Faud
1 Capítulo 1 - O Nascimento
Notas iniciais
Já estava bem avançada a noite quando o filho de um jovem casal nasceu em umas das dezenas tendas de uma caravana do deserto.
A mulher que dava a luz, Karim, era uma linda mestiça de pele morena, lindos cabelos castanhos ondulados e olhos incrivelmente azuis. Seu pai era árabe enquanto sua mãe era estrangeira. Depois de viver por 18 anos em cidades do deserto sem quase sair muito, Karim viu uma enorme caravana passar por sua cidade. Foi então que conheceu Nabih, irmão do chefe da caravana. Era também um bonito homem. Alto e de corpo bem encorpado. Tinha um sedoso cabelo negro, uma pele bem branca e incríveis olhos verdes.
Os dois se apaixonaram perdidamente. Mas só depois da resistência de seus pais foi que Karim pode se casar com Nabih. O povo da caravana não ficou contra o casamento com uma mestiça, mas exigiram que em um ano Karim aprendesse todos os costumes do clã Zalam. Os dois primeiros anos de casados ocorreram bem. Então chegou a noticia que Karim por fim daria um herdeiro à Nabih. Grande expectativa todos tinham na certeza que a criança herdaria a beleza dos pais. Mas só o tempo poderia dizer isso.
Por fim o dia chegou.
Foi então chamada a anciã do clã para ajudar no parto. Depois de horas de aflição, naquela noite estrelada nasceu então o filho de Karim e Nabih.
–É um menino! –declarou a anciã em meio aos gritos da criança. –Que nome vocês darão?
Karim e Nabih, que já estava do lada de sua amada, sorriram.
–Ele será chamado de...
–AH! –gritou a anciã que rapidamente levou a criança para perto da claridade. –Não pode ser?!
–O que foi Kemal? Algo de errado com a criança? –perguntou Nabih aflito.
–Os olhos dessa criança...
–O que? Ele nasceu cego? – falou Karim desesperadamente, pensando em como a vida de seu filho seria bem difícil por ser cego.
–Não! Ele certamente enxerga muito bem. O que me surpreendeu foi a cor dos seus olhos.
–A cor?
Kemal entregou a criança para a mãe e aproximou uma lâmpada de óleo para perto.
–Quero que observem atentamente a cor dos olhos de seu filho.
Karim e Nabih se aproximaram e olharam atentamente. O olho esquerdo de seu filho era azul e o olho direito era verde. A diferença entre as duas cores era pouca, mas o suficiente para perceber.
–Os olhos dele são de cores diferentes! –exclamou Nabih surpreso.
–Sim... E sabe o que isso significa, Nabih?
–Não!
–Essa criança está destinada a trazer grandes mudanças. Nós sabemos como uma vida pode dar varias voltas, mas para essa criança isso sempre estará ocorrendo. Devo dizer que a vida dessa criança não será entediante.
–Não diga uma coisa dessa! Mas como meu filho pode trazer grandes mudanças?
–Não se pode dizer agora, mas posso dizer que o mundo a volta dessa criança estará em constante movimento. Esses olhos diferentes são a prova. A prova de um presságio.
–Meu pequeno filho... Mal nasceu e já carrega uma enorme responsabilidade. –disse Karim com algumas lágrimas nos olhos.
–Eu poderia dizer um nome para essa criança?
Os pais se entreolharam e concordaram.
–Que nome você sugere? –disse Nabih.
–Que tal Faud?
–Coração... Porque esse nome? –disse Karim.
–Como anciã do clã tenho muita experiência, então só de olhar para essa criança percebo como ela é bonita. Tenho certeza que quando ela crescer será um lindo homem que roubará a atenção e o coração de muitos.
Por sua vasta experiência da vida, Kemal entendia muitas coisas, mas não conseguia expressar com tato o que dizia. Mesmo não sendo um pressagio ruim os olhos de seu filho serem diferentes, Karim e Nabih ficaram muito preocupados. Kemal percebeu isso e mentalmente se amaldiçoou por ter dito muita coisa sem ser no devido tempo.
–Não se preocupem. A única coisa que podem fazer é dar amor essa criança para que ele possa seguir um futuro mais feliz. Bem, me retirarei agora. –disse Kemal indo embora.
Quando ela saiu, Karim e Nabih ainda ficaram em silencio.
–Acho que Kemal tem razão. Não podemos nos preocupar com isso por enquanto. Devemos nos concentrar em educar perfeitamente nosso filho. –disse Nabih tentando animar a esposa.
–Tem razão. –suspirou Karim aliviada. –Acho que vou ficar com o nome que a anciã escolheu. Faud. É um lindo nome. E melhor do que a gente havia escolhido.
Nabih apenas sorriu. E os dois ainda ficaram ali cuidado de seu pequenino filho.
*******
Cinco anos se passaram.
Muitas coisas aconteceram. Por dois anos seguidos passaram por uma difícil escassez de água, mas agora todos os problemas estavam resolvidos e a caravana estava ficando cada vez maior. E muitos ficavam desconfiáveis se tudo aquilo estava acontecendo com o clã era devido aos olhos de Faud serem de cores diferentes. Mas ninguém conseguia culpa-lo, pois todos se encantavam com a ingênua, carinhosa e fofa criança que Faud havia se tornado.
A caravana estava chegando perto de uma cidade portuária chamada de Himile, para se reabastecerem. Mas uma tragédia estava para acontecer. Enquanto a caravana se reabastecia na cidade, repentinamente ela começou a ser atacada por piratas. Estes destruíam tudo o que viam pela frente. A confusão tomou a cidade. Rapidamente Nabih pegou seu filho e esposa e tirou da cidade.
–Karim, fuja! –disse Nabih colocando Karim e Faud em cima de seu cavalo.
–Mas e você? Não vem? –disse Karim aflitivamente.
–Não posso ainda. Tenho que achar meu irmão e retirar o resto do clã da cidade. –disse Nabih se afastando.
–Papai? –disse Faud aos prantos.
–Não se preocupe Faud, eu vou voltar logo. Enquanto isso cuide de sua mãe, tudo bem?
Faud levemente balançou a cabeça concordando. Nabih se aproximou e deu um beijo de despedida em Karim. Esta logo em seguida partiu para a cidade mais próxima.
Foram dois dias inteiros cavalgando velozmente para que Karim pudesse chegar próximo a cidade Oza. Mas repentinamente uma imensa nuvem de areia apareceu no horizonte e engoli-os por inteiro...
Notas finais
Se gostaram comentem!Bjs!
Fale com o autor