Faça-me, Quero Ser Tua.

54 Meu passado presente em você.


Notas iniciais
Oi amorecos! Título estranho? Vocês vão entender aos poucos! hahha Passando pra deixar esse capítulo quentinho e bastante esclarecedor a vocês... (até que enfim!) Bem, espero que gostem! Quero agradecer de coração as meninas que recomendaram a fic essa semana! (prometo que farei uma dedicatória melhor meninas kkk) Mas mesmo assim, saibam que amei e que agradeço do fundo do coração fofo que tenho *---* kkk Beijos e então Desfrutem!

—Vamos lá, preguiçosa... acorde...

Hm, não... quero dormir mais. Nem me atrevo a abrir os olhos, sentindo o carinho dele em meus cabelos.

—Abra esses olhos e fale comigo ou vou bater nessa sua bunda maravilhosa.

Não contenho um sorriso. Ele ainda está aqui. Rolo na cama, abrindo os olhos e encontrando imediatamente aquele rosto lindo.

—Deixe minha bunda em paz. -sussurro sentando-me, tirando forças para despertar de um lugar abandonado.

—Bom dia, minha princesa... -Diz com os olhos brilhantes de uma esperança que nunca vi.

—Queria dormir mais... -murmuro, ajoelhando-me a cama, caminhando até seus braços.

—Ande, não seja tão preguiçosa, quero te mostrar uma coisa hoje, agora. -Diz aconchegando-me ao seu peito.

—Ah é, quer?

—Sim, então é bom que me solte e vá se arrumar, antes que.. você sabe, tem muita pouca roupa nesse seu corpo, e...

Ele agarra com precisão minha bunda, e então me arrasta para si.

Segurando o riso, solto-me de seus braços e levanto-me as pressas, indo para o banheiro em seguida. Fechando a porta, observo de relance seu sorriso.

Mesmo com tudo, ele parece feliz. Acredito nunca o ter visto desta forma.

Tiro a calcinha e a camiseta e então entro no banho, deixando ali o peso de vários dias. Enquanto a água quente cai sobre minhas costas e lava meu cabelo, me perco na imensidão dos últimos tempos. Chego, desnecessariamente, a conclusão de que eu e ele estamos rodeados de um sentimento grande demais e que ambos estão apavorados. Só, realmente não sei até quando vou ser capaz de carregar sozinha esse sentimento. Ontem a noite antes de dormir, ele sussurrou-me novamente "não quero nenhuma pele que não seja a tua." Isso me enche de um desejo infinito, mas seria então, amor somente ao meu corpo? Fico confusa. Sempre que estou confusa, acabamos resolvendo nossas diferenças na cama. O que, de certo modo nos deixa sempre cientes de que não existe nada além de nós dois. Me pego pensando até onde iria por ele, por esse amor.

Algum tempo depois, já estamos de estômago cheio e a caminho da casa dele. Seguimos o trajeto inteiro trocando poucas palavras e quando chegamos e entramos porta a dentro, ele parece gelar. Seus dedos procuram o meu e os entrego sem demoras. Subimos a escadaria.

—Essa casa era da minha mãe. -sussurra-me ele pelo corredor. -Papai a presenteou quando ficaram noivos. Disse que ela poderia fazer nela o que quisesse. Ela recusou. -Diz com um sorriso orgulhoso. -Disse a ele que a casa era linda e que não mexeria em nada, mas que gostaria de ter um cômodo somente dela.

Colocando a mão livre no bolso, ele retira uma chave. Imediatamente a reconheço. A chave de bronze torneada, com o chaveiro de uma rosa.

Meu coração bate acelerado. Ai meu Deus!

—Lembra como deixou-me surpresa com a rosa que guardas-te no livro? -pergunta-me ele quando paramos frente a aquela porta, a mesma que há algum tempo ele nada conseguiu fazer.

Balanço a cabeça em concordância e então o vejo respirar fundo. Seus dedos enlaçados aos meus começam a ficar úmidos de suor. Seguro firme sua mão, mostrando-o que estou ali, incentivando-o que prossiga.

—Quero que veja isso, quero desde a outra vez.

Rapidamente, ele coloca a chave na porta e então a gira, abrindo a porta e dando-me passagem.

Está completamente escuro ali. Entro alguns passos e Carlos Daniel caminha até uma das janelas, afastando as cortinas. Uma nuvem de pó acaba nos cobrindo. Caramba! Ambos acabam tossindo como loucos.

Quando a claridade por fim invade o lugar, meus olhos parecem que vão saltar do rosto. Carlos Daniel sai andando pelo cômodo e quase como se tivesse medo, ele puxa para o chão os tecidos que cobrem os móveis.

Minha.

Nossa.

Senhora.

As paredes são pintadas de um rosa salmão bem suave com detalhes de um marrom chocolate. Em uma das paredes, observo imediatamente um quadro gigante. Imediatamente meus olhos encontram um menino de cabelos perfeitamente penteados, colete e calça social, agachado ao lado de outras duas crianças. É ele. É Carlos Daniel. Os braços de um casal abraçam carinhosamente as crianças. É a sua família!

Abaixo do quadro, existe uma mesa de madeira carregada com latas de tintas antigas, pincéis, palhetas... Era aqui...

Caminho pelo lugar com os olhos encantados e surpresos. Abaixo de uma das janelas, observo uma mesa de vidro refletindo os raios de sol da manhã.

Quando me aproximo, quase parro de respirar. A mesa é composta por

um vidro sobre o outro em uma base rústica de madeira e entre os vidros... dezenas... centenas de rosas secas, perfeitamente encaixadas.

Meu Deus!

Meus dedos passam pela borda da mesa, retirando o pó dali, observando aquele trabalho. Sobre uma cadeira estofada logo ao lado, observo uma bíblia antiga. Meus olhos que seguram as lágrimas miram Carlos Daniel no centro do quarto.

—Abra. -Diz ele apontando-me para a bíblia. Com dedos ansiosos, faço o que ele diz e meu coração falha uma batida. Entre as páginas existem várias rosas secas, aparentemente esquecidas, ou até então... que foram abandonadas por um destino trágico.

—Minha mãe ensinou-me a plantar as rosas. Ela sempre disse que a beleza delas deveriam ser eternizadas. Quando lhe dei aquela rosa e você me pediu um livro... -ele suspira, mirando uma outra pintura, onde a mesma mulher do quadro anterior sorria agarrada a um buquê de rosas. -Você me pediu o livro e fez exatamente como ela fazia. Me senti com 9 anos novamente.

Tirando os olhos do quadro, seus passos largos caminham até mim, parando a apenas alguns passos. Seus dedos correm pela borda da mesa que anteriormente também fiz aquele ato.

—Você me faz querer coisas que nunca quis. -sussurra ele mirando as flores secas presas ao vidro. -Você me faz querer... ser feliz... ser amado.
Minha virgem de Guadalupe.

Não consigo nada dizer. Meus pés, como se tivessem vida própria, caminham até próximo a ele e antes que eu pense, ele me envolve em seus braços, acomodando seu rosto na curva de meu ombro.

—Obrigado Paulina... obrigado... -murmura ele ao meu ouvido enquanto devolvo seu abraço, acariciando seus cabelos.

—Pelo quê?

—Por me fazer querer tudo isso.

Meus olhos não conseguem mais segurar as lágrimas e então apenas o envolvo, apenas aperto com força seu corpo contra o meu. Ficamos ali um longo tempo, e então ele resolve mostrar-me algumas coisas daquele cômodo com tantas histórias.

Acabamos saindo dali por obrigação. Preciso ir trabalhar e o telefone dele não parou de tocar.

—Cacilda, -chama ele procurando pela senhora pela casa. A encontra tirando o pó de seu quarto. -Ah, ai está você.

A Senhora se aproxima dele e carinhosamente deposita um beijo em sua testa. Minha nossa... estou surpresa.

—Como está, meu menino? -pergunta ela acariciando a barba dele que começa a nascer.

—Estou bem, e a senhora?

—Bem, como sempre. -Diz dando-lhe um sorriso. Nos cumprimentamos de longe com um aceno e vejo o sorriso dela alargar-se quando me vê. Isso é bom, não é? -Do que precisa, meu menino?

—É... gostaria que o ateliê da mamãe fosse limpo. -murmura ele quase sem voz. Os olhos da senhora são cobertos de um brilho radiante, um sorriso de contentamento aparecem nos lábios dela também.

—Com certeza! -diz ela, mirando-me de longe. -Amanhã tudo estará perfeito.

—Não tenha pressa, ficarei uns dias foras e Paulina estará em seu apartamento. -Diz ele acentuando com força o "Seu apartamento" na frase.

Esse homem! Ele me olha de relance, então abraça a senhora despedindo-se.

Chego no hotel as 8:40 da manhã, atrasada por culpa dos beijos de Carlos Daniel, que não queria soltar-me dentro do carro. Tenho que confessar que teria ficado a manhã toda ao seu lado. Como ficarei novamente duas semanas longe dele? Ok, sei que a viagem é necessária, sei o quanto ele é doado ao trabalho... mas, e nós? E a falta que ele me faz? Ah droga...

Ignoro os protestos de minha mente conturbada, e então me acumulo de trabalho, esperando ansiosa a hora do almoço para trocar algumas mensagens com ele.

Notas finais
E então amorecos? O que acharam desse capítulo? Espero ter solucionado um dos "enigmas" dessa fic! hahhaha Beijos... e comentem, caramba! kkkkk