Notas iniciais
Bom, esse aqui é o primeiro capítulo. Novamente eu aviso que essa história foi feita beeem corrida, então não tem tanto detalhe como eu sempre coloco. Se não entenderem algo, deixe nos reviews! ~

Depressão. Era uma palavra que definia ela bem, mas no final de tudo as palavras amor, honra e amizade ficaram fincadas em seu peito e sua memória. Mas como assim?

Sawako Ai. Cabelos negros e curtos. 1.72 de altura. Idade? Ela já nem se lembra. Na verdade, se sente perdida dentro dela mesma. Ela não se conhece, não se lembra muito bem de sua infância e nem onde costumava a passar os dias ensolarados. Claro que não era com a família, afinal, não se lembra de ter tido uma. Vizinhos dizem que seus pais morreram quando ela ainda era muito jovem. Já seus avós e tios, também nunca foram encontrados. Nem sabem se existiram, e se existem não sabem onde estão. Realmente uma vida dura e triste para uma garota tão jovem.

Ela nunca teve amigos, sempre se afastava dos outros pois se sentia amaldiçoada. Ela não era uma pessoa ruim, apenas queria o bem de todos... e esse bem era ficar muito longe dela. Por conta disso nunca se apaixonou, nem se quer tentou. Nunca dormiu na casa de garotas e ficou contando história de terror e comendo chocolate até tarde. Ela se sentia anormal. Sua pele pálida e gélida mostrava como ela se sentia: morta. Ela só queria ir embora de uma vez.

Costumava ficar no telhado de sua pequena casa, fumando, observando o Sol se movimentar. Ela adora o crepúsculo, podia ficar o dia inteiro e a noite inteira apenas a observar o céu e suas constantes mudanças. Em um dia como esses, com um Sol não muito extrovertido, podíamos ver Ai sentada, com os braços abraçados ás pernas e sua cabeça erguida, pensando em qualquer coisa e olhando as nuvens. Suas vestes eram sempre as mesmas, as botas gigantes e pretas, com uma meia calça preta, uma saia quadriculada vermelha, uma jaqueta de couro e qualquer camisa branca ou preta. Sim, preto era sua cor preferida, dizia que "combinava" com ela.

Seus olhos seguiram uma ave bonita que não era acostumada a passar naquele lugar em pleno Verão. E então, aquele pássaro azul se misturou com a cor do céu, indo parar no outro telhado. Só depois de muito tempo, Ai percebeu que lá no fundo havia um menino, tentando colocar um pipa no alto. Se desesperou ao ver aquela criança de no máximo oito anos de idade, se aproximar da borda do telhado.

-HEEEY!- Gritou Ai, se levantando -MENINO! CUIDADO!

O garoto se assustou com o grito e quase caiu, mas conseguiu se equilibrar. Começou a rir e andar em direção á Ai. Ou melhor, pular. Tinha que passar por muitos telhados para chegar até ela. O menino era pequeno, tinha o cabelo bagunçado e um sorriso que iluminava qualquer canto escuro. Seus olhos eram pequenos e levemente puxados, porém bem sintilantes. Chegou perto de Ai, sorrindo.

-Garoto- Ai dizia -O que você tem na cabeça, han? Você tem que tomar cuidado, estamos em um telhado, é fácil cair.

-Não precisa se preocupar não, eu to acostumado. -O garoto respondeu, colocando o dedo na ponta de seu nariz e fazendo uma careta engraçada.

-De qualquer modo, volte para sua casa. As pessoas não gostam que fiquem perambulando pelos telhados alheios.

-Então vá você também, você está perambulando.

-Você tem razão.-Ai olhou para o céu, sem saber o por que e sem pensar em nada- Mas ei, -Voltou a si- eu sou mais velha, tenho o direito de ficar no telhado de minha própria casa.

-Essa casa é sua? -O garoto perguntou de boca aberta.

-Sim. Não é grande coisa mas para uma pessoa sozinha...

-É uma casa maravilhosa.-O pequeno sorriu novamente.

Não. Não era maravilhosa. Ou era? Depois daquele comentário, Ai não sabia muito bem. Sempre viu sua casa como uma das mais horrorosas da galáxia. Tinham gatos pretos por toda parte, rosas murchas e plantas mortas, muitas rachaduras nas paredes que de tão desgastadas, passaram de branco para cinza. Uma velha que morava no fundo do quintal, dona do imóvel, que era praticamente a reencarnação do demonio. Aquilo não era maravilhoso. Mas se for parar pra pensar, é raro achar uma casa que seja tão bem iluminada pelo Sol e tão bem lavada por fora pela chuva nas medidas certas. Uma casa pequena porém espaçosa, e além de tudo cheirosa. Confortável, boa de se passar o tempo, perto de comércios e hospitais, e além de tudo barata. Sim. Era perfeita. Ai não sabia dizer, estava tão confusa, apenas sorriu para os céus e despertou ao ouvir a fala do menino:

-Etto... a Senhora está bem?

-Não me chame de senhora. Sim, estou ótima.

-Você costuma ficar ai pensando nas abelhas levando o mel pra casa mesmo?

-Prefiro pensar do que falar. Me deixa melhor.

-Gosta de pássaros?-O garoto sentou ao lado dela, apontando para o pássaro azul ao fundo da paisagem.

-Gosto dos pequenos. E você?

-Eu gosto deles por que eles voam.

-Mas é claro que voam. Eles não poderiam nadar com duas asas.-Ai, pela primeira vez em muito tempo, riu.

-E por que não? Ia ser legal se eles nadassem.

-É a mesma coisa que pensar em... peixes voando. Você já viu algum peixe voando por ai?

A maior olhou aquela face inocente e sorridente que nada respondeu, banhada pela fraca luz do Sol que já se punha, com os olhos marejados de curiosidade e idéias. Sorriu para ele, que estava tão entretido em saber como os pássaros voavam e não nadavam. Era tão bom ficar ali apenas imaginando o que ele pensava...

-Hey... menino.- O chamou — Qual é o seu nome?

-Hitoru.- Novamente, o sorriso dançou em seus lábios.

-Hitoru, hm. Nunca tinha ouvido esse nome. O meu é Ai.

-Ai-chan- O garoto prosseguiu -se importa se eu ficar no seu telhado? Aqui parece que está com mais vento.- Ele apontou para o pipa e sorriu.

-Hm, pode ficar. Só tome cuidado. E veja, está escurecendo. Se apronte.- E, sem saber o motivo, riu de novo.

Aquela pequena criança... Ai não sabia nada dele, apenas o nome. Acendeu mais um cigarro, e ficou olhando aquele garoto sorrir sem parar enquanto puxava a linha branca que ia de encontro aos céus.

-Ai-chan, faz mal fumar.- Hitoru a olhou como quem estava dando uma bronca.

-E o que você sabe sobre isso? -Tragou aquele cilindro pequeno e branco novamente.

-Não muito, só que faz mal.

-Hm... eu estou viva, então parece que não faz tão mal assim.

-Então eu posso fumar?

-Não!- Exclamou Ai, que como resposta recebeu uma leve e gostosa gargalhada.

A relação dela com Hitoru estava assim em seu primeiro dia, pequenos comentários que ele fazia e que terminava com boas gargalhadas. A noite veio e o garoto tirou o pipa do alto, e mais um maço de cigarro havia acabado junto com o dia.

-Hitoru, é melhor você ir embora. Já escureceu.- Ai disse, arrumando suas roupas amarrotadas.

-Sim, eu já vou. Obrigada Ai-chan -O garoto a abraçou e, por conta de ser pequeno, abraçou apenas o torso da garota magra.- Nunca ninguém havia conversado comigo e deixado eu empinar pipa nos telhados.

-C-claro.-Ela se desfez do abraço do menor, e desceu as escadas, voltando para sua casa.

"Que dia cansativo" Ela pensou. "Hitoru... o menino da pipa amarela." Sim... ela iria ficar pensando no garoto e em seu sorriso. Pela primeira vez em muito tempo ela ficou curiosa em relação á alguém. Podia ficar conversando com aquela criança durante a noite toda. Antes de fechar os olhos, olhou para sua janela, a fim de ver a Lua uma última vez mas ao invés disso, viu uma pipa amarela atravessando a luz prateada da mesma. "Ele não tem jeito". Sorriu. Eles pareciam se conhecer a tanto tempo... E assim, fechou os olhos e pela primeira vez na vida, teve um sonho.

Notas finais
ÊEEEEEE, eu sei que não está lá essas coisas mas... téquetábom né, minha gente? gogogo >>