Notas iniciais
Capítulo único.

Capítulo 1

Katlyn e Eu...

Katlyn era magra, alta, sardenta e de cabelos lisos ruivos. Tinha olhos verdes e um belo tamanho de busto. Nada lhe faltava para conquistar rapazes, mesmo assim, era tímida e só tinha uma única amiga no colégio. Sua idade era de dezessete, morava com a mãe nos fundos da livraria da família, e amava ler livros desde a fase de garotinha.

A mãe de Katlyn se chamava Júlia. Tinha os mesmos traços da filha, só que era um pouco mais gorda e aparentava ter uns trinta e cinco anos de idade. Era uma mãe bondosa, calma, e enxerida. Já o pai de Katlyn trabalhava em uma plataforma de petróleo e voltava para casa a cada vinte dias. Roberto era um ótimo pai, e seria ainda melhor se pudesse passar mais tempo com a família. Contudo, Júlia e Katlyn levavam uma vida boa.

Na escola, Katlyn era cobiçada por muitos rapazes e por causa disso ela os evitava e também, tinha dificuldades em fazer amizades. Pelo menos, Katlyn tinha uma grande amiga, a Lorrayne!

Lorrayne Akemi, a melhor amiga de Katlyn, gostava de ser chamada de Lolo. Pensa numa japinha de cabelos longos, fofinha, risonha, super alto-astral, amiga para todos os momentos...

Era começo de julho de 2019... Um vento frio balançava as árvores de Recife... Estávamos concluindo a feira de ciências da escola, e nos preparávamos para abrir a sala das frases naquele tão inesquecível dia. Logo depois, já entraríamos em férias.

Lolo simpatizava muito comigo e sabia da minha paixão por Katlyn, mas ela tinha um plano muito audacioso. Dizia ela, que não adiantaria tentar um namoro sem conhecer os pontos fortes e fracos dos demais pretendentes. Lolo estava disposta a me ajudar a conquistar a doce Katlyn antes do início das férias escolar.

Assim que abrimos nosso último dia do evento, “Sala das frases”, Katlyn atendia aos convidados, Lolo arrumava a mesa com os papeizinhos das novas frases e eu, colava-os na parede. Para minha surpresa, depois de meia hora da abertura do evento, chegou o primeiro...

O primeiro pretendente, eu quis dizer. Era alto, magro, tinha um cavanhaque ralo. Usava um óculos de lentes grossas, armação quadrada e de cor azul. Exclamou alto, trêmulo, e meio gaguejando:

— Katlyn, minha liindaa! Eu sou o Pe- Pedrão do Segundo ano, você você quer namorar comigo? (Disse em tom alto com uma rosa estendida na direção de Katlyn e com uma gigantesca frase escrita “Eu te amo” na frente da camiseta)

— Eu nem te conheço! (Retrucou Katlyn, espantada)

— Pode começar agora... (Disse o jovem, abrindo um pequeno sorriso)

— Desculpa cara, procura outra pessoa! (Respondeu Katlyn, dando um passo para trás)

— Éh Pedrão... você até que é uma gracinha, mas não foi dessa vez... (Disse Lolo intrometendo-se).

Nesse momento, o Pedrão foi até a lixeira encostada na porta da sala, deixou a rosa cair e foi embora cabisbaixo. Depois disso, continuamos nossos atendimentos aos convidados, até que deu a hora da pausa para o lanche. Trancamos tudo e fomos para o intervalo. Na volta, o cadeado da porta não queria abrir por lei alguma, nós três já havíamos tentado. Foi então que ele chegou, o segundo. Jovem do terceiro ano, baixo, troncudo, de cabelos pintados de loiro, lindo de rosto, mas tinha um bafo terrível de cebola. Ele era o presidente do grêmio estudantil e era conhecido por todos do terceiro ano como Rafael. Chegou bem na minha vez e disse:

— Deixa comigo, fracote! (Disse o jovem se exibindo para Katlyn).

Katlyn sorriu um pouco. Não sei se era por causa da minha postura, com o pé direito no meio da porta puxando o cadeado com as mãos até rosto ficar vermelho, ou se era por causa do jovem esnobe.

— Vai em frente Sr. Hulk! (Disse eu)

— Se eu conseguir, você sai comigo Katlyn! (Disse Rafael)

— Ha, ha! (Exclamou Katlyn, com sarcasmo)

— Páá! Pronto! (Exclamou Rafael ao abrir o cadeado com um único puxão e ponta-pé na porta)

— Nossa, não é que ele conseguiu! (Disse Lolo admirada)

— E aí Katlyn... (Disse Rafael piscando e exibindo os músculos do braço direito)

— Não sei o que está acontecendo com essa feira de ciências. Parece que estão confundindo a Sala das Frases com uma barraca do beijo ou barraca da confissão! (Murmurou Katlyn)

— Éh não foi dessa vez... se manda bafo de cebola! (Exclamou Lolo)

Retornamos ao trabalho e no final daquela tarde, fomos embora juntos, até porque morávamos coincidentemente no mesmo bairro. Apesar da amizade forte, Katlyn nunca se pronunciava sobre sua preferência amorosa. Já se completava seis meses que eu me mudara para aquela cidade. E ainda não sabia como conquistar a pessoa por quem me apaixonei desde que a conheci.

A primeira despedida até chegar em casa era a de Lolo. Antes que eu pudesse dizer “até a volta das férias!” ou “até mais!”, ela pediu licença para Katlyn e me contou no pé da orelha: fui eu quem pediu ao Pedrão e Rafael para se declararem, você é o terceiro, seja inteligente Romeu!

Dito isso, Lolo se afastou e disse “até mais!”. Continuamos a caminhada até a “Livraria da Júlia” e no meio do caminho tirei o que eu tinha de mais valioso na minha mochila. Era um Conto de Clarice Lispector, “Felicidade Clandestina”. Desenhei um coraçãozinho na capa do livreto, então, disse para Katlyn:

— Isso é tudo o que tenho. Não tenho rosas nem belos músculos. Apenas um Conto sobre Felicidade...

Trocamos olhares por alguns segundos e ela me beijou dizendo:

— Já era hora Romeu!

Fim!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!