Fate
9 Cap 9 - Depois das 22:00
Notas iniciais
/Beatrice/
Cheguei ao trabalho, e por sorte pude ficar na cozinha hoje, que me era mais confortável,
Não gostava de ficar exposta na lanchonete.
A conversa com o Sr. Stwart não havia sido a carnificina de perguntas que achei que seria. Talvez ele até pudesse ser alguém agradável, apesar de um tanto áspero e sarcástico. Mas algo em seus olhos ainda me causava arrepios, naquele primeiro dia em que ele me acordou, tive a leve impressão de estar tendo um velho pesadelo, algo era familiar em sua expressão atinada. Eu vivia de pesadelos, então não dei mais do que 5 minutos de importância aquilo, agora o que me preocupava era saber como foi o passeio de Reich com o Sr. Stwart, até onde eu entendi, ele não gostava de seu comportamento, e provavelmente poderia importunar o professor com isso, Sr. Stwart provavelmente viria a se arrepender de tê-lo dado carona.
Senti algo molhar minha nuca, era Pierre, meu notável colega de trabalho, tentando chamar minha atenção.
_Ei Beatrice, onde você estava? Estava te cutucando a meia hora. – disse ele a hipérbole.
_ Desculpe, estava pensando na prova de hoje, o que há?
_Nada só queria conversar um pouco com você. – ele pareceu ficar vermelho ao dizer isso, mas não virou o rosto para tentar esconder.
_Converse então. Sou toda...ouvidos...?- ri um pouco da minha piada e ele me acompanhou, eu gostava disso nele, podia brincar com meu próprio defeito sem que o clima ficasse chato.
_ Bom, como vai D. Katerine?
_Vai vivendo, acho que está reclamando de dor em algum lugar neste exato momento, pois é só isso que tem sabido fazer. Tenho vontade de interna-la num asilo às vezes, ou amarra-la numa maca, sei lá, me da nos nervos.
_ Sei como é.
_ Apenas pensamentos adolescentes.
Pierre e eu ainda tentamos manter uma conversa, mas eu precisava prestar atenção no que estava fazendo e não podia olhar pra sua boca para ler seus lábios, então desisti, teríamos o intervalo para conversar.
Voltei minha atenção para meus hambúrgueres borbulhando na chapa, durante a tarde, até a comida servida ali era normal. Se eu mesma não trabalhasse ali, provavelmente não acreditaria que era o mesmo lugar antes e depois das 22h00min. As poucas vezes que fui ao salão no horário “da virada” tive vontade de pedir demissão, garotas pouco vestidas estavam sentadas em colos de homens semi-bêbados, outras dançavam próximas ao balcão, indivíduos gesticulavam para mim de formas obscenas, poucas vezes fora grata por não poder escutar o que diziam, se o fizesse, provavelmente teria largado o emprego naquele instante.
Mas eu nunca mais tive que voltar aquele local, só tinha ido porque precisava falar com minha patroa.
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