Foi tudo muito rápido. Eu estava tão nervosa que quando me dei conta, já estava no St. Mary, um hospital em Londres, ouvindo um médico explicar sobre a fratura na cabeça do Christian. Os pais dele estavam lá e ouviam atentamente.

Um acidente. Um acidente muito grave havia acontecido com o Christian e a Tracy na estrada de Brighton para Londres. Ninguém sabia ao certo como tinha ocorrido. Os médicos explicavam com muita calma, até que eu resolvi me aproximar e ouvir.

–Uma cirurgia no rapaz terá que ser feita, mas é difícil dizer sobre as sequelas, pode ser que ele não resista. A moça está em coma induzido, teve muitas fraturas, os membros inferiores estão quebrados e uma cirurgia para tirar a lesão na coluna terá que ser feita também.

O médico falava em inglês, e por mais que ele repetisse parecia que eu não conseguia ouvir, eu não entedia, como aquilo podia estar acontecendo. A Julie me pediu para levar o Tom e o Teddy para o hotel em que o Christian esteve hospedado, eles iriam permanecer em Londres até que as coisas se resolvessem. Pedi a ela se podia ficar no hotel também, eu estava muito cansada.

Peguei o meu carro, que a todo custo fui dirigindo para Londres muito nervosa pensando no que tinha acontecido, e fui para o hotel. Não fiquei no mesmo quarto que os meninos, apesar de conviver muito bem com os dois, eu não me sentiria á vontade com eles no mesmo quarto. Levei os dois até a porta do quarto e me despedi.

–Qualquer coisa me chamem meu quarto é logo ali na frente. –Falei.

–Fani, obrigada, mas nossa irmã vai ficar bem? –O Tom perguntou.

–Claro que vai! Fiquem tranquilos, ela é muito forte. –Falei, meio que engolindo o choro.

Eles fecharam a porta, e eu fui para o meu quarto. A primeira coisa que eu fiz foi procurar uma outra roupa que eu havia enfiado dentro de uma bolsa, peguei uma blusinha qualquer e vesti e tirei o jeans já que estava uma noite bem quente. Peguei meu celular na minha bolsa, mandei uma mensagem para minha mãe.

Mãe eu estou em Londres, e não vou para o Brasil no dia que combinamos. Aconteceu um acidente com a Tracy e o Christian, e eles estão muito mau. Quero ficar aqui até tudo ficar bem. Beijos e saudades Fani.’

Ia começar a mandar outra mensagem para a Gabi quando meu celular tocou. Levei um susto, e como eu não adivinhei, era tão óbvio, era minha mãe.

Mãe: Pode começar a explicar tudo dona Estefânia.

Eu: Mãe a Tracy e Christian estão entre a vida e morte! Eu não sei o que eu faço.

Mãe: Calma Fani! Você tem que vir para o Brasil, esse é um momento muito delicado. Eles não precisam de você aí.

Eu: Mãe! Você só pode ta maluca né? Eu preciso ficar aqui.

Mãe: Me diz só uma coisa: O que é que você vai resolver ficando aí?

Eu: Não vou resolver nada. Mas eu preciso ficar aqui, eu preciso ver como eles vão ficar.

Mãe: Filha olha só, eu vou deixar você aí pensando, na utilidade que você tem nesse momento.

Eu: Eu vou ficar aqui mesmo, e ninguém vai me impedir.

Mãe: O.k. minha filha. Um beijo.

Eu: Beijos. Manda um abraço para todos aí.

Achei muito estranho minha mãe concordar tão rápido. Mandei a mensagem para a Gabi e pedi a ela que avisasse a Natália, mandei também para o Leo, e lá se foram meus créditos.

Tomei um banho e liguei a TV do quarto, nesse momento bateram na minha porta, levantei bem rápido e olhei pelo ‘olho mágico’ quem era. Era a Julie! Abri a porta, ela me perguntou se havia me acordado, respondi que não.

–Fani sua mãe me ligou. –Ela falou, em inglês.

–Falei com ela tem uns trinta minutos. Ela ligou para perguntar da Tracy?

–Também. Ela também falou que estava preocupada com você, e que você parecia desnorteada no telefone.

–Minha mãe tão egoísta! A Tracy e o Christian no hospital, e ela liga para falar de mim. –Fiquei meio revoltada. Ela deu um sorriso, apesar do rosto estar muito abatido, e os olhos inchados.

–Não Fani, sua mãe tem razão. Você tem que ir para o Brasil. Não que eu não queira que você fique, mas é por ela, ela estava tão desesperada no telefone... sua família deve estar com saudades. –Ela explicou.

–Também estou com saudades deles. Mas acontece que eu tenho uma família aqui também, e ela não entende isso.

Ela quase chorou, vi seus olhos se encherem de lágrimas, mas mesmo assim ela sorriu pra mim.

–A Fani, é tão bom te ouvir falar assim. Mas vou te propor uma coisa, pela sua mãe: Você compra uma passagem para o Brasil ainda nessa semana, e pode combinar com o Leo, quando ele terminar de resolver os problemas em LA, vocês voltam e se encontram aqui, as coisas vão estar melhores, eu espero.

Pensei a respeito por uns segundos, ela estava certa.

–Bem eu vou aceitar a proposta. Mas quero saber tudo o que está acontecendo aqui, peça para o Tom ou o Teddy me escreverem.

Ela sorriu e assentiu com a cabeça. Depois saiu do quarto e eu me deitei novamente.