Fazer você acreditar

25 Capítulo 26 - Amigos


Depois de xingar e socar algumas coisas no quarto peguei o celular e liguei para o Caleb. Ele disse que conseguiu tirar vários clientes e garotas do hotel, mas que ainda tinha alguns caras querendo o dinheiro de volta.

– Devolve tudo, fala para a recepcionista que eu autorizei. Estou indo para o heliporto, acho que a Alison está lá.

– O que? Como assim?
– Ela ta fugindo.

Caleb xingou a Alison e logo depois eu desliguei o celular corri para a escada que levava ao heliporto em cima do hotel. Assim que cheguei, escutei ao longe o barulho do helicóptero e corri para tentar impedí-la. Mas já era tarde, o helicóptero já estava longe o bastante para ela não me ver.

Desci as escadas pensando no que eu faria agora, a Alison me deixou sozinha sem ter noção do que fazer agora. Entrei no elevador de cabeça baixa e me olhei no espelho, a minha carreira estava acabada depois desse escândalo, eu sempre seria conhecida como a garota que tinha um hotel cheio de prostitutas.

– Tudo resolvido Han. Vamos? — disse Aria assim que me viu — O que foi? Está tudo bem?

– Não sei… Vamos sair logo daqui.

Caleb terminou de dispensar o último cliente e nos acompanhou para sairmos pela porta da frente, ele me abraçava de um lado e Aria segurava minha mão do outro. Quando saímos do hotel levamos um susto: não era o carro do Wren que estava na porta e sim o da polícia.

– Senhorita Hanna Marin? — perguntou o oficial se aproximando da gente.

– S-sim.

– A senhora está sendo presa em flagrante, por favor queria me acompanhar até a delegacia.

Caleb tentou impedir, mas disse para ele que era o certo a se fazer.

– Vocês terão que me acompanhar também. — disse oficial para Caleb e Aria.

– Eles não têm nada a ver com isso.

– Mesmo assim. E a senhorita Alison ainda está no hotel?

– Ela não está mais.

Ele me olhou desconfiado e mandou outros dois policiais entrarem no hotel. Não foi preciso colocarem algemas, sentamos na viatura em silêncio e assim fomos até a delegacia.

*POV Emily*

Ao longe, ainda dentro carro, Wren e eu olhávamos nossos amigos entrarem no carro da polícia. Meu coração apertou, eu poderia ter mandado uma mensagem para avisá-los, poderia ter gritado ou ter feito qualquer outra coisa ao invés de fugir e ficar observado de longe.

– Não tinha como a gente impedir isto. — disse Wren.

– Eu poderia ter mandado uma mensagem.

– E acabar sendo presa também.

Abaixei a vista, o pior que ele tinha razão.

– E como vamos fazer agora? — perguntei.

– Vamos para a porta da delegacia e esperar.

Concordei e ele ligou o carro. Sabe, eu gosto desse jeito do Wren: destemido e cheio de atitude. Não conheço a história de vida dele, não sei como ele foi parar na faculdade. Mas nada disso importa agora, o que importa é que estou gostando dele cada dia mais.

Depois de três horas na porta da delegacia, tentando ligar para eles e vendo jornalistas montarem acampamento no local, Wren decidiu comprar algo pra gente comer, afinal a noite seria bem longa.

– E aí algum movimento novo? — perguntou ele assim que voltou da lanchonete.

– Nada, só mais aqueles dois jornalistas ali.

Peguei o lanche e fiquei olhando pela janela do carro.

– Vem cá, você tem certeza que eles vão ser liberados? — perguntei.

– Tenho, não vão encontrar nada contra o Caleb e a Aria. Agora a Hanna, vai ser difícil tirar ela dali sem um bom advogado.

Continuei olhando lá fora. Tudo aquilo por causa de uma vingança boba de faculdade, o futuro da Hanna estava em jogo e eu não podia fazer nada.

– A gente podia fazer o tempo passar mais rápido né. Sei lá, de um jeito divertido. — disse Wren com um sorriso sedutor.

– Ótima ideia. Vou dormir um pouco, qualquer coisa você me acorda.

– Eu não estava falando disso.

– Eu sei. — disse descendo o banco para deitar.

*-*-*-*-*-*

Não sei quanto tempo dormi, mas quando acordei o sol já estava na minha cara e o Wren dizia algo sobre o Caleb estar saindo.

– Acorda Bela Adormecida, o Caleb e a Aria estão saindo. Vamos!

Estiquei meus braços e olhei pela janela em direção a delegacia.

– E como vamos passar pelos jornalistas?

– Passar é fácil, eles não sabem quem somos. Difícil vai ser sair de lá com o Caleb e a Aria.

– Eles já devem ter tudo sobre a vida deles, né?

– Com certeza — ele respondeu e logo em seguida saímos do carro.

Wren estava certo, entramos na delegacia tranquilamente, os repórteres nem se moveram quando virama a gente passar. Assim que entramos, Caleb estava em pé esperando Aria assinar alguns papéis no balcão ali próximo.

– E aí? — disse Wren.

– Estamos liberados. Essa demora toda por causa de coisas burocráticas.

– E a Hanna? — perguntei.

– Ela precisa de um advogado ou pelo menos pagar a fiança.

– Então vamos atrás de um.

– Não é tão fácil assim, a não ser que você tenha dinheiro.

– A Hanna tem gente. — disse Aria se aproximando.

– Todos os bens dela foram bloqueado. — disse Wren — Acabei de escutar no rádio.

– E agora?

– Primeiro eu preciso comer alguma coisa. — disse Aria — Tomar um banho e sair desse lugar.

– Bom, sair vai ser bem complicado. Está cheio de repórteres na porta e eles já sabem que vocês estavam no MIrror’s quando a Hanna foi presa.

Caleb tentou se controlar para não xingar e ficamos alguns minutos tentando achar uma saída.

– Gente, eu realmente estou com fome. Não tem solução, vamos sair daqui correndo e entrar no carro. Simples assim. — disse Aria.

– Concordo.

– Certo, mas não vamos falar com nenhum repórter. — disse Caleb.

– Okay.

– Eu e a Emily vamos na frente preparar o carro.

Assim que saímos, dois minutos depois os repórteres se levantaram e foram em direção a Caleb e Aria. Wren e eu corremos até o carro, deixamos a porta de trás aberta e o carro ligado. Com muita dificuldade e ignorando todos os jornalistas, longos minutos depois eles entraram no carro e Wren deu a partida.

– Minha nossa, eu achei que não íamos conseguir sair daquele mar de jornalsitas. — disse Aria.

– Eu já sei o que vamos fazer. — disse Caleb — Vamos até o pai da Hanna.

– Que? Ele nunca vai ajudar ela.

– E a Han mata a gente se souber disso.

– Mas é a única saída.

– Quanto tempo de viagem? — perguntou Wren.

– Se a gente for sem parar, hoje a noite a gente chega.

– Certo. Então vamos.

Passamos para comprar besteiras para comer no caminho e seguimos direto para a estrada. Nas primeiras horas, Aria já estava dormindo no banco de trás e eu até consegui cochilar um pouco. Quando acordee Caleb tinha revezado com Wren, mas percebi que ele também estava cansado.

– Eu posso dirigir, Caleb.

– To tranquilo Emily. Valeu.

– Você passou a noite em claro na delegacia, eu consegui dormir um pouquinho.

– Eu revezo com ela. — disse Aria despertando. — Vocês ficam dormindo aqui atrás e quando escurecer vocês pegam a direção.

– Hum… Beleza, então.

Ele parou no acostamento e rapidamente trocamos de lugar. Eles dormiram o resto da viagem enquanto eu e a Aria íamos conversando.

– E esse lance entre você e o Wren? O que ta rolando?

– Ainda não sei. Não parei pra pensar nisso.

– Mas… Você quer que esteja rolando algo?
– Acho que sim. Estou conhecendo ele melhor e bem… Tenho que gostar de quem gosta de mim, certo?.

– E isso quer dizer fim ao Toby?

– Sim. Fim ao Toby. — disse sorrindo.

Ela sorriu de volta e seguimos viagem. Algumas horas depois nós trocamos de lugar, pois eu já estava cansada e os meninos ainda dormiam. As estrelas começaram a surgir no céu quando vi uma placa avisando que faltava poucos quilômetros para o nosso destino.

– Já ta chegando, acho que não precisamos acordar eles. — disse.

– Verdade. Vamos seguir.

Era por volta de dez da noite quando atravessamos a placa de bem vindos, Caleb e Wren ainda dormiam e eu não consegui acordá-los de nenhuma maneira.

– Já sei. — disse Aria. — Quero vê se eles não acordam com isto.

Ela sorriu maliciosamente pra mim e freou brutalmente o carro. Caleb e Wren acordaram em um pulo e perguntando milhares de coisas que não consegui entender. Aria e eu não conseguimos controlar o riso e eles entenderam que era uma brincadeira.

– Foi mal, mas vocês não queria acordar. — disse Aria.

– Um beijinho ajudaria, Emily. — disse Wren.

Sorri e mandei um beijo para o Wren no banco de trás.

– Cento. Pra onde vamos agora?

– Olha eu não sei onde esse cara mora, mas sei onde ele trabalha.

– Não deve ter ninguém lá essa hora.

– Mas deve ter algum número pra entrar em contato com ele na recepção, sei lá.

– Hum. Pode ser, vamos pra lá então.

Paramos o carro em um acostamento e Caleb pegou a direção. Assim que chegamos no prédio havia apenas uma recepcionista na portaria.

– Boa noite, eu gostaria de ir no escritório do dr. Randall. — disse Caleb assim que chegamos ao balcão.

– Já acabou o expediente, senhor. Poderia voltar amanhã?

– Você teria algum cartão com o telefone dele? É caso de urgência. — ele deu um sorriso sedutor.

– Ah sim, claro. — ela abriu uma gaveta cheia de cartões e pegou um — Aqui está.

– Obrigada e tenha uma boa noite.

A moça sorriu com a piscadela de Caleb e saímos do prédio com o cartão na mão. Andamos até uma lanchonete próxima e depois de pedirmos algo mais saudável do que salgadinhos começamos a decidir o que íamos falar pra ele.

– Acho que devemos ser sinceros, falar: “olha a Hanna ta presa e só você pode tirar ela de lá”. — disse.

– Não vai ser tão fácil assim, esse cara não quis saber dela antes e não vai querer saber dela agora, vamos ter que ameaçá-lo. — disse Caleb.

– Ele não ta se candidatando a política?

– Ta.

– Vamos usar isso. Ou ele nos ajuda ou a história dela com a mãe da Hanna vai parar no jornal. — disse.

– Ótima ideia, Emily. — disse Aria.

– Certo. E quem vai falar com ele?

– A Emily é claro, a ideia foi dela.

– Eu? Por quê? Não consigo fazer isso, gente.

– Ou você ou a Aria. — disse Wren — Se for um de nós dois ele vai chamar a polícia com certeza.

– Okay. Eu ligo.

Peguei o cartão das mãos do Caleb e digitei o número de celular que estava nele. Três toques depois ele atendeu.

– Alô, senhor Randall?

– Sim, é ele. Quem gostaria.

– Eu sou a Emily, amiga da Hanna.

– Que? — ele diminui o tom de voz — O que você quer? Eu achei que já tinha resolvido esta história.

– Sim, o senhor resolveu. Mas agora ela está precisando do senhor.

– Olha, espera um minuto.

Escutei ele dizer algo como ia comprar um vinho e depois voltou a falar comigo em um tom audível.

– Vamos, diga, quantos vocês querem para me deixar em paz?

– O senhor ler jornal?

– Que?

– Se o senhor ler jornal.

– Claro que leio, mas o que isso tem a ver?

– Hanna está presa, descobriram que o Mirror’s abrigava garotas de programa.

– Que? Não acredito que Ashley… Ai meudeus. Ta, o que você quer que eu faça?

– Ajude a Hanna. Você sabe que a culpa não é dela.

– Olha, não posso fazer isso. Estou entrando na carreira política e pegar um caso como este vai acabar comigo.

– Tudo bem. Mas acho que os jornalistas vão adorar saber a história atrás do Mirror’s. Quem deu o dinheiro para Ashley construir, quem é o pai que abandonou a garota que está presa… Isto da uma ótima manchete.

– Certo, garota. Aonde você está?

Passei pra ele o nome da lanchonete em que estávamos e assim que desliguei o telefone recebi os parabéns dos meus amigos. O senhor Randall demorou mais do que esperado, comemos o nosso lanche e já tínhamos pagado a conta quando ele me ligou.

– Estou do outro lado da rua. Pode vir aqui.

– Humm… Certo.

Assim que saímos da lanchonete vi ele com um envelope pardo nas mãos.

– O que é isso? Uma gangue? — ele se espantou assim que nos viu — Quem é a Emily?

– Eu.

– Bom, aqui está. — disse ele me entregando o envelope pardo — Aqui tem dinheiro suficiente para vocês contratem o um bom advogado e pagar a fiança.

– Que? O senhor não vai ajudar a Hanna? — perguntou Aria.

– Olha, desculpem. É o máximo que posso fazer.

Ele saiu logo em seguida e entrou no carro. Caleb gritou dizendo que devia quebrar a cara dele, mas concordamos que pelo menos o dinheiro ia ajudar em alguma coisa. Como já estava muito tarde, decidimos dormir em um hotel barato e sair no primeiro raio de sol do dia. Com a grana era pouca e decidimos não mexer no dinheiro da Hanna, alugamos um quarto com uma cama de casal e um sofá-cama. Aria e eu dormimos na cama e os meninos no sofá. Estávamos tão cansado da viagem que não conseguimos conversar muito sobre o assunto, minutos depois estávamos dormindo.

*-*-*-*-*

Como ninguém tinha colocado o celular pra despertar, acordamos mais tarde do que o esperado. Aria tomou o seu tão sonhado banho rapidamente, enquanto os meninos pagavam a conta e eu comprava alguma coisa pra gente comer até a volta pra casa.

Na estrada fizemos como antes: primeiro dirigiu Wren, depois Caleb, eu e por fim a Aria. Chegamos na cidade, já era tarde da noite.

– Vem cá, não tem aquela lei que libera depois de 48 horas? — perguntei assim que estacionamos na delegacia.

– Tem, mas é quando não tem provas suficientes. O que não é o caso da Hanna.

– Podemos pagar a fiança?

– Sim, assim ela tem uma liberdade provisório. Mas ainda assim temos que ir atrás de um bom advogado.

– Pelo menos ela vai sair desse lugar. — disse.

Caleb retirou o valor da fiança do envelope e guardou o restante no tapete do banco do passageiro. Alguns jornalistas ainda estavam na frente da delegacia e correram em nossa direção quando nos viram. Não falamos nenhuma palavra, mas as perguntas estavam me incomodando: “Vocês trabalharam no Mirror’s?”, “Quanto você tirava por mês?”, “É verdade que não tinha cafetão?”, “A Hanna também fazia programas?”. Vi que Caleb também estava incomodado, ele estava se controlando para não socar os repórteres.

Assim que entramos na delegacia, Caleb foi resolver a questão da fiança. Esperamos cerca de uma hora até resolverem tudo e vermos Hanna sair abatida de um portão que separava a gente das celas. Caleb foi o primeiro a abraça-la e encher ela de beijos, logo depois foi Aria, eu e por fim o Wren.

– Ainda tem alguns repórteres na frente da delegacia… — comecei a dizer.

– Não me importa, eu só quero sair daqui.


Caleb pegou o casaco dele que estava no saco da polícia junto com as coisas de Hanna e pediu para ela vestir. Teríamos que ser mais forte do que minutos atrás para proteger ela e mais espertos do que nunca pra não deixar eles nos seguir.

*Fim POV Emily*

Notas finais
Mais alguém ta sentindo falta de um troco na Mona? Me falem o que seria um bom troco, depois dessa sacanagem que ela fez. =** (MadJacksonChase o capítulo foi maior por causa do seu comentário. ;* Obrigada por comentar)