Faça-me, Quero Ser Tua.
67 Pequenas Intimidades, confissões... amor.
Notas iniciais
Ficamos jogados ao sofá durante o resto da manhã, conversando sobre sua família. Carlos Daniel conta-me que tem uma sobrinha linda. Acaba mostrando-me uma foto da garotinha. A menina é linda. Os Cabelos Ruivos e olhos verdes de um tom como os meus. Ela é um amor. Fico encantada quando ele mostra-me no celular uma foto dele com a mocinha no colo.
—Quando ela tinha aproximadamente um aninho, surgiu o apelido de laranjinha. A Chamo assim até hoje. -Diz ele com um sorriso terno mirando a foto. -Ela ficou encantada ao ver uma laranja da cor de seus cabelos em um desenho. Dias depois, comprei um boné para ela com a espampa de laranjas.
Ela se apaixonou e o apelido ficou nela.
Acaricio seus cabelos enquanto ele mostra-me as fotos. Vejo fotos de sua irmã, de sua avó... até foto de seus pais.
—Se você adivinhar quem é esse garotinho, ganha um beijo na boca. -Diz ele olhando-me com um sorrisinho, virando a tela do celular aos meus olhos.
Uma foto antiga, bastante envelhecida aparece na tela do celular. Imediatamente recordo das fotos que vi no Atelier da mãe de Carlos Daniel e sei que ali... é ele. Ele, o meu amor, por incrível que pareça mudou muito. Mas, no fundo daqueles olhinhos que miraram a câmera em sua infância, vejo aquela mesma mirada que Carlos Daniel esboça a mim quando diz que me ama, ou quando simplesmente se aconchega ao meu corpo.
—Você mudou muito... mas esse olhar ainda é o mesmo. -Digo esquecendo o celular e acariciando então suas pálpebras fechadas.
—Ainda bem, não é? -Diz ele com um sorriso.
—Não seja bobo! -Digo-lhe puxando uma mecha de seu cabelo já comprido demais. -Você precisa cortar o cabelo... -murmuro quase inaudível.
—É, percebi. Mas ontem quando você agarrou-se nele... hm, foi maravilhoso. Estou com pena de cortar.
Meu rosto cora de imediato. Seus olhos me encaram e ele sorri travesse levantando-se para me beijar.
—Você é uma louca na cama, mas quando te falo o que simplesmente fazemos essas bochechas coram. -sussurra ele sorrindo, depositando um beijo em meus lábios.
—Você me tira o foco. -Confesso. -Você me faz querer o mundo e mais além. Sou no teus braços uma mulher que desconheço, mas que te ama assim como essa que simplesmente te faz um cafuné.
O Sorriso de Carlos Daniel some e seus olhos me encaram surpresos.
—Carlos Daniel... eu...
Ele não deixa que eu termine a frase. Seu corpo me abraça, sua boca me beija firme e ele se afasta ofegante como quem se queima.
—Você não faz ideia do quanto te amo. Obrigado por me ensinar a amar... obrigado por ser a mulher da minha vida.
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Estou sentada sobre seu colo. Suas mãos vagam por minhas poucas peças de roupa à procura de pele. Faço o mesmo com ele. Não precisamos de nada mais. Ele esfrega seu corpo ao meu, beija-me a boca e carinhosamente parece confortar-me em seus braços. Somos uma mistura esquisita, a loucura de dois corpos querendo se amar com o amor de duas crianças. Somos complicados, apaixonados e sedentos um do outro. Não existe maior declaração de amor do que seus lábios de encontro a minha pele. Não existe explicação para tamanho sentimento.
Eu, que sempre acreditei nessa história de que o amor existe, hoje me encontro pressa nessa armadilha. Espero nunca escapar-me dela. Estar presa nos braços desse homem é o que me mantem viva, é o que me faz feliz, é o que me faz querer passar o resto da vida ao lado dele.
Sua boca colada a minha, os gemidos sufocados, perdidos na sensação nova e avassaladora. Cheios de roupas, com as respirações ofegantes, avaliamos a situação momentânea. Acabamos de alcançar o ápice do prazer apenas entre beijos e mãos bobas. Surpresos, nos beijamos com ternura e ele agarra-me em seus braços, levando-me para o banho.
Pela primeira vez desde que conheço esse apartamento, optamos por encher a banheira.
Seu corpo recosta sobre o meu enquanto esfrego as mãos cheias de Xampu por seus cabelos. suas mãos apoiam-se as minhas coxas e suavemente ele as desliza por minhas pernas.
—Você tem fotos suas de quando era pequena? -murmura ele enquanto esfrego seu couro cabeludo.
—Pequena mesmo, apenas uma. Depois tenho algumas com treze, quinze... não são muitas. -murmuro pensativa.
—Gostaria de vê-las. -diz virando-se um pouco apenas para mirar-me.
—Posso te mostrar depois. Estão no outro quarto.
Ficamos ali, juntos, perdidos naquele banho que pareceu durar horas.
Quando saímos dali, meu estômago ronca faminto. Nos vestimos juntos no Closet e por um momento até parecemos um casal normal. É, até parecemos. Ele beija-me a boca diversas vezes durante nosso simples ato de vestir uma roupa.
Saímos pelas ruas de mãos dadas e caminhando algumas quadras encontramos um restaurante.
Almoçamos em completo silêncio, apenas trocando miradas que falam demais.
Voltamos ao apartamento apenas para buscar o carro de Carlos Daniel e ir até a Boate para assinar os documentos.
No fim da tarde, Carlos Daniel me dá a triste notícia de que terá uma reunião não programada dentro de poucas horas. Sem poder contestá-lo, beijo-lhe os lábios garantindo-lhe que estarei bem enquanto ele trabalha.
Ás 19hrs ele sai apressado de meu apartamento enquanto termino de tomar meu suco. Ele sai comendo um sanduíche que preparo rapidamente e então agarra a chave do carro e suas coisas sobre a bancada.
—Nunca me atraso, e olha o que você está fazendo comigo! -Diz ele saindo porta a fora, beijando-me rapidamente quando passa por mim.
Depois que termino de comer, deito-me na sala para assistir televisão. As horas passam, passam, passam... e noticia nenhuma dele.
Em algum momento, me perco na imensidão do sono.
Acordo quando os braços de Carlos Daniel erguem-me, levando-me para a cama.
—Sh... Volte a Dormir... -diz quando envolvo seu pescoço sussurrando seu nome. -Descanse.
Ele larga-me a cama e então beija minha têmpora. Enrolo-me em minha coberta cor de rosa e apago.
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—Amor... me dê um cantinho nessa cama... -escuto aquela voz que tanto gosto murmurar em meu ouvido. Rolo sobre a cama e sinto que ele deita-se as minhas costas.
Seu corpo me puxa para ele e então viro-me abraçando-o. Ele está com aquele cheiro que tanto amo, o seu cheiro amadeirado com aquela mistura cítrica. Minha mão corre por seu peito nu e ele suspira sentindo meu toque.
—Durma... durma que amanhã será um longo dia. -diz ele cortando-me.
—Hm... quero você. -murmuro ainda sonolenta.
—Você é uma louca. -Diz ele beijando-me a têmpora.
O cansaço me vence e pouco tempo depois já estou sonhando com um campo cheio de flores, o vento em meu rosto, os lábios de Carlos Daniel acariciando-me o pescoço, sussurrando ao meu ouvido que nunca me deixará ir embora.
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Acordo com o barulho do chuveiro.
Levanto-me e miro as horas. Ainda é cedo. O Céu não está claro o suficiente para dizer-se que é dia.
Caminho até o banheiro e encontro um Carlos Daniel encostado a parede.
Seus antebraços encontram-se com a parede enquanto suas mãos apoiam-se ali também.
Como quem apenas quer ser notada, acendo a luz do espelho e ele imediatamente se vira, mirando-me.
—Bom dia. -Digo-lhe agarrando minha escova de dentes.
—Bom dia. -Diz ele num sussurro, limpando o vidro do box com a mãos.
Coloco a pasta de dente na escova e então faço o que sempre faço todos os dias ao despertar. Exceto quando ele me acorda. Bem, não faço exatamente a mesma coisa. Acredito que Carlos Daniel nunca me viu escovando os dentes.
—Venha para o banho comigo... -pede ele baixinho, abrindo a porta do box.
Encaro-o. Ele não parece muito bem. Enxáguo minha boca e então guardo a escova, indo em direção a ele em seguida. Tiro a roupa, largando-a em um canto do banheiro e então ele me puxa para si, empurrando-me contra a água quente do chuveiro.
Ele me abraça. Me abraça firme, forte. Se aconchega em mim. Recebo sua caricia e então afasto-me para mira-lo nos olhos.
—Você está bem? -questiono acariciando seu rosto.
—Acho que sim. -Diz ele mirando minha boca, meus traços, meus olhos.
—Se eu te confessar uma coisa, você não vai rir de mim? nem me achar um fraco? -pergunta ele com um beicinho. Meu homem das trevas desapareceu. Ali está apenas um menino solitário e perdido.
—Claro que não, Carlos Daniel... por qual motivo acharia isso?
Seus olhos ainda me encaram.
—Quando eu era pequeno, em uma briga com meu irmão ele disse que nunca me deixaria ser feliz por todos amarem mais a mim. -Confessa. -Ele sempre foi o filho que mais trouxe problemas, o irmão que dava o tapa e escondia a mão. Nunca relevei essa sua acusação de infância, mas com o passar dos anos vi que era real. Ele não me deixaria ser feliz. -Diz com as lágrimas ameaçando brotar.
Acaricio seu rosto, faço o contorno de suas curvas. Ele, imediatamente puxa-me para seus braços. Minha cabeça aconchega-se ao seu peito e a água cai sobre nós.
—Não quero que ele fique à um passo de você. -Diz por fim.
Afasto-me apenas para mirar seus olhos. Minha mirada questionadora o obriga a falar.
—Não vou permitir que ele tente fazer qualquer coisa conosco. Amo você, Paulina, amo você. Me entende? Não quero nem sonhar que esse crápula tentou algo.
Suas mãos agarram com força meu rosto, seus dedos procurando meus cabelos, sua boca tomando a minha com posse. Ele empurra-me contra a parede fria e meio segundo depois estou em seus braços, seus dedos no vão entre minhas pernas.
—Carlos Daniel... por favor... -murmuro enquanto ele beija-me o pescoço, os ombros, seus dedos fazendo menção de entrar em mim.
—Deixe-me te tocar... por favor.
Sua suplica me vence. Eu não o negaria, não consigo me negar a ele. Sei que ali, naquele momento, só o que ele precisa é enterrar-se em mim e esquecer o mundo.
Quando seus dedos entram em mim sinto tudo arder. Aquela onda de prazer me invade, mas logo dói. Me sinto incômoda.
Afasto-me para mirar onde ele toca e vejo por um instante seus dedos sujos de sangue.
—Carlos Daniel... pare... -murmuro quase sem voz.
Ele trava. Seu corpo me larga, minhas pernas procurando sustentação. Seus olhos me encaram assustados. Ele então mira os dedos e parece empalidecer.
—Te machuquei? -pergunta gélido.
—Bem... -murmuro, o rosto corando. -Acho que não. Só estou... acho que...
—Ah sim, já entendi. -Diz ele com um suspiro, parecendo aliviado.
Inacreditável que isso tenha acontecido agora... podia ter acontecido depois que tivéssemos feito amor. Já que vem todo mês, umas horinhas a mais não seria problema. Seus braços me puxam para seu peito e o abraço novamente. Seu sexo completamente ereto toca minha barriga. Quase que por instinto, empurro meu corpo ao dele.
—Você parece com dor, não vamos fazer isso hoje... -sussurra acariciando-me as costas, as mãos correndo por toda a extensão.
Uma pequena pontada de frustração me ganha. Ah... mas eu... queria ontem, e... quero agora, só acho que... podíamos ir com calma.
—Eu quero... -murmuro quase sem voz.
—Não quero machucar você.
—Podemos ir devagar, não podemos?
Afasto meu rosto para mirar seus olhos e ele mira-me firme.
—Seus desejos sempre são ordens.
Carlos Daniel desliga o chuveiro e então sai do box puxando-me para fora, enrolando-me em uma toalha em seguida. Onde nós vamos? Dá outra vez quando fiquei menstruada foi no chuveiro...
—Mas...
—Aqui corro o risco de te machucar. Vamos para a cama. -Diz explicando-me a pergunta não feita.
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Seu corpo cobre o meu com delicadeza. Ele segura-me em seus braços, acaricia meu rosto, beija-me a boca apaixonado. Nos movimentamos lentos, calmos, sem pressa.
—Quer que eu pare? -pergunta ele quando gemo agarrando seus cabelos.
—Não se atreva. -digo-lhe de imediato. Aquele sorriso lindo aparece nos lábios dele.
—Acho que essa pode ser uma boa hora pra conversar... -Instiga entrando e saindo de mim lentamente.
Me atiça, tenta me enlouquecer.
—A única coisa que posso dizer no momento é o quanto te amo, o quanto te quero e assegurar-te que ninguém vai estragar nossa felicidade.
Quem enlouquece é ele.
—Te amo Paulina... te amo.
Nos perdemos... um nos braços do outro, devagar, olhos nos olhos, as bocas se encontrando com sutileza. Explodimos juntos, agarrados, gemendo baixinho, saciando por hora um desejo que parece nunca ter fim.
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