Fear
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Hibari se remexeu na cama e não sentiu nada enroscado a si como era o habitual. Bateu a mão na cama do seu lado direito buscando por alguém, contudo encontrou o vazio. Suspirou, era a quarta vez naquela semana. Abriu lentamente os olhos para a escuridão da noite e buscou o relógio em cima da mesa de cabeceira: 3:40. Ainda faltava muito para amanhecer.
Sentou-se lentamente na cama e deixou os olhos vagarem pelo quarto a procura de pistas sobre o paradeiro do outro ate finalmente pararem sobre as portas da varanda que pareciam fechadas, entretanto as cortinas de seda branca tremulando mostravam a verdade.
Suspirou novamente antes de se levantar e alcançar a calca social que fora usada no dia anterior e bruscamente jogada ao chão horas antes. Vestiu-se e caminhou bocejando claramente cansado até as portas duplas de vidro e viu quem procurava. Ele usava uma calça de lycra que adorava para quando estava de folga e peito estava desnudo.
Voltou ao lado da cama e tomou uma manta que não havia sido usada e retornou abrindo a passagem devagar e silenciosamente.
Um tremor lhe correu o corpo quando a brisa gelada o alcançou, e o outro, parecia nem mesmo ligar. Estava com os braços sobre o parapeito e se debruçava sobre esse com o vento gélido lhe acariciando a face como se fosse uma brisa das mais quentes noites de verão e lhe bagunçava ainda mais o cabelo castanho rebelde. Aproximou-se alguns passos, mas ele estava em outro mundo.
Desdobrou com cuidado a coberta e passou o tecido pelos ombros do jovem também o abraçando e o trazendo a realidade. Este se endireitou e se deixou envolver sentindo o hálito quente de Kyoya em sua orelha.
- Depois você volta para a cama e me obriga a lhe esquentar — sussurrou seguido por um beijo na orelha.
- Desculpe — a voz soou grossa e trêmula, o outro estava chorando há pouco.
- Porque estava chorando, Tsuna? — o corpo que envolvia por alguns segundos pesou como se as pernas do menor falhassem e não fossem capazes de sustentar o próprio peso e Hibari o apertou mais forte dirigindo uma das mãos a cintura alheia para dar mais firmeza.
- Sabe, estou naqueles meus momentos de depressão — disse forçando um sorriso e olhando por cima do ombro.
- A quatro noites? — sua incredulidade estava evidente.
Tsuna soltou o ar e virou o rosto.
- Estou assustado — disse forçando-se mais contra o outro como se ali fosse seu porto seguro.
- Com o que? — perguntou beijando suave o pescoço do pequeno herbívoro que agora parecia tão indefeso.
- Você sabe que às vezes eu me pergunto se estou fazendo as coisas certas, tenho duvidas. Quero dizer, faz quase dez anos que me tornei chefe, todavia não há um manual para ser o líder da máfia. Não dizem o que você tem que fazer. É algo tipo vai e faz e se der errado a culpa é sua. Única e exclusivamente minha e me sinto só – novamente sentiu os olhos marejaram e se não fosse por Kyoya, teria chorado.
- O que houve para começar a pensar nisso? – perguntou tentando entender mais e conseguir ajudar o pequeno.
- Você sabe como eu sou e às vezes simplesmente sismo com alguma coisa e dá nisso – sorriu com dor e algumas poucas lagrimas transbordaram de seus orbes castanhos.
Hibari suspirou novamente antes de virar o outro para si e tomar-lhe umas das mãos com a sua própria.
- Você não está só — Tsuna o fitou em silencio esperando que continuasse. – Eu estou aqui com você e não vou lhe deixar – depositou um breve beijo sobre as costas da mão de Tsuna antes de depositar a mesma em sua nuca. – Não importa o que aconteça saiba que pode confiar em mim – os lábios tocaram levemente a testa do de cabelos castanhos. – Não tema, pois nada irá lhe afligir enquanto eu estiver aqui, eu lhe protegerei – a frase foi sussurrada e por fim Tsuna ouviu as três ultimas palavras que tanto desejava antes de ser beijado com paixão e fervor. – Eu te amo.
Uma leve batida na porta, contudo os fez se separarem. Kyoya soltou-se do outro para se encaminhar a porta e abri-la dando espaço para uma pequena criança passar. Com seu pijama azul clarinho e os longos cabelos castanhos enrolados, abraçava com força o ursinho de orelhas compridas que tocavam o chão e era mais fofo do que as nuvens. Fora um presente de Yamamoto e a garotinha não desgrudava dele.
Ela caminhou até a porta da varanda sem nem olhar para os dois que assistiam a cada passo dela. Tsuna se aproximou e se abaixou, acariciou de leve o rosto de pequenina e levantou a face dela para poder fitar os lindos olhos azuis chorosos.
- O que houve meu amor? – perguntou suave buscando acalmá-la
- Estou com medo – respondeu com alguma lagrimas correndo pela face redondinha.
- Medo de que querida? –questionou no mesmo tom de outrora
- Monstros, papai tem monstro no meu quarto – Hibari resolvendo assumir a situação aproximou-se e tomou a pequena no colo.
- Então por que não dorme aqui? – perguntou e também estendeu a mão para Tsuna se levantar e os fitar sorrindo.
- Posso mesmo? – os olhos da criança brilharam em expectativa. Era sempre assim, quando com medo corria para o quarto dos dois pais dela e com a mesma carinha chorosa esperava um deles convidá-la para dormir entre eles sentindo segurança e proteção.
- Claro minha pequena – respondeu Tsuna acariciando o cabelo de mocinha.
Kyoya puxou o amante para perto e o beijou nos lábios. Depois sorriram para pequena e se dirigiram a cama, mas antes Hibari sussurrou ao outro.
- Você esta fazendo tudo certo — e Tsunayoshi sorriu em resposta.
Notas finais
Beijinhos *-*
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