Fate

23 É o Fim?


Notas iniciais
E vamos a mais um capítulo! Sinto em informar, mas esse será o último dessa história... Boa leitura e nos vemos nas notas finais ^^ https://youtu.be/sENM2wA_FTg

"It’s time to begin, isn’t it, I get a little bit bigger, but then I’ll admit I’m just the same as I was
Now don’t you understand that I’m never changing who I am"

Tudo estava se ajeitando aos poucos, de um jeito ou de outro.

No âmbito familiar infelizmente as coisas não estavam tão bem assim. Meu avô não havia resistido ao tratamento e acabou falecendo dias depois da final da Winter Cup. Eu fiquei arrasada, mas dessa vez eu tinha muitas pessoas pra me ajudar a melhorar e eu sabia que, querendo ou não, ele estava mais contente agora ao lado de sua amada aonde quer que isso fosse.

Depois disso, meu padrinho me procurou para esclarecer algumas cosias sobre meus pais. Ao que parece, depois do adoecimento do meu avô, minha mãe resolveu reaparecer no mundo e isso incluía ir atrás de mim, mas ela foi impedida pelo pai de Riko. Ele havia pedido a ela que aguardasse até eu me estabilizar por completo, assegurando que os manteria informados da minha situação.

Com isso, meus pais queriam tentar uma reaproximação comigo. Boatos que eles até haviam me assistido no jogo contra Rakuzan! Claro que as coisas não seriam tão simples assim, afinal de contas eu tinha muito o que perguntar a eles, além de deixar claro como a decisão deles de me abandonar quando criança havia me afetado. Se bem que, se não fosse por isso, eu não teria passado os melhores anos da minha vida ao lado de pessoas tão queridas quanto meus avós, ou quem sabe nem estaria aqui no Japão hoje ao lado de tantas pessoas maravilhosas.

De qualquer forma, eu havia concordado em um encontro com eles. Parece que eu estava pronta para perdoa-los, era o meu melhor momento como pessoa, pois eu estava em dia com todas as minhas antigas pendências. Quem sabe não estava na hora de resolver essa última?

O time da Seirin estava em forma, continuamos treinando mesmo após a conclusão do campeonato. Por mais que Teppei tivesse se afastado por um tempo, nós sabíamos que ainda tinha muito chão pela frente e todo o esforço nos treinos era necessário. Riko e Hyuga estavam mais felizes do que nunca e eu desconfiava que finalmente houvessem se resolvido, e da melhor maneira possível, se é que me entendem.

Agora vamos à Geração dos Milagres.

Os cinco membros oficiais, o sexto membro fantasma, além dos dois Milagres que não compunham a formação original, todos nós acabamos nos reencontrando mais vezes. Nós oito, vez ou outra, nos encontrávamos para jogar nas quadras da cidade, desde duplas a times de quatro, passando bastante tempo juntos.

Murasakibara e Akashi perderam o receio que tinham comigo, me tratando com maior normalidade e até se aventurando a descobrir meu lado mais brincalhão. Ambos se demonstraram ser ótimas companhias, além de se adaptarem muito bem ao meu estilo de jogo.

Midorima e eu nos aproximamos bastante, considerando que ele não se abria muito com os demais dali. Ele me respeitava como jogadora, mas acima de tudo reconhecia o potencial de habilidades que eu tinha mesmo fora das quadras, motivo pelo qual me convidava a sua casa com frequência para praticarmos música juntos.

O loiro mais famoso da cidade, como eu fazia questão de chamá-lo, estava no auge de sua carreira. Depois de se empenhar em um tratamento para sua lesão, as coisas estavam caminhando extremamente bem para Kise. Seu sucesso nas revistas como modelo se equiparava ao de quando era entrevistado por revistas esportivas, demonstrando sua versatilidade e capacidade de seguir em ambas as carreiras. Mas claro que isso não nos afastou nem um pouco, muito pelo contrário. Agora ele me fazia de cúmplice em suas missões para despistar fãs tanto nas quadras quanto nas ruas.

Kuroko estava radiante nos últimos tempos, só não sei dizer se era a alegria de ter seu antigo time unido novamente ou os rumores que se passavam que ele e Momoi estavam se encontrando para falar algo além de basquete. De qualquer forma, o azulado não era mais apenas uma sombra, deixando claro a todos que ele tinha potencial para muito mais que isso.

Kagami havia mudado bastante. Seu temperamento explosivo estava mais contido, revertendo-se em jogadas novas ainda mais incríveis, se é que havia como. Ele e Himuro voltaram a trabalhar juntos, e aos poucos a relação de irmãos deles voltava a ser como antes. Além disso, o ruivo estava se engajando em um relacionamento com a garota da festa da Kaijo e, ao que parece, em breve iríamos conhece-la pessoalmente. Comigo ele continuou a ser extremamente fraterno, sempre mantendo o meu namorado por perto e perguntando se eu estava feliz com ele.

E por fim tinha Aomine, se bem que fazia muito tempo que não o chamava assim. Estávamos indo super bem, o relacionamento parecia que foi escrito há séculos de tão certo que dava. Ambos respeitávamos os espaços individuais do outro, mas ao mesmo tempo não perdíamos a chance de fazer em conjunto as coisas que tínhamos em comum. Eu nunca pensei que inseri-lo na minha rotina seria tão fácil de adaptar.

Por falar em rotina, era uma manhã de sábado bem fria e estávamos nós três no apartamento de Kagami. Kuroko e Kise já tinham saído mais cedo, deixando somente o casal de preguiçosos como visitas ali, ainda de pijamas.

Eu estava no quarto com Daiki, e Taiga tinha acabado de entrar no banheiro quando ouvi a campainha tocar. Cocei meus olhos tentando espantar a preguiça, mas ela parecia que fazia parte de mim agora, depois de tanta convivência com meu namorado.

– Alguém atende lá! – o grito abafado do ruivo saiu pela porta

– Nem que me pagassem – o moreno ao meu lado rolou, ficando de bruços na cama e colocando um travesseiro na cabeça.

Revirei os olhos, me levantando e indo em direção a porta. Fiz questão de dar um peteleco na protuberância traseira de Daiki, o fazendo resmungar alguma coisa sem nexo e proteger a região com outro travesseiro.

– Tudo eu nessa casa! Achei que me namorando você ia gostar mais de mim do que da cama! – reclamei, caminhando a passos firmes.

– Eu avisei desde o começo que ele era assim, não pode devolver o produto agora! – Kagami respondeu, ligando o chuveiro logo em seguida.

Como pode dois garotos serem tão folgados assim? Algumas coisas nunca iriam mudar mesmo. A essa altura, eu já estava na porta e quem quer que fosse já havia escutado toda a discussão.

– Ina?

Uma voz doce de menina soou, e pude notar um olhar de surpresa junto em seu rosto. A namorada não oficial do Taiga estava na porta, perfeitamente arrumada para um encontro. Por um momento me senti envergonhada por ainda estar de camisola de gatinhos, mas fazer o que.

– Oi, Hiroko! Nossa, você está linda! – elogiei, observando cada detalhe elaboradíssimo de seu visual.

– Obrigada... – ela respondeu, envergonhada.

– Vem, pode entrar! – abri mais a porta para ela passar

– Eu não quero incomodar, desculpa aparecer de repente assim... – a recém-chegada disse, ficando cada vez mais encabulada.

– Ei, sem essa! Ele tá tomando banho, já está se arrumando pra sair com você. – informei, fechando a porta assim que ela passou.

– É-É mesmo...?

– Não conte nada, mas ele até comprou um perfume novo essa semana. Acho que nós duas sabemos a razão – sussurrei, arqueando as sobrancelhas sugestivamente em sua direção.

– I-Ina, não fale assim! – ela corou e seu pequeno rosto ficou uma cópia de um tomate maduro.

Agora eu entendi porque Taiga gostava dela. A personalidade dos dois contrastava muito quanto a questão de lidar com pessoas, mas ambos pareciam ter a mesma opinião, só expressada de formas diferentes. Formavam um lindo casal, eu tinha que admitir.

Meu deus, eu tô parecendo uma tiazona.

Depois que entramos, acomodei-a no sofá e dei uma olhada nas horas. Me espantei, pelo visto não era a toa que a paquerinha do Kagami já estava aqui. O relógio marcava quase duas horas e nós nem havíamos almoçado ainda!

– Você se incomoda se eu te fizer companhia da cozinha? Pelo que eu conheço do Taiga ele está oco de fome, mas não vai assumir isso a você nunca. Sendo assim, vou preparar algum lanche só pra forrar a barriga, pode ser?

– Claro, sem problemas. Precisa de ajuda? – ela se ofereceu um pouco sem jeito, ainda desacostumada com meu jeito casual de falar do ruivo.

– Um par de mãos extras é sempre bem vindo – sorri gentilmente, sendo retribuída.

Lembrei que tinha uma carne moída congelada então resolvi fazer um macarrão à bolonhesa, era a única coisa que minhas escassas habilidades culinárias me permitiam. Rapidamente já tínhamos uma refeição quase pronta e, modéstia a parte, o cheiro estava ótimo.

Enquanto esperávamos o ponto do macarrão percebi que Hiroko tinha algo em mente, mas não verbalizava por algum motivo. Ponderei, me colocando em seu lugar e tentando descobrir o que poderia ser, até que tive um palpite. Seria... Ciúmes? Não podia ser, e se fosse era meu dever esclarecer tudo da melhor maneira possível. Era o mínimo que eu podia fazer pelo meu irmão.

– Sabe, eu fico muito feliz que você e o Kagami estejam saindo. Acho que você deve imaginar que é muito esquisito uma garota ser tão colada em um garoto assim. – comecei, tentando dar início ao assunto.

– Vocês são bem próximos, eu sei – ela respondeu rapidamente, demonstrando que não queria se intrometer e que não tinha problemas com o contexto, ao menos na aparência.

– Mas não é só isso. O que eu sinto por ele é algo fraterno, se não for pra dizer paterno – ri fracamente – Não sei se ele mencionou, mas eu cheguei aqui no Japão bem desamparada e com muitos problemas para resolver, sem contar os que apareceram depois...

– Ele contou que você tinha se mudado do Brasil no meio do ano. – ela comentou, me observando compreensivamente.

– Sim, e não foi nada fácil. Mas se eu posso dizer que hoje eu consegui progredir na minha vida, é por causa do pessoal da Seirin e os meninos do basquete, mas principalmente Taiga. – suspirei, tentando colocar as palavras de uma forma aberta – O que eu quero dizer é pra você não se deixar levar pelas impressões que possamos causar, eu o considero muito, mas da maneira que eu consideraria um irmão.

– Obrigada por clarear as coisas, Ina. – Hikoto disse, sorrindo e respirando com calma e tranquilidade.

– Desculpe se isso soou estranho, mas sei lá, muitas coisas são complicadas só na aparência, não na vivência – cocei a cabeça, um pouco sem graça

– E como! – ela gargalhou e um alívio percorreu por mim.

A última coisa que eu queria era estragar um relacionamento do meu melhor amigo, ainda mais pelos motivos errados. Fora que eu também gostaria muito de manter quem faz bem ao Taiga perto de mim, só pra ter certeza de que ele está feliz, assim como fazia comigo. Mas meus pensamentos não foram muito longe, logo já estava sendo colocada de volta a realidade.

– O que tá saindo aí, Ina? – a voz preguiçosa que eu mais gostava no mundo surgiu, juntamente com a imagem de um Aomine coçando os olhos e de cabelo desarrumado.

– Pra comer você sai da cama né, seu traste? – dirigi um olhar estreito a ele, que me respondeu com um meio sorriso.

– Gosto quando você cozinha – ele foi se aproximando, só aí notando a presença da menina ao meu lado – Ah, oi.

– Isso lá é jeito de cumprimentar a visita, Daiki? – bufei, revirando os olhos – Hikoto, esse é Aomine Daiki, ele é amigo do Taiga e ainda tem o privilégio de se intitular meu namorado – debochei.

– Muito prazer, Aomine. – a menina sorriu, visivelmente encabulada por não estar acostumada com minhas brincadeiras.

– Igualmente – ele fez um breve aceno, me abraçando por trás pra ficar de olho na comida – Já tá pronto?

– Quase lá, senhor impaciente. Por que não ajeita a mesa para nós e depois vai avisar o enrolado que sua convidada já está aqui? – sugeri, fechando os olhos ao inalar o seu perfume que tanto me agradava.

– Patroa mandou, a água parou. – ele me beijou na bochecha, começando a fazer o que eu tinha designado a ele.

Permaneci com um sorriso bobo no rosto mesmo depois que ele havia saído. Ao mesmo tempo, notei que Hikoto mantinha as mãos na boca discretamente, como se escondesse uma risada.

– Que foi? – perguntei, divertida

– Vocês combinam – ela respondeu, voltando a cuidar da panela a sua frente.

Apenas ri, já que não pude discordar. Realmente, nós dois tínhamos um jeito sincronizado de fazer as coisas, como se um completasse o outro até mesmo nos gestos e feições. Não tinha como explicar, simplesmente acontecia.

Não demorou muito para o ruivo aparecer, todo engomadinho e perfumado. Me segurei ao máximo pra não constrange-lo ali mesmo, olhando feio para Daiki quando ele começou a esboçar a mesma vontade que a minha.

Terminamos de almoçar e logo em seguida já dei um jeito de sumir dali com o moreno. Tudo bem que praticamente tive que arrastá-lo de lá, já que ele queria porque queria fazer Taiga cometer um deslize e dizer que Hikoto era sua namorada. Eles podiam até ser, mas uma afirmação pública dessas levava tempo e, considerando a timidez da menina, muito tempo.

– Não se esqueçam, lá vai começar às 19h, ok? – confirmei, já atravessando a porta do apartamento do ruivo.

– Tá me estranhando? Eu não sou seu namorado preguiçoso não, horário é comigo mesmo. – Taiga respondeu, estufando o peito.

– Se bem que hoje você tem até uma desculpa pra se atrasar, né? – o moreno insinuou, já correndo pelo corredor para evitar os xingamentos do amigo, me fazendo revirar os olhos por tamanha maturidade.

– Nos vemos mais tarde então. Até mais, Hikoto, foi um prazer conhece-la! – disse, apertando o passo para acompanhar meu namorado encrenqueiro.

Já estava tudo programado para hoje à noite. Kagami iria passar o dia com a moça e depois a levaria ao recital de Mari. Sim, aquele que ela havia me chamado quando fui ajudar Midorima semanas atrás. Aliás, ela me pediu para que fosse sua auxiliar durante todo o processo de criação.

Desde quando ela descobriu que o tema era “cantoras que inspiram”, Mari me solicitou que ajudasse a colocar em uma performance varias de suas musicas favoritas, algo que impressionasse todos da escola, principalmente os olheiros para bolsas. Depois de vários dias de estudo, trabalhei com ela um mash-up com musicas da Adele e da Beyonce, acertando a batida e o tom para que tudo ficasse o mais favorável para o timbre dela.

De toda forma, a apresentação seria hoje e ela me deu total permissão pra divulgar o evento para os meus amigos. Sendo assim, fiz questão de levar o pessoal da Geração dos Milagres que morava na cidade, mais conhecidos como meus fiéis escudeiros para eventos sociais. Claro que Momoi praticamente se convidou ao saber que Tetsuya sairia de casa para um lugar que não fosse uma quadra.

Passei a tarde com meu namorado em casa e no final do dia eu me arrumei para o evento em questão. Decidimos ir até a casa do moreno pra ele tomar banho e se ajeitar de acordo. Quando chegamos lá, fui muito bem recebida pelo casal que praticamente me idolatrava, não faltando elogios para minha roupa, cabelo e tudo o que eles viam pela frente. Enquanto eu tentava agradecer aos dois o moreno apenas revirava os olhos, me puxando pela mão até seu quarto.

– Às vezes eu penso que eles te consideram mais como filha do que como nora – Daiki resmungou, com seu tom de falsa indiferença que eu já sabia identificar muito bem.

– Tá bom, não precisa fazer bico não – debochei dando um beijo rápido em seus lábios, deixando escapar um pequeno sorriso depois disso

– Vamos, foco na missão – ele disse, abrindo a porta de seu guarda-roupa.

Passei os olhos com rapidez em todas as peças de roupas que estavam expostas, formando combinações imaginárias em minha cabeça de acordo com o que eu achava apropriado para a ocasião. Como o frio era predominante, a maioria das escolhas acabava por inserir um grande casaco. Entretanto, dei um jeito de deixa-lo apresentável adicionando um cachecol azul marinho por cima de uma camisa arrumada.

Ele não fez perguntas, apenas entrou no banho e minutos depois apareceu vestido com o que eu tinha escolhido. Foi nesse segundo que meu queixo atingiu o chão. Ou até passado dele.

O cabelo úmido e desgrenhado, somado à seriedade que ele tinha ao se olhar no espelho era de tirar o fôlego. Passados alguns minutos em imersão de pensamentos, ouvi o garoto começar a rir no mundo real, colocando meus pés no chão.

– Que foi, tá doido? – perguntei, tentando disfarçar dando uma pigarreada.

– Eu não, mas parece que você tá doidinha por mim, me devorando com os olhos desse jeito. Acertei?

– Convencido... – retruquei, desviando o olhar do seu interrogatório e negando com a cabeça.

– E então, tô bonito? Diz que sim, quero ficar compatível com essa namorada gatíssima que eu tenho. – Daiki disse, ficando perigosamente próximo de mim.

Sorri baixo, fechando os olhos enquanto me aproximava do sorriso dele que logo se juntou ao meu, transformando-se num beijo daqueles. Ficamos de agarro tempo o suficiente para dar vontade de estragar toda a nossa arrumação, se é que me entendem, então me afastei do moreno aos poucos.

– Vai ficar usando essas cantadas baratas agora, é? – arqueei as sobrancelhas, retomando o ar.

– Se for pra ganhar recompensas assim, pode apostar que vou. – ele sussurrou em meu ouvido, beijando rapidamente meu pescoço em alguns lugares que me causavam arrepios.

– Tá ficando difícil de me segurar, sabia? – suspirei em meio a sequencia de sensações que me preenchiam o corpo da melhor maneira possível

– E quem disse que tem que se segurar?

Ah não, depois disso não tinha nem como.

Segurei-o pelos cabelos firmemente e me joguei em seus lábios, quase que imediatamente me agarrando à sua língua com a minha. Suas mãos percorriam meu corpo todo, sentindo cada centímetro de tecido da minha roupa.

Com a mão livre ergui um pouco a frente de sua camisa, de modo que eu pudesse sentir a dádiva dos deuses que era aquele abdômen definido. Pude jurar que o moreno soltou um riso abafado ao notar o som contido que eu me controlava para não soltar contra sua boca.

Em resposta, as mãos firmes dele começaram a rodear a barra da minha blusa, abrindo passagem para minhas costas serem tateadas por dedos gelados. Levados pelo momento, juntamos nossos corpos já quentes, sentindo o calor transparecer por determinadas partes baixas.

Foi aí que consegui sentir por completo aquela maldita fragrância, meu caminho para a perdição. Deixando os últimos traços de sanidade que eu tinha para trás, agarrei seu volume por cima das calças usando uma das mãos, mantendo a outra arranhando de leve sua nuca em forma de extravasar o transbordar que me subia internamente. No mesmo instante os olhos azulados me fitaram com surpresa pela atitude, mas hesitaram em corresponder, desacelerando nosso ritmo.

– Me responde uma coisa – ele perguntou, num volume praticamente inaudível.

– Fala – respondi com um tom impaciente

– Você é virgem? – ele questionou um pouco apreensivo pela resposta

Óbvio que isso passava na cabeça dele. Querendo ou não, nosso contato estava cada vez mais íntimo e tudo indicava que ambos queriam ir mais além. O negócio é que era tudo novo pra mim, já que eu nunca havia me sentido tão a vontade com alguém a ponto de passar de uns amassos mais quentes.

Mas com Daiki era diferente, eu me sentia extremamente confortável com o desconhecido, por mais que já tivesse visto e lido sobre o assunto. Entretanto, será que ele sabia disso? Ou achava que eu estava me deixando levar pelo que supostamente só ele tinha interesse?

– Digamos que na prática, sim – sorri minimamente, deduzindo a preocupação que ele tinha em mente.

– E na teoria?

– Vai ter que descobrir por si mesmo. – desafiei, mordiscando seu lóbulo da orelha e fazendo-o delirar.

Tomando isso como um convite, dei a permissão para ele desabotoar meu sutiã por debaixo da blusa. Ao mesmo tempo, mantive minha palma no lugar que ele mais queria, deixando que sua mente apressada tivesse dificuldades com o meu fecho. Reparando no seu insucesso, levei minhas mãos para trás, procurando o pedaço de tecido que tanto nos atrapalhava naquele instante.

De repente, antes que eu pudesse prosseguir com o plano, uma sequência de batidas na porta nos fez parar e, com o susto, afastamos nossos corpos por instinto. Olhei para ele alarmada, mas tudo que o moreno fez foi sinalizar com o indicador para que eu me mantivesse quieta sem nos denunciar.

– Meninos, já está quase na hora, temos que ir para não se atrasarem!

Como a residência dos Aomine ficava no caminho do teatro, os pais dele se ofereceram pra nos levar até o local da apresentação. Claro que isso tinha ficado em segundo plano alguns segundos atrás.

– Tá bom, já vamos descer! – Daiki respondeu, colocando sua melhor voz de indiferença, o suficiente para nos acobertar.

Ouvimos os passos da senhora pelas escadas e soltei um suspiro de alívio. Apontei para o rapaz como quem o culpava, mas seria hipocrisia da minha parte, então apenas comecei a rir da nossa situação. Estávamos extremamente bagunçados e com vestígios de suor por todo o corpo, sem contar os lábios demasiadamente inchados e vermelhos.

Era incrível como mesmo depois de tantos amassos o próximo sempre parecia melhor que o anterior.

Minutos depois chegamos ao local e fiquei boquiaberta. Não era uma simples apresentação, era um baita dum show e cabiam umas 500 pessoas ali facilmente. Nem tive tempo de processar tudo aquilo porque, assim que chegamos, a família Midorima nos abordou com os tickets para os assentos em mãos.

– Que prazer revê-la, Ina! – a mãe dele me saudou, já pondo os olhos no moreno ao meu lado – Esse rapaz é o seu namorado, então? O antigo colega de Shintarou, que coincidência!

Mantive minha expressão firme, mas internamente eu estava morrendo de rir da cara que Daiki fez. Ele e o esverdeado tinham muitas diferenças e tenho certeza que o título de colega não lhe servia tão bem. Os dois só dividiam o mesmo espaço, e porque eram obrigados.

– Por favor, podem ficar a vontade, os lugares são logo ali e todos juntos. – o senhor de cabelos verdes me fez voltar ao mundo físico, exibindo um punhado de tickets para que eu pegasse.

– Desculpe, senhor Midorima... – chamei-o de volta assim que os contei pela segunda vez – Está faltando um convite, nós estamos em sete.

– Querida, Mari não te avisou? – a mulher se aproximou, respondendo pelo marido – Os instrutores musicais ficam no palco junto com seus aprendizes!

– Pera, é o que?! – foi a única coisa que consegui expressar antes dela segurar minha mão, dando os bilhetes para Daiki e me tirando dali

– Na verdade, já esta na hora de você se dirigir pra lá, meu bem. Vamos, eu te ajudo a se localizar.

Misericórdia, que história de palco era essa? A mãe dos irmãos Midorima me guiou até uma organizadora do evento, passando as identificações para que ela me levasse até Mari. A partir daí eu fui praticamente arrastada até o backstage, deixando um Daiki quase morrendo de tanto rir da minha petrificação instantânea e se dirigindo para onde o restante dos meninos estava.

Em meio ao rebuliço, a silhueta impecável de Mari apareceu assim que lhe chamaram. Ela estava maravilhosamente arrumada, maquiagem e roupas no mais perfeito estado para a apresentação.

– Desculpe por não te avisar antes. Você parece meio branca, Ina, está tudo bem? – ela fitou minha feição em dúvida, erguendo uma sobrancelha.

– S-Sim. – gaguejei tentando esconder a tremedeira

– Ótimo. Vem comigo então, quero treinar mais uma vez antes de subir ao palco.

Assenti relutante e a segui até uma pequena sala de arrumação. Vários outros adolescentes estavam lá também, uns fazendo aquecimento vocal e outros retocando o visual. Não queria deixá-la preocupada, mas se eu estivesse em seu lugar já estava desmaiada apenas de olhar a concorrência. Eu estava praticamente mole só de me sentir responsável pela apresentação dela, imagine se eu realmente me apresentasse?

Supreendentemente Mari estava bem calma. O ensaio improvisado foi executado com perfeição e então tive certeza de que ela pertencia a sua família, pois reconheci nela a mesma dedicação e precisão que seu irmão tinha nos arremessos.

Pouco tempo depois vieram nos procurar alertando que tínhamos cinco minutos até as cortinas subirem para a menina ao meu lado. A caçula Midorima sorria de canto a canto, empolgada para se apresentar. Ficamos juntas até o último segundo possível, quando por fim ela se dirigiu para o momento tão esperado.

As luzes se apagaram com Mari se posicionando ao centro do palco, onde um único foco de luz pairava sobre o microfone. Fiquei na coxia, observando tudo a alguns metros de distância, mas a sensação era de estar lá no meio também. De relance consegui identificar o local que os meninos estavam sentados, mas tinha quase certeza que eles não me viam por conta das luzes.

Assim que o arranjo que eu mesma havia criado começou, um sorriso tímido escapou dos meus lábios. A plateia se calou no primeiro tom modificado de “Set fire to the rain” e permaneceu assim enquanto “If I Were a Boy” e “Rolling in the Deep” demarcavam uma belíssima performance na sequência.

O mash-up que construímos era de impressionar qualquer mero desconhecido do mundo musical. O alcance vocal exigido resultou em uma onda de aplausos incessáveis ao fim da última estrofe, demonstrando o sucesso que havia feito com todos os presentes.

Mari sorria, retomando o folego gasto e encarando os rostos a sua frente, fazendo uma breve reverência de agradecimento. Assim que se ergueu, seus olhos pairaram sobre mim e logo em seguida arranquei gargalhadas da menina.

Eu estava eufórica, pulava, gritava e sacudia quem estava do lado. Se essa garota não conseguisse a tal da bolsa nem as próprias Beyoncé e Adele conseguiriam. Ela tinha talento e merecia muito que fosse a escolhida.

Minutos depois eu já estava do lado externo do local. A mais nova bolsista de Shutoku comemorava com a família a conquista, todos exibindo imenso orgulho da jovem. Tirei meus olhos da cena bonita que eu observava para fitar o grupo que se aproximava de mim.

– Isso foi incrível, Ina! – Momoi se apressou em dizer enquanto pulava em meu pescoço, ignorando meus pedidos para que não o fizesse.

– Foi mesmo, estou orgulhosa de você irmãzinha – Taiga disse, sorrindo junto de Hikoto

– Sério que você criou aquele arranjo? – Kise comentou visivelmente empolgado

– Nem eu esperava por essa – Daiki me dirigiu um olhar de cima a baixo, me fazendo corar.

– Não sabia que era tão boa assim além do basquete, Ina. – Tetsuya falou, me cumprimentando também.

– Eu nunca a vi jogando, mas posso garantir pra vocês que de musica ela entende muito – a voz de Mari soou atrás de mim, sorridente e elétrica.

A menina estava sem toda a maquiagem de palco e portava uma pequena bolsa para passeio. Ao que tudo indicava já havia passado o tempo com os pais e agora estava pronta para uma comemoração com sua instrutora. Eu nunca ia me acostumar com esse nome.

– Parabéns, foi uma bela performance. – Hikoto falou timidamente

– Pra irmã do Midorima, você tem bastante talento – o ruivo deu o braço a torcer, desconfortável em elogiar um familiar do esverdeado.

– Vocês todos conhecem meu irmão, então? – ela perguntou, pousando o olhar em cada um deles.

– Já jogamos juntos, mas ele nunca mencionou nada sobre você – Daiki disse indiferente.

No mesmo segundo o encarei, me lembrando de sua reação no dia que eu contei sobre ela. Estreitei os olhos de tal forma que ele engoliu em seco, dando um passo para o lado, se afastando da menina e me fazendo conter uma risada. Tão garanhão e galanteador, mas ao vivo não passava de um gatinho assustado.

Entrelacei minhas mãos nas suas, mostrando que eu estava brincando e fazendo com que a tensão em seus ombros sumisse. Isso tudo era medo ou respeito? De qualquer forma não era por ameaças que eu funcionava, então resolvi amenizar a situação. Virei o rosto para que meu cabelo tapasse minha boca dos demais da roda, assim só o moreno ouviria meu comentário.

– Eu não mordo, não em público – comentei baixinho, recebendo uma gargalhada fraca de volta.

Não tínhamos jeito mesmo.

Voltando para os outros reparei que a conversa fluía muito bem entre todos eles, se não fosse por uma única pessoa. Kise estava quieto, sem fazer cantadas, piadas ou qualquer coisa do tipo. Ele parecia até, surpreendentemente, tímido.

– Eaí, Kise, o que achou da apresentação? – perguntei, recebendo a atenção imediata do loiro e dos demais.

No mesmo instante Daiki e Taiga me olharam com cumplicidade, sabendo na hora o que eu queria dizer com aquilo. Num segundo o plano estava orquestrado e no outro já o colocavam em prática.

– Verdade, eu vi você aplaudindo um monte na hora, mas agora está mudo. – Taiga começou com um tom falsamente curioso

– Tem algum motivo pra isso? Talvez alguma presença que te deixe meio encabulado... – Daiki continuou, se fazendo de desentendido

A cara do Kise era impagável. Ele ficava gaguejando palavras sem nexo e desviando dos nossos olhares. Deixei o resto por conta dos meus inquisidores de plantão, que já começavam com mais perguntas constrangedoras para o loiro.

Resolvi dividir a conversa em duas, afinal de contas minha intenção não era envergonhar Mari, só o Ryouta mesmo. Me direcionei para as meninas, ficando mais próxima delas para que a conversa se restringisse a nós quatro.

– Ele vai ficar bem? – Hikoto questionou, apontando com os olhos preocupados para o interrogado na outra rodinha.

– Não se preocupe, ele já passou por situações piores, vai por mim. – respondi, notando um olhar da Midorima para o loiro.

Opa, peraí. Alguém tá sentindo esse cheiro de tinta aqui? Porque eu tenho quase certeza que pintou um clima entre esses dois. Antes que eu pudesse proferir qualquer coisa, a rosada em minha frente pareceu ter feito um clique, chegando à mesma conclusão que eu.

– E então, tinha alguém em especial para quem você dedicou essa apresentação? – a rosada falou, claramente uma conversa totalmente inapropriada pela reação da Midorima mais nova.

– N-Não, quer dizer, é só uma música e...

– Era para o Takao? Você mesma disse que ele era uma gracinha! – questionei, abanando as mãos em um gesto de despreocupação.

– O Kazunari? – ela perguntou surpresa, soltando uma enorme risada e nos deixando com cara de tacho.

– Que foi? – fiquei curiosa, não entendendo a reação dela – Vocês se parecem muito!

– Pode até ser, mas ele só tem olhos para uma pessoa desde o dia que o conheci – Mari respondeu, dando de ombros e começando outra conversa rapidamente.

Essa eu não sabia. Não que eu estivesse desapontada, porque as provas apontavam mais do que nunca para que meu palpite de sua paixonite pelo Ryouta estivesse correto. Só queria saber se o irmão dela sabia disso, quem sabe esse era o motivo de ele não levar muitos amigos em casa? Falando nele, eu não havia sequer o cumprimentado nessa noite, então resolvi dar uma olhada geral.

De canto de olho procurei incessantemente por Shintarou. Quando o encontrei estava pronta pra acenar em sua direção, até que vi que ele estava indo de encontro à outra pessoa. Uma multidão passou entre nós e o perdi de vista, mas posso jurar que o vi de mãos dadas com uma pessoa alta e de cabelos pretos bem familiar. Sorri levemente com a possibilidade, já que esse par nunca teria passado por meus pensamentos antes de hoje.

Me voltei para os que estavam ao meu redor novamente. Coincidentemente formávamos quatro casais certinho, mesmo que um deles havia acabado de se conhecer e nem sabia que se enquadrava nessa categoria. Seria uma obra do acaso? Claro que não, ao menos para a entidade casamenteira que habitava dentro de mim.

– E então, vamos fazer alguma coisa depois daqui? – perguntei em voz alta, animada

– Bom, não sei vocês, mas eu estou morrendo de fome – Mari comentou, colocando a mão no estômago.

– Nem me fale... – Kagami completou

– Que novidade, Taiga querendo comer – revirei os olhos, fazendo graça.

– Não tente enganar que você também está oca por dentro que eu sei! – o ruivo afirmou, me fazendo bufar por me decifrar tão facilmente.

– Tá, uma forradinha no estômago não faria mal... – eu disse, dando de ombros

– Então pronto! Agora, pra onde vamos? – Momoi questionou

Os meninos e eu nos entreolhamos e caímos na risada, pois sabíamos que todos tinham o mesmo lugar em mente. Toda vez que estávamos juntos era por causa do basquete e, querendo ou não, só havia um lugar que reabastecia nossas energias por completo.

– Com que frequência vocês vão a lanchonetes? – perguntei, passando meus braços e posicionando Hikoto de um lado e Mari do outro.

Andamos por cerca de meia hora, mas o tempo passou voando.

Ao chegar no local previsto sentamos em uma grande mesa, e eu fiz questão de deixar o casal “Kisari” isolado em uma das pontas. Infelizmente, o loiro parecia ter ficado em tela azul desde o segundo que sentou ali. Mari até tentava puxar uma conversa, por mais que estivesse visivelmente enrubescida, mas o lerdo do Ryouta não fazia nada além de sorrir nervoso.

– Mas que saco, essa criatura não vai abrir a boca não? – comentei em voz baixa com o moreno ao meu lado

– Eu nunca o vi assim, deve ter realmente achado ela interessante. – ele ponderou, fitando as ações do amigo.

– Como assim? – indaguei

– Quando ele trava é porque acha que não dá conta do recado. Em outras palavras...

– Ele precisa de um empurrãozinho – sorri maliciosamente, já arquitetando um novo plano.

No mesmo instante que observávamos os dois, Kise começou a comer sem parar, mastigando tanto que provavelmente teria dores no maxilar pelo esforço. Não sei se estava sem saber o que responder ou se ele só queria acabar logo com aquilo e correr pro banheiro.

– Acho que se você empurrar uma parede ela vai mais longe do que esse aí. – Daiki debochou

Realmente, Kise podia até ser jeitoso com as fãs e multidões que o perseguiam, mas quando se tratava dele correndo atrás de alguém chegava a ser vergonhosa sua falta de habilidade. Era quase um caso perdido, se não fosse pela minha persistência em juntar aqueles dois.

Depois de comer é claro que fomos até a quadra próxima para jogar, mesmo que nossos trajes não fossem nem um pouco apropriados. Entramos em um acordo de fazer uma pequena partida, deixando Kuroko no banco junto com as meninas a seu pedido, ao que parece ele não se sentia bem jogando de estômago cheio.

No sorteio improvisado de duplas eu acabei caindo com o loiro, para descontentamento dos outros dois. Um copiador e um metrônomo no mesmo time contra os dois jogadores mais impulsivos que existiam, era praticamente uma leitura de mentes. O jogo foi rápido, somente 15 cestas até que fosse declarado um vencedor. E claro que a dupla Ki-Ina ganhou, né?

Taiga e Daiki ofegavam, negando com a cabeça a precisão de passes que eles presenciaram durante a partida. O ruivo foi em direção a sua acompanhante, que já o recebia com um sorriso no rosto e elogiando seu modo de jogar em todos os aspectos. Olhar praqueles pombinhos me fazia derreter por dentro.

O moreno por sua vez recolheu a bola e ficou girando-a nos dedos, enquanto normalizava a respiração escorado numa parede. Fui até ele e roubei a bola de suas mãos agilmente, recebendo um abraço por trás em troca. Desse modo mantínhamos nossos corpos quentes, o que foi um alívio considerando que a temperatura dali fosse típica de inverno.

Momoi agarrava o braço do azulado enquanto conversava animadamente com Mari, deixando Kuroko e Kise em um silêncio no mínimo inédito. Se fosse em uma situação normal, o loiro já estaria miando alguma coisa irrelevante para o menor.

– Isso já tava definido no sorteio, Ina conhece a gente bem demais pra ser pega de surpresa em um lance, ainda mais tendo a máquina de xérox aqui pra fazer ponto em todos os rebotes. – Kagami comentou, iniciando uma conversa mais abrangente.

– Que nada, nós é que fazemos uma boa dupla, não é não, Ryouta? – batemos os punhos no ar em cumplicidade, fazendo o ruivo e o moreno revirarem os olhos.

– Agora estou num dilema! Não sei dizer se você é uma profissional no basquete ou na música – Mari comentou, sorrindo pra nós – E você também é muito bom, Kise!

A menina corou um pouco, passando uma das mexas de cabelo para trás da orelha. No mesmo momento que eu, Momoi deu um risinho notando a situação da carne fresca buscando interagir com ele custe o que custasse.

Fitei o loiro ao meu lado e ele estava sem saber o que dizer. Qual é, Kise, é óbvio que ela está doida pra se aproximar de você e essa sua cara de bobo também não me engana mais! O olhei dando uma indireta, mas ele parecia estar travado. Foi o cúmulo para eu dar uma não tão leve cotovelada pra ver se a criatura tomava uma atitude.

– Ah! – ele exclamou, finalmente fazendo o motor funcionar – O-Obrigado, Mi...

– Mari. – ela o interrompeu, também surpresa por ele ter reagido – Não gosto que me chamem de Midorima por causa do meu irmão, afinal de contas não somos nem um pouco parecidos, né?

– Com certeza! Ele não chega aos seus pés... – o loiro disse fazendo descaso, como se a resposta fosse evidente.

Após proferir essas palavras Kise riu sem graça, só depois notando que tinha dito isso em voz alta e então corando absurdamente. Então ele voltou para seu estado de paralisia, fitando o chão e nada além disso. É talvez fosse melhor quando ele ficava em silêncio.

– O-Oi...? – a menina gaguejou sem acreditar no que tinha acabado de ouvir, então resolvi intervir.

–Mari, o que acha de te chamarmos pra assistir a próxima partida?

– Vou adorar! – ela assentiu, sorrindo abertamente

– Esteja preparada pra ver esses dois perderem, eu não vou deixar barato – Taiga comentou confiante, entrando na conversa novamente

– Mal posso esperar pra derrota-los de novo... – comentei, mostrando a língua para o ruivo

– Espere sentada, gracinha. Na próxima não será tão fácil – o moreno atrás de mim rebateu com um sorriso debochado

– Até parece, meu bem. Você ficou no chinelo faz tempo – continuei a retrucar, fingindo menosprezá-lo.

Aomine estreitava o olhar pra mim com um meio sorriso nos lábios, parecia decidir a consequência das minhas palavras. O restante do pessoal apenas gargalhava se divertindo da situação, todos nós sabíamos que Taiga e Daiki caíam muito facilmente em provocaçõezinhas de qualquer tipo. O que ninguém esperava era que um deles levasse um pouco mais a sério.

– Te dou uma vantagem de cinco 10 segundos. – o moreno proferiu em um tom calmo, totalmente incompatível com sua suposta ameaça dirigida a mim.

– Que? – perguntei ainda rindo, me afastando aos poucos do meu encosto.

– Nove. Oito. – ele contava, dando pequenos passos em minha direção.

– Pera, que isso Daiki, vamos conversar... – eu sorria nervosa para o moreno, mas ele não estava pra brincadeira mais.

– Lá vai o casal de novo, esses dois não sossegam um segundo – Taiga comentou, fazendo uma breve narração do momento.

– Seis... Cinco... – a contagem continuou e com ela o sinal da minha deixa para sair dali inteira

– Fui! – exclamei mandando beijo para todos, juntando minha bolsa e correndo o máximo que pude até a saída da quadra – Até mais gente!

Acenei para os que ficaram e me empenhei mais na corrida, deixando ao fundo seis jovens quase morrendo de rir do meu desespero. Quando olhei pra trás, o moreno já me seguia e encurtava a distância a cada passada mais larga. Não deu nem três quadras e o garanhão já havia me alcançado, me pegando e erguendo do chão num abraço, impedindo que eu corresse mais.

– Nem pense em fugir, namorada!

– De você eu só quero proximidade, namorado. – respondi, arrancando um sorriso do seu rosto e depositando um beijo caprichado em seus lábios.

Infelizmente a cena linda de filme romântico teve que ser parada devido ao intenso frio que fazia ao ar livre. Também, uma noite de auge de inverno em Tóquio, não dava pra se esperar outra coisa depois que nossos corpos já haviam esfriado da rápida partida. Além do mais, estávamos no meio da rua, sem nada para bloquear o vento cortante que nos acuava.

– Podemos ir pra sua casa? – ele sugeriu com um tom de voz bem mais indiferente que o habitual, tentando disfarçar a tremedeira no queixo.

– Claro. – confirmei, colocando os pés no chão novamente – Tem algum motivo especial pra ser a minha casa?

O olhar que ele fez em seguida já dizia tudo. Óbvio que tinha motivo, ele já não era capaz de esconder nada de mim assim tão facilmente, seu padrão de ritmo e respiração estavam fixados em cada pedacinho da minha mente. Sorri confiante ao desvendar seu mistério, o fazendo revirar os olhos em desânimo.

– Não tem nem graça inventar surpresa pra você, sabia? – o moreno retrucou, pegando na minha mão e começando a nos fazer andar.

Chegamos em casa e fui direto pro quarto pra deixar minhas coisas e pegar algumas cobertas para nos esquentar. Assim que voltei, Daiki já estava acomodado, mas não chegou a deitar relaxadamente como de costume.

– E então? – perguntei, me sentando ao seu lado no sofá e dando início ao assunto.

– Olha, eu não sei o que deu em mim, de verdade. Eu nunca namorei, então você tem que me dar um desconto. – ele começou, já arranjando desculpas para o que viria a seguir.

– Desembucha logo, garoto.

Observei-o suspirar e retirar um pequeno pacotinho do bolso, já meio amassado pela falta de cuidado no transporte. O moreno estava encabulado e segurava o embrulho com todo o cuidado do mundo, aumentando minhas suspeitas.

– Era pra ser um anel, mas como isso atrapalharia no basquete... – ele não terminou de dizer, apenas me dirigiu o pacote.

– O que você tá aprontando? – perguntei surpresa, enquanto abria a embalagem.

Ao terminar, não perdi tempo escondendo minha reação. Em minha mão, uma fina corrente prateada em conjunto de um pingente minúsculo, delicado e simples de uma pedrinha azul. A sensação que me preencheu foi indescritível, não conseguia me expressar com palavras lógicas.

– Esses dias eu passei por uma loja de pedras, e essa me chamou a atenção. Chama Água Marinha, o cara disse que ela é encontrada no Brasil e que é relacionada ao amor. – ele ficou meio sem graça com a última parte, e isso não passou despercebido por mim – Sei lá, achei que era muita coincidência pra eu deixar de lado.

– Daiki...

– Não precisa ficar se não gostou, é bem meloso e não é um colar muito refinado – ele riu, coçando a cabeça

– É lindo. – disse, indo de encontro aos seus olhos e em sequência seus lábios.

A reação de felicidade dele foi inédita pra mim e me encheu o coração. Esse lado carinhoso que ele tinha comigo, e só comigo, era algo que ia além de qualquer expectativa que eu tinha a seu respeito quando começamos a namorar. Era como se formássemos pessoas diferentes quando ficávamos juntos, longe dos observadores.

– Que bom que gostou, Ina. – o moreno passava os dedos delicadamente em minha bochecha, enquanto eu colocava o pequeno acessório em meu pescoço.

Ao terminar, me aproximei dele lentamente e como consequência ele me envolveu em um beijo caloroso e repleto de carinho. Esse era o cara que eu tinha ao meu lado. Alguém que me satisfazia em todos os sentidos e ainda assim conseguia me proporcionar cuidado e atenção que eu nunca tive.

– Espera aí, eu acho que tenho algo pra você também – sorri, me desfazendo do momento e lembrando de algo que eu tinha guardado.

Fui até a gaveta do armário que eu guardava meus itens de recordação. Revirei aquilo umas dez vezes até achar o que estava procurando. Coloquei o objeto dentro de uma das mãos, escondida atrás de mim e voltei para Daiki com um enorme sorriso no rosto.

– Quem é que tá aprontando agora? – ele perguntou, erguendo a sobrancelha em deboche.

– Seguinte. – comecei, respirando fundo – Eu tenho isso guardado há muito tempo, desde o dia que encontrei num mercadinho lá da minha cidade. Eu não sabia a quem presentear, então só guardei até que encontrasse alguém. É uma fita do Senhor do Bonfim, da Bahia.

Abri a mão e fui em sua direção, estendendo-a até ele. Seus olhos emitiam um misto de curiosidade e surpresa com o item que eu oferecia.

– Bon... Fim...? – ele repetiu, com muito sotaque.

– Isso. Elas são muito populares no Brasil, mas originalmente tem um significado. Essa aqui – apontei para o objeto em sua mão – É azul escuro, então atrai fidelidade e harmonia, além de simbolizar o ideal e o sonho. Se não me engano, o Orixá por trás dela é Ogum, pelo menos foi o que a vendedora me disse.

– Tudo isso numa fitinha? – indignou-se com tamanha informação

– E tem mais – ele riu enquanto eu falava – Ao amarrar ela com duas voltas, você tem que fazer três pedidos, mas não vale contar pra ninguém! A cultura diz que eles irão se realizar se você deixar que a fita caia naturalmente.

Daiki ficou pensativo por muito tempo, observando o presente em suas mãos. Um pequeno sorriso se formou em seus lábios, deixando à vista a novidade que aquilo representava para ele. Querendo ou não, era algo bem pessoal e eu não sabia se ele receberia com bons olhos algo desse tipo.

– Coloca? – ele me dirigiu a fitinha, para a minha surpresa.

– No pulso ou no tornozelo? – perguntei, colaborando com sua animação.

– Tornozelo.

Peguei o tecido azul de suas mãos e ergui levemente a calça pseudo-social que ele trajava, conciliando um espaço entre sua pele morena e sua meia. Dei as duas voltas de modo que não apertassem demais e me preparei para dar os nós.

– Os pedidos estão na ponta da língua? – virei-me para seu rosto, fitando cada reação que ele esboçava.

– Acho que sim... – ele pensou por um segundo, assentindo para que eu continuasse com o procedimento.

Enquanto eu atava cautelosamente as amarrações, pude perceber que o moreno sussurrava num tom praticamente inaudível e incompreensível os seus três desejos, mantendo os olhos fechados durante todo o tempo. Olhando-o daquele jeito, inocente e empolgado, meu coração chegava a transbordar de alegria, sabendo que aquele cara estava comigo.

– Estamos bem místicos hoje, hein – comentei ao terminar de dar os nós, fazendo com que ele abrisse os olhos.

Rimos e me aconcheguei de volta no sofá, sendo recepcionada com um abraço firme e um beijo no topo da minha cabeça. Era tão fácil ficar bem ao lado dele, não tem uma explicação exata, só ficamos ao lado um do outro e todos os problemas já sumiam. Sem contar que o aroma inconfundível de seu perfume praticamente me embriagava devido a nossa proximidade. Eu nunca ia me cansar disso.

– Posso... Perguntar uma coisa? – ele se manifestou, apoiando o queixo no meu ombro.

– Claro.

– Eu sei que foi a sua avó que te incentivou a vir pra cá, mas você nunca falou dela. – Daiki começou, procurando as palavras certas para utilizar.

– Ela faleceu dias antes de eu me mudar. – respondi, deixando sem querer que meu tom de voz decaísse por um segundo.

– Ah... Sinto muito. – desculpou-se instantaneamente, já procurando maneiras de mudar de assunto para me animar.

– Tudo bem... – senti o clima pesar, então pensei rápido em uma maneira de reverter a situação – Pra matar sua curiosidade, vou pegar um negócio, espera aqui.

Caminhei em direção ao quarto novamente e apanhei o familiar papel dobrado, a cartinha da minha vó que há tempos eu não relia. Levei-a até a sala com um pequeno sorriso, deixando que as lembranças boas do Brasil tomassem conta de todos os meus pensamentos daquele momento.

– Por que você trouxe isso? – perguntou, com um meio sorriso no rosto, apontando para o que eu havia pegado.

– É uma carta, quero que você leia. – respondi, estranhando sua mudança de atitude

– Acho que se confundiu, eu já vi isso aí, e não é uma carta.

– Como não? Você bateu a cabeça em que momento?

– Ina, prometo que não vou te deixar envergonhada, pode falar que se confundiu logo. – o moreno insistiu

– Garoto, para de falar asneira, olha só isso aqui! – sentei ao seu lado e comecei a desdobrar o papel, logo avistando as letras tão familiares – Viu?

Ele ficou boquiaberto por alguns instantes. Seus lábios tentavam formar palavras, mas nenhum som saía. Por que isso tão de repente? Alguma coisa estava errada com ele pra tirar a habitual despreocupação de sua voz.

– Sua avó te deu isso? – ele perguntou, não encostando na carta, me deixando de testa franzida

– Na verdade ela não chegou a me entregar pessoalmente. É uma longa história...

– Me conta – pediu sério, me encarando nos olhos firmemente.

– Tudo bem... – assustei um pouco com a intensidade que falava, mas resolvi contar mesmo assim – Nós havíamos discutido sobre eu me mudar pra cá por causa da minha saúde e tudo mais, e eu me isolei no quarto pra não brigar já que o assunto me deixava chateada. A vó me deixou um prato do almoço na minha porta sem falar nada e saiu de casa até a padaria próxima, ela queria me animar e resolveu comprar umas comidinhas que eu gostava. Quando meu vô me contou, fui atrás dela para ajudar a carregar as cosias e agradecer – dei uma pausa, o sorriso sumindo rapidamente do meu rosto – Ela foi atropelada umas duas quadras de mim. Eu vi tudo.

Fazia tempo que não pensava nesse assunto. Por mais que fosse algo de tempo atrás, associar a imagem alegre que eu tinha daquela senhora com o modo trágico que ela havia se despedido me deixava com um sentimento de desamparo.

– Desculpa. Não devia ter pedido pra contar. – ele desculpou-se, colocando uma das mãos no meu braço em forma de consolo.

– Não tem problema. – sorri fracamente, me recompondo aos poucos – Enfim, além das comidas, descobri dias depois que ela havia comprado uma revistinha de esporte pra mim, e fez uma carta no verso de um pôster que vinha de brinde. Foi basicamente por causa dessa carta que eu vim pra cá.

– Entendi... – ele passou os olhos pelas palavras em português que estavam transcritas ali, sem compreender nada – Pode traduzir?

Assenti e o fiz. O moreno se atentava a cada frase, quase ficando sem piscar durante o tempo que eu falei. Ao final, ele gargalhava sacudindo a cabeça, como se não acreditasse no que eu havia lido.

– Qual a graça toda? – perguntei, sorrindo um pouco.

– Você nunca olhou o verso? – Daiki me perguntou com um sorriso bobo no rosto

– Não, ué... – estreitei os olhos em sinal de desconfiança – Sei lá, no máximo quando peguei a carta pela primeira vez. Por quê?

– Eu já. Uma vez que te busquei aqui e você pediu pra eu pegar um troço do Taiga no seu quarto. A gaveta estava aberta e isso me chamou a atenção pela familiaridade. Tenho uma revista igual.

Um ponto de interrogação gigante surgiu no meio da minha testa. Fiquei curiosa demais com a declaração dele, o encarando com receio, misturado com um leve medo e ansiedade. Quando virei a folha, as palavras fugiram da minha boca.

Ao topo da página, o título “Geração dos Milagres” estava em cores vibrantes. O uniforme da Teiko parecia movimentar-se com as jogadas rápidas do jogador que o vestia. O corpo menos trabalhado e levemente mais baixo do rapaz era acompanhado de um sorriso faceiro em seu rosto, com a bola em uma das mãos e a outra preparada para uma jogada. Abaixo, o nome do jogador em letras metalizadas azuis rotulava o prodígio que apenas iniciava sua carreira de sucesso.

Aomine Daiki.

– Mas o que... Não, não é possível isso, é muita coincidência!

– A primeira vez que vi isso achei que você fosse uma fã secreta. O que foi um saco porque eu tinha te achado bem legal pra ser só mais uma daquelas garotas histéricas atrás de mim. Toda hora eu ficava em um impasse, não sabia se era certo investir em você sabendo que talvez só estivesse comigo por causa da fama. No fim resolvi ignorar isso e acreditar mais no que eu sentia, em como eu ficava melhor perto de você.

Uma bomba atrás da outra. Minha cabeça dava mil giros, voltas e loopings, me fazendo perder o centro gravitacional do mundo real.

Era como se tudo o que eu estivesse vivendo fosse apenas um roteiro. Todo esse tempo eu achava que minha vida estava de pernas pro ar, a cada dia tendo um novo empecilho no meu caminho, na minha jornada de fortalecimento interno. Eu acreditava que vim ao Japão com o propósito de me reconstruir e começar algo novo, mas era tudo uma continuação e não um recomeço.

Isso me fez ver que eu não havia me tornado alguém mais forte, apenas aprendi a lidar com os infortúnios da vida sem me perder no processo. Era um reencontro do meu eu do passado com o eu que estava destinada a ser. Os planos não haviam falhado diversas vezes, eles somente eram curvas da mesma estrada e só faltava eu olhar pra frente ao invés do chão.

– Foi o destino, Daiki. Foi ele que me ajudou desde o começo. – concluí, fitando atentamente seus olhos serenos.

– E o que pretende fazer agora que o descobriu? – ele perguntou, me mantendo mais próxima de si, acariciando meus cabelos lentamente

Ponderei por um instante. Em meus pensamentos várias imagens de tudo o que havia acontecido desde que cheguei aqui, todos os momentos bons e ruins, passaram como uma retrospectiva. Voltei minha atenção para o presente. Meus dedos estavam entrelaçados com os do moreno a minha frente, alguém que já era imprescindível ao meu viver.

Observei de relance o presente que ele havia me dado pendurado em meu pescoço, um símbolo do que estávamos começando agora e de tudo que ainda estava por vir em minha vida. O objeto mostrava que eu tinha muito pela frente, mas deixava claro que todas as minhas conquistas até ali não seriam esquecidas. Foi aí que a resposta veio, ou talvez ela sempre estivesse ali.

– Terminar o que ele começou por mim. Agora é minha vez de criar meu próprio futuro.

Notas finais
Sim, meus caros e minhas caras, esse é o final da fanfic! Queria agradecer imensamente cada pessoa que leu essa história. Pode ter certeza que cada numerozinho na visualização me trouxe um sorriso enorme por saber que alguém se dispôs a ler esses 23 capítulos, e olha que foi texto pra caramba! Espero que esse monte de palavras tenha servido de alguma coisa pra vocês, porque pra mim foi muito importante! Com "Fate" eu descobri que vale a pena se dedicar a algo que gosta, mesmo que as pessoas ao seu redor não entendam o valor daquilo pra você. Também descobri que ninguém nunca está sozinho. Por mais que aqui na minha casa eu esteja só com a companhia do meu computador, sei que em algum lugar pode ter outra pessoa semelhante e que podemos nos unir pelo simples ato de uma leitura compartilhada. Não sei lidar muito bem com despedidas, até duvidava da minha capacidade em concluir essa fanfic, mas acho que é isso aí, minha gente. Mais uma vez obrigada por ler até aqui, estou a disposição pra conversar, trocar uma ideia ou só mandar fotos de gatinhos filhotes mesmo. E, pra não perder o costume, aqui vai a música do último capítulo https://youtu.be/sENM2wA_FTg Beijos, beijos e mais beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!