Fecho Os Meus Olhos E Ouço A Sua Voz

4 Um golpe do destino: que o amor verdadeiro aguenta


Notas iniciais
Como recebi algumas reviews me pedindo o quarto capítulo, não resisti, e aqui está ele. Esse capítulo elimina o suspense, e fica fofo e romântico.

Com muito esforço, minha voz saiu. Fraca, mas saiu.

– Demétrius?

– Julie – ele disse. – Você conhece as regras espectrais?

– N-n-ão. – gaguejei, ainda assustada. Não conseguia nem pensar, as palavras simplesmente saíam.

– Pois a regra mais importante de todas é a proibição da interação de fantasmas com seres humanos vivos.

Suspirei, desejando mentalmente que ele não fizesse nenhum mal ao Daniel.

– Então, Julie. Fantasmas não podem interagir com pessoas vivas. Muito menos namorá-las. – ele disse, irritado. Seu olhar tenebroso se direcionava a mim. Eu tentava desviar, mas a essa altura, eu mal conseguia ter controle sobre meu próprio corpo.

– Mas eu não estou namorando o Daniel.

–Como não?

– Sei lá, só estávamos ficando. – disse, lembrando de que Daniel não me pedira em namoro.

– Como “ficando”?

Só então me lembrei de que o Demétrius deve ter morrido há muito tempo, e não estava adepto às gírias.

– Ele apenas me “cortejou”. – tentei usar uma expressão antiga, para facilitar sua compreensão.

– Não importa. Saiba que posso fazer coisas horríveis com o Daniel, se vocês não pararem de interagir.

– T-t-á. – eu me senti ameaçada e tive dificuldades em falar corretamente. Olhei para o lado, evitando seus olhos mortos.

Quando me virei novamente para olhá-lo, percebi que ele desaparecera.

Ao sentir um vento gelado, tremi. Checando o relógio novamente, eram 4:20. Os cinco piores minutos da minha vida.

Ao ver que eu não conseguiria dormir novamente, resolvi chamar pela única pessoa que me faria sentir segura. Descalça, desci as escadas, iluminando o ambiente com a ajuda do celular.

Ao abrir a porta da edícula, chamei, quase que num sussurro.

– Daniel?

Ele aparece, sonolento.

– O que é? – ele quase grita, de tão mal humorado.

– Sou eu. – disse. – Julie.

– Ah, oi Julie. – ele diz, mais calmo.

– Tive um pesadelo. – me senti uma criança ao dizer isso. – Posso dormir aí com você?

– Vem cá. – ele chama, gesticulando.

Vou até ele, me deito, encosto a cabeça em seu peito e ele me abraça.

Tão logo durmo, mas dessa vez sem sonhar.

Ao acordar de manhã, tudo era paz. Meu pai sai bem cedinho pra resolver umas coisas e pagar umas contas, e me deixa dormindo sozinha em casa. Sozinha não. Com meus fantasmas.

Abri lentamente os olhos e recordei que dormira abraçada ao Daniel. Eu não queria que aquilo parasse, então resolvi fingir que estava dormindo.

Porém, bem nesse momento, Martin e Félix acordam e me veem de olhos abertos. Mesmo quando os fechei rapidamente, eles sabiam que eu já havia acordado.

Quando Daniel estreita seu abraço, eu percebo que ele também já acordou.

– Ui – diz Martin, zoando. – A noite foi boa, né Daniel?

– O ronco de trator dela nem te incomodou? – diz Félix, lembrando-se do que Daniel dissera anteriormente.

– Não encham. – ele diz, quase gritando.

– Ei! Não grita no meu ouvido! – reclamo.

– Desculpa, meu amor. – ele me beija na testa.

– Nossa! – brinca Martin. – “Meu amor”? Pelo jeito a noite foi boa mesmo!

Respondi a ele mostrando a língua, e olho para Daniel.

– Bom dia.

– Bom dia, linda. – ele responde todo fofo. Dou-lhe um selinho e me levanto.

– Bom, vamos acordando, gente! Hoje o dia não vai ser muito movimentado, mas não quero ninguém dormindo.

– Julie – me chama Félix. – Eu e o Martin vamos dar uma volta, tá?

– Tá, vão lá. – e desaparecem, deixando à mim e Daniel sozinhos na edícula.

Daniel se levanta e se espreguiça.

– Enfim sós.

Apesar de estarmos sozinhos, ainda não me senti à vontade para contar sobre a aparição do Demétrius. Apenas fiz uma pergunta discreta.

– Daniel, e se o Demétrius descobrir o nosso namoro e resolver te fazer algum mal? — Estranhei aquela palavra. Namoro. O Daniel nunca me pediu em namoro, e tão logo lembrei do que eu disse ao Demétrius.

– Julie. Relaxa. Pelo seu amor eu vou até o fim do mundo. – sorrio, mas ainda me sinto desconfortável com a hipótese.


P.O.V. Daniel.


Por mais que eu dissesse coisas lindas à Julie, ela simplesmente não se convencia de que eu estava disposto a lutar por ela. Decidi fazer um elogio, para tirar seus pensamentos do assunto.

– Você fica tão sexy com o cabelo bagunçado... – sei que é meio sem sentido, mas era apenas um anestésico para seus pensamentos ruins.


P.O.V. Julie (Esse é o POV que predomina na história, isso vocês já devem ter percebido).


Como resistir à um elogio desses? Realmente, não dá para ficar séria ou nervosa com o Daniel.


Notas finais
Fofo, né?
Me gusta #Juliel!
Como sempre, deixem reviews (quanto mais reviews, mais rápido eu posto a história), recomendem, divulguem, etc.
Beijo gente, se der eu posto o 5 ainda hoje!