Notas iniciais
Olá u3u Não demorei tanto pra postar, certo? Isso foi um desafio pra mim mesma. Também aumentei o tamanho do capítulo como pediram.
Espero que gostem.

Segunda – feira, acordei. Sem despertador nenhum, provavelmente teria esquecido de ajustá-lo para tocar. Parecia tarde, olhei rapidamente para o relógio digital no criado-mudo e vi as horas: sete e meia da manhã. Eu teria que estar no trabalho às oito da manhã, e meia hora não era um tempo agradável para eu conseguir me arrumar e chegar lá a tempo. Até porque, teria transito. “Merda”, pensei.


Já era a segunda vez que eu chegaria atrasado no trabalho. Iria receber outro aviso prévio, e isso não era bom. “Se você não conseguiu honrar compromissos, como faltar à escola ou ao trabalho por causa de drogas, você está abusando”. Eu estava abusando, começando a não cumprir meus compromissos.


O meu querido armário de remédios parecia olhar pra mim e me chamar. Nada que eu não estaria perfeitamente acostumado.


– O que será hoje? – Perguntei para mim mesmo. – Little little cocaine. Come to me.

Peguei uma cápsula pequena e guardei no bolso.

“Quando se entra numa onda de colecionar drogas, a tendência é levar a coisa até o limite.”


Eu não estava realmente disposto a usá-la. Minhas ultimas experiências com a cocaína foram terríveis. Até tive que me explicar na policia, mas não cheguei a ser preso ou coisa parecida. Sorte. Tinha escapado daquela vez. Mas mesmo assim eu teria que carrega-la comigo. Ou mesmo outra droga. Como eu disse, era uma coleção.


Me vesti mais rápido do que nunca, comi alguma coisa, escovei os dentes e fui direto para o carro. Quando me encontrei na rua, como sempre tive que lidar com o querido transito matinal. Meu relógio de pulso já marcava sete e cinquenta da manhã. Eu iria mesmo chegar tarde.


Já estava adentrando no prédio quando meu celular tocou. Era Akira.


– Yuu? Erm... Onde você está? Já são oito e meia e PEÇA PARA ELE CHEGAR O MAIS RAPIDO POSSIVEL.


Eu conhecia aquela voz que interrompeu Akira. Meu chefe. Respirei fundo e continuei:


– Eu já estou no prédio.


– Tudo bem.


Entrei na minha sala, meu chefe me encarava com um olhar reprovador. Ele não costumava ser rude com seus funcionários, mas já era a segunda vez e chefe nenhum gostaria de tal situação.


– Esta já é a segunda vez que você se atrasa desse jeito, Shiroyama Yuu. Não tanto quanto antes, mas ainda se trata de um belo atraso. O que se passa?


– Problemas pessoas, senhor. Me desculpe, pela segunda vez.


– Yuu, você sempre foi um bom funcionário. Exceto nos últimos meses, você anda tendo umas atitudes estranhas por aqui. Akira felizmente sempre te ajuda. Me desculpe, mas é algum problema de saúde? Conheço bons médicos e tenho certeza que algum deles poderiam ajudá-lo.


Nem pensar.


– São só alguns problemas pessoais, de verdade. Estresse, entre outros, mas muito obrigado mesmo pela sua preocupação. Eu prometo não agir de tal modo novamente ou chegar atrasado.


– Tudo bem... – Ele disse em tom fraco. Não acreditava na minha versão – Olhe, eu não queria descontar do seu salário o atraso de hoje, mas tenho. Terei mesmo de fazer isso, tudo bem?


– Nada mais justo do que isso, senhor. Tudo bem.


– Certo. Tenha um bom dia e comece seu trabalho – Disse indo em direção a porta.


– Obrigado. Para o senhor também.


Que droga. Só me faltava essa.

Não muito tempo depois que meu chefe tinha saído da minha sala, Akira entrou.


– E aí? O que ele disse?


– Me descontou.


– Quanto?


– Eu vou lá saber. – Fiz uma pausa – Merda de despertador que não tocou.


– Despertador ou outra coisa que te deu um puta sono? – Akira disse pegando a cadeira para se sentar.


– Isso não importa.


– Ah é, não importa mesmo. Até você começar a chegar todo dia atrasado e perder o emprego.


Bufei.


– Eu estava limpo o fim de semana todo, ok? Só bebi além da conta. E fumei.


– Claro. Pra compensar, encheu a cara e fez aquelas misturas que você costuma tanto fazer. É um milagre, claro. De você não ter usado nada e também de não ter chegado atrasado E bêbado aqui. Meus parabéns querido Yuu.


Vendo minha expressão sendo tomada pela raiva, ele decidiu ir embora.


– Tudo bem, tudo bem. Vou trabalhar, e você devia fazer o mesmo. – Disse se retirando da sala.


Passei a maior parte da manhã trabalhando. Volta e meia passava na recepção do hotel para deixar algum papel.


Hora do almoço. Esperei Akira aparecer para nós sairmos para comer. Só que ele demorou demais para aparecer, resolvi ir na sua sala.


Teria que descer dois andares de elevador e ainda andar até o fim de um corredor imenso. Caralho, como Akira chegava sempre tão rápido na minha sala?


Finalmente cheguei na sua sala. Ele estava na janela, e a medida que eu me aproximava parecia ouvi-lo falando baixo consigo mesmo. Também ouvia meu nome no meio, mas não conseguia identificar a frase toda. Toquei em seu ombro, ele se virou assustado e logo me xingou. A cara dele levando o susto foi a coisa mais engraçada do mundo.


– Caralho! Filho da puta! Vê se faz algum barulho antes de entrar, desgraçado!


– Você tinha que ver a sua cara se assustando.


– Ha. Ha. Ha. Então, o que você quer aqui?


– Horário de almoço, idiota. Você estava falando sozinho aí? Até parece que o drogado é você.


– Cala a boca. Vamos sair.


Comemos alguma porcaria qualquer, como sempre.


Sobrava alguns minutos antes de voltar ao expediente, então nós sempre ficávamos conversando.


– E então? – Akira começou o assunto. Ele estava estranho aquele dia, muito quieto.


– E então o que?


– Vai parar de usar?


– É claro que não – finalizei.


Logo após uns cinco minutos talvez, Akira voltou ao assunto inacabado.


– Olha, eu acho que você devia. Passado é passado. Você ainda tem uma vida pela frente. Blá, blá, blá. Você sabe do que eu estou falando.


Eu realmente sabia. O famoso discurso decorado pelas pessoas para tentar apaziguar os problemas alheios. “Você tem a vida toda pela frente” era a frase mais utilizada. Mas por que será que as pessoas tentam acabar com a nossa dor de uma maneira tão inútil? Primeiro que, nunca conseguiriam entender. A dor, e tudo que passei, está comigo, aqui dentro. Não estou dizendo que, se uma pessoa está com problemas, não deve aceitar os conselhos de ninguém e ser rude com tais. Mas, um simples abraço, ou até mesmo uma simples pergunta sobre o que está acontecendo para eu poder desabafar, ajudaria um pouco. E não, me julgar dizendo também que “estou exagerando”. Ninguém sabe o que se passa na mente do outro, então consequentemente ninguém está apto de pensar que sabe exatamente o peso da dor do outro. Ninguém conhece ninguém perfeitamente.


Mas comigo nada iria adiantar. Nada.

Só que esse não era o caso de Akira. Ele não costumava dizer estes discursos ridículos parecidos que foram tirados de livros de autoajuda. Ele realmente estava dizendo aquilo naquele momento, porque não sabia mais o que fazer. Não sabia mais o que falar para mim, sabia que não faria efeito.


Eu e Akira estávamos cansados de tentar lidar com Yuu Shiroyama.


– Boa tentativa, Akira. Agora vamos voltar ao trabalho, porque já deu a hora. Não quero mais salario descontado meu no fim do mês.


– Sim, Yuu.


Voltei para minha sala. Adiantei todos os relatórios do dia, e deixei uma hora do expediente para pensar e refletir sobre a minha vida naquele momento. Coisa que eu não fazia há tempos.


Comecei a lembrar dos meus 12 anos, quando tudo começou. Da reviravolta que a minha vida teve depois desta singela idade.


Só que alguém interrompeu meus pensamentos.


– Quem é? – Eu estava estressado. Fazia tempo que não conseguia relaxar, e quando conseguia era interrompido.


– Não precisa ficar bravinho – Era Akira.


– Já terminou tudo?


– Minha função é muito mais fácil que a sua. Termino tudo em pouco tempo.


– Ótimo.


Akira começou a apontar pra mim. Parecia que estava pensando em alguma coisa para falar.


– Se lembra de como nos conhecemos?


– É claro que lembro. E algum tempo depois você estava me consolando. – Conheci Akira um pouco antes de meu relacionamento mais duradouro acabar. Eu namorava um homem lindo, chamado Takashima Kouyou. Seu apelido era Kou, ou até às vezes Uruha. Mas ele morreu, vitima de um atropelamento. Minha vida era regada de mortes de quem eu amava. Logo em seguida, Akira se tornou meu melhor amigo, cuidando e me consolando toda vez que eu chorava.


– Você tinha 21.


– Sim. Idade péssima... – completei.


– Como assim péssima? Você conheceu seu amado amigo aqui. Seu brother.


– Por isso. Arrumei um peso na minha vida chamado Suzuki Akira, vulgo Reita. – Ri.


– Por que ri do meu apelido? É usado até hoje, ok? Só você que me chama de Akira e só eu te chamo de Yuu. Não é, Aoi?


– Aoi é mil vezes melhor que Reita. Que diabos é Reita?


– Todo mundo sabe que Aoi é melhor, agora fica calado aí.


Ficamos ali relembrando coisas de dois anos atrás. Era incrível. No meio de tanta tempestade, Akira foi o meu melhor amigo, sempre estando ali quando eu precisava. Ele conhecia mais de mim do que eu dele. Estranho, eu mal conhecia sua família direito, até mesmo o seu passado.


– Seu padrasto ainda estava vivo, não é? Era um homem legal, eu gostava dele... – Disse, mas cauteloso, pois sabia que aquilo ainda doía em mim. Afinal, a morte de meu padrasto não era tão antiga assim.


– Ahm, Akira, prefiro não tocar nesse assunto. Aliás, quatro e meia da tarde. Hora de ir embora.


– É mesmo, nem percebi. Vamos.


Como não íamos trabalhar amanhã, resolvemos fazer o que sempre fazíamos: nada. Fomos paras suas respectivas casas, e quando desse oito da noite iriamos sair para qualquer lugar, para beber. Akira não usava drogas nem fumava, mas não dispensava uma boa bebida.


Já tinha dado a hora, peguei meu celular e liguei para ele. Morávamos relativamente perto.


Ele atendeu a ligação:


– Alô.


– Oi. E então, o que vai ser?


– Já comprei a bebida, vamos ficar andando por aí.


– Andando por aí? Que porra.


– É melhor que nada. E é melhor do que você ficar aí em casa e resolver usar essas merdas.


– Ahm, ok. Estou chegando aí em vinte minutos.


Estava feliz. Era bom sair com Akira. Iria ser uma noite boa.


Ou talvez não.

Toquei a campainha do seu apartamento.


– Nossa, Yuu. Tá bonitão, hein. – Disse Akira, com um sorriso bobo nos lábios e me olhando de cima a baixo.


– Eu sempre estou “bonitão”. Então, o que comprou pra hoje? – Entrei, mas fui barrado logo na entrada.


– Tire esse cigarro nojento antes de entrar. Vai sujar meu chão. – Bufei. Apaguei o cigarro e joguei na lixeira do hall.


O cigarro era minha marca registrada. Se eu não estava no trabalho (ou usando drogas, é claro), eu estava com ele.


– Gay. – Entrei no apartamento.


Logo vi em cima da mesa o vinho que Akira tinha comprado, ainda no saco plástico.


– VINHO? Caralho Akira, vinho?


– Esse vinho foi caro pra caralho, ok? E antes de sairmos, temos que brindar, hehe.


– Brindar o quê? – Fiz expressão de tédio.


– Você está há um tempinho sem usar sua droguinhas. Continue assim, Yuu. – pegou duas taças.


– Sério mesmo que é pra brindar?


– Sim, tome aqui.


Brindamos.


– Que coisa mais ridícula. – Eu disse, indo em direção à porta. – Deixa eu procurar alguma coisa pra misturar com esse vinho aí. – Abri a geladeira e peguei uma garrafa de vodka que estava praticamente cheia.


Saímos para algum lugar.


Já se dava nove horas da noite no relógio, estávamos andando por uma rua vazia demais para aquela hora. Estranho.


Akira e eu estávamos relativamente altos por conta da bebida. Nada demais. Porém, antes de sair de casa, eu tinha pego outra cápsula de cocaína. Ou seja, eu tinha duas no meu bolso. Tentação demais. Mas estávamos conversando, a situação estava boa. Akira pelo menos estava ali para me distrair.


Continuamos andando até o fim daquela longa rua; no fim dela tinha uma espécie de beco. Lá se encontravam cinco pessoas. Pareciam que estavam se drogando, exceto um rapaz que estava encostado na parede. Ele era baixo, usava uma touca de frio, roupas pretas, e fumava um cigarro.


Parei para vê-los, dando mais um gole na vodka. Eles pareciam falar cada vez mais alto e rir sem parar. Eu podia perceber de longe; os quatro sentados no chão estavam usando cocaína. De vez em quando davam cutucões no rapaz que estava de pé, provavelmente oferecendo droga à ele. Mas o baixo parecia ser indiferente, continuava ali encostado fumando seu cigarro intensamente, às vezes até ria dos quatro.


– Conhece eles? – Disse Akira.


– Nunca vi. – Respondi, continuando a observar a cena.


De repente, um dos garotos sentados no chão levantou, pegou a droga e parecia querer fazer o menino baixo usá-la a qualquer custo. Nessa hora então já se podia escutar claramente o que estavam falando.


– Toma aqui. – Um deles tentava incentivar o outro a usar.


– Hoje não. Que coisa, Kai. Eu não quero.


O drogado tirou a touca que o mais baixo usava. Ele era loiro.


– Tá. Depois que acabar não reclama.


Eu fiquei ali tentando entender a cena. Por que o loiro não usava? E por que era tão normal ficar ali, diante de quatro pessoas se drogando?


Eu não era assim. Não fazia rodinhas de amigos para usar. Meu caso era diferente. Tudo bem, não tão diferente, mas era.


Um dos que estavam sentados viu eu e Akira, já que cada vez nos aproximávamos do local.


– Ei vocês! O que estão fazendo aqui? – Falou um deles.

Outro parecia agressivo. Começou a vir na nossa direção.


– Olha aqui. Se contarem pra alguém que estamos aqui, vocês morrem. OK?


Fiquei atônito com o que aconteceu em seguida: ele pareceu ver através do bolso da frente da minha calça. Pegou minha duas cápsulas, e voltou correndo para aonde estavam os outros.


– Aí gente! Trouxe mais.


Akira fazia sinal para que fossemos embora. Mas eu não parava de olhar o loiro, e a mesma coisa acontecia do outro lado da rua.


– Aquele loiro... – Eu tentava explicar para mim mesmo.


– O que tem ele? – Akira não entendia.


– Por que ele não usa também?


– Não sei. Vai ver ele está de regime, igual você.


Quando me dei por conta, o loiro estava se aproximando de nós. Chegou em mim e disse:


– Por que está olhando assim? Eles pegaram sua droga? Aquilo era seu? Quer que eu consiga de volta?


Como assim “consiga de volta?” pensei. Tirar uma droga de um drogado? Como ele faria?


– N-não... Eu nem estava querendo.


– Ah sim. – Riu. – Você é igual eles? Ou está querendo se livrar? – Eu iria responder, mas ele logo me cortou – Você tem cara de ser viciado. Em drogas finas, aliás. Como LSD. Não deve passar de um menino sustentado pelos pais. Logo logo está ali, igualzinho aos meus amigos.


Naquele momento não sabia se batia naquele loiro atrevido, ou se ficava ali, encarando ele. Por que estava me dizendo aquelas coisas?


Agarrei sua blusa para perto de mim e falei com um tom ameaçador:


– Olha bem como fala comigo.


– Olha bem como VOCÊ fala comigo. Ah, e se encostar um dedo em mim, meus queridos amigos ali vão adorar surrar a sua cara.


Eu o soltei. Ele ajeitou sua blusa, e indo para onde os outros estavam, gritou:


– Olhe bem para eles. É assim que você vai ficar.


Fiquei paralisado. Sem reação. Suas palavras me tocaram de um jeito estranho. Eu estava com raiva, e ao mesmo tempo tentando processar tudo o que ele me dissera.


Akira me fez dar meia volta e ir para outro lugar.


– Mas que loirinho atrevido, não? Eu hein. Parecia que estava cuidando daqueles caras. Mas eu não entendo, ele parece tão novo. – Akira tentou buscar assunto.


– Oi? Sim, sim. Parece. Vamos para a minha casa, Akira.


Continuei sem conseguir processar as informações. Aquilo iria me causar uma boa noite de insônia.


Notas finais
Entãaaaao. O Ruki já apareceu ali e. Eu tava pensando em deixar pra ele aparecer só mais tarde, mas iam me bater -Q
Não tenho muito o que dizer, estou esperando seus reviews pra eu ver se tô continuando bem com a fic.
Beijos ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.