Fear the Monster
13 XIII
Notas iniciais
Já haviam se passado horas, e ele não retornara ao quarto.
Andara angustiado pela nave, imerso em seus pensamentos, sem nem ver aonde estava. Somente queria ficar sozinho. Não conseguia tirá-la da mente.
Todos já estavam saindo de seus postos, com exceção dos mais importantes, quando decidiu voltar. Estava na hora de encará-la nos olhos e tentar fazer com que ela aceitasse seu perdão. Não suportava ficar mais longe dela, seus sentimentos já estavam-no deixando doente. Já não conseguia sequer respirar sem pensar nela, sem desejar sua presença, sem querer tocá-la e permitir que tudo aquilo de bom que emana dela lhe dominasse.
Não conseguia mais viver sem Rey.
Alguns passos depois, lá estava ele, em frente à porta do quarto. Sentia o suor frio escorrer sobre sua pele e seu estomago se retorcer em ansiedade. Posicionou sua mão sobre a maçaneta, e pôde ver sua mão tremendo. Segurando o fôlego, puxou-a e abriu a porta, entrando no quarto.
Lá estava ela, sentada no chão, com a cabeça encostada na armação da cama, de costas para a entrada. Sentiu uma forte energia emanando dela, que se dissipou quando ouviu seu chamado:
— Rey.
Ela virou a cabeça somente o suficiente para vê-lo pela visão periférica, mas não respondeu. Ainda sentia a tristeza em seu coração.
— Acho que...
— Você não acha nada. – disse, levantando-se.
Ela o encarava nos olhos, e a raiva que aquele olhar transmitia lhe fazia sentir-se minúsculo.
— Eu sei que eu errei, eu não devia ter dito aquelas coisas...
— Ah, jura? – desde quando ela usava de sarcasmo?
Ela caminhou para longe dele, parando em frente à janela, de costas.
Aproximou-se lentamente dela.
Seus sentimentos gritavam para que a tocasse.
Ela voltou a olhar para aquele rosto marcado pela cicatriz que fizera. Sabia que fora Kylo Ren quem disse aquelas palavras e que Ben Solo estava ali agora. Conseguia sentir sua energia oscilando.
— Eu... – aos poucos foi traduzindo o que sentia em palavras. – Não quero que você vá..
— Mas eu vou. E tentar me intimidar só faz com que eu queira ir mais ainda.
— Eu não... – seu olhar implorava por piedade – Eu não consigo mais ficar longe de você... Eu não sei o que será de mim quando você for embora.
— Isso cabe a você decidir. – amansou seu tom de voz – Você não precisa me ver ir, se não quiser.
— O que quer dizer..?
— Ben.. – virou-se de frente para ele, olhando-o no fundo dos olhos. – Você pode escolher ir comigo, ou ficar. – sentiu quando suas palavras o fizeram arrepiar. – Sempre teve um lugar para você na luz.
— Eu não posso simplesmente largar tudo.
— Por que não?
— Porque eu tenho um papel a cumprir, eu sou leal à Primeira Ordem.
— Leal?! Você matou Snoke!
— Fala baixo! – repreendeu-a, cobrindo sua boca com as mãos.
Pôde sentir o medo dentro daquele coração impulsivo.
— Você tem medo que descubram... – afastou as mãos que cobriam seus lábios.
— Eu posso perder tudo que conquistei.
— E o que você conquistou? – Silêncio – Seu poder é seu. E o resto... O resto não te serve de nada. Todas as mortes, nações dizimadas, tiros e bombas... Tudo isso não lhe serve de nada. Você é forte, Ben, e vai continuar sendo tanto aqui como em outro lugar.
— Aqui as pessoas me respeitam.
— As pessoas tem medo de você, não respeito. Na menor fraqueza, vão te massacrar. Hux é um exemplo.
Uma corrente correu sua espinha. Sabia que ela estava certa, só não queria admitir.
— Se você está cercado de cobras, por que continuar aqui..? – tocou seu rosto enquanto falava.
Ele a olhava, com tristeza no olhar. Sentia seus sentimentos o apunhalarem: o quanto queria ir, mas o quanto queria ficar. O poder que tinha sobre os outros, não importando como, era viciante. A chance de dominar a galáxia também lhe fascinava, mas sabia que se abdicasse da Primeira Ordem por Rey, isso nunca aconteceria.
— Ben... O que você sente por mim?
Prendeu a respiração por alguns segundos. O choque daquela pergunta o havia deixado tonto. Sabia que sentia algo por ela, mas não como expressar em palavras, ou ainda como fazê-la saber.
Era algo quente.
Ora era fogo em combustão desenfreada, consumindo tudo que via, voraz, furioso, ardente, ora era como um raio de sol em contato com a pele, numa manhã fria, confortável, puro, simples.
Se pudesse, seriam só ele e ela na galáxia toda.
Lentamente, encostou sua testa na dela, fechando seus olhos. Colocou suas mãos em seus ombros, enquanto colhia ar para suas próximas palavras:
— Eu.. não vivo... mais sem você. — Ela ergueu seu olhar em direção a ele. – Eu sou seu.
Aquelas palavras invadiram sua mente, arrepiando sua pele e fazendo seu sangue ferver em suas bochechas. Fechou os olhos e soltou um suspiro ao sentir seus rostos se tocarem, quando ele apoiou seu queixo em seu ombro.
Ambos estavam ofegantes.
Tendo ela tão perto de si, atreveu a se sufocar em seu perfume, respirando sobre aquela pele tão macia quanto uma flor, fazendo-a contorcer-se. Logo, aproximou-se mais, tocando seu pescoço com os lábios. Como reação, ela colocou suas mãos em seu peito, apertando sua roupa. Suavemente, desceu uma de suas mãos até a cintura daquela que era seu mais puro vício, envolvendo seu corpo com o braço, e puxando-a para si. Com a outra mão, foi até sua nuca. Conseguia sentir seu medo, sua insegurança, e sua excitação com aquele momento. Sentia o mesmo. Nenhum dos dois havia passado por algo similar, mas ambos tinham os mesmos desejos.
— Diga... – conseguia ler sua mente. – Eu consigo ouvir você pedindo...
— Ben... – ele abriu os olhos lentamente só para vê-la pronunciar. – Me beije...
Sem hesitar, juntou seus lábios em um beijo apaixonado. Seu corpo enrijeceu-se ao senti-la amolecer, se entregando aos poucos. Monstro e príncipe não mais lutavam dentro de si. Quanto àquele momento, havia consenso: ambos queriam tudo que poderia acontecer ali. Ambos a desejavam.
O beijo tornou-se voraz, e suas línguas se tocavam. Suas mãos, em contato com aquele corpo delicado e inocente, o apertavam, sempre ansiosas pelo próximo passo. Suas mentes começaram a se interligar, de modo que um ouvia os gritos internos do outro. Aquelas mãos delicadas em seu peito subiram, deslizando por seu pescoço, até chegarem em sua nuca, e segurarem seu cabelo com força.
Aos poucos, os dois corpos foram escorregando pela parede da janela, indo de encontro ao chão. Ainda com seus lábios unidos, teve a audácia de descer suas mãos para as pernas dela e as envolver em seu quadril. Ela soltou um suspiro, abafado pelos beijos. Ele a pressionava contra a parede, tornando-se mais furioso, ao mesmo tempo em que sua paixão por ela exalava por todo o seu corpo, fazendo-o suar. Ela não sabia o que fazer além de deixa-lo guiar a situação. A cada beijo, a cada toque, podia ver a luz dentro dele, ardendo como uma floresta inteira em chamas.
Sentiu aquelas luvas de couro deslizarem.
Abriu os olhos, envergonhada, sentindo suas bochechas queimarem.
Ele a ergueu, segurando-a por trás. Para não cair, segurou firme em seu pescoço.
Ambos se olhavam. O olhar dela transparecia sua timidez, sua falta de conhecimento sobre o mundo, que, de um dia para o outro, passou a explorar tão rapidamente, enquanto o dele só a olhava. Estava vazio, mas focado e compenetrado. Sentia seu peito subir e descer com o calor. Ela conseguia ver a si mesma naquela mente vazia. Ele a colocara como sua rainha, ao mesmo tempo que ansiava-a como presa.
Com seus olhares ainda fixos, ele a colocou na cama, e voltou a beijá-la. Suas mãos o apoiavam na cama, e suas pernas prendiam aquele corpo delicado embaixo de si. Ela colocara suas mãos no rosto acima do seu, que fervia. Permitiu que seu corpo se contorcesse a cada beijo, e sentia o quanto ele gostava disso.
Reduzindo sua resistência a zero, entregou-se a ele, por fim unindo suas mentes e corpos em um só. A última vez que isso acontecera fora quando lutaram contra os soldados de Snoke. A mesma sincronia, a mesma euforia, mas em situações diferentes.
Sentindo toda aquela euforia tomar conta de si, parou um breve momento parar tirar suas luvas, jogando-as longe. Olharam-se. Estavam suados, com seus cabelos bagunçados, e vermelhos feito brasa, tanto por vergonha quanto por prazer. Tremiam, nervosos e excitados. Ele a olhava por cima, e ela sentia-se prazerosamente intimidada por ele.
Suas mentes ordenavam a mesma coisa, juntas.
Ele, maliciosamente, permitiu que um sorriso escapasse pelo canto de seus lábios.
Tiraram suas roupas.
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