Feitos De Titânio - Interativa
1 Prólogo
Notas iniciais
Ao decorrer dos anos, o mundo sofreu diversas mudanças, assim como as pessoas. Tecnologias novas surgiram, mas jamais deixando para trás a desigualdade e miséria que eram tipicamente naturais dos seres humanos. Agora os continentes haviam unido seus países, formando Distritos governados por presidentes ditadores e gananciosos. Eram os Distritos Americano, Asiático, Africano, Europeu e Oceânico. Alguns mais ricos e outros mais pobres.
Vendo nas mudanças do mundo a oportunidade perfeita para crescerem e dominarem, um grupo científico organizou um projeto ilegal e perigoso, que colocava em risco a vida de muitas famílias. Pegando mulheres que eram consideradas nada, prostitutas, drogadas, moradoras de rua, e quem não tinha família e não faria falta, eles inseminaram-nas com óvulos fecundados modificados em laboratório para manifestarem habilidades ditas surreais. Porém, o FBI estragou tudo, invadindo e prendendo-os por sequestro e assassinatos, já que todas as mulheres morreram no parto, assim como algumas crianças não sobreviveram.
Sobreviveram apenas nove bebês, que foram enviados a diferentes orfanatos.
Ninguém jamais suspeitou quais eram os verdadeiros planos dos cientistas, já que eles por precaução, esconderam qualquer prova em lugares secretos.
Presos, muitos membros da organização morreram, outros vivem de modo precário.
Dezoito anos depois, os genes finalmente se manifestaram, trazendo para os jovens turbulências, e chamando a atenção dos agentes, tanto quanto dos criminosos e corruptos.
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Mistaya andava estranhamente distraída. Seus pensamentos estavam nas nuvens, enquanto seu corpo parecia sofrer mudanças incompreensíveis e invisíveis para a garota.
Hoje seria seu aniversário de dezoito anos.
Ela não tinha contado a ninguém a data, e nem ao menos se importava com isso. Para quem viveu a infância mudando de casa em casa, nas mãos de pais adotivos que rapidamente se cansavam do temperamento petulante e rebelde da garota, aniversários passados com amigos e família era algo inédito.
Mistaya jamais reclamara, nem em pensamento, de tudo que ocorrera em sua vida. Aceitara o fato de nunca ter conhecido os pais e ter passado a infância sendo jogada de familia a outra. Não sentia nada pelos pais que não conhecia, nem ódio, nem amor. Apenas não os conhecia.
Depois que completara seus dezesseis anos, conseguiu sua emancipação na justiça do Distrito Europeu. Nos tempos atuais, não era raro ver adolescentes completamente independentes, e Mistaya era um deles, vivendo em uma república mista, e trabalhando em uma fábrica de robôs domésticos.
– Misty, está ai? – Perguntou uma voz facilmente reconhecível acenando a mão na frente do rosto de Mistaya. E só então a garota se liberou dos pensamentos flutuantes que estavam em sua cabeça. – Ah, confesse, não escutou nada do que eu disse.
A garota alta e magra, que era uma das pessoas que Mistaya tinha mais afinidades, fez um muxoxo.
– Eu estava escutando, Bree. – Misty protestou, dando de ombros. A outra simplesmente revirou suas órbitas azuis lilases, e suspirou fundo.
– Então o que eu estava dizendo? – Perguntou, com uma expressão de xeque mate, observando a reação da amiga.
– Tudo bem, eu não estava ouvindo... – Misty confessou. – O que dizia?
– Estava falando sobre aquele noticiário da manhã... – A outra começou, reformulando o discurso sem se abater. Se tinha alguém que gostava de falar, era ela. – Dizia que um criminoso fugiu da prisão de segurança máxima do governo. Estava comentando em como com toda essa tecnologia de ponta, eles conseguem ser tão inúteis e mesquinhos.
Mistaya ia responder algo, porém as palavras sumiram de sua mente com a velocidade de um trovão. Sentiu seus olhos marearem, e a pele pinicar. Depois de alguns segundos que pareceram séculos, Bree a olhava com uma expressão de choque.
– O que ho-houve com seu rosto? – A amiga perguntou, apontando e se afastando.
Misty correu para um espelho. Quando viu seu reflexo, não conseguiu fazer nada além de ficar boquiaberta. Seus olhos estavam prateados, e rachaduras por toda extensão de sua face mostravam um fundo igualmente prateado. Era como se sua pele estivesse se rasgando para revelar um monstro por debaixo. Olhou suas mãos e braços, onde a pele continuava a sair como se fosse uma camada de sujeira em seu corpo. Sem conseguir outra reação, ela escutou um grito estridente sair de seus lábios, que via no espelho mas não podia reconhecer.
Notas finais
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