Feelings
1 Capítulo único.
Notas iniciais
A mais pura verdade era que aquele maldito tirava toda a sua concentração. Apenas a presença daquela figura a fazia perder o rumo das coisas. Às vezes ela até se esquecia de quem era e de onde estava e qual era o seu papel. Ele só a tirava do sério. E a fazia perder todas as linhas de pensamento. E ela era apenas a chefe da polícia de Acropolis. E ele era o príncipe legítimo daquele lugar. Ela o detestava e ele a provocava. Por traz de tudo sempre havia uma verdade oculta que ninguém nunca saberia. Motivos que ainda ocultavam verdades muito maiores. E haviam acontecimentos do passado. Um passado que nunca era para ter acontecido. Algo que ela considerava inexistente, mas era tudo tão presente. Braz e Beros não existiam para coexistir em um mesmo castelo. O dever dele era cumprir suas funções dentro do castelo, com todo aquele sangue nobre correndo pelas veias. E o dever dela era cumprir suas funções fora do castelo, zelando pela segurança de quem vivia dentro dele.
E haveria momentos de fraqueza extrema em que ela deixaria visível um sorriso triste na face ao vê-lo passar. E ele vestiria um olhar distante pelo resto do dia. E ela só queria parar de pensar. Parar de imaginar. Parar de sofrer. Parar de sonhar. Ninguém nunca entenderia. Aquele trabalho era o seu orgulho. E enfrentá-lo todos os dias era o seu desafio constante. E em noites de solidão ele pensaria nela, e imaginaria o que ela estaria fazendo ou pensando. E em noites como essa ela se permitiria chorar e se perguntar o motivo de tantas coisas. E às vezes ela imaginaria como seria ser acolhida nos braços dele, apenas uma única vez. Talvez assim ela ficasse em paz e pudesse viver sem arrependimentos. Mas Braz não era para ela. Melhor dizer que ela não era para Braz.
E ele sabia que aquele sentimento no peito dizia que ela não estava bem. Então ele se omitia, se calava e assim prevenia que estragasse tudo de vez. Mas ele deixaria tudo para trás se ela assim desejasse dele. Ele seria o homem dela, e apenas dela se assim ela pedisse. Ele queria estar nos braços dela, e apenas a ela caberia a função de cuidar daquele coração e de carregar aquele sangue. Ela só precisava pedir. Dela ele queria o abraço, o carinho, o aconchego, o calor. Ele queria a companhia. Ele a queria. E ele seria para ela tudo o que ela pedisse. Era só dizer.
E já que ela não pedia, ele se ofereceria. E que mal faria?
Nenhum.
E de repente ela se viu sendo chamada de Lady.
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