Feels Like Home
1 Feels Like Home
Notas iniciais
Era dia 24 de dezembro, Lucy acordou com duas pessoas deitadas nas suas costas. “Mamãe, é Natal!” disse Jonathan dando um leve beijo em sua bochecha. Quando seus olhos finalmente se ajustaram a luz ela pode perceber que ele segurava um presentinho e ao seu lado, sua irmã, Brea, também continha um presente, só um pouco maior do que o do irmão, em seu colo. “O que é isso?” perguntou Lucy sentando na cama ao lado dos filhos, Brea foi a primeira a falar, “É pra ‘votê’”, disse enquanto estendia o presente em direção à mãe. “Obrigada, meu amor, mas os presentes não são agora!” explicou Lucy para a filha que acabara de completar dois anos. “Não, o papai disse que esses eram pra agora.” Respondeu Jonathan em defesa dos dois, Lucy olhou curiosa para as mãos dos filhos, “Ok, então.” Rendeu-se ela.
Pegou primeiro o de Brea por ela estar tão ansiosa para rasgar o papel que chegava a dar dó. “Quer ajudar a mamãe, filha?” dito isso, Brea abriu o maior sorriso que uma criança de dois anos poderia dar e começou a abrir o presente. Assim que Brea se certificou que todo papel havia sido retido, uma lágrima escapou dos olhos de Lucy. “Mãe, você está triste?” perguntou Jonathan claramente preocupado. “‘Votê’ não gostou?” perguntou Brea fazendo um biquinho, “Não, não, meu amor! Eu amei!” Lucy apressou-se em dizer. “Então porque você está chorando?” perguntou o menino de quatro anos confuso, “Às vezes quando você ama demais uma coisa que alguém te deu ou falou, você acaba chorando, mas não de tristeza e sim por estar emocionada ou muito feliz.” Explicou Lucy.
O presente era um pequeno álbum de fotos, a capa tinha uma foto que Lucy e Ian haviam tirado no primeiro encontro oficial deles, a quase 10 anos atrás. Lucy passou rapidamente as fotos, não queria chorar de verdade na frente das crianças, mas ao chegar ao final do álbum havia um bilhete escrito à mão. “Sei que vai parecer clichê te dar um álbum desses, mas eu só queria que você tivesse nossas melhores lembranças na palma das suas mãos e que sempre que você esteja se sentindo triste, você possa olhar pra essas fotos e se lembrar do quanto eu te amo. Se lembra de quando a gente ria das pessoas falando que nós eramos feitos um pro outro, sendo que na nossa cabeça a gente achava impossível isso acontecer? Pois é, agora olha só pra nós. Casados há cinco anos, juntos a mais de dez, com os filhos mais lindos e perfeitos do planeta e pode parecer mentira, mas meu amor por você só aumenta a cada dia. Parece que realmente pertencemos juntos, (nunca mais duvido da minha mãe). Então, ao infinito e além, certo?” Na metade do texto já havia desistido de conter as lágrimas, ela ia matar o Ian!
Jonathan se ajoelhou na cama ao seu lado e secou uma lágrima que caia por sua bochecha. “Abre o meu agora!” falou ele dando para mãe o pequeno embrulho que acabou se revelando em uma pequena caixa de veludo azul com aliança, no início tanto Lucy quanto as crianças ficaram meio confusas. “Mas, essa não é igual a sua?” reparou Jonathan apontando para o dedo anelar de Lucy. “Não, essa tem uma coisinha a mais.” disse ela sorrindo para o filho. Na tampa da caixa estava escrito “Achei que estava na hora de renovar. PS: Olhe a parte de dentro!”, Lucy tirou a aliança da caixinha e na parte interna estava escrito ‘mean to be...’ ao lado do desenho de um menininho e uma menininha. Ela estava sem palavras pra descrever o que estava sentindo naquele momento, então tudo que vez foi agarrar os filhos e dar vários beijinhos neles.
Nessa hora Ian chegou ao quarto gritando que estava nevando, as crianças deram gritinhos animados e saíram correndo. Lucy levantou às pressas da cama para segurar Brea que já estava quase do lado de fora do quarto, por sorte Ian foi mais rápido e pegou ela no colo. “Posso saber aonde a senhorita vai?” “Neve, papai!” disse Brea se balançando no colo de Ian “De camisola?” Brea olhou pra sua barriga e fez bico. “Vem amor, mamãe troca sua roupa.” Disse Lucy pegando a filha do colo de Ian. Naquele instante Jonathan entrou no quarto cheio de agasalhos fazendo com que Ian e Lucy caíssem na gargalhada. “O que?” perguntou o menino tirando o cachecol da boca “Agora eu não fico mais com frio!” completou ele com um sorriso vitorioso. “Posso ir?” Assim que ouviu a confirmação da mãe, Jonathan saiu correndo gritando. “Ian!!” advertiu Lucy “Já vou, só preciso fazer uma coisa antes.” Antes que Lucy pudesse perguntar o que, Ian a puxou e deu um beijo de leve em sua boca e em seguida saiu do quarto correndo atrás do filho, deixando Lucy com um sorriso bobo no rosto. “Vamos botar um casaco, amor.” disse ela se direcionando ao quarto da filha.
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Quando Lucy e Brea chegaram do lado de fora da casa, Ian brincava de guerra de neve com Jonathan e um dos arremessos de Ian atingiu o braço livre de Lucy, as crianças caíram na gargalhada imediatamente com a cara que Ian fez. “Ah, então é assim?” perguntou Lucy botando Brea no chão que correu até o irmão. Lucy se abaixou para que pudesse formar uma bolinha de neve e a atirou no marido, atingindo-o no peito. Ian fazendo drama começou a gemer de dor e se tacou no chão, fazendo com que Brea e Jonathan gargalhassem ainda mais. “E eu achando que era a dramática da relação.” Falou Lucy enquanto andava até um Ian caído no chão perfeitamente imóvel. As crianças correram até ele e Brea sentou na sua barriga. “Papai?” chamou ela cutucando seu rosto. “Frio, muito frio. Congelado...”, essa foi a vez de Lucy gargalhar “Bem feito, quem mandou ser ruim de mira!” Ian levantou a cabeça e semicerrou os olhos para ela “Pai, eu quero brincar! Levanta daí, molenga!” Brea soltou uma gargalhada com o comentário do irmão “Isso é complô? Uma me chama de mal de mira e o outro de molenga. Vou mostar pra vocês quem é o molenga aqui!” Com isso, Ian segurou Brea para que pudesse levantar e saiu correndo atrás das crianças e de Lucy, de vez em quando agarrando um deles e fazendo cócegas ou os tacando na neve.
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Após a famosa ceia de Natal, Lucy separou com as crianças alguns biscoitos com um copo de leite para deixar pro Papai Noel ao lado da lareira e subiu para coloca-los na cama, como já havia passado da meia-noite, as crianças dormiram assim que tocaram a cama. Após uma se despedirem de todos os convidados, Lucy e Ian começaram a posicionar os presentes embaixo da árvore e a encher as meias penduradas na lareira, depois de encher as das crianças, Lucy deslizou um pequeno envelope na meia de Ian, seu objetivo era que ele não visse, mas não obteve muito sucesso. Ian andou até a meia dele, mas quando foi olhar dentro Lucy deu um tapa em sua mão. “OUTCH!” exclamou ele, “Amanhã Harding!” Ian bufou e pegou um dos biscoitos que as crianças tinham deixado enfiando tudo na boca, enquanto ainda mastigava andou até a meia da Lucy e botou um embrulho, não muito grande, não muito pequeno, lá dentro. “Mais?” perguntou Lucy balançando o dedo anelar “Nunca é demais quando estamos falando sobre você.” Lucy deu um sorrisinho tímido “Pelo menos desse eu sei que você gostou.” Disse Ian pegando sua mão “Eu odiei pra ser honesta, só estou usando pra não de magoar.” Ian deu uma gargalhada “É, eu sei que você me odeia.” “E como...” disse Lucy se aproximando de sua meia tentando espiar lá dentro, mas Ian foi mais ágil e a puxou “Amanhã, Hale, amanhã!” disse ele antes que seus lábios se tocassem. As mãos de Ian deslizaram até a barra da blusa de Lucy, mas ela o parou. “Ian, é Natal e, além disso, as crianças estão lá encima.” “Isso nunca te impediu antes.” Retrucou Ian, sorrindo entre os beijos. Lucy se afastou do beijo para poder dar um soco no ombro dele e se virou para pegar o último biscoito no prato, Ian passou o braço em volta da sua cintura e sussurrou um ‘eu te amo’ em seu ouvido. Ela virou e deu um selinho nele “Vamos, vamos pra cama. Amanhã vai ser um longo dia.” “Tá!” respondeu Ian debochado.
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No dia seguinte as crianças desceram as escadas correndo com Lucy e Ian atrás gritando para tomarem cuidado, a melhor coisa foi ver os olhinhos deles brilhando ao ver todos os presentes em baixo da árvore. Jonathan ganhou um novo jogo pro Xbox, um skate, algumas roupas e uma bicicleta; Brea ganhou um patinete, roupas, uma bicicleta e uma boneca que engatinhava (que ela, particularmente, amou mais do que qualquer outro presente), e para a surpresa de Lucy e de Ian, havia ali dois presentes pra cada. “Você comprou isso?” sussurrou Ian pra Lucy que negou com a cabeça “Hey amores, o que é isso?” perguntou Lucy chamando a atenção dos filhos, Brea e Jonathan trocaram um sorrisinho travesso “Abre!!” falou Jonathan. O primeiro presente era uma pulseira, a de Lucy era rosa e roxa e a de Ian, marrom; o segundo era uma blusa com a marca da mão de cada um e abaixo um ‘i love you’ escrito provavelmente por Jonathan, na escola. Os olhos de Lucy se encheram de lágrima, ela puxou os filhos e agarrou eles em um abraço de urso e Ian fez a mesma coisa depois. “Gostou?” perguntou Jonathan, “Eu amei meu amor, melhor presente do mundo!” disse Lucy fazendo cosquinha na barriga dele. “E você papai?” perguntou Brea agarrada no pescoço do pai “Eu? Fala sério, olha só pra isso, é a terceira coisa mais linda que eu já vi na vida!” respondeu Ian, “Terceira?” perguntou Jonathan sentando no colo da mãe. “Yup, as primeiras tão bem aqui.” Disse ele olhando pros filhos, Brea enterrou a cabeça no colo dele, apertando-o ainda mais. “E a segunda... Bom também tá bem aqui.” Lucy, sem saber o porquê, sentiu seu rosto ferver “Haha a mamãe tá vermelha!” disse Jonathan caindo na gargalhada, Lucy começou a rir e bagunçou seus cabelos “Palhacinho!” disse ela dando um beijo na sua bochecha. “Agora, espera ai que eu tenho que falar uma coisa com o pai de vocês.” Disse Lucy se levantando e estendendo a mãe para Ian “Eca, vocês vão se beijar?” perguntou Jonathan se tacando no sofá e ligando Xbox “Não. E eu vou me lembrar disso quando você fizer dezoito anos!” brincou Ian enquanto botava Brea ao lado de Jonathan “Deixa sua irmã jogar também hein!” disse Lucy apontando pro Xbox enquanto puxava Ian para perto da lareira “Mas ela não vai saber jogar, esse jogo é pra gente grande!” Lucy e Ian gargalharam com esse comentário “É, mas gente grande ajuda os menores.” Rebateu Ian com aquele olhar de pai. “Tá bom, vem cá B”.
Lucy olhou pra trás pra ter certeza que estava em uma posição que estivesse fora da audição das crianças, mas que ao mesmo tempo eles estivessem em seu campo de visão. “Hora da minha meia?” perguntou Ian quase tão animado quando as crianças descendo as escadas. Lucy assentiu com a cabeça e entregou a meia a ele, seu rosto exibia um ar de ansiedade, preocupação, nervosismo, felicidade, tudo ao mesmo tempo, percebeu Ian. Sim, ele a conhecia assim tão bem. Dentro da meia havia um pequeno envelope branco sem nada escrito, a ansiedade estava começando a consumir Ian. Quando finalmente o abriu mal podia acreditar no que estava lendo, sentiu seus olhos arderem com as primeiras lágrimas se formando “Você...” Ian não conseguiu terminar a frase, ele olhava pro papel com um sorriso bobo na cara, um sorriso que ele só dava pra duas pessoas nesse mundo, e que agora daria para três. “Sim, eu estou grávida.” Falou Lucy agarrando o pescoço dele e ficando na pontinha do pé para que sua boca pudesse alcançar a dele. Ian estendeu o braço tentando alcançar a meia de Lucy sem que precisasse interromper o beijo, o que obviamente não deu certo e que quase resultou com o dois caindo de bunda no chão, Lucy começou a rir e eles foram obrigados a se separar. “Bom, eu mandei fazer isso pra você” disse Ian pegando um cordão que estava dentro da caixinha que Ian havia colocado na meia na noite anterior. “Mas eu acho que vou ter que mandar fazer mais um.” No cordão havia dois pingentes, um de uma menininha e um de um menininho. “Bom, enquanto ainda não tivermos o sexo, é melhor não arriscar. Lembra o que aconteceu na última vez não é?” disse Lucy sorrindo pro marido que balançou a cabeça tentando afastar a lembrança de todas as roupinhas rosa que comprou quando Lucy ficou gravida de Jonathan, porque de acordo com ele, eles iam ter sim uma menina. Bom, eles tiveram, só que dois anos depois.
Depois de voltarem pra sala e se juntarem as crianças, Ian colocou o cordão em Lucy e a abraçou por trás. “Feliz Natal, meu amor!” disse ele no ouvido dela. “Feliz Natal!”
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