Feito para matar
3 Tanto mental, quanto física...
Notas iniciais
Chegando na casa grande me deparo com uma cena... Incomum?
O centauro estava em sua forma original de metade cavalo. Porém, trajava uma blusa rosa estilo líder de torcida, que ia até o umbigo e sua parte cavalo estava cheia de gliter e purpurina. No cabelo, alguns lacinhos para enfeitar.
Definitivamente não era assim que eu o imaginava. E aparentemente nem Percy. Porque quando entendeu a cena olhou para Quiron com um olhar interrogador, levantando a sobrancelha direita.
O ser purpurinado na minha frente deu de ombros e disse:
– É isso que dá tentar apartar uma briga entre filhas de Afrodite... Acabaram me jogando uma praga por interferir.
Percy acenou com a cabeça em sinal de compreensão. Só depois de um tempo, no qual eu apenas observei a situação, que o centauro pareceu perceber a minha presença. Ele me encarou, me mediu e só então percebeu quem eu sou. Seu olhar passou de levemente divertido para pura fúria. E ele disse quase gritando:
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?! SAIA AGORA! Antes que eu não responda mais pelos meus atos.
Ele trota desesperadamente em minha direção. Essa cena seria extremamente cômica, um centauro todo de rosa e coberto de gliter tentando correr e com um olhar mortal, se não fosse pelo fato de que o olhar era dirigido a MIM e ele queria ME matar.
Eu facilmente desviei do ataque e disse calmamente, porém sincero :
– Eu sei o quanto já causei dor para vocês, sei o quanto me odeiam. Mas eu juro pelo rio Estige que não estou aqui para lhes fazer nenhum mal, quero apenas contar uma história. E se, depois de ter terminado, você ainda quiser me matar, pode tentar.
Ele me olha confuso, tentando me decifrar. Porém, acabar assentindo e voltando a se sentar e me apontando a cadeira mais próxima dele.
Então começo a pensar em como contar tudo a ele. Afinal, ele vai ser a primeira pessoa para quem vou dizer, e ser sincero. Ainda dói tanto que toda vez que o assunto passa pela minha mente, mesmo que só de passagem, eu sinto minha alma se quebrar e um pouco da minha vitalidade se esvair.
Mas vamos lá, tenho que fazer isso. Mesmo sabendo que só vou contar o bastante para ele confiar em mim...
– Então vamos lá... Vou contar a história de um garoto. Ele se chama Nico Di Angelo... – quando de repente sou interrompido por uma voz a pouco esquecida.
– Mas espera ai. Esse não é o SEU nome ? – O moreno de olhos esmeraldas diz, se expressando pela primeira vez. Me viro em sua direção e digo :
– Ah, Pency. Me esqueci que você estava aqui...
Então, entendendo meu desconforto Quiron se manifesta :
– Será que poderia se retirar do recinto senhor Jackson? Depois te chamamos se for necessário. Obrigado por trazer o senhor Di Angelo até aqui.
Com isso ele da de ombros e se vira, caminhando até a porta. Depois dele sair eu volto a olhar para o outro ser presente e contínuo:
– Obrigado. Então, ele foi criado sua vida inteira para ser uma máquina assassina, não para pensar ou sentir. Porém, sua irmã e sua mãe eram a razão da sua existência, o que mantinha sua parte humana acesa. Aos seis anos, seu pai assumiu o poder, tanto sobre humanos quanto sobre todas as outras criaturas. Porém, na jornada para se tornar poderoso o pai do garoto deixou as duas razões da vida do filho morrerem, e não fez nada sobre o assunto. Assim tornando o filho totalmente mortífero e redirecionando toda a sua raiva para o mundo e os outros deuses, principalmente os que eram chamados de semideuses. Porém, conforme os anos foram passando Nico percebeu que não era culpa do mundo, era culpa do seu próprio pai. E a única coisa que o fazia continuar era sua meia irmã mais nova, Hazel, até que ela também morre e ele decide que acabaria com tudo isso, que ele derrubaria seu pai do poder e reinstauraria o mundo. Por isso ele está agora, se redimindo e pedindo perdão por todo o sofrimento que causou, e tentando conseguir aliados nessa luta. Afinal ele nunca quis matar, foi forçado a tal.
Quando término o meu monólogo, paro para pensar no porque de eu ter falado tudo em terceira pessoa, e chego a conclusão que era mais fácil fingir que não estava me referindo a mim mesmo.
Olho nós olhos de Quiron, como um sinal de confiança. Estava claro que ele ainda não acreditava em mim, não por completo. Porém, parecia ter aceitado que fazia sentido.
Ele levanta da cadeira e começa a andar em círculos pelo escritório. Que a propósito era até que aconchegante, com uma lareira no meio da parede e encima algumas pinturas de momentos dos principais guerreiros semideuses. Havia uma de quando Apolo combatia a Piton , com Delfos do lado. Dos doze trabalhos de Hércules, do nascimento de Ártemis e Apolo, de Afrodite... Entre outros. Todas as paredes eram cobertas de pinturas, que mais pareciam fotos de tão bem feitas.
Por fim Quiron parou no meio da sala e se virou para mim.
– Supondo que isso seja verdade e eu acredite nisso. O que você quer de nós? – Ele me encara com uma ar interrogador e desafiador.
– Apenas que estajam do meu lado na guerra. Que me ajudem a derrotar Hades, porque eu sei que não conseguiria sozinho. E se quiser, eu juro em todas as línguas possíveis que só quero arrumar tudo isso, que no fundo nunca quis nada disso. Quero uma segunda chance.
– Tudo bem então. Você se tornou uma boa pessoa Nico. Sua mãe ficaria orgulhosa. – Eu olho espantado para ele, será que ele de fato conhecia ela ? ,
– VOCÊ A CONHECIA ?
– Sim, sempre que Hades estava distraído o bastante ela trazia vocês para o acampamento. Maria tinha um ótimo coração. Eu temia que você tivesse se esquecido da sua parte humana, que tivesse se tornado igual a seu pai. Afinal, quanto mais fica no submundo, mais se torna imortal. Já tem mais de oitenta e cinco anos, e continua com a aparência de um menino de dezesseis! Mas graças aos deuses você ainda está vivo, e quer se redimir. Antes tarde do que nunca.
– Muito obrigado ! Mesmo... Eu nunca imaginária. E então? Temos um acordo ?
– Sim. Mas devo te alertar. As pessoas não gostam nada de você por aqui. Se souberem quem você é, não garanto sua segurança. Você se passará por filho de Athena, e não pode deixar ninguém descobrir sua verdadeira identidade.
– Tudo bem, disso eu cuido. Afinal, eu fiz por merecer! – Nesse momento minha cabeça estava tão confusa e havia tantas emoções novas se misturando que eu só precisava de ar. Estava a beira de um colapso. E parece que o centauro percebeu...
– Tudo bem então. Temos que agir rápido enquanto ainda estamos em vantagem. Porém, mesmo que quiséssemos não será tão fácil e nem tão rápido arrumar tudo e fazer estratégias para o que está por vir. Por isso descanse por agora. E amanhã me encontre no campo de morangos as nove. Terá uma reunião para explicar aos outros e começarmos os preparativos.
Ele acena com a mão e eu saio de lá. Definitivamente precisava de um lugar tranquilo para pensar !
Fui até o chalé de Athena e deixei minhas coisas. Depois fui em direção a floresta.
Quando estava na entrada da mesma tive uma espécie de flash back onde eu era pequeno, mais ou menos cinco anos, e andava pelo mesmo local que estava nesse momento de mãos dadas com minha mãe e Bianca, nós estávamos discutindo sobre qual sabor de sorvete tomar. Quando de repente um buraco se abre e elas são puxadas para ele, elas gritam meu nome, pedindo ajuda. Mas tudo que eu faço é ficar olhando minha felicidade ir embora.
Aquilo me abalou tanto que eu acabei praticamente cai para o lado em direção ao chão. Estava na espera do atrito quando mãos fortes me seguram.
E é ai que eu desmaio.
Talvez minhas forças não estivessem lá aquelas coisas, tanto mental quanto física...
Fale com o autor