Fault of Boys- Cage

4 O início do fim


Notas iniciais
Playlist: ♥ Best mistake- Ariana Grande feat. Big Sean Break up, make up Total waste of time Can we please make up our minds? And stop acting like we're blind Cause if the water dries up And the moon stops shining Stars fall, and the world goes blind Boy you know I'll be savin' my love for you, for you 'Cause you're the best mistake I've ever made But we hold on, hold on There's no pot of gold at the rainbow we chase But we hold on, hold on

Eu não tenho como descrever a sensação. Fomos tão longe, arriscamos tanto. Me tornei algo que eu não queria tendo o que eu mais desejava. Doí saber que foi errado. Machuca porque eu sei que foi tão importante apenas para mim. Fere que tenhamos atingido alguém que nunca mereceu o mal. Foi o tudo que eu queria e esperava, foi o que eu pedi. E deixou um rastro de destruição. Três corações sangrando, quando poderia ter sido apenas o meu. Eu deveria ter ido embora antes.

— Você nasceu para ser a ruína de muitos homens...

Ele estava certo afinal.

. ♥ .

Tentar ser perfeita era um esforço inútil.

Estar com alguém tão bom quanto Mark, me fazia parecer errada no mundo. Eu não me sentia assim desde que fui adotada. Porque memórias ruins surgem em momentos impróprios?

Eu poderia estar desfrutando do conto de fadas, onde o príncipe vem e resgata a princesa de todas as atrocidades de passado. Mas Cinderela, Aurora e Bela ficaram com o direito as páginas escritas. Eu? Nunca estive destinada a coisas como estas, nasci para andar no lado controverso da vida.

Destino é uma coisa que não podemos controlar. Não pedimos por, ou não merecemos tal. Tentar ir de encontro a ele é apenas uma curva de negação a qual muitos estão propensos. Uma curva perigosa e cheia de revira voltas. Eu entendo isso, pois escolhi tomar o caminho com curva, invés de ir em linha reta ao final.

Aqui estava eu agora, tentando ser o que não sou. Fingindo que esta é a vida pela qual sonhei o tempo todo. Uma onde tudo que eu quero é um cara que me trate bem, que assuma a culpa mesmo que esteja certo, que me dê flores e nunca discuta comigo. Carrega minhas compras, abre a porta do carro. Que nunca está do lado errado, não erra, e não dá motivos para as pessoas falarem mal.

Tentar acompanhar isso é duro, principalmente se você cresceu pela ideologia do meu pai adotivo: “Não tenha medos, você não precisa deles. Cultive o mal hábito de não se arrepender, e o mal costume de errar, não tem outra forma de aprender a viver.”

Sim, Jason Cole é um gênio a sua própria maneira. E ele ficaria extremamente bravo comigo se soubesse o grande pecado que eu estava cometendo, não pelo fato de ser errado, mas por que eu não estava sendo eu mesma.

Acima de tudo, por que eu estava retornando a ser algo que jurei, por tudo que é mais sagrado sobre a terra, e além dela, que nunca mais seria: Uma sobrevivente.

Por que eu sou uma? Por que eu abri mão de mim, para que eu pudesse agradar as pessoas ao meu redor. “Ele é o cara certo, Lena!” ou “Todas queriam estar no seu lugar”. Até mesmo “Ele é a melhor escolha, preciosa.” Sobrevivendo ao ceder à pressão. Sobrevivendo ao tédio de uma relação sem a chama que a mantém viva. Eu me sentia um fogo que foi apagado pela tempestade, me conformando apenas com resquícios de cinzas aquecidas.

E, pior, eu fiz isso achando que seria o certo. Que Mark era o melhor para mim. Eu o admiro, demais para descrever, por que ele é uma coisa que não conheço e não posso ser. Mark era a minha novidade. Como um bicho em extinção, ele era algo que eu nunca tinha visto. Meu ideal de perfeição era um cowboy boca suja que se apaixonou por uma striper e adotou uma criança cujos pais eram incapazes ser que de dar atenção. Então, eu não poderia deixar de me fascinar com a nova perspectiva nele.

Eu quis ficar com ele, e essa é uma culpa que eu tomo, porque eu poderia ter dito não. Poderia ter dito que não estava interessada. Mas isso não era verdade, pois eu estava. Não no Mark em si, mas no jeito em que as coisas davam certo para ele, ou como sempre parecia certo. Eu me apaixonei por um ideal, e ele partiu meu coração.

Descobri que reluzente, e perfeitamente brilhante num relacionamento, me entediava. Eu esperei a provocação, o desafio, a rachadura, a imperfeição, e nunca veio. Não do relacionamento pelo menos, já de mim, veio dobrado.

Escolhi desistir de mim mesma e tentar viver pela vida do Mark. Nem preciso dizer que não deu certo, preciso?

Minha escolha me tornou em meu maior pesadelo.

Há uma enorme diferença entre viver e sobreviver. E eu já estava cansada de ser uma sobrevivente aos dez anos de idade, então, no dia em que o mundo que eu conhecia foi a baixo, junto com todos os parentes de sangue que eu tive o infeliz desprazer de conhecer, jurei a mim mesma, a Deus, ao universo, e a quem mais quisesse ouvir, que eu nunca mais teria que sobreviver. Eu viveria. Uma vida real, não o inferno sobre a terra.

Mas como eu disse, fui destinada para a queda. Quebrei minha promessa a mim mesma, e não posso sequer me arrepender disso. Minhas más ações me levaram a ter o que eu queria.

Exceto que eu poderia ter feito isso de uma maneira melhor, e bem menos dolorosa.

E, claro, mais lúcida.

Nada como o álcool para desenterrar aquele belo “foda-se” que vive dentro de todos nós.

Bem, este foi o jeito em que eu mandei todos os meus foda-se para o mundo. Eu estava cansada de fingir. E não me interessava mais a opinião dos outros.

Eu queria o Cage.

Não dava para me enganar mais. Eu poderia dizer a qualquer pessoa que eu gostaria de passar o resto da minha vida com o perfeitamente seguro Mark, mas eu estaria mentindo apenas.

Eu estava tão doente com esta velha condição que davam ao amor. Ele nunca seria perfeito e reluzente. Isso é somente uma ilusão. O amor de verdade é construído em cima de rachaduras, é aquele que é tão forte a ponto de suportar quando o chão já não estivesse firmemente colocado sobre nossos pés.

O que eu tinha com o Mark era tão superficial quanto uma fina camada de gelo. Isso era certo. O grande mistério para mim foi Cage. A atração entre nós era inegável, nossa ligação inquestionável. Mas eu poderia chamar o que ele sente por mim de amor?

. ♥ .

Eu acordei com o corpo dolorido, uma mente culpada, mas um coração radiante. Abri meus olhos lentamente, relembrando toda as vezes em que Cage me reivindicou. Todas e cada uma das vezes em que ele tomou o que meu coração já tinha dado a ele. Mas eu me decepcionei rapidamente, pois percebi que ele já não me segurava apertado contra ele, como fez quando adormecemos. Ele me prendeu em seus braços como se tivesse medo que eu fosse sumir durante o tempo que ele dormia.

Agora, no entanto, Cage estava sentado ao pé da cama, com os ombros caídos e o rosto em mãos. Ele estava de costas, e eu não podia ver seu rosto, o que não me impediu de sentir seu sofrimento.

Nessa hora eu me sentei rapidamente, tendo cuidado para manter o lençol me cobrindo, pois eu sabia que algo estava errado. Me arrastei até o seu lado, e me sentei em silencio.

Cage não moveu um músculo, até que eu coloquei a mão em seu ombro. No momento em que minha mão fez contato com sua pele, todo o seu corpo tremeu, e ele se afastou do meu toque. Levantando a cabeça, olhou diretamente nos meus olhos.

Eu vi a dor neles e as lágrimas não derramadas. Meu peito era agora um nó doentio de medo. Eu só pude encara-lo de volta, por um longo momento.

Fomos longe demais para voltar agora, e o êxtase que eu vi em seus olhos, compartilhei em seus braços, e senti no seu toque havia ido embora. Lágrimas encheram meus olhos torando-os tão brilhantes como os dele.

Cage fez uma expressão ainda mais torturada quando analisou meu rosto. — Lena... — Sussurrou. Parecia que ele estava travando uma luta interna. Seu rosto me disse que ele se sentiu culpado, seu tom de voz me dizia que ele queria me consolar.

Quando uma decisão foi tomada, Cage se moveu em minha direção. Enxugou minhas lágrimas com os polegares, e sussurrou no meu ouvido: — Não chore, preciosa. Eu não mereço suas lágrimas.

Ele passou os braços a minha volta e me embrulhou em seu abraço. Eu estava mais que confusa com o que vi em seus olhos, ele me queria, mas ele não sabia se tudo valeu a pena. Eu lutei com seu domínio sobre mim, tentando me afastar para pensar. Meu choro já não podia mais ser controlado.

Mas ele não me deixou ir, antes, beijou me rosto ternamente. — Eu preciso te segurar, Lena. — Suas mãos agarraram o lençol a minha volta, e o descartou com facilidade.

Ele estava se perdendo, eu entendi. Cage me segurou, não porque eu precisava ser segurada, mas por que ele precisava de uma ancora. Os sentimentos estavam em todo lugar a nossa volta.

Ele estava uma bagunça, eu não sabia por onde começar a descrever o que eu estava sentindo, infernos eu nem sequer sabia com certeza o que eu estava sentindo.

Nosso acordo foi selado com silencio e olhares longos.

Eu estava sentada nua em seu colo, e não desviei os olhos dos seus quando minhas mãos subiram por seu peito nu, até o seu pescoço e se prenderam a seu cabelo. Eu memorizei seu rosto puramente masculino, com uma sombra de barba da manhã começando a aparece, antes de suavemente encostar meus lábios no seus. Um beijo suave em meio as lágrimas.

Cage gemeu meu nome bem baixinho, trazendo arrepios a minha pele. Ele se agarrou a mim, trazendo meu corpo mais para perto, minha boca de volta a sua num beijo consumidor.

Meu corpo não pode deixar de reagir a ele. Meu sexo estava inchado e molhado em necessidade, meus seios se apertaram pedindo por ele, mas minha mente ainda estava em guerra.

Cage notou minha hesitação.

— Me deixe te amar, preciosa. Eu preciso ter você.

Suas palavras quebraram qualquer resquício de dúvidas que eu tinha no momento. Deixei ele me deitar na cama suavemente.

Cage me tratou como se eu fosse quebrar. A sutileza do momento tinha meu coração doendo. Ele me beijou sem desviar seu olhar do meu, memorizou meu corpo com suas mãos habilidosas. Se afundou em mim, tão devagar e lento, tão profundo. Sem pressa, ele se perdeu em mim, e eu nele.

E, quando chagamos ao clímax, foi de forma tão quieta, soltando os nomes um do outro em suspiros saudosos. Naquele momento, sem nenhuma palavra, nós dois sabíamos que era um adeus.

Quando ele adormeceu ao meu lado, eu me levantei, calmamente busquei minhas coisas ao redor, vesti minhas roupas e escrevi minha despedida em um pedaço de papel, que deixei em cima da cama.

Você se arrependeu. Eu sinto muito.

Depois disso eu fui embora, voltando para casa. Guardando a memória de seu belo rosto dormindo pacificamente, para me acalentar nos longos dias que viriam. Era o fim do nosso começo.

Notas finais
Quem está acompanhado desde ASHER já deve saber que terá mais.. então digam-me: Qual será o próximo irmão? Até o próximo, Beijos, lindos e lindas!