Febre vermelha
1 Capítulo único
Título: Febre Vermelha
Kiko Loureiro raramente ficava doente. Mas quando ficava, parecia que a vida tinha decidido puni-lo por alguma coisa. Deitado na cama do hotel, enrolado no edredom como um burrito humano, ele gemia baixinho, o nariz completamente entupido e os olhos marejados pela febre.
Dave Mustaine, de pé ao lado da cama, segurava uma caneca de chá com uma expressão de pura frustração.
— Pelo amor de Deus, Kiko, é só um chá! Abre essa boca e bebe logo!
Kiko tentou responder, mas tudo o que saiu foi um grunhido rouco e incompreensível. Ele fez uma careta e virou o rosto, teimoso.
— Não quero... tá quente... — murmurou, parecendo uma criança emburrada.
Dave revirou os olhos e bufou.
— Eu não tenho paciência pra isso. Ou você bebe ou eu faço como com meu cachorro: enfio goela abaixo.
Kiko arregalou os olhos.
— Você tem um cachorro?
— Não, mas se tivesse, faria isso. Agora BEBE!
Derrotado e sem forças para discutir, Kiko pegou a caneca e tomou um gole hesitante. Fez uma careta, mas pelo menos não cuspiu na cara de Dave, o que já era um progresso.
Enquanto isso, do outro lado do quarto, Dirk e David observavam a cena com expressões de puro choque.
— Eu tô delirando ou o Dave tá cuidando do Kiko? — Dirk sussurrou, coçando a cabeça.
David Ellefson ajeitou os óculos e piscou algumas vezes, como se quisesse ter certeza de que não estava sonhando.
— Eu vi muita coisa nesse tempo de banda, mas isso... isso é nível "fim dos tempos".
— Será que ele tá envenenando o Kiko?
— Acho que não... Mas agora fiquei na dúvida.
Dave, que obviamente tinha ouvidos de águia, lançou um olhar mortal para os dois.
— Se vocês não saírem daqui agora, eu faço questão de dar trabalho extra pra vocês amanhã.
Dirk e David se entreolharam antes de sair o mais rápido possível, segurando o riso.
Assim que a porta se fechou, Dave voltou sua atenção para Kiko, que ainda estava meio grogue, mas agora com um sorrisinho debochado no rosto.
— Você gosta de mandar mesmo, hein, chefe?
Dave cruzou os braços e deu um sorrisinho perigoso.
— E você gosta de obedecer. Agora cala a boca e dorme.
Kiko riu baixinho antes de se afundar ainda mais no cobertor, finalmente cedendo ao sono.
Dave suspirou, passou a mão pelos cabelos e olhou para o brasileiro adormecido.
— Se esse idiota piorar, eu juro que jogo ele num hospital e sumo daqui.
Mas, claro, ele continuou ali, vigiando Kiko a noite toda.
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