Fate

3 Cap 3 - primeira impressão


Notas iniciais
Oi.

/Reich/

_Hey Bia, amor da minha vida, você pode me ajudar em matemática? Aquela bruxa velha vai acabar me reprovando!

_ É claro Louise, disponha. – Bia finalizou a frase entre um bocejo, devia estar cansada, aliás estava obviamente cansada.

Quando ia apoiar a cabeça na carteira para tentar descansar, eu chamei sua atenção para que olhasse para mim.

_Sanguessugas miseráveis! Agora você é o amor da vida dela, como o ser humano é dissimulado.

_ Só para ressaltar nós dois somos seres humanos, quer dizer eu sim, já você não posso afirmar com certeza. – obviamente uma tentativa de me distrair da minha repulsa, falhou miseravelmente.

_Bia, você mal tem tempo para cuidar de si, pare de se preocupar com as malditas notas alheias. Se aquela “moça”- dei uma entonação dramática á palavra – prestasse mais atenção na senhora Labelle e menos nos atletas da sala, talvez ela fosse um pouco melhor.

_Nunca neguei ajuda a ninguém, não irei fazê-lo agora! – Debruçou novamente sobre a carteira, tentei chamar novamente sua atenção, mas ela se negou a erguer a cabeça.

_Durma então Madre Tereza! – Tinha muito receio pela minha pobre Bia, éramos amigos há anos e sua situação nunca fora tão ruim. Queria poder ajuda-la, mas era apenas um amigo inútil.

Voltei minha atenção para a diretora, que vinha dar um recado aos alunos.

_ Alunos, venho lhes apresentar o Sr. Mirst, o novo professos de matemática. Antes devo dizer-lhes que a Sra. Labelle tirou licença por motivos que não lhes convém. Professor... — A diretora fez sinal para que entrasse, então surgiu um homem que mal aparentava 28 anos, não tinha a imagem estereotipada de um professor a não ser pelos óculos quase transparentes e refinados, era alto e bem feito. Cabelos castanhos elegantemente alinhados, olhos claros, rosto maduro, não velho. Algo como um ator da década de 80. Pude ouvir murmúrios femininos ao fundo, o professor seria altamente assediado, tive meus devaneios interrompidos pela voz lírica do Sr. Mirst.

_Bom dia, Sou Stewart Mirst. Irei ensina-lhes até o fim deste ano. Espero que possamos ter uma convivência pacifica.

A diretora Miller pediu licença e saiu da sala. Mesmo em uma escola de renome como aquela não podia imaginar uma figura tão imponente ensinando ali. Podia também jurar já ter ouvido seu nome em algum lugar. Onde? Nada.

Assim que a Sra. Miller saiu a postura do professor se modificou, foi de imponente para impetuosa, quase assustadora.

/Stwart/

Tinha resolvido umas semanas antes voltar a lecionar a pedido de uma conhecida que teria que se afastar das aulas. Seria divertido voltar às salas de aula. A escola tinha grande prestigio, só garotinhos ricos estudavam ali, um ou dois bolsistas, entrei na sala e pude observar a expressão dos alunos, iam de espanto á luxuria em poucas carteiras. Apresentei-me o mais formalmente que pude, queria que a diretora tivesse uma ótima impressão do meu tratamento com os alunos. Mas assim que ela saiu da sala pude me divertir um pouco.

_ Bom crianças, matemática não é para fracassados, nem para idiotas, que sinto que são a maioria nesse lugar – sorri perversamente – posso dizer que seus pais convivem com a aritmética todos os dias para sustentar suas vidas fúteis, então, porque vocês todos não fingem ser alguém na vida e tentam me acompanhar?

Comecei a circular algumas fileiras para notar alguns rostos sobressaltados.

_Quem você pensa que é seu professorzinho de merda? Você não pode falar assim com a gente. Meu pai, Richard walks, vai esmagar você como uma barata, não vai voltar a lecionar nem ao jardim de infância.

Percebi alguns murmúrios de apoio, até alguns urros entusiasmados.

_Richard Walks? – fingi falso alarde- Bem senhor Walks vejo que deve ser apenas um parasita, pois se acompanhasse minimamente os negócios de seu pai saberia que ele tem alguns conselheiros, que dentre os quais, por acaso, estou eu! E pelo que sei Sr. Walks é um homem rigoroso com seus filhos, talvez ele vá adorar saber do comportamento impróprio de seu filho mais pródigo e menos prodígio. – sorri vitoriosamente ao ver seu rosto empalidecer. _ O que? Encerrou o discurso? Bom! Mais alguém? Antes que devem saber que sou um conselheiro muito convocado, guio também o Sr. Stowe, as empresas Haien, Sr. Mistrian, Sra. Putrier e tantos outros – enquanto citava os nomes pude observar rostos murcharem amedrontados. Continuei minha caminhada e avistei uma figura pequena debruçada na carteira, podia ver pelo movimento de seus pulmões que estava dormindo.

_Mas o que é isso, nem sequer pude dar minha aula e já há um aluno caindo de tédio? – bati o punho ruidosamente sobre a carteira, a garota que dormia apenas levantou a cabeça como se não tivesse se quer ouvido o estrondo, mas deu um grande pulo quando me viu a poucos centímetros de seu rosto.

_Quem é você? – soltou ela sobressaltada. Vi outro aluno ao lado tentar alcança-la mas me coloquei entre os dois.

_Quer dizer que sequer acompanhou minha apresentação? Que desaforo senhorita. O que foi? Bebeu demais ontem à noite e não consegue se quer se sustentar?

_Não senhor. Não bebi! – Quando ergueu-se totalmente pude observar melhor seu pequeno rosto e notei manchas rochas embaixo dos olhos, não pareciam ser de quem ficou uma noite sem dormir, mas sim alguém que dormiu mal a vida inteira. Seu rosto seria perfeito e belo se não fossem estas marcas.

_Explique-se senhorita... — Instiguei seu nome

_ Beatrice Migler senhor.

Busquei seu sobrenome em minha memória, mas não pude encontrar ninguém ligado a mim.

_Estava dormindo porque pensei ser a aula da senhora Labelle, ela nunca se importou com isso. Peço desculpas se o aborreci.

O tom educado, porém imponente da garota despertou minha curiosidade.

_ Sou o novo professor de matemática, e por sua insolência vai ficar depois da aula!

_ Não posso!

_Não perguntei se há espaço na sua agenda! Ficará. Sem maiores discussões.

No momento em que terminei a frase o sinal tocou e os alunos saíram sem grandes algazarras, talvez por medo de serem repreendidos. Sorri para a garota de forma nada amistosa, que sentou vencida em seu lugar. Observei que seu vizinho tardou a sair.

_Apenas a garota fica, está dispensado!

_Vou ficar e acompanha-la senhor!

A garota torcia o pescoço para olhar para nós, algo um tanto estranho.

_Retire-se garoto se não quiser causar maiores problemas a ela! – obviamente ele não queria causar problemas para a amiga, tive que jogar sujo então.

_Tudo bem Reich. Pode ir.

_Te espero lá fora. – ele disse olhando diretamente apara a garota e quase tão baixo que quase não pude ouvir, e tive dúvidas se a garota tinha escutado.

_Bem senhorita Migler. Explique-se.

_Sinto ter atrapalhado sua aula. Estive acordada até tarde terminando algumas tarefas e pensei que poderia repor as horas de sono durante a aula da Labelle.

Seus olhos tinham muita autoridade, não combinavam com o rosto frágil e o corpo pequeno da garota _ Bom, porque não se organizou e terminou seus afazeres antes, não podia deixar o shopping para outro dia? Podia pelo menos ter pago alguém para faze-lo. – Ri de modo que era mais uma chacota do que uma risada, pessoas ricas por sorte realmente me irritam. Pessoas de vida fácil, fúteis me irritam.

_Não fui ao shopping! E apreciaria se parasse de fazer suposições sobre mim. Trabalhei durante toda a tarde e parte da noite e só tive a madrugada para fazer as tarefas. Meu dinheiro tem melhores destinos do que isto.

_Claro! Roupas, sapatos.

_Não senhor, comida e contas á pagar, como disse pare de fazer suposições. Sou bolsista nesta escola, por isso o senhor não pode ligar meu sobrenome á nenhum empresário multimilionário!

Fiquei surpreso pelo fato dela ter percebido minha busca mental. Agora estava intrigado.

_Onde você trabalha?

_Senhor se não tem mais nada de importante a dizer apreciaria que me liberasse, realmente não posso me atrasar!

_Responda e está liberada! – ela juntou o material e se levantou. Pronta para fugir eu supus.

_Numa lanchonete do subúrbio, nada que já tenha frequentado!

Ela simplesmente me deu as costas em direção à porta.

_Não faça suposições sobre mim também! – meu comentário não pareceu atingi-la. Notei também que sua voz tinha estranhos altos e baixos, como se ela não tivesse certeza se estava falando alto ou baixo o suficiente.

Quando olhei o corredor pude notar o outro garoto esperando do lado de fora, não pensei que “lá fora” significasse isso. Ele me olhou e a abraçou de um modo muito protetor, quase paternal. Namorados, pensei. Interessante.

Notas finais
Tchau.