Felicity, you are the one and only
5 The end
Notas iniciais
— Desculpe-me, senhor Knyazev, mas Oliver é comprometido. Além disso, eu também sou. Quer dizer, acho que sou... — digo receosa, olhando para o Oliver. — Sabe, tem o Barry.
— Oliver, você deixou outro homem entrar na vida dessa menina? — questiona Anatoly.
Oliver não responde. Apenas solta um suspiro seguido de um sorriso tímido. Desejando disfarçar, balança a cabeça negativamente e puxa um assunto qualquer. Não consigo entender, pois a conversa se discorre em russo. Será que Oliver está comentando algo sobre Barry?
Sempre que lembro do Barry, penso em como sou “azarada”. Afinal, quando encontro alguém interessante e que realmente parece se importar comigo, um raio o atinge. Barry... Meu Deus, quando ele acordará? Desde o acidente com o acelerador de partículas, quando não posso visitá-lo, ligo para o laboratório STAR em busca de informações do estado de Barry. Até ontem a situação era a mesma: Barry estava em coma sem previsão para acordar.
— Chegamos! — diz Anatoly, despertando-me dos meus pensamentos. — Bem-vindos!
O carro aguarda um enorme portão de ferro se abrir. Em seguida, um lindo jardim precedia a mansão feita de pedras e imensas janelas decoradas com vitrais. O carro negro deslizou por uma pequena estrada coberta por pedregulhos até parar perante a entrada da mansão. Um senhor muito elegante nos aguardava na porta. Assim que o carro parrou, o senhor se aproximou e abriu a porta mais próxima a mim. Estendendo a mão, ofereceu-me apoio ao deixar o carro. Em sinal de gratidão disse algo em russo:
— спасибo*
Porém, acho que o senhor não compreendeu, pois não disse nada em retribuição. Permaneceu parado ao lado do carro até receber instruções do seu patrão. Oliver deixou o carro com a ajuda do motorista. Ajeitando o casaco, contornou o carro e parou ao meu lado.
— Vamos entrar? — Anatoly perguntou já indicando a direção.
Oliver e eu nos dirigimos à porta. Ao atravessarmos encontramos um grande hall iluminado por um enorme lustre de cristal que pairava sobre nossas cabeças. Não pude deixar de me inclinar e observar os detalhes dos cristais: pingentes em formato de gota precipitavam por candelabros esculpidos com precisão.
O senhor Knyazev nos acomoda em grandes quartos na ala norte da mansão. Durante o jantar, os homens discutem sobre o Slade. Algumas coisas são ditas em russo, obviamente o que eu não deveria saber. Após a sobremesa, fomos ao escritório, no qual Anatoly apresentou alguns vídeos que obteve cobrando antigos favores. As imagens mostravam o Slade caminhando entre containers armazenados em um deposito na periferia de Moscou. Em um dos tracks é possível observar o senhor Wilson adentrando um container de 20 pés. Após alguns minutos, ele deixa o lugar carregando um pequeno estojo preto.
Assistimos as imagens mais algumas vezes para não perdemos nenhum detalhe. Além das câmeras, não havia guardas ou qualquer outro dispositivo de segurança. A verificação do local parecia moleza: Oliver e eu iriamos até o deposito e invadiríamos o container para verificar o conteúdo. Porém, tudo precisava ser executado apenas com equipamentos básicos, nada de arco, flecha e máscara. Para não levantar suspeitas, não poderíamos levar o arqueiro até Moscou.
➸ ➸ ➸
Estou me sentindo como se tivesse 5 aninhos, pois Oliver me impediu de acompanha-lo e ordenou que eu ficasse no carro. Através do tablet e dos comunicadores, fico responsável por guiá-lo e enviá-lo ao destino correto: container nº 13454.
— Felicity? — Oliver chama através dos comunicadores. — Podemos iniciar a missão?
— Sim, claro.
Ativando a tela do meu tablet, olho para encontrar dois pontinhos piscando: um verde e um vermelho. Oliver é o ponto verde, obviamente, e nosso objetivo é o ponto vermelho.
— Bem, nosso alvo está a cerca de duzentos metros a sua direita. Siga pelo corredor que você está, mais a frente lhe ofereço novas coordenadas.
— Copiado, Felicity.
Observo o ponto verde seguir através do corredor e na direção indicada. Pela velocidade que o ponto se desloca em minha tela, Oliver parece caminhar com cautela observando o entorno. Para deixá-lo menos preocupado, aviso-o:
— Oliver, estou em contato com um satélite térmico russo.
— Em contato? — Oliver diz, interrompendo-me. — Acho que isso significa que você o invadiu, né?
— Que seja, Oliver! — Digo um pouco irritada.
— Calma! Não estou te julgando. Apenas orgulhoso das habilidades da minha parceira!
Tentado ignorar o sorriso bobo que estampo em meu rosto, concluo:
— Repetindo. Estou em contato com um satélite térmico russo. Não há nenhuma assinatura de calor em um raio de 1 km. Relaxe!
Escuto Oliver agradecer, mas o som não é claro.
— Obrig...
— Oliver? Você está me ouvindo?
— ...licity! Não con...go te ou...
➸ ➸ ➸
Caminho entre os grandes containers, ora observando o caminho, ora observando o tablet. O pontinho verde agora está bem próximo, cerca de 3 metros. Só preciso contornar esse container e...
— Felicity! — Oliver diz e, em seguida, bufa de raiva. — O que você está fazendo aqui? Não te disse para ficar no carro?
Eu gostaria de saber como Oliver consegue adivinhar que estou aproximando-me. Nunca consegui surpreendê-lo. Ele sempre se antecipa, dizendo meu nome ou algo que demonstre seu conhecimento sobre a minha presença.
— Eu estava perdendo a comunicação! — digo enquanto Oliver agarra meu cotovelo direito e me puxa para nos esconder entre os containers. — Há alguma coisa interferindo os sinais entre os comunicadores. Não sei... Talvez seja esses malditos containers!
— Certo — diz. — Qual desses malditos containers é o que estamos procurando? Você ainda consegue ver isso através do seu tablet?
— Pela numeração, aquele é o que aparece nas filmagens — digo apontando para a grande caixa de metal que está a poucos passos de nós.
— OK — Oliver parece meditar sobre os próximos passos. — Você vem comigo, mas preciso que dobre a sua cautela. Sei que você tem seus dispositivos, mas não sei... Algo me diz que isso está muito fácil, Felicity.
— Eu entendo, Oliver. Porém, só saberemos se executarmos o plano. Caso contrário, nunca saberemos o que há nesse container e muito menos estaremos perto de pegar Slade.
— Eu estou com medo! — Hesita, mas continua. — Não gostaria que você estivesse aqui. — Como um sopro, a última frase quase não sai.
— Oliver... — digo tocando seu braço, certificando-me que eu obteria sua atenção. — Somos uma equipe, certo?
Oliver apenas meneia a cabeça e concorda.
— Todos os outros membros estão contribuindo para capturar o senhor Wilson. Menos Diggle, claro, mas por força maior — limpo a garganta, evitando balbuciar. — Bem, se não estivesse aqui, onde mais estaria?
— Talvez em casa... Segura!
— Minha vida, minha escolha! — Continuo. — Além disso, o que você faria sem mim? Eu sou o seu cérebro.
Oliver ri. Timidamente, mas sorri. Esse é meu pagamento: melhor que um cheque em branco. Para mim é o suficiente.
— Vamos?
Oliver concorda. Caminhamos em direção ao container. Posicionamo-nos em frente as portas que ficava em uma das extremidades. Havia correntes envolvendo a fechadura. Oliver arrancou da parte de traz da calça um alicate pequeno, porém poderoso: rompeu o cadeado que unia os últimos elos da corrente em segundos.
Distraída com a poça de elos que se formara no chão, ao nossos pés, assustei com o barulho da fechadura sendo liberada e permitindo nossa entrada. Não pude deixar de suspirar tentando aliviar o medo do que encontraríamos na grande caixa de metal.
Oliver acendeu uma pequena lanterna e iluminou o claustrofóbico ambiente frio que se revelou: tratava-se de um container frigorifico. No centro, havia uma mesa que acomodava uma caixa metálica.
Entramos e cominhamos direto para caixa. Eu o segui. Quando estávamos perto da caixa metálica que estava fosca pelo frio, Oliver levantou a tampa e observamos curiosos para dentro. Diversos vidrinhos estavam submersos em uma fumaça branca: gelo seco. Oliver agarrou um vidrinho e o tirou do gelo. Um líquido verde brilhava. Em uníssono dissemos:
— Mirakuru!
Imediatamente Oliver devolveu o involucro na caixa, fechou-a e fez menção de que a levaria conosco. Porém, antes mesmo de sairmos, um ruído estridente preencheu o ambiente praticamente vazio: a porta havia fechado.
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