Faça-me, Quero Ser Tua.
33 Confissões. / Permissão para mata-lo.
Notas iniciais
Meu corpo ainda tremia, com a respiração entrecortada, as lágrimas caindo em silêncio, quando ele virou seu rosto, beijando meu pescoço. Meu corpo arrepiou-se por inteiro, com um calafrio percorrendo a espinha, e ao invés de virar-me e beija-lo, empurrei-o de cima de mim, fazendo-o prender-me contra a madeira. Sua intimidade afastou-se da minha, e gemi em dor, sentindo tudo ali arder. Droga...
–O que foi? –perguntou ele mirando meu rosto. Não queria ter de chorar na frente dele, e escondendo o que sentia, fechei os olhos.
–Saia de cima de mim. –quase implorei com a voz embargada, sentindo vontade de fugir dali.
–Olhe-me. –Ordenou ele com a voz pesada, mas não o fiz.
–Solte-me, saia de cima... de mim. –realmente implorei, sem saber o que fazer.
–Parece que não gostou, não é? –falou ele quase zombando de mim, rindo de uma maneira que fez meu estômago revirar.
Abri meus olhos, encarando-o realmente, e botei pra fora as lágrimas, junto com as palavras que batiam contra as paredes de minha garganta.
–Você disse que eu não sairia daqui enquanto não terminássemos. Fiz o que querias, agora, solte-me e deixe-me em paz. –gritei empurrando-o, mirando-o nos olhos com a visão embaçada.
–Ah! Agora eu sou o culpado? –disse ele arrogante, ajoelhando-se entre minhas pernas.
Com uma coragem que veio do além, fiz o que nunca imaginei fazer.
–Ok Carlos Daniel! –gritei irritada. Uma de minhas mãos voou para minha coxa, e dolorosamente os passei por sobre minha intimidade. O Ardor foi horrível, mas a raiva me dominava. –Era isso que você queria? –questionei chorando, mostrando a ele minha mão trêmula, suja de sangue. Ele ficou pasmo, mirando-me boquiaberto.
–Paulina... eu...
–Você conseguiu o que queria! Satisfeito? Agora me dê licença! –gritei com a garganta falha, queimando pelo tom de minha voz. Ele levantou-se, parando na lateral da mesa, mirando-me como se fosse me engolir. Levantei-me dali, apoiando-me as minhas pernas trêmulas e então ele veio até mim.
–Não me toque! –gritei dando um passo atrás, esticando a mão –suja de sangue- em um pedido de pare.
–Deixe-me te tocar... –sussurrou revelando um tom estranho em sua voz. Não posso fraquejar...
–Teve sua oportunidade, agora, com licença. –Virei-me de costas para ele, e mesmo com as pernas feito geleia, subi rapidamente as escadas. Entrei naquele que era para ser meu quarto, e com a dor irradiando pela minha pele, fui até o banheiro. Liguei a ducha, e um jato de água quente caiu sobre meu corpo, fazendo o vestido apegar-se ainda mais a minha pele. Junto com aquela água quente, deixei que minhas angústias tomassem forma, e chorei. Chorei com medo pelo tudo que sentia, por adora-lo sem ele merecer, por querer sendo errado, por odiar a mim por querer tudo isso. A água tocou entre minhas pernas, e tremi em dor quando passei os dedos por ali, tirando todo o sangue que comprovava a perda de minha inocência.
Chorei por ter sido burra, chorei por dor, chorei mais uma vez por querê-lo. Tirei o vestido, jogando-o em um canto do banheiro, e logo a calcinha –que mesmo depois de tudo eu ainda usava. Lavei-me, cessando o choro, caindo na realidade de que isso não resolveria nada, quando um som mínimo me chamou atenção. Virei-me dando de cara com ele, parado na porta do banheiro.
–Deixe-me apenas tomar um banho em paz, por favor! –pedi em um tom autoritário.
–Deixe-me te ajudar, por favor... –disse baixinho, caminhando até a porta de vidro.
Ali estava eu, nua, com nossas miradas uma de encontro a outra, sem desvia-las nem um segundo. Meu corpo inteiro parecia partir em pedaços, e então ele abriu a porta, sem deixar de me olhar. Fiquei ali, parada, perdida no turbilhão que minha mente estava, enquanto ele entrava, debaixo da água quente comigo, ainda vestido, ainda mirando-me.
Suas mãos vieram em direção ao meu rosto, e então dei um passo atrás, sentindo o calor da água desaparecer, e o frio da parede me tocar.
–Sh... –murmurou ele acomodando seus dedos em minha face, passeando seu polegar sobre meus lábios.
–Me solte... por favor... –supliquei baixinho, sentindo-o respirar próximo de minha boca.
–Deixe-me te tocar... -murmurou levando outra vez seus dedos até meu rosto. -Confie em mim.. -pediu.
–Quantas vezes ouvi isso de tua boca, e aqui estamos nós, desse jeito? -atirei no impulso, não medindo que aquilo machucava mais eu do que ele.
–Escute-me... por favor.
–Não sei mais o que te dizer, realmente não sei! Você me assusta... eu... eu te quero como louca, e você parece não se importar! Droga, acabei de... de... de transar contigo, e você... fez aquilo comigo! Você é um canalha Carlos Daniel!
As lágrimas já ardiam meus olhos outra vez, deixando-me a vê-lo turvo. Ele ainda estava ali, parado, e quando menos esperei, atirou-se sobre mim, me puxando, mergulhando o rosto na pele de meu pescoço, e tudo parecia algo tão sobrenatural, impossível de ser vivido. Ele suspirou contra minha pele, os dedos cavando em minha cintura, me puxando pra si, como se talvez, precisasse de mim.
–Solte-me... -pedi empurrando-o, sentindo um calafrio, um medo do que poderia se passar ali.
–Escute-me... eu... me perdoe, me perdoe...
As palavras saiam da boca dele, mas meu mundo estava fixo naquelas ali... me perdoe.
"Não sou um homem que se arrepende, não sou o tipo de homem que pede perdão."
"Não sou um homem que se arrepende, não sou o tipo de homem que pede perdão."
"Não sou um homem que se arrepende, não sou o tipo de homem que pede perdão."
–Paulina... sei que fui um canalha contigo, e acredite em mim, por favor... acreditei que me sentiria bem com isso, em machucar-te, mas desta vez... não... não foi. O remorso me consome, por favor Paulina, me perdoe. De todas as vezes que fiz isso, a sensação era maravilhosa, me fazia bem, mas hoje, naquele momento, deixei as coisas acontecerem, e cai na perdição da tua pele. Acredite em mim... sempre fiz desse jeito, e era incrível. Mas agora, me sinto um lixo. Me perdoe.
Naquele momento, minha mente voou a imaginar com quantas mulheres ele fez o que acaba de fazer comigo... me encher de esperanças, de desejos, e logo, quase roubar minha inocência. Com quantas ele fez assim?
–Quantas? -questionei sentindo-o segurar meu rosto, aproximando sua boca da minha, tocando seus lábios nos meus. -Pare de me beijar! Quantas?
–Não... deixe-me te sentir... -murmurou-me tomando minha boca, me invadindo, me possuindo.
–Pare... -falei entre seus lábios, e quando sua língua contornou meus lábios, a imagem de mulheres chorando e sangrando me invadiu. Em um impulso, o empurrei, e forçadamente ele me soltou. Minha mão ergueu-se, e por todas as outras mulheres, desenhei meus dedos em seu rosto, fazendo o som daquele tapa ecoar no banheiro. A mão de Carlos Daniel voou para onde bati, e limpando minhas lágrimas, o vi cerrar os dentes. A Raiva parecia tomar os olhos dele, e em menos de um milésimo, ele voou em cima de mim, empurrando-me contra a parede, me prendendo entre suas pernas.
–Me solte! -gritei em seus braços, me debatendo, assustada, com medo.
–Porra, se não é assim você não me escuta! Para de me bater, cacete!
Congelei ali, sentindo-o me apertar com força, e então meu olhar se encontrou com o dele. A Raiva não estava mais ali, e sim um sentimento que eu não conhecia.
–Escute... deixe-me tocar você... -pediu-me em tom baixo.
–Já está me tocando. -murmurei arrogante. De onde isso veio?
–Ai ai ai Paulina... pare de brincar comigo... -murmurou entre os dentes cerrados.
–Não estou brincando! Quem brinca com alguém aqui é você! Faz as mulheres de objeto e as joga fora! Você não presta...
–Eu melhor do que ninguém sei o quanto sou sem valor. Mas acredite, a única coisa que necessito agora, é que me escute... -implorou-me com a voz baixa, enlaçando minhas pernas em sua cintura, agarrando firme em minhas coxas nuas.
–Pode me soltar? -pedi baixinho, apoiando-me aos seus ombros, fechando os olhos para não mira-lo.
–Não. -disse frio, pressionando mais forte seus dedos em minha pele. Oh... merda.
–Quantas? -murmurei questionadora, ainda sem mira-lo.
–Você precisa saber disso? -perguntou-me, e então abri os olhos. Eu, nada disse, mas ele entendeu meu silêncio. Suas mãos suavizaram em minhas coxas e então ele foi soltando-as. Firmei meus pés no chão, mirando-o, sentindo-o me prender contra a parede, como se tivesse medo da minha reação perante o que ele diria.
–Não sei exatamente quantas. Foram... muitas. -disse baixinho. -Mais de uma em algumas noites, outras, bebi demais e não me recordo bem... não sei. Não me orgulho disso, mas me tornei assim...
–Se Tornou assim? -perguntei. -Você tem ideia de quantas mulheres traumatizou com isso?
Merda... acho que falei sem pensar. Ele suspirou.
–Não, não sei. Mas a única que me fez ver o quão doloroso além da carne isso pode ser, foi você. Me Perdoa Paulina, me Perdoa. Acredite, não menti sobre tudo que te disse. Acredito que podemos ter algo... hm, bom pra você, e bom pra mim. Só temos que, achar um meio de acertar isso. -Disse-me ele olhando em meus olhos, e então percebi que seus dedos desenhavam meus lábios, algo que me fez tremer por inteira.
–E o que queres que façamos agora? -perguntei baixinho, absorvendo o que ele acabara de dizer. Bem, como isso poderia dar certo?
–Agora, o que realmente quero, é levar-te para aquela cama e compensar-te cada segundo do homem canalha que te tocou a pouco. Se Depois, quiseres matar-me, me terás... mas me perdoe, e deixe-me tocar-te.
–Carlos Daniel... você me deixa tão confusa... -murmuro as palavras sem força, sentindo agora -com certa precisão- seu peito nu de encontro aos meus seios. Ele pareceu ler minha mente, e então flexionou os joelhos, erguendo-me outra vez, roçando minha pele nua contra a sua. Suas mãos outra vez pararam em minhas coxas, e desta vez tudo dentro de mim tremeu. Era um toque diferente, como se ele, me quisesse de uma forma além do que pronunciava.
–Você não imagina o quanto me deixas confuso... também.
Seus olhos encontraram-se com os meus, e então me vi refletida naquela imensidão escura. A água caindo atrás de nós, seu rosto molhado, seus lábios avermelhados, tudo parecia me chamar e pedir mais.
–Está doendo? -perguntou-me baixinho, acariciando minhas pernas com os polegares. Minha garganta temblou, e então senti o desejo dele pulsar contra minha intimidade, coberto pela calça quando ele moveu-me em seus braços.
–Um Pouco. -respondi com a voz trêmula.
–Vamos com calma, prometo. -disse mirando meus olhos, e pude ver a verdade ali.
Seus lábios aproximaram-se dos meus, e minhas mãos cheias de vida correram pelos braços dele, firmando-me, deliciando-se. Ele tocou sua boca na minha, pedindo por aquele beijo, e então levei meus dedos aos seus cabelos e o puxei, moldando melhor minha boca com a dele.
O mundo parou... seus sons eram meus... os sons do mundo se calaram... e tudo o que me preocupava, ficou pra trás. Ali estávamos nós. Eu em seus braços, deixando-o me tocar, deixando-me mostrar como aquilo poderia funcionar... deixando-o mostrar-me que aquilo seria bom pra ele... e para mim. E se não fosse, bem, eu tinha a permissão dele mesmo para mata-lo.
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