Feitiço da Lua - Como se conheceram
1 Capítulo Único
Notas iniciais
"Devo estar louca..."
Keira sabia que realmente estava. Mal ela conheceu aquele cigano atrevido e sentiu algo que em seus dezoito anos de vida jamais havia sentido.
Algo puramente carnal, ela sabia. Uma coceira desesperada para ser aliviada.
Sem pensar, Keira se levantou em silêncio para não acordar Esmeralda e saiu em busca da carruagem de Clopin. Não precisou procurar muito, era tão chamativa quanto o líder. Keira tentou revirar os olhos, mas em vez disso, suspirou.
Vermelha de vergonha com sua atitude e a forma como seu corpo estava se comportando, ela entrou no santuário do cigano.
Ora, e não é que ele dormia sozinho? Keira se aproximou e tentou tocar-lhe o cabelo negro que parecia sedoso, mas antes, ele segurou-lhe o pulso com força e Keira sugou o ar, assustada.
"Mas o quê..." ele começou, sendo interrompido por um beijo da outra.
"Seus lábios," ele disse, mal conseguindo respirar "Seus lábios são tão macios!"
Ele a puxou como se ela fosse água e ele um viajante sedento. Os dois se beijaram, ávidos.
Keira ajudava-o a se desvencilhar das roupas, e ele fazia o mesmo por ela.
"Você é tão, tão perfeita..." ele afirmou, enquanto a beijava por toda parte e ela gemia o mais baixo que podia.
"Não sei o que te fez mudar de ideia, mas nunca estive tão feliz... E qual seu nome, aliás?"
"Cale-se," ela disse, enquanto o abraçava e beijava "Meu nome é Keira."
Clopin colocou o edredom em volta dos dois e perguntou, com gentileza:
"É a sua primeira vez, não é?"
"Ora, o quê... O que lhe deu essa ideia? Estou sendo péssima, por acaso?"
"Não, claro que não! Mas é, não é?"
Vermelha, Keira desviou o olhar azul dos olhos castanhos de Clopin.
Ele tocou-lhe o queixo de leve, dizendo:
"Eu só não quero machucar voc--"
E ela o beijou, tentando atacá-lo para fazê-lo ficar quieto.
"Não tão rápido. Eu esperei por você durante muito tempo," disse ele, deitando-a devagar.
Keira não conseguia se conter. A forma como Clopin a tocava, ela nem imaginava como aquilo era possível. Como ele sabia exatamente de que jeito e onde?
Finalmente, ela estava se perdendo. Obviamente, ele era mais velho, mas como sabia tanto?
Por impulso, ela o empurrou, perguntando como ele sabia tanto sobre o que ele estava fazendo. Ele riu de leve perto dos seios dela, subindo para o pescoço, beijando-a, fazendo-a esquecer das perguntas novamente.
Clopin se posicionou para algo que Keira já esperava, mas temia. O cigano percebeu, pois sentiu a tensão de sua amante.
"Não precisamos fazer isso se você não quiser."
"Eu quero, mas...Vai doer?"
Keira nunca se sentiu tão estúpida. Esperava que ele risse dela, mas ele não riu.
Ou quase isso.
"Eu não saberia. Mas você pode me dizer."
"Amadán," Keira disse em irlandês, dando-lhe um peteleco perto da bochecha.
Clopin lhe deu um beijinho na testa e disse:
"Se você ficar desconfortável em algum momento, me avise."
Keira o beijou e se certificou de que os cabelos de Clopin eram ainda mais macios do que pareciam.
Nossa. Ele era grande. Dava para enganar por ele ser um tanto miúdo, mas aquele nariz acusava...
Clopin percebeu que Keira estava agitada demais e perguntou se devia parar. Keira garantiu que estava tudo bem, mas ele não acreditou.
"Eu sei que melhora nas outras vezes. Ouvi falar..." ela murmurou.
"Odeio saber que estou te machucando, Keira," disse Clopin, beijando-lhe os cabelos e a testa, e mexendo-se bem devagar. "Se ainda estiver ruim, eu paro."
"Não está ruim! Eu amo você."
Clopin pareceu congelar, mas continuou a se mexer com ainda mais ternura, e respondeu:
"Também te amo, Keira. Desde que pus os olhos em você."
"Droga! Eu falei isso alto?" Keira pensou, em pânico.
Keira o abraçou, sentindo algo se formar no seu cerne, se movendo cada vez mais rápido, criando um ritmo com Clopin. Ele esperou por ela atingir o clímax e Keira sentiu a semente dele fluir dentro de si, como se fosse algo que ela sempre tivesse esperado.
Os dois ficaram grudados alguns minutos antes de se separarem, mas deitaram-se abraçados do mesmo jeito, a cabeça de Keira no peito de Clopin.
"Eu ansiei por isso a minha vida inteira," Clopin confessou. Ela não disse nada, não dessa vez. Não iria se comprometer sem querer de novo.
Keira sentiu a respiração de Clopin ficar cada vez mais profunda enquanto ele caía no sono. Dessa vez, ele não acordaria alerta. Ela se vestiu, e derramando algumas lágrimas, beijou-lhe os cabelos. Mesmo na escuridão, ela conseguiu localizar o violino do cigano e o levaria como lembrança.
No dia seguinte, Clopin tentou abraçar Keira, mas ela não estava lá. Enquanto se vestia, ainda sentia o cheiro dela em si mesmo.
Agora, era só procurá-la pelo Pátio dos Milagres.
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