Feelings Are Fatal
1 U: keepin' my feelings hidden
Notas iniciais
yey! 2/2 do Pride ♥
eu e Louis Weasley temos uma ótima história: lá em 2014, ele foi o primeiro que eu postei uma one sobre (no meu claraverse da next gen hahaha) e assim, não era lá a melhor coisa do mundo rs.
essa fic é especialmente dedicada a menina que me chamou a atenção pelo Louis ser muito estereotipado e que me fez querer reescrever. linda se você estiver lendo isso, muito obrigada e eu disse que ia postar de novo, só não disse quando hahaha.
enfim, aqui está! Louis Weasley em toda sua glória e gay panic!
espero que gostem ♥
ps: playlist da fic encurtador.com.br/pzD06
Ele sempre foi péssimo em expressar o que estava sentindo.
Ou lidar com o que estava sentindo.
Louis sempre achou que a vida seria muito mais fácil se pudesse desligar todas suas emoções. Então por muitos anos ele agiu como se nada o abalasse. Não demonstrou que ficou muito chateado quando Dominique “sem querer” tacou fogo em seu ursinho favorito. Nunca manifestou todas as vezes que queria morrer quando o obrigavam a falar em público. E transparecer que entrava em pânico toda vez que seus supostos amigos faziam piadas que ele era gay? Nunca.
Um dos sentimentos que ele mais sentia vontade de abrir o próprio peito, pegar uma pá e enterrar bem fundo era a sensação de gostar de alguém.
O primeiro deles foi Teddy Lupin. Não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas o Louis de 7 anos sonhava com Teddy todos os dias. Chorou por horas depois que Victoire contou que os dois estavam namorando e pobre Fleur ficou o tempo inteiro tentando entender de onde vinham as lágrimas do filho naquele dia.
O segundo foi Johnny Longbottom. Gostava dele por ser um dos garotos mais gentis que Louis já conheceu, mas sabia que nada iria acontecer por Johnny ser hétero e pela existência de uma eterna tensão sexual entre ele e a irmã mais velha de Louis, Dominique.
O terceiro foi num momento que ele acreditava ter sido um paradoxo, quando passou metade do terceiro ano meio afim de seu melhor amigo. Ele e Matthew Cook ficaram amigos logo na seleção das casas, quando Louis se sentou do lado do menino na mesa da Corvinal. Na verdade, só realmente se tornaram amigos por Matty ter insistido muito, já que Louis era sempre muito quieto. O amigo sempre fora muito bonito e chamava a atenção de todos, mas só correspondia os sentimentos das meninas. Matty nunca soube desse período em que Louis fora a fim dele e pelo bem da amizade deles, Weasley ia fazer questão de ele nunca descobrir isso.
Pelo menos não passou por isso com o resto de seu grupo de amigos. Timothy Corner, com sua pose de bad boy que fazia Louis rir de tão tonto que ele parecia e Arthur Boot, com sua inabilidade de se comunicar com o sexo oposto não eram nenhum atrativo para Louis Weasley, mas pelo menos eram bons amigos.
Infelizmente, nenhum deles entendia a suposta “falta” de atração de Louis por meninas, apesar de ele sempre tentar fazer parecer que gostava das mesmas garotas que os amigos. Nessa pressão que colocava sobre si mesmo, acabou dando seu primeiro beijo com uma de suas colegas de ano quando tinha 14 anos. Ela ficou um pouco obcecada por ele e Louis só fugia dela. Arthur era o que mais ficava indignado com a situação, já que Michelle Shelby era uma das garotas mais bonitas do ano de acordo com ele. Louis realmente se sentia mal porque gostava da garota, só não tinha atração por ela.
Não se sentia atraído por nenhuma menina e isso o matava por dentro.
A cada momento que percebia sentimentos por um garoto, ele só queria sumir. Morria de medo do que as pessoas iriam achar. Tinha pesadelos sobre como seus pais iriam expulsá-lo de casa se descobrissem, como as pessoas iriam olhar para ele quando se assumisse e tantos mais cenários que deixavam Louis completamente maluco. Sofria por se odiar todos os dias de sua vida.
Mas se tinha alguém que Louis odiava mais que si mesmo, essa pessoa era Lysander Scamander. Odiava sua personalidade meio exótica, mas muito extrovertida. Odiava como ele começava a cantar absurdamente alto suas músicas favoritas enquanto os alunos descansavam em volta do lago, chamando (e querendo) toda a atenção para si. E mais do que tudo, odiava como Lysander não tinha medo de assumir quem era.
Ele tinha 14 anos quando assumiu para todo mundo que era bissexual. Hogwarts só falou sobre isso por quase um mês inteiro, porque não havia maior antro de fofoca do que um bando de jovens no mesmo espaço por tanto tempo. Claro que o assunto foi logo esquecido quando um casal foi pego transando no banheiro dos monitores, já que isso era muito mais interessante.
Lysander teve alguns relacionamentos bem comentados pelos alunos. Sabiam que ele tinha namorado Theresa Reid por um tempo durante o quinto ano e rolaram boatos pela escola que ele e Ronan Thomas-Finnigan estavam se pegando, mas nada confirmado. O rumor sobre Lysander e Ronan não incomodou Louis, mas mesmo sabendo que Theresa era um anjo de pessoa, às vezes ele queria que ela estivesse morta.
Todas as ações de Lysander para “chamar” atenção deixavam Louis extremamente irritado. Lembrasse de uma vez no quinto ano quando alguns alunos passavam o tempo no Salão Principal. Louis estava lá com Matty, os dois num jogo intenso de xadrez bruxo. Lysander também, com suas amigas Lottie e Effy. As duas passavam glitter nos olhos dele e os três riam exageradamente alto. Louis bufou e reclamou para o amigo:
— Ele sempre precisa ser tão gay?
Matty franziu o cenho, encarando Louis:
— Que?
— Não ‘tá ouvindo? É super gay – Louis gesticulou em direção a Lysander.
Matthew olhou por cima do ombro. Depois voltou para o amigo, incrédulo:
— O que há com você e esses seus comentários homofóbicos? Deixa ele em paz, cara.
Louis fechou o rosto pelo restante da tarde.
Para sua tristeza, eles participavam juntos do Clube do Slug. Os dois pelo parentesco que tinham, mas Louis também por sua habilidade em Feitiços e Lysander por ser o melhor aluno da Sonserina em Poções. Eles apenas conviveram em todas as reuniões durante o quarto ano de Louis, mas foi no quinto que ele começou a notar os olhares direcionados a si.
Lysander era bem direto quando estava interessado em alguma coisa. Louis percebeu todas as vezes durante os jantares em que Lysander encarava-o descaradamente e sempre desviava o olhar. A primeira interação entre eles foi provavelmente a mais marcante. Louis foi em direção a mesa bebidas antes do jantar começar e lá estava Lysander. Weasley parou do lado dele, esperando para poder pegar a água depois do outro.
Mas Lysander apenas continuou num ciclo de encher seu copo, beber até acabar e encher o copo de novo, até que a jarra estivesse completamente vazia. Louis o encarava completamente confuso e quando Lysander notou a presença do outro apenas deu um sorriso malicioso antes de perguntar:
— Desculpa, você queria um pouco? – Louis abriu a boca, mas nada saiu dela. O mais velho estendeu a mão para ele – Lysander.
Louis relutantemente apertou a mão dele, murmurando seu nome. Lysander sorriu novamente, se inclinando um pouco para falar:
— A gente se vê por aí.
A raiva que sentia por Lysander foi se esvaindo a cada interação que eles tinham. Louis acabava ficando encantado com o carisma do outro e toda a raiva foi passada para si mesmo por se sentir assim. Queria começar a ignorar Lysander e fingir que nada estava acontecendo em sua cabeça, mas simplesmente não conseguia. Na festa de Natal do clube, um pouco antes do feriado de verdade, os dois foram sozinhos.
Louis passou um tempo da festa conversando com sua prima Roxanne e suas amigas, enquanto no canto do olho observava Lysander interagir com seus amigos da Sonserina. Em um momento em que tentava decidir o que ia comer, Louis sentiu uma respiração atrás de si:
— Isso aqui está meio chato. Quer dar uma volta?
Os dois saíram da festa para o silêncio confortante dos corredores de Hogwarts. Eles caminhavam pelas masmorras, os rostos iluminados pela água do Lago Negro que refletia pelas janelas.
— Sabe – Lysander começou a falar – as vezes, quando estou andando por esses corredores, gosto de fingir que estou debaixo d’água. Porque, tecnicamente, é onde estamos.
Louis fingiu levemente estar nadando, arrancando uma risadinha nasalada de Lysander. Ele, que estava um pouco mais a frente, parou de andar e ficou de frente a Louis.
— Isso quer dizer que a gente não deveria estar respirando agora. Eu aposto que consigo segurar minha respiração por mais tempo que você.
Os dois encheram as bocas de ar e ficaram se encarando enquanto seguravam a respiração. Lysander se aproximou, seu corpo bem perto do de Louis que ameaçou ir mais para frente tentando assustar o outro.
Lysander então inclinou a cabeça para baixo e juntou brevemente seus lábios no de Louis. Isso fez com que ele soltasse a respiração sendo seguido de Scamander.
— Ganhei – Lysander sorriu.
— Você trapaceou, isso sim! – Louis retrucou. Aparentemente, ter perdido era muito mais importante do que o fato de que tinha sido beijado por um garoto pela primeira vez. Na verdade, não importava. Porque era Lysander e fazia todo o sentido.
— Certo, revanche.
Os dois voltaram a segurar a respiração. Dessa vez, seus rostos estavam bem pertinho um do outro. Louis conseguia ver os cílios longos e elegantes de Lysander, além dos pontinhos verdes no meio de seus olhos azuis. E então, nada foi mais óbvio de que ele deveria colocar a mão no pescoço de Lysander e puxá-lo para um beijo.
Ficou angustiado por ter amado cada segundo. Por ter ficado inebriado pelo cheiro do perfume de Lysander, por achar os lábios deles macios e por desejar que ele nunca o soltasse. Depois desse dia, se encontravam quase toda noite depois do toque de recolher. Na volta do trem para casa no feriado de Natal, Louis puxou Lysander para dentro dos banheiros, sem nem prestar atenção em qual estava entrando.
Seu casaco já tinha ido para no chão e o cabelo de Lysander estava completamente fora do lugar quando a porta se ouviu e eles só ouviram um:
— Opa. Desculpa.
Parada na porta do banheiro, que aparentemente era o feminino, estava Dominique. Seu rosto havia assumido a mesma cor de seu cabelo e ela não sabia o que falar. Apenas murmurou palavras incompreensíveis e saiu dali. Louis começou a surtar, tentando vestir seu casaco rapidamente. Lysander só estava muito confuso, observando o outro desvairar.
Louis praticamente esqueceu da existência do garoto e saiu correndo atrás da irmã. Alcançou-a ainda no corredor, chamando seu nome. Dominique virou-se para ele, ainda meio nervosa, e começou a falar assim que o irmão chegou perto:
— Lou, desculpa mesmo ter atrapalhado, não era minha intenção-
— Você não vai contar para ninguém, vai?
Dominique foi pega de surpresa. Seu irmão parecia nervoso, os olhos se mexendo rapidamente. Ele a esperava responder, enquanto mexia o corpo de um lado para o outro não conseguindo ficar parado.
— Não... Não vou falar nada.
Louis suspirou, aliviado. Agradeceu a irmã e voltou para os banheiros, mas Lysander já não estava mais lá. Parou no meio do caminho para comprar doces da moça do carrinho, caso os amigos questionassem o sumiço dele.
O Natal na família Weasley era absurdamente caótico. Já era sempre cheio pela família em si, mas daí os primos resolviam trazer seus companheiros e ficava mais lotado ainda. Louis sempre acabava achando algum lugar para ficar sozinho, normalmente as escadas. Naquele Natal, sua prima Molly veio falar com ele.
Os dois não conversavam muito, por terem uma diferença grande de idade, apenas trocando algumas palavras toda vez que a prima havia ido em sua casa passar o tempo com Victoire. Ela era outra de quem Louis tinha inveja: se assumiu lésbica anos atrás, batendo de frente com o pai e seus comportamentos homofóbicos. Estava claramente nervosa, mas puxou assunto:
— Ei Louis, posso sentar aqui? – Ela questionou o primo.
— Claro.
Louis abriu espaço para Molly sentar-se ao seu lado. Ficaram em silêncio por um tempo, ela batucando os dedos nas coxas. Sem saber direito como começar, ela falou:
— Então... Dominique me disse sobre o que ela viu.
Ele arregalou os olhos, o coração batendo mais forte. Sabia que não devia ter confiado na irmã e uma mistura de raiva com nervosismo se apossou dele. Louis perguntou:
— Você não vai falar para ninguém, vai?
— Não! Nossa, nunca faria isso.
Ele soltou o ar, aliviado. Ficaram em silêncio de novo, os dois claramente nervosos e um tanto desconfortáveis.
— Tem algo rolando entre eu e o Lysander – Louis quebrou o silêncio, admitindo.
— Lysander, filho da Luna? Qual deles é ele mesmo?
— O de cabelo curto – Louis explicou – mas isso não quer dizer que eu seja gay gay.
Percebeu a confusão no olhar dela.
— Como assim?
— Você sabe, não vou ficar falando sobre chupar pau o tempo inteiro, ser fã de divas do pop, essas coisas. Não vou sair por aí com maquiagem e talvez vestido, sei lá, glamoroso só porque eu gosto do Lysander.
Molly parou por uns segundos. Louis conseguia ouvir a respiração pesada dela:
— Deixa eu te falar uma coisa sobre essas pessoas, Louis. São pessoas que saem por aí lutando pelos nossos direitos depois de passar por anos de abuso e ódio destilado a essa comunidade. E são assim não por quererem ser diferente do resto, mas porque elas preferem morrer a fingir ser quem elas não são.
Louis olhava para o colo, envergonhado.
— E eu acho que antes de você ter lutado essa batalha e ter a coragem de bater o pé e falar “esse sou eu”, você deveria tomar mais cuidado antes de sair se achando melhor do que o orgulho de ser quem é. Porque por mais que falem sobre a igualdade de amar, ser LGBT é... Existir.
Depois do discurso, ela levantou e foi se juntar a namorada na sala. Louis ficou ali na escada, sentindo o rosto esquentar. Sentia muita vergonha depois de Molly ter falado aquilo para ele. No fundo, sabia que ela estava certa, só não queria admitir. Também sentia muita raiva, tanto de si quanto de Dominique. Se ela não tivesse falado nada para Molly, ele não teria passado por aquilo.
Encontrou ela na cozinha de madrugada. Quando notou a presença do irmão, Dominique abriu um sorriso:
— Quer um chá? Estou fazendo aqui.
— Por que você contou para a Molly? – Ele questionou, extremamente sério. Dominique começou a gaguejar – eu pedi para você não contar para ninguém!
— Louis, eu sei, mas eu só estava querendo ajudar!
— Ajudar? Não é da sua conta. Como você se sentiria se eu tivesse saído por aí te chamado de puta por ter roubado Johnny de Marianne, que nem todo mundo fez?
Dominique ficou quieta. Louis conseguia ver o queixo dela tremendo, mas estava ainda com tanta raiva com não sentia culpa por ter dito aquilo. Antes de voltar para o quarto, deu um ultimato nela:
— Para de se meter onde não é chamada.
Ele e Lysander voltaram a se encontrar depois que as aulas voltaram, mas ainda no sigilo, já que Louis fazia tanta questão. A constância dos encontros acabou diminuindo conforme o resto do ano passava: Lysander acabava sempre tendo desculpas para não ver Louis mais e isso o deixava cada vez mais irritado e frustrado.
A frustração foi aumentando que nem uma bola de neve, explodindo numa discussão com Timothy quando o amigo fez uma piada sem graça sobre o mau humor que Louis andava tendo. Quase começaram uma briga física se não fosse por Matty e Arthur segurando os dois.
Louis não falou com os amigos por uns dias, mesmo dividindo o quarto com eles. Só voltou a falar com Matty um dia quando ele tentou chamar a atenção de Lysander, que apenas olhou e ignorou-o. Louis sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos e saiu, indo sentar-se nos jardins. Uns minutos depois, Matthew apareceu e sentou do lado dele. Ficaram um silêncio, observando o lago.
— Sabe que eu ando meio estressado? – Louis não aguentava mais. Precisava contar para alguém.
Matty concordou, prestando bastante atenção no amigo. Louis limpou a garganta, antes de continuar:
— É por causa da pessoa que eu gosto.
— Quem é? É alguma garota que eu conheça?
Louis negou. Hora de verdade, sem deixar suas barreiras o atrapalharem mais. Como o amigo fosse reagir, ele estava preparado.
— Não... Na verdade, não é uma garota.
Matty mexia a cabeça em concordância, olhando para frente. Parecia estar assimilando a informação e Louis o encarava, ansioso.
— Sou eu?
Louis soltou uma risadinha, parte dele aliviado.
― Não! Você? Não, não.
— Como assim “não, não”? Eu sou assim tão feio? – Matthew perguntou, ofendido.
Louis continuou a rir, feliz pela única grande reação do melhor amigo ter sido aquela. Pegou um pedaço de grama, desfazendo-o aos poucos.
— É o Lysander.
— Scamander? Ele é bem bonito, apesar do irmão ser mais – A reação de Matthew estava sendo tão boa que Louis só queria rir, de nervosismo e alegria – mas e aí, o que ‘tá rolando entre vocês?
― Não sei muito bem. A gente estava num combinado de se encontrar em segredo, mas ele vem inventando desculpas para não me ver e me ignora por aí.
— Louis, por favor. Lembra ano passado, quando eu meio que estava namorando a Ruby, mas sem afirmar nada porque ‘tava meio confuso se queria um relacionamento ou não? E daí ela me deu um pé na bunda por isso? É exatamente a mesma coisa. Vai falar com ele, pede desculpas. E vê se melhora.
Só conseguiu falar com Lysander quando as aulas estavam acabando, pelos dois estarem atolados com as provas. Esperou por um momento que o menino estava sozinho e foi falar com ele. Lysander tentou inventar algo para ir embora, mas Louis insistiu.
— Lys... Queria te pedir desculpas. É que eu ainda não sei quem eu sou exatamente, ainda preciso resolver algumas coisas.
Lysander suspirou, tirando o cabelo dos olhos.
— Louis. Eu nunca vou forçar alguém a sair do armário antes do tempo, mas você tem que entender que eu não aguento ser tratado assim, como um segredo. Eu gosto de você e quero sair por aí de mãos dadas. Foda-se o que os outros acham, sabe? Mas não quero estar com alguém que, de certo modo, tem vergonha de mim. Então depois que você resolver o que tem que resolver, vem falar comigo.
Louis ficou com isso na cabeça as férias inteiras. Ficava trancado no quarto, repassando tudo repetidamente. Talvez realmente fosse o momento para assumir o que sentia. Parar de fugir dos próprios sentimentos, porque não eram coisas ruins. Fazia parte de quem ele era, parte de ser um ser humano. Já havia se assumido para o melhor amigo, agora era hora de contar para uma parte importante de sua vida.
Escolheu um dia em que a família inteira estava reunida n’A Toca. Era um almoço de comemoração do aniversário de Fred, que havia sido uns dias antes. Ficou nervoso o tempo inteiro, quase não tocando na comida. Quando todos tinham terminado e apenas estavam conversando na mesa, ele se levantou e pigarreou:
— Gente? Eu tenho uma coisa para contar – a família inteira agora focava nele. Louis respirou fundo, se preparando – Eu ando vivendo uma mentira. Minha vida inteira até agora foi baseada nisso, na verdade. Andei mentindo para todo mundo, mas principalmente para mim mesmo. Eu sei disso faz anos e sempre neguei por medo do que os outros iam pensar, mas não quero mais viver desse jeito. Eu sou gay.
A família continuou o olhando como se ele tivesse dito que era loiro. Louis ficou confuso pela falta de reação dos familiares e continuou lá em silêncio, esperando alguém falar alguma coisa. James foi o primeiro a se pronunciar:
— Tá bom.
— “Tá bom”? Como assim, “tá bom”? – Louis questionou, ainda não entendendo o que estava acontecendo.
Fred deu uma risada, se divertindo com a reação do primo:
— Você quer o que, um parabéns? Que, na verdade, não vou te dar, porque você está roubando o meu holofote. É minha comemoração de aniversário, esqueceu?
O resto da família começou a dar risadinhas graças a reação de Louis. Bill se levantou, colocando a mão no ombro do filho:
— Querido, a gente meio que já suspeitava.
— É sério? – Louis questionou, a voz falhando.
― Sim – Victoire completou o pai – Lou, você me disse uma vez que ia casar com o Teddy. E quando a gente brincava, eram sempre dois papais. Então, a gente só assumiu, mas ninguém tinha certeza então nunca falamos sobre.
— O que eles querem dizer – Fleur abraçou o filho – é que a gente te ama, não importa o que acontecer. Você vai sempre ser o nosso Louis.
Demorou um pouco para ele perceber que estava chorando. E que Dominique havia ido para perto dele e estava segurando sua mão. Passou tanto tempo assumindo o pior, quando na verdade ele era amado e respeitado. Parecia que todos aqueles sentimentos que guardou por todos os anos estavam vindo à tona, mas de uma maneira boa. Observou todos eles, a felicidade preenchendo seu peito. Agora só faltava uma coisa para resolver.
Mas sabia que ia ficar tudo bem.
Notas finais
espero que tenham gostado!
se quiserem ver os rostinhos dos meninos, aqui:
Louis: encurtador.com.br/hyAJU
Lysander: encurtador.com.br/doGIZ
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