Feelings

3 Sonhando


Notas iniciais
Queria agradecer a todos que comentaram, acompanharam e favoritaram até agora, muito obrigada e Feliz Ano Novo! Leitores fantasmas, apareçam!

Amanheceu e o sol entrou forte pela fresta da caverna semi-fechada por uma rocha. Levantei em um pulo ao perceber que estava com a cabeça no ombro de Hans, hesitei um pouco e cutuquei-o rapidamente.

– Soldado Hans. — Sempre nos tratávamos com formalidade — Rápido. Já amanheceu e eu quero chegar em Arendelle o mais rápido possível. Anna já deve estar desesperada a esta altura.

– Ah sim, Majestade. Vou pegar o cavalo. — Hans ainda estava sonolento.

Ele pegou o cavalo e nós partimos para Arendelle, chegamos tão rápido que parecia que tínhamos voado. Mas Hans disse-me mais tarde que havia demorado cerca de três horas, eu é que tinha dormido.

Dormido? Eu? Apoiada nele? O que estava acontecendo comigo afinal?
Mas mal sabia eu que aquilo ainda era só o começo...

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– Elsa!! Graças a Deus! Estava tão preocupada, nunca mais me assuste desse jeito! Você está bem? Fizeram algo com você? O que aconteceu?
– Calma, Anna. Uma pergunta de cada vez. Sim, estou bem. Não, não fizeram nada comigo. Houve uma avalanche e tivemos de sair dali o mais rápido possível, eu não tinha cavalo então fui junto com o Soldado Hans, o caminho estava bloqueado com árvores e neve por causa da avalanche, então tivemos que pegar um caminho mais longo, mas a nevasca estava muito forte e já estava escuro, então tivemos que passar a noite numa caverna. — expliquei e tomei ar.
– Caverna?! E não era perigoso?!
– Não, Anna. Está tudo bem agora, isso é o que importa.

Anna sorriu e me abraçou,e eu retribuí.
– Agora vamos tomar café Elsa,você deve estar faminta!

E eu de fato estava, não havia comido nada desde que sai de casa na tarde anterior. Tomei o café da manhã com Anna e depois fui fazer meus afazeres reais.

Depois de muitas horas, finalmente terminei e esfreguei os olhos, cansada. Resolvi que seria bom tomar um ar e saí para respirar lá fora.

Fui até o imenso pátio do castelo e virei-me para o mar. Aquilo me dava uma sensação boa, fechei os olhos e senti o vento no rosto. Fiquei ali por alguns segundos até ouvir passos. Tinha alguém vindo, e era justamente Hans, quem eu sempre evitava encontrar.
– Boa tarde, Majestade. Aproveitando um ventinho de inverno? — disse Hans com um sorrisinho.
– É. — Eu detestava como ele me tratava com tanta informalidade, como se fôssemos íntimos, coisa que eu não queria que acontecesse de jeito nenhum.
– Bem, eu estou apenas fazendo a ronda. Boa tarde. — Hans deve ter percebido que estava sendo inconveniente ou irritante, porque ficou com a expressão séria e seguiu em frente.

Mas como num impulso que não consegui controlar, eu segurei seu braço para que ele não se afastasse. Hans virou-se surpreso e eu mais ainda. Por que havia feito isso? Era como se não controlasse meus pensamentos, meus movimentos, como se não me controlasse.
– Sim?
– O-o... Pôr do sol! Isso! Está acontecendo agora, viu? — disse eu, orgulhosa de mim mesma por ter arrumado uma boa desculpa.
– É verdade, é lindo. — Eu e Hans nos viramos então para assistir o pôr do sol — Radiante, diferente, especial... Como você, Majestade. — E nisso eu olhei para ele um pouco surpresa, mas no fundo me sentia estranha, como se tivesse ganhado a melhor coisa do mundo, apenas porque ele me elogiou. Hans sentiu que era sua hora e despediu-se de mim, e seguiu fazendo a ronda.

Depois daquilo, fui para o meu quarto com a cabeça embaralhada de pensamentos incoerentes, e cenas de acontecimentos dos últimos meses não paravam de aparecer.
"O que está acontecendo comigo, afinal? Será que eu estou ficando doente?" — pensei, já me sentindo tonta. Resolvi descansar um pouco.
"Claro! Só pode ser isso! Estou muito cansada, viajei muito e não dormi direito, depois tive um monte de deveres para fazer, estou cansada, só isso." — pensei com um sorriso, e fui para o meu quarto dormir.

Mas isso não deu muito certo, em meus sonhos, estávamos eu e Hans assistindo aquele mesmo pôr do sol, eu peguei na sua mão e abri a boca para falar algo.

Mas eu não me permiti dizer nada. Acordei ofegante e suando. O que tudo aquilo queria me dizer? Antes não via com tanta clareza, mas agora... Estaria eu "atraída" por Hans? Não, não podia ser, não justo ele que deixou Anna para morrer e quase me decapitou. Não podia ser...

Levantei e fiquei andando de um lado para o outro do quarto, resolvi falar com Anna, mas quando estava na porta olhei pela fechadura e percebi que ela estava dormindo profundamente ao lado de Kristoff, e não quis lhe acordar. Os dois ficavam tão fofos juntos, me senti feliz pela minha irmã, e com uma pontinha de inveja também, talvez.

Já ia voltando para o meu quarto, um pouco desapontada por não poder falar com Anna, mas foi aí que dei de cara com Hans.
– Boa noite, Majestade. Algum problema? — Seu tom de voz primeiramente era calmo, mas depois pareceu mais preocupado, afinal não era normal eu perambular pelo castelo de madrugada sem nenhuma explicação.

Aliás, fiquei um pouco surpresa ao olhar no relógio e ver que já eram quase duas da manhã. Eu havia mesmo dormido esse tempo todo e sonhado só aquilo? De qualquer jeito, apenas respondi:
– Soldado Hans. Não, nenhum problema, apenas vim falar com Anna, mas eu fiquei com pena de acordá-la.
– Bem, devia ser um assunto um tanto importante para Vossa Majestade ter levantado de madrugada com tanta pressa de contá-la. Algum motivo especial? — disse Hans, acho que ele não pretendia ser intrometido, mas era isso que estava sendo no momento.
– Ahm, nada. Foi um sonho que eu tive e gostaria de contá-la. — Ficamos em silêncio por alguns segundos, Hans provavelmene estava esperando que eu o liberasse, mas eu não sabia por quê, não conseguia lhe dizer isso, queria ele ali.
– A senhora quer companhia de alguém? Talvez eu possa chamar uma dama de companhia...

Fiquei um pouco aborrecida por ele ter me chamado de "senhora", mas por quê? Todos os subordinados me chamavam de senhora e eu nunca me importei, por que com ele deveria ser diferente? E pensando nisso, fiquei um pouco desfocada e quando dei por mim, já havia lhe dito:
– Me chame de Elsa. — E ele tentou não parecer feliz,mas sorriu e respondeu:
– Só se você me chamar de Hans, não "Soldado Hans". — O jeito que ele falou foi engraçado, eu gostava disso nele, e dei risada. Me sentia bem com ele, não que eu me sentisse mal com outras pessoas, mas perto dele era diferente, me sentia... "Especial".
– Tudo bem, "Hans". Quer conversar?
– Claro, "Elsa". — Nós dois rimos.

Eu e ele fomos conversar no jardim, e o tempo passou tão rápido que quando vi já estava quase amanhecendo. E ele me trouxe de volta.
– Então bom resto de noite, Hans.
– Boa noite, Rainha Elsa. — Já estava me virando para a porta do meu quarto quando ele me chamou de novo — Espere! Ahm... nós, vamos conversar de novo?
– Claro. — disse eu com um sorriso. E depois disso ele acenou com a cabeça e foi embora. E eu me senti tão bem depois disso que dormi como um anjo. Não lembro com o que, mas sei que sonhei, e foi um sonho lindo.

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Notas finais
Obrigada por lerem e comentem! :)