Feitiço

1 Capítulo Unico


Notas iniciais
Essa é minha primeira fic de anime e Starry Sky e também já faz algum tempo que eu não escrevo, então me desculpem qualquer coisas!

Ela se apoiou de costas para minha mesa, com as mãos para trás, e ficou ali como sempre fazia, sem dizer nada, apenas ali, procurando as palavras certas.

— Sabe... – ela começou, mas ficou em silêncio por mais um tempo. – Você deveria parar de arranjar brigas...

— Eu não briguei com ninguém dessa vez!

Olhei para ela, os olhos castanhos e grandes por trás dos óculos -também grandes- me fitavam diretamente, sem nenhuma expressão. Odiava quando ela me encarava daquele jeito, era quase como se ela soubesse tudo que eu estava pensando.

— Ok, seja lá como você arranjou esse machucado no rosto... – o tom irônico em sua voz era evidente e aquilo me irritava ainda mais. – Mas, eu acho que você deveria tomar mais cuidado.

Desviei meus olhos dos dela, voltando-os para a janela. O sol já estava se pondo, normalmente ela vinha me dar um de seus sermões sempre no mesmo horário; às vezes quando ela não tinha nada para falar ela apenas ficava lá comigo, os dois em silêncio apenas esperando um ou outro ir embora da sala do conselho e quando nós saiamos, ela apenas acenava e ia para seu quarto.

Não sei ao certo quando esses rituais diários começaram entre a gente, mas já fazia algum tempo.

— Hey Tomoyo. – olhei para ela, seus olhos estavam fixos em algum ponto desconhecido. – Desde quando nós temos esse hábito?

— Que hábito? – ela olhou para mim rapidamente, mas depois voltou seus olhos para o ponto de antes.

— Esse, de sempre ficarmos sozinhos aqui na sala do conselho estudantil, sem quase nunca dizer nada?

Ela ficou em silêncio por mais um tempo, enquanto a observava ela mexia os lábios de um lado para o outro, indicando que estava pensando.

— Acho que desde a nossa briga no bimestre passado... – Tomoyo parou e abaixou a cabeça. – Quando eu vim te pedir desculpas.

— Oh, é mesmo!

Havíamos tido uma briga totalmente desnecessária, pelo menos no começo era por um motivo desnecessário, mas as coisas começaram a se voltar para o lado pessoal e foi ai que nós dois estouramos.

Estávamos sentados no jardim, eu, Tomoyo, Tsubasa, Hayato e Oshirou. Conversávamos tranquilamente quando Hayato tocou no assunto.

— Você e Yahisa realmente se tornaram grandes amigas, não é? – ele perguntou.

— Acredito que sim! – Tomoyo deu um sorriso leve.

— Isso é bom para ela, já que ela passou uma boa parte da vida dela só com garotos.

Tomoyo simplesmente sorriu de novo e balançou a cabeça em forma de concordância.

— Não acho que isso seja assim tão bom. – falei sem olhar para ela.

— E por que não seria?

— Ora, você aparece assim de repente e vira uma grande amiga dela, fazendo ela se afastar de todos nós.

— Primeiro, se você acha que ela se afastou de você, bom a culpa não é minha. Então vá tirar satisfações com ela. – ela parou por um tempo e respirou fundo. – E segundo, você nem deveria ficar assim tão enciumado, ela namora agora, você deveria colocar isso na sua cabeça. Ah sim, e se ela realmente se afastou; bom ela tem um namorado agora, como eu já disse, talvez ela tenha algo a mais para se preocupar do que um bebê reclamão e mal-humorado que nem você!

Eu travei. Quem ela pensava que era para falar daquele jeito comigo?

— Olha como você fala comigo Kyoku! Você mal chegou aqui e já pensa que pode sair falando assim com o presidente?

— Não me importo se você é o presidente ou não! – ela se levantou. – Apenas pare de ser idiota e ficar acusando os outros desse jeito!

Tomoyo saiu andando em direção aos dormitórios femininos, que no momento só ela e Yahisa ocupavam.

— Koneko-chan! – Tsubasa gritou, mas sem sucesso, afinal ela já estava muito longe.

— Você não deveria ter dito aquilo. – Hayato começou a falar. – Kira é que nem você, se magoa e se estressa fácil.

Eu apenas me levantei e sai dali, sem nenhuma palavra. Acabei indo para a sala do conselho estudantil como de costume, e fiquei lá durante o dia inteiro, ninguém havia ido me procurar, até que eu ouvi alguém bater na porta e depois arrastá-la para abrir.

— Posso entrar? – a voz da garota ruiva e pequena saiu baixa.

Eu assenti e com passos meio incertos Tomoyo entrou na sala e se sentou no sofá com a cabeça baixa, os cabelos cacheados lhe cobriam o rosto, me impedindo de ver qualquer expressão sua. Continuei a olhando, esperando alguma atitude dela.

Confesso que depois de um tempo achei que ela ia jogar alguma coisa em mim, mas foi ao contrário.

— Desculpa. – ela disse mais uma vez baixo. – Eu não deveria ter dito aquilo, mas você me magoou falando como se eu só fosse um incomodo para todos...

Ela falava rapidamente e sem parar, eu andei até o sofá e me sentei ao seu lado.

— Eu que devo desculpas, não deveria ter te dito aquelas coisas. – parei por um tempo. – Desculpe se te fiz parecer um incomodo, eu sei o quanto isso é ruim.

Passei meu braço direito pelos ombros dela, como se quisesse mostrar para ela que éramos bons amigos agora.

— Eu só não retiro que você é um idiota. – ela olhou de escanteio para mim e deu um pequeno sorriso.

Eu sorri também e ficamos ali em silêncio, até ela decidir ir para seu quarto.

— Faz um bom tempo que Yoh e Tsukiko, estão namorando não é? – voltei a falar, eu não sabia ao certo, mas hoje eu precisava ouvir a voz dela mais do que de costume.

Tomoyo olhou para mim com a sobrancelha esquerda arqueada.

— É. Henri e Yah-chan estão realmente firmes. Me deixa feliz saber que minha melhor amiga tem alguém que ame ela de verdade. – ela parou e depois voltou a falar, só que dessa vez sua voz saiu quase inaudível, de um modo pensativo. – Quem dera eu ter essa mesma sorte dela...

— O que?

Os olhos grandes ficaram ainda maiores quando ela me olhou.

— Ahn? Ah, nada, nada!

Suas bochechas ficaram extremamente vermelhas e suas mãos não paravam de se mexer de um lado para o outro, então ela parou e voltamos a ficar em silêncio, até ela perguntar:

— Você se incomoda com isso? – ela deu uma pausa. – Quero dizer... Isso... Isso te deixa triste?

Levantei da cadeira e me apoiei na mesa ao lado dela. Ficamos fitando um ponto fixo do outro lado da sala e então depois de respirar fundo, respondi.

— Acho que depois de tudo eu... Eu acho que... – parei por alguns segundos para pensar. – Eu não sei. Na verdade não me incomoda tanto quanto antes, eu meio que aprendi a conviver. Apesar de tudo ainda é estranho ver ela com outra pessoa, mesmo eu já imaginando que ela ficasse com Yoh.

Tomoyo assentiu, ficamos novamente em silêncio e então continuei:

— Eu realmente gostava dela... Mas agora sinto como se ela fosse apenas minha irmãzinha.

— Entendo... – foi apenas isso que ela disse.

Tomoyo se desencostou da mesa e se espreguiçou levando os braços a cima da cabeça.

— Já vou indo Kazuki! – ela sorriu levemente. – Até amanhã...

Permaneci em silêncio e no meu lugar, apenas a vi ir andando até a porta e os saltos baixos fazerem um leve barulho no piso de madeira da sala. Senti uma sensação estranha como se algo ruim fosse acontecer.

— Tomoyo! – a chamei quando ela estava no meio do caminho.

Tomoyo parou de andar, mas não olhou para trás, ficou apenas de costas para mim, esperando – provavelmente – eu falar algo.

— Obrigado...

— Pelo o que? — sua voz saiu meio baixa e presa.

— Não sei, acho que por ter me feito abrir os olhos e parar de ser tão estúpido!

Ela assentiu, respirou fundo, passou as costas da mão no rosto e continuou andando até a porta, me desencostei um pouco da mesa e dei um ou dos passos. Tomoyo andava devagar e os pés meio que se cruzavam um na frente do outro, até que o pé de trás bateu no da frente e eu pude vê-la tropeçar, Tomoyo se desequilibrou um pouco e antes que ela caísse, corri até ela e puxei seu braço a virando para mim. Sem querer nossos corpos se chocaram e nós dois acabamos nos desequilibrando e caindo juntos no chão. O corpo pequeno ficou sobre o meu, nossos rostos muito próximos um do outro e as respirações presas.

— Se fosse para cair, eu poderia fazer isso sozinha! – ela disse ironicamente e tentou se levantar.

Segurei seu pulso antes que ela conseguisse algum sucesso e ela voltou a cair sobre mim, olhei seus olhos, eles estavam meio vermelhos e inchados.

— Você estava chorando?

— Não, caiu um cisco no meu olho...

— Então caiu um nos dois, porque os dois estão vermelhos e inchados.

Tomoyo fez uma careta e tentou se levantar de novo.

— O que houve? Você se emocionou por que eu te agradeci? – a careta continuou em seu rosto e então eu não me aguentei e comecei a rir.

— Pare de rir! – ela gritou repentinamente.

Tomoyo bateu no meu peito, repetidas vezes e então se levantou, cambaleou um pouco pra trás e depois ficou reta, a careta ainda maior em seu rosto, mas seus olhos, dessa vez, estavam marejados.

Parei de rir e me sentei no chão, fiquei a olhando por um tempo.

— Você é um idiota! – ela voltou a falar com a voz embargada, um pouco mais baixa. – É isso que você é. Um idiota!

Tomoyo se virou e voltou a andar em direção a porta. Me levantei rapidamente e mais uma vez a impedi de sair de lá, mas dessa vez ela continuou de costas para mim, minha mão desceu pelo seu braço e eu segurei as mãos frias e tremulas.

— Você não vai sair daqui sem me dar uma explicação!

— Você que deveria me dar uma explicação, não tem o porquê de você ficar me segurando aqui. – sua voz estava muito mais calma.

— Estou te segurando aqui porque eu me preocupo contigo...

Tomoyo balançou a cabeça negativamente.

— Já dei minha explicação agora é sua vez. – me aproximei dela e tentei virar seu rosto para mim, mas ela se recusou.

— Eu estou de TPM, ficou sentimental de mais, é só isso. – ela se virou para mim e deu o sorriso mais forçado que poderia existir.

Ficamos nos encarando por um tempo, nossas mãos ainda unidas. Tomoyo ajeitou os óculos sobre o nariz e depois tentou soltar sua mão, segurei-a mais forte.

— Não minta para mim! – gritei, minha voz atingiu os quatro cantos da sala e pude sentir ela se encolher. – Como você pode mentir tão descaradamente para mim?! É tão difícil me contar o motivo de tudo isso? É tão difícil de acreditar que eu me preocupo?

Tomoyo puxou sua mão bruscamente e se posicionou de frente para mim, a postura mais firme que eu já havia visto.

— Sim! É difícil acreditar em você, é difícil contar o motivo. – ela respirou fundo. – Sabe por quê? Porque primeiro: é um motivo tão absurdo e ridículo que eu não me permitiria falar nem mesmo para Yahisa e segundo: eu não acredito que você se preocupe comigo, pelo simples fato de isso também ser absurdo! Ok, nós podemos até nos darmos bem agora, mas eu nunca fui a sua preferida e nunca vou ser! Eu sei que vo...

— Tomoyo! – eu a interrompi. – Por favor, confie em mim...

Seu rosto voltou a ficar triste. Tomoyo abaixou a cabeça e a encostou em meu ombro.

— Eu devo ser a pessoa mais idiota por fazer tanto drama assim... Mas, eu odeio você muito menos do que eu gostaria... – ela riu pelo nariz – Quero dizer... Eu gosto de você muito mais do que eu gostaria, ridículo, eu sei...

Eu travei, e suas palavras continuaram ecoando em minha cabeça, meu coração falhou uma batida e voltou a bater mais rápido que o normal.

— Eu chorei... Eu chorei, porque é bom sentir um pouco de carinho vindo da pessoa que você gosta, mesmo que seja só em forma de amizade...

Respirei fundo e segurei seu rosto entre minhas mãos a fazendo olhar para mim.

— Tomoyo Kyoku, o que você fez comigo? Que tipo de feitiço você usou nesses últimos minutos?

Tomoyo franziu o cenho e me olhou interrogativamente. Puxei os óculos vermelho de seu nariz, segurei ele em uma das mãos e a outra permaneceu no rosto dela.

— Você fica mais bonita sem eles. – sorri com a careta que ela fez.

Desci minha mão para seu queixo e a puxei para mais perto colando meus lábios aos dela.

Eu não sei qual o tipo de feitiço que ela havia usado, mas havia funcionado de uma forma impressionante e continuaria funcionando por muito mais tempo.

Notas finais
Eu sei ta meio clichê e dramática demais, mas foi o melhor que eu consegui fazer.

Espero que vocês tenham gostado. Me mandem reviews, elogios ou criticas, tudo vai ser muito bem vindo!

Kissus minna!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!