Felix Felicis

5 Sussurros da meia-noite.


Notas iniciais
Olá pessoal, como vai a quarentena de vocês? Aqui está a continuação do último capítulo, espero que gostem! O mistério continua aumentando.... Mas não se preocupem que já já teremos algumas respostas.

"A pior dor do mundo é obrigar a cabeça a esquecer aquilo que o coração lembra a todo instante."

Harry não sabia dizer se sentia-se feliz ou triste. Sua cabeça estava confusa com tantas emoções borbulhando. Eram tantos sentimentos que ele sentia como se pudesse explodir a qualquer momento. Por um lado, saber que Malfoy estava ali novamente era reconfortante. Ele podia respirar novamente sabendo que algo terrível não havia acontecido com ele. Mas, por outro, olhar para ele doía. Ele sentia seu coração pesar ao ver seu rosto machucado quando quer que eles se cruzassem.

Seus colegas, em contrapartida, pareciam achar a aparência de Malfoy algo divertido.

— Finalmente teve o que merecia, não? – Ron riu enquanto eles voltavam para a Sala Comunal da Grifinória após o jantar.

Harry fechou os punhos, lutando bravamente para esconder sua irritação.

— Aquele babaca... – ele continuou, falando mais consigo mesmo do que com os outros – O único problema foi termos perdido ele tomando aquela surra...

— Ele não é tão ruim assim, tá legal!? – Harry explodiu, sentindo seu rosto ficar vermelho.

Ron e Hermione pararam de andar, paralisados. Alguns outros estudantes do primeiro ano que passavam ao seu lado espiavam curiosos.

Um silêncio constrangedor se espalhou pelo corredor. Os amigos se entreolharam, atormentados.

— Harry... – Hermione começou, franzindo o cenho – Você está agindo muito estranho nesses últimos dias...

A amiga tinha razão, como sempre. Nem ele sabia dizer o que o incomodava tanto. Algo definitivamente não estava certo. Ele sentia sensações novas o tempo todo, coisas que nunca sentira na vida. Seu peito era uma confusão de sentimentos contraditórios, lutando para vir a luz. E a razão de tudo isso se resumia a uma só palavra: Malfoy.

Harry não pode evitar se sentir raiva de Malfoy. O que estava acontecendo com ele era tudo culpa de Draco. Maldito Malfoy! Isso não teria acontecido se ele não fosse... Harry não conseguiu terminar o pensamento.

— Eu sei... – Harry concordou baixinho.

Ele se sentia mal por ter gritado com os amigos daquele jeito. Afinal, nada daquilo era culpa deles. Todos eles passaram a sua estadia inteira em Hogwarts, desde o primeiro dia, odiando Draco Malfoy. Era minimamente bizarro que seus sentimentos em relação a ele mudassem tão repentinamente.

— Me desculpe. – ele se apressou de volta ao dormitório, tentando não olhar diretamente para os amigos.

***

O resto da semana passou rapidamente. Draco parecia querer desesperadamente evitar os olhares piedosos de Harry, assim como a multidão de garotas Sonserinas que pareciam o perseguir sem parar. Aonde quer que ele fosse, era seguido por pelo menos uma dúzia de meninas irritantes que pareciam querer consolá-lo desesperadamente.

A última aula de sexta-feira à tarde era Trato das Criaturas Mágicas, com Hagrid. Harry se sentiu aliviado por não ter que aguentar horas ouvindo Snape ou McGonagall. Embora Hagrid não fosse o professor mais habilidosos do mundo, era excelente comparado com os outros.

Enquanto Hagrid explicava sobre a origem dos tronquilhos – pequenas criaturas com aparência de galhos de árvores –, Harry percebeu a ausência de Malfoy. Ele só conseguia ver Crabbe e Goyle, rindo entre eles de alguma coisa idiota, mas nenhum sinal de Draco.

Decidido a ignorar o fato, ele tentou se concentrar em alimentar seu tronquinho com insetos.

Ele dedicou o resto de seu tempo livre durante a tarde a pôr suas tarefas em dia, tentando manter sua mente ocupada. Ron e ele tinham a incrível habilidade de acumular uma quantidade absurda de tarefas atrasadas. Eles passaram a maior parte da noite terminando a redação de Snape sobre Antídotos de Poções e treinando feitiços de Convocação para Flitwick.

Quando terminaram o máximo que conseguiram, foram para cama exaustos.

***

Deitado em sua cama, Harry não conseguia dormir. Embora ele estivesse acabado, sua cabeça, rodeada de pensamentos, não parecia ser capaz de descanso. Ele virava de um lado para outro, desconfortável.

Cheio de ouvir os roncos altos de Ron, Harry resolveu dar uma volta pelo castelo. Quem sabe um pouco de ar fresco fosse bom para ajudá-lo a se acalmar.

Ele vestiu seu robe sobre seu pijama azul e calçou sapatos. Agarrando seu Mapa e sua Capa da Invisibilidade, ele seguiu pelos corredores desertos em direção a Torre de Astronomia. Subiu as escadas em silêncio e abriu o alçapão, sentindo a brisa noturna adentrar seus narizes.

Assim que Harry saiu na noite escura, o vento gélido batendo em sua pele, ele se sentiu aliviado. Tudo aquilo que o sufocava pareceu desaparecer.

Ele ficou lá, por vários minutos, sentindo o ar fresco e ouvindo os barulhos distantes vindo da Floresta Negra. As estrelas pareciam estar mais brilhantes do que o comum naquela noite fria. Elas cintilavam, a quilômetros de distância, iluminando o belo céu púrpura.

Depois de um longo intervalo de tempo, Harry bocejou com sono. Agora que ele finalmente conseguira desocupar a mente, o sono das várias noites mal dormidas o pegou com tudo.

Pegando seus pertences, ele resolveu retornar ao dormitório. Vestindo a Capa com cuidado e checando o Mapa de tempos em tempos a procura de Filch ou Madame Nora, ele seguiu pelo castelo silencioso.

Enquanto caminhava pelos corredores remotos, Harry ouviu sussurros vindos de um corredor no canto da Torre. As vozes pareciam conversar em um tom enfurecido e, a julgar pelo horário e local de escolha, não queriam ser ouvidas.

Harry caminhou com muito cuidado até o corredor e se espreitou na parede fria, tentando capturar alguma informação. Ele prendeu a respiração, tentando permanecer o mais silencioso possível.

— Não seja estúpido, Draco! – Harry pode ouvir uma voz mais grave que sussurrava em desaprovação. Embora parecesse familiar, ele não conseguiu identificá-la de imediato.

— Talvez eu esteja cansado de tudo isso! – a outra voz rebateu. Harry a reconheceu imediatamente. Era a voz de Draco Malfoy. Ele parecia agitado e apreensivo. Sua voz estava levemente trêmula.

— Você não tem outra escolha! – a primeira voz contestou, parecendo ainda mais irada. – Se você for pego novamente...

Então um estampido baixo encheu o ambiente. Harry havia derrubado sua lâmpada. O vidro fumegante estilhaçou pelo chão, chamando a atenção das vozes.

– Não podemos conversar sobre isso aqui. Apenas pare de ser um imbecil e obedeça às ordens!

Quando as duas figuras emergiram da escuridão, Harry pode ver seus rostos. Eram Draco Malfoy e seu pai. O último vestia vestes negras e tinha a varinha a postos, investigando os arredores. Seus olhos tinham marcas escuras embaixo, como se ele não tivesse dormido em muito tempo.

Inúmeras perguntas brotaram na cabeça de Harry. O que Lúcio Malfoy fazia em Hogwarts? O que podia ser tão importante que ele precisava contatar o filho pessoalmente? Sua cabeça explodia de curiosidade.

Ele ouviu passos se afastando ao longe, mas não se atreveu a se mexer. Ele ficou imóvel por vários segundos, até ter certeza de que Lúcio e Draco já haviam ido embora, e finalmente retornou ao seu quarto.

Apressando-se de volta a seu dormitório, a cabeça de Harry estava a mil por hora, cheia de perguntas não respondidas.

Ele demorou vários minutos até, finalmente, conseguir adormecer. Naquela noite, ele sonhou com uma figura encapuzada. Ela batia repetidamente em Draco, chutando-lhe a barriga enquanto ele deitava no chão gemendo de dor. Harry queria mais do que tudo interferir, mas ele era incapaz de se mexer. Seu corpo estava paralisado. Ele queria gritar para que ela parasse, mas não encontrou sua voz. Harry apenas ficou lá, imóvel, ouvindo Draco gritar de dor. Seu grito angustiante ecoando nos ouvidos de Harry, um atrás do outro, como um pesadelo sem fim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.