Feared
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Annabeth entrou na sala de inglês. Terceiro horário. Depois era intervalo.
Como sempre, ela chegara pontualmente, diferente de muitos alunos que permaneciam no corredor até alguém expulsá-los de lá e manda-los para a sala de aula.
Dez minutos depois do que seria o começo da aula, os outros foram chegando, inclusive a patricinha do dia anterior.
Ela e seus outros amigos falavam sem parar sobre algo que havia acontecido no corredor.
O professor, Sr. Blofis, observou tudo por mais 5 minutos até perder a paciência e mandar todos “por favor, calarem suas bocas, senão iria dar para eles um remedinho chamado advertência”.
Annabeth sempre respondia a maioria das perguntas do professor e todos a observavam, impressionados.
Depois de terminar a matéria e ver que havia sobrado tempo, ele liberou a conversa.
A patricinha, que se chamava Lola, logo voltou a falar com os outros sobre o incidente no corredor.
– Eu tô falando sério, gente! Eu tava passando no corredor com as meninas e eu vi exatamente isso!
Nessa hora até o professor parecia estar curioso. Sr. Blofis inclinava o pescoço e parecia interessado no que Lola falava.
– Explodiu o bebedor. Ele fez isso! Não é, Rebecca? Emma? Tracy?
Elas assentiram rapidamente.
Tracy acrescentou:
– Borrou até minha maquiagem! – disse num tom choroso e derrotado, como se ao invés de borrar a maquiagem, a explosão do bebedor tivesse quebrado sua perna.
Elas continuaram a falar, mas depois disso Annabeth não estava interessada na conversa.
Na verdade, ela observava o professor que estava com uma expressão magoada e revoltada, ainda concentrado na conversa, agora fingindo fazer anotações, como se soubesse de quem elas estavam falando.
O sinal toca. Intervalo.
Annabeth não sabia com quem se sentar. Ela pegou a comida e ficou vagando como quem não quer nada até uma menina com cabelos castanho claro, quase ruiva, aparecer.
– Eu te vi na sala de inglês, mas acho que você não me viu.
Annabeth deu um sorriso fraco.
– Annabeth, né? Eu me chamo Luma.
– Prazer, Luma. Você já sabe quem eu sou.
– Quer sentar comigo?
–Ahn... Claro.
As duas se encaminharam até uma mesa onde havia mais gente.
As pessoas lá eram legais. Haviam malucos, nerds e pessoas normais na medida possível, e todos foram legais com Annabeth.
Depois de uns dez minutos, Annabeth já tinha amigos.
Quase no final do intervalo todos se levantaram e foram bater um papo perto dos armários.
Annabeth ficou conversando com Luma sobre a escola.
No final de tudo a curiosidade venceu a loira e ela resolveu perguntar a Luma se ela sabia alguma coisa do incidente em que Lola falava.
Annabeth baixou a voz.
– Você sabe do que Lola estava falando?
Luma sorriu.
– Sabia que logo você ia perguntar. Ela e as amiguinhas dela estavam falando do incidente do bebedor no corredor.
– Percebi. Mas elas estavam falando de alguém também.
– Elas são cismadas com o coitado do Percy Jackson. Qualquer coisa nesta escola é culpa dele. Se daqui a um bilhão de anos o sol explodir e não for mais possível a vida na Terra, a culpa é dele.
– Mas por que elas achavam que foi ele que explodiu o bebedouro? O que ele fez de tão horrível?
– Vai ver nada, talvez ele só tenha nascido esquisito o suficiente para levar a culpa de tudo...
– Ele me pareceu normal.
– Ele parece normal, mas coisas esquisitas acontecem com ele e agora com a escola, desde que ele entrou no primeiro ano do ensino médio.
Quando Annabeth abriu a boca para perguntar mais alguma coisa o sinal toca.
– A gente se vê na próxima aula que tivermos juntas – diz Luma, se pondo a caminho da sala.
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Annabeth foi conferir o horário e se pôs a caminho da sala de matemática. Ainda teria o quarto, quinto sexto e por último sétimo horário, depois iria pra casa.
Ela entrou na sala e se sentou para esperar os dez minutos até os outros chegarem na sala e teve a surpresa de ver Percy lá. Aliás, ele era o primeiro a ter chegado e pelo que parecia, ela era a segunda.
Não havia ninguém para conversar e ela foi a primeira a falar:
– Você foi o primeiro a chegar, deve gostar de matemática...
– Na verdade eu odeio, principalmente álgebra.
Como ele pode não gostar? Matemática é uma matéria maravilhosa! Annabeth pensou.
– Como vai ter um futuro se não gosta de matemática, que é tão importante que é uma das únicas matérias obrigatórias?
Ele fez uma careta de desgosto e fingiu que não tinha ouvido por alguns segundos.
– É porque você gosta dessa droga. Porque diabos você a acha tão importante? De todos os assuntos que podia falar comigo você vem falar de matemática! – responde notavelmente aborrecido.
– Sem a matemática o que seria da arquitetura?
Ele olha para ela.
– Só porque você é nerd e gosta desse tipo de coisa clichê, não significa que eu tenho que ouvir sobre elas. – ele ri de alguma piada que só ele sabe – Parece até que é filha de...
Ele trava no meio da frase como se estivesse dizendo algo errado.
– Como se eu fosse filha de quem?
Ele se finge de desentendido novamente e permanece calado, como se de uma hora para outra, uma foto no caderno dele fosse a coisa mais bonita do mundo.
Annabeth repete:
– Filha de quem?
– Se continuar me aborrecendo eu vou ter que dizer que é filha da mãe.
Annabeth lança para ele um olhar ameaçador que o faz desviar os olhos e se focar novamente na foto do seu caderno.
A professora chega e começa a aula mesmo estando faltando alguns alunos, que chegaram 15 minutos depois.
Diferentemente de Annabeth, que prestava atenção na aula com afinco, Percy fazia algumas anotações que a professora havia mandado fazer e demonstrava um interesse anormal por qualquer coisa da sala de matemática, menos na matemática em questão.
No final da aula ele se levantou num pulo, jogou tudo dentro da bolsa e saiu correndo.
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