Fear | jjk + pjm
1 Único
Por trás de todo sorriso sempre pode existir uma pessoa infeliz; por trás de uma pessoa que dá risada de tudo, pode haver alguém cheio de problemas; por trás de uma conversa de horas, pode ter um alguém que precisava mesmo era estar em seu canto, sozinho e em silêncio.
Park Jimin era considerado estranho por todos em sua volta. Jimin tinha uma estranha fobia: ele tinha medo de falar com as pessoas, quaisquer fossem elas. Contudo, ele tinha um talento nato para compor canções e tocar piano, algo que ninguém sabia dentro da universidade em que estudava.
O Park cursava Engenharia Civil, mas não tinha vocação para tal e isso era notável para todos — exceto seus pais, que pensavam estar realizando o sonho do filho.
Todos lhe julgavam, chamavam-no de apelidos ridículos e hostis, lhe tratavam como se ele fosse inferior somente por não gostar de misturar-se com os outros, dialogar ou qualquer coisa assim. Jimin não era tão diferente assim, ele apenas apreciava o silêncio e também a solidão.
Nos intervalos ficava na sala de música, tocando piano e compondo canções que talvez jamais fosse mostrar a alguém.
O único problema é que naquela semana já não tocava com a mesma empolgação de normalmente. Sentia que comunicava-se com o mundo através das teclas que dedilhava no piano, contudo agora o som parecia apenas um barulho qualquer e não seu mais sincero desabafo.
Havia perdido seu caderno de composições e isso tinha lhe trazido a imensa sensação de mudez. Era como se não pudesse se comunicar, porque seu meio de o fazer havia ficado para trás.
Era como se saísse de casa sem vestir roupa alguma.
Sabia que podia escrever em qualquer papel que encontrasse em sua frente ou até mesmo em seu celular, mas nada poderia trazer de volta todas as músicas que havia perdido por mero descuido de sua parte. Quase chorou ao notar que seu caderno havia sumido, mas agora nada podia fazer.
Naquele começo de tarde mais uma vez estava fechado em seu próprio mundinho, passeando com seus dedos pelo grande piano, tentando fazer com que algo tivesse sentido no dia cinzento, mas tudo que conseguiu foi ter mais dúvidas martelando em sua mente. Não se entendia e as consultas que tinha duas vezes por semana com uma psicóloga apenas o confundiam ainda mais.
Odiava que seus pais lhe chamassem de problemático, mas também se via cheio de problemas. Não é como se não quisesse conversar com outra pessoa, somente se via tendo muito medo de interagir e ser julgado de alguma forma. Era como se estivesse deslocado de tudo em sua volta, como a peça de um quebra-cabeça que foi cortada errada e não foi feita para se encaixar em nenhuma outra.
E estava tão concentrado em fugir por alguns instantes de suas confusões, que assustou-se quando uma outra presença foi notada por si dentro daquela sala grande e cheia de instrumentos. Olhou por cima do ombro, encontrando Jeon Jungkook, um exemplar aluno que cursava Música.
— Não queria assustá-lo. — Proferiu o Jeon sorrindo, acabando por exibir as marquinhas em torno dos seus olhos.
Jimin já tinha visto o mais novo pelos corredores e sabia a quantidade de admiradores que ele tinha. Ele era mesmo admirável, isso não impressionava tanto assim o Park. Apesar da popularidade, Jungkook não era como nos filmes em que os mais populares tratavam mal ou fingiam não saber da existência de quem não se juntava a eles.
Não, o Jeon era muito simpático, demonstrava preocupação sempre que alguém lhe procurava querendo desabafar, era um ótimo ouvinte e sempre tentava ajudar a todo mundo. Era quase conhecido como o psicólogo da universidade e saber que ajudava ao menos um pouquinho as outras pessoas, seu coração se tranquilizava e um calor gostoso tomava conta de seu peito.
Não fazia isso para se aparecer, claro que não, fazia porque gostava. Estudava música não somente porque amava compor e arriscar alguns raps, como também por saber o quanto a música é capaz de salvar vidas, tendo em vista que salvara a sua. Assim como Jimin, Jungkook também tinha problemas em sua vida, a música acabou sendo um refúgio para toda sua frustração.
— Você toca muito bem. — Elogiou Jungkook, apontando para o piano, onde as mãos de Jimin ainda repousavam. — E compõe melhor ainda.
Jimin teria questionado como o mais alto sabia dessa informação, mas não precisou no instante em que viu seu caderno nas mãos do mesmo. Quase saltou em sua direção para pegar de volta seu bem mais precioso, mas não foi necessário, pois o Jeon aproximou-se por vontade própria, sentando-se no mesmo banco em que o Park estava.
Entregou o caderno para o mais velho, vendo-o quase abraçar o objeto e quase chorar também. A alegria de ter aquele amontoado de folhas em mãos novamente tomou conta do menor, instigando-o a agradecer pela boa vontade de Jungkook em lhe entregar.
— Sei que não é de falar muito, não quero incomodá-lo. Pode continuar como estava, na verdade só queria saber se posso ouvir um pouco mais. — Jimin lhe olhou sem entender, recebendo mais um sorriso em resposta. — Queria lhe ouvir tocar piano um pouco mais. Será que posso?
Surpreendendo-se pelo pedido do maior, Jimin levemente assentiu com a cabeça, escolhendo minuciosamente uma das músicas que havia feito a melodia para poder mostrar a ele. Sentia-se envergonhado por mostrar algo tão seu para outra pessoa, mas lhe devia isso por ter seu caderno de volta agora.
E tocar piano era muito mais fácil do que precisar agradecer usando sua voz.
Aquele foi somente o primeiro dia em que se juntaram na sala dos instrumentos para Jungkook ouvir Jimin tocar piano. O mais alto, apesar de cursar música e amar instrumentos, não sabia tocar quase nada, arriscava-se somente em um teclado antigo que tinha em casa.
Mas, mesmo sem saber tocar algo, gostava da companhia de Jimin e da melodia graciosa que ele produzia com seus dígitos, esses que deslizavam com tamanha leveza por cada tecla do grande piano. Ouvi-lo tocar era quase como tocar o céu e ver um anjo sorrir em sua direção.
Ao menos era isso que Jeon Jungkook sentia.
Jimin voltou a compor após ter seu caderno de volta e tamanha foi sua surpresa ao receber mais um de presente, logo preenchendo as folhas do mesmo com várias e várias canções.
Depois de semanas insistindo, Jungkook convenceu Jimin de dar voz as suas composições, mas o mais velho não se achava um bom cantor e, por conta disso, pediu ajuda ao Jeon para que encontrassem alguém da faculdade de Música que pudesse querer cantar.
Eles encontraram Kim Taehyung e Kim Seokjin, dois estudantes de Música que adoraram ler as letras feitas por Jimin e também as melodias criadas pelo mesmo.
Como a universidade possuía um estúdio para os alunos, não foi difícil que algumas músicas começassem a sair lá dentro. Jimin continuava sendo um homem de poucas palavras, comunicando-se verbalmente somente com Jungkook, como se o Jeon tirasse aos poucos seu medo do mundo exterior.
Com os outros, quem falava era apenas Jungkook, mas eles não se importavam e respeitavam muito Jimin para falar algo de ruim ao mais velho.
Eles eram muito agradecidos, também, porque estavam treinando muito para melhorar aquilo que já amavam fazer. E o Park sentia-se satisfeito, pois seu trabalho enfim estava sendo reconhecido.
— Acho que nunca agradeci. — Sussurrou Jimin, sentando-se ao lado de Jungkook no banco que ficava dentro do pátio da universidade.
— Fico feliz em ver você aqui no pátio. — Sorriu o Jeon, encarando o loiro ao seu lado. — E também por ouvir sua voz. Estou me acostumando tanto a te ouvir, que vai ser muito estranho se voltar a receber somente seu silêncio.
Jimin respirou fundo, sorrindo brevemente. Havia percebido que comunicar-se somente por meio da música não era o bastante, não quando queria passar dias conversando com Jungkook sem parar. Ele lhe compreendia, tinha paciência e adorava falar, por isso era sua companhia favorita.
— Acho que o medo está indo embora aos poucos. — Afirmou com mais um sorriso pendendo por seus lábios. — Pelo menos sei que não tenho mais medo de falar com você.
— Isso é ótimo! — Alegrou-se o mais novo. — Mas, enfim, você não precisa me agradecer, fiz apenas o que meu coração mandou. Estava cansado de apenas te observar de longe, e quando encontrei seu caderno e li suas composições, me apaixonei perdidamente por suas palavras.
Era raridade que Jimin ficasse corado, mas as palavras de Jungkook conseguiram tal feito.
— E quando começamos a nos falar percebi que não era só por suas composições. — Durante alguns segundos Jimin não compreendeu, e quando o fez apenas corou ainda mais. — Aliás... isso pode parecer estranho ou precipitado, mas... aceita jantar comigo?
Jimin corou um pouco mais, se isso ainda fosse possível, e então encarou Jungkook, vendo que o mesmo também estava tímido. Por isso, a resposta simplesmente veio, ele sorriu brevemente e assentiu com a cabeça antes de proferir:
— Eu adoraria jantar com você.
Fale com o autor