Felicidade Mortal
1 único capítulo
Notas iniciais
Não percam as esperanças, leiam até o final, POR FAVOR.
Cara a cara com aquela criatura que mexia com meus sentimentos, aquele meu sonho distante estava parecendo cada vez mais real, cada vez mais profundo. Daniel era o nome dele, o nome de quem fazia com que meu coração disparasse a cada som de sua voz. Se ele ligava pra mim? Essa era uma questão difícil de responder; ele não me tratava com repulsa de quem não ama, mais não demonstrava nenhum afeto maior, já eu, tentava passar o máximo de mensagens a ele de que o amo, cada vez que meu olhar se cruzava com o dele eu soltava um sorrisinho tímido, todas as vezes que eu o tocava cada única terminação nervosa do meu corpo parecia um fio desencapado. A ocasião? Nem um pouco convidativa, romântica ou sublime, uma tarde no shopping com amigos do colégio para comemorar o final do ano letivo. No decorrer da tarde, já na hora do crepúsculo, a maioria das pessoas já tinham ido para suas casas, restavam eu, o Daniel, a Larissa e a Victoria, decidimos então assistir um filme, uma comédia romântica. A sala de cinema estava praticamente vazia, umas ou outras pessoas aqui e ali espalhadas pelos cantos; decidimos sentar na primeira fila, a mais perto da tela de exibição do filme, pipoca e refrigerante para cada um. Sentei do lado esquerdo do Daniel, a Larissa sentou do lado direito dele e a Victoria ao lado da Larissa.
Começa o filme, luzes são apagadas, só se escuta o som do filme, quando sinto alguém tocando meu ombro.
- Minha pipoca acabou, eu sei que você não gosta muito de pipoca e esse saco é proporcionalmente grande pra o que você come, mas me dá um pouco, por favor? – Disse Daniel – Eu posso pagar uma taxa, se você quiser – Ele deu uns risinhos soltos.
- Claro, pode pegar toda a pipoca, não estou com fome mesmo – Falei pra ele e estendi o saco para que ele pegasse. Ele agradeceu e o silêncio entre nós se propagou novamente.
Eu olhava para Daniel a cada oportunidade, será que ele ainda não tinha percebido que eu estava... Amando? Minhas opiniões estavam cada vez mais fortes sobre ele: quieto, meigo, apesar de nunca ter mostrado afeto comigo, eu sabia que ele era carinhoso... Gentil, inteligente, prestativo...
Cada segundo que se passava era precioso, um tempo que eu estava perdendo, um tempo em que eu poderia me abrir com ele e falar tudo que estava preso em mim, tudo que eu sentia por ele, quem sabe eu não tivesse uma mísera chance? Minha timidez e desconfiança pairavam sobre mim e tinham mais força que deveriam ter. Enfim tomei coragem e falei:
- Daniel... Será que com todo esse tempo de convivência você não conseguiu notar nada de diferente sobre minha forma de agir com você? Você nunca conseguiu perceber que você para mim é mais que um amigo? – Falei me inclinando em direção ao ouvido dele, quase aos sussurros.
- E você, Luísa, já conseguiu entender que minha timidez supera o que eu sinto por você? E pode ter certeza que é mais forte do que você sente por mim. – Ele falou com a voz quase sumindo naquela imensidão de espaço que ainda existia entre nós dois. Eu tinha escutado isso realmente? Ele, de fato, sentia alguma coisa por mim maior que a amizade?
Virei-me totalmente para ele, apreciando seus traços sérios, seu rosto perfeito... Até que ele se aproximou mais de mim. Suas mãos tocaram meu pescoço e quando dei por mim, ele já estava com os lábios nos meus; Cedi e retribuí o beijo da melhor forma que podia naquele momento, minhas mãos pousaram nos seus ombros e meu corpo cada vez mais trêmulo. Minha língua acompanhava cada movimento da dele, meus lábios ferozes nos dele, cada segundo teria de ser aproveitado, era como numa dança, mas onde cada um está por si, mas ao mesmo tempo compartilhando sentimentos. Minha língua ainda dançava sobre a dele, nossos narizes se chocavam a cada movimento, uma sensação um tanto quanto boa. Dei leves mordidinhas no lábio inferior do Daniel e tirei meus lábios vagarosamente dos dele.
- Eu... Amo você. E você nem sabe o quanto – Disse Daniel, com a voz trêmula e vagarosa. O filme foi esquecido, nada me importava mais, agora o que pairava na minha mente era aquele “Eu amo você”, como que três simples palavras podem fazer uma diferença tão grande? Um simples beijo, seguido de uma frase assim, muda o rumo de tudo. Minha cabeça rodava, Daniel me importava agora, era nele que minha cabeça vivia a pensar, era ele que meu mundo girava ao redor, era ele que fazia minha respiração se alterar, que me fazia gelar.
Daniel me beijou novamente, dessa vez foi um beijo apaixonado, um beijo feroz e significativo, tudo parecia um mundo dos sonhos no qual eu ditava as regras do coração, no qual o meu desejo era ordem, no qual amor não correspondido não existia, no qual príncipes existiam e a força do amor movia tudo... Um mundo perfeito, um mundo em que eu gostaria de estar, e de algum modo, parecia estar. Daniel era meu mundo.
E é o que me lembro umas das poucas coisas que ainda sobraram da minha memória humana antes de eu vir parar aqui, nessa imensidão sem volta. Aquele dia, o melhor e o pior da minha vida, o dia em que eu voltando pra casa, atravessei a rua distraída. O carro me atingiu em cheio, depois disso só me recordo de pessoas me levando em uma ambulância para a UTI do hospital, uma coisa nas mãos daquelas pessoas vestidas de branco, agulhas, um aparelho de choque... Fizeram de tudo, mais não adiantou, meu coração parou e as feridas foram muito profundas, mesmo que eu sobrevivesse, ficaria paraplégica. Ainda consigo me recordar de uma luz, uma luz me puxando, pessoas me chamando, daí então, abandonei aquele corpo na sala de cirurgia. Ainda consegui que me levassem para assistir meu próprio funeral, o Daniel não estava lá, ele se suicidou depois do que aconteceu comigo, infelizmente, por causa do suicídio ele não pôde ficar aqui nesse espaço em que estou, ele ocupa outro plano.
Ainda sinto saudades, Daniel, que meu pensamento seja forte o suficiente para que você consiga captá-lo e entendê-lo. Te amo. Muito. Tomara que a gente possa ter a chance de se ver de novo. Ainda te amo, você não sabe o quanto.
Luísa
Notas finais
Por favor falem o que acharam, é minha primeiríssima one shot
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