Fate
19 Cap 19 - Revelação, que o jogo comece.
Notas iniciais
/Beatrice/
Eu estava apavorada. Tremendo como nem sei oque eu. Eu estava aterrorizada. Meu pesadelo personificado bem na minha frente. Aqueles olhos...
Andava depressa e não pude evitar olhar para trás vez e outra. Estava tão nervosa que não parei no ponto de ônibus. Preferia andar na chuva a ficar perto da casa daquele homem. Estava desnorteada. Mal podia compreender o que eu mesma havia dito. Andei uns bons 40 minutos, parando em frente apenas do velho portão de cobre. Enorme e adornado.
Se você se enfiou nisso agora vá até o fim Beatrice. Disse mentalmente para mim mesma. Iria afastar Reich daquele homem a qualquer custo. Apertei o botão do interfone e esperei a luz verde começar a piscar em sinal de que havia alguém no outro lado da linha
_ Sra. Rostfurt? Sou eu Bia. – supus que a pessoa que havia atendido era a governanta russa que me conhecia desde peque e cujo o sotaque eu e Reich adorávamos imitar, mesmo com seus lábios se quebrando em momentos estranhos, eu sempre sabia o que ela estava dizendo, quando a luz se apagou andei até o portão lateral que devia provavelmente estar aberto a essa altura. Pude ver que a luz da área de serviço havia sido acesa.
Corri pela chuva até a entrada dos fundos que dava na cozinha, Sra. Rostfurt estava de pé segurando uma toalha de banho enorme. Ela jogou a toalha nos meus ombros e começou a falar.
_ Por que vir aqui tão tarde? Ser muito perigoso.
_ Precisava fazer um trabalho de escola com Reich. E este é o único horário que tenho.
Sorri amigavelmente esperando que ela acreditasse.
_ O garota não me avisar nada. Aquele menina é um cabeça de vento. Sobe Bia, eu vai fazer chocolate quente pra você.
_ Não precisa Sra. Rostfurt.
_ Precisa sim. Você tremer que nem filhote de gato.
Eu ri um pouco para encerrar a conversa, subi até o quarto de Reich e bati na porta, bati de novo vorazmente. Então ele abriu a porta.
_ Eu disse “tá aberta”... Bia? O que você tá fazendo aqui?
Não respondi, apenas me agarrei a ele e comecei a chorar desesperadamente. Tinha que faze-lo ficar do meu lado. Eu nunca havia chorado perto de Reich, exceto pelo dia da morte de meu pai. Não queria que ele achasse que eu era fraca. Mas era necessário, precisava segura-lo de qualquer forma.
_ O que foi Bia? Bia fala alguma coisa. Porque você tá toda molhada?
Não respondi, apenas fiquei parada chorando. Ele me pôs no colo e me levou pra cama dele.
_ Eu vou pegar uma roupa seca pra você tá bom? Já volto.
Eu agarrei seu moletom. _ Não me... deixa... sozinha... por favor...
Eu estava me sentindo deprimente. Mas eu não tinha muito a perder.
_ Calma meu anjo... o que foi, me diz pelo amor de Deus.
Na verdade, eu ainda não podia responder por que não tinha pensado numa razão. Dizer “Eu descobri que te amo” parecia bobo de mais para aquele rio de lágrimas, não podia dizer que tinha descoberto as safadezas dele, pensei em uma razão decente até encontrar.
_ É que... no sábado, eu te liguei né? É, eu fiquei com vergonha de te contar, mas eu quase fui... um homem enorme me agarrou, Meu Deus o que ia ser de mim? Graças aos céus que o Pierre me salvou. Aquele homem... eu ainda posso ver seu rosto.
Na verdade eu nem lembrava do individuo, mas eu tinha que ser o mais dramática possível.
_ Eu queria te ligar porque, você sabe, eu só te ligo quando eu quero te ver. Mas você não me mandou uma mensagem confirmando. Eu estava tão assustada e você não estava lá...
Neste momento eu me agarrei a ele escondendo meu rosto no seu peito, de modo que não pude entender o que ele tinha dito, mas soube que ele tinha dito algo pelo movimento de seus ombros e tórax.
Ele puxou meu rosto para que pudesse falar e disse com uma expressão desolada:
_ Me perdoa Bia, eu fui um imprudente, eu devia ter ido te encontrar. Eu recebi sua ligação, mas pensei que não devia ser nada... me perdoa.
Ele parecia profundamente arrependido, quase fiquei com remorso.
_ Onde você estava? – perguntei me esforçando para esconder o ciúme da minha vós.
_ Eu... estava na casa de uma pessoa.
Como suspeitei. Não pude acreditar que ele esteve se encontrando com aquele ser. Minha vontade era apertar seu pescoço.
Sessei o choro aos poucos, até parecer calma, sonolenta. Neste tempo a Sra. Rostfurt veio trazer uma xícara de chocolate, mas não perguntou as razões de eu estar chorando, apenas olhou significativamente para ele, como se fosse cobrar explicações depois. Eu neguei o chocolate algumas vezes até ser “convencida” por Reich.
_ Você dorme aqui hoje Bia. Amanhã veremos o que se há de fazer ok? Vou ligar pra tua mãe e avisar.
_Não Reich, ela vai ficar brava.
_ Não vai não, ela gosta de mim não é? Os problemas dela são somente com meu pai não é?
Eu assenti. Realmente minha mãe não tinha problemas com Reich. Ela colocava a culpa da morte de meu pai no Sr. Wilkerson, mas eu deixava bem claro á ela que eu não tinha nada a ver com isso. Na verdade, nem seria necessário avisar minha mãe, visto que eu não durmo em casa o tempo todo. Mas eu estava atuando. Uma boa filha. Uma menina frágil. Blá blá blá.
_ Bom Bia, você se importa em dormir aqui?
Eu neguei com a cabeça.
Ele colocou umas peças de roupa ao meu lado, que eu podia ver que iriam ficar extremamente folgadas. Ele se desculpou.
_É o que posso te oferecer, não quero ir pedir algo para minha mãe.
_tá tudo bem Reich, eu que tenho que pedir desculpas...
Ele ia seguir para a porta mas eu comecei a tirar as roupas molhadas, quando eu já estava de sutiã ele disse envergonhado.
_ Você podia ter pedido pra eu sair. – e virou de costas.
_ Eu não tenho vergonha de você. Não é como se você fosse me agarrar ou algo assim.
Ele se virou e lá estava eu ainda de sutiã e só de calcinha.
_Não diga coisas imprudentes Bia. Sabe, você é... Uma garota bonita. E eu sou um homem.
Só não age como tal, pensei ironicamente.
_ Está tudo bem. — eu vesti a camiseta que era tão grande que não senti necessidade de colocar as calças. Deitei-me na cama e esperei Reich voltar do banheiro. Quando ele voltou, se ajeitou na poltrona com jeito de que ia ficar por lá.
_ Ah não Reich, você vai dormir aqui. A cama é grande o suficiente.
_ Eu durmo aqui direto, não se preocupe.
_ Por favor. – Fiz minha melhor carinha de dó.
Ele veio e se deitou do meu lado. Esperei alguns minutos e me aconcheguei em seu peito. Ele não fez nada, apenas colocou o braço delicadamente em meus ombros.
Nunca havia reparado em como Reich cheirava bem, um cheiro que parecia brotar de sua carne. Ele era macio também, uma pele gostosa, mas tinha músculos finos e bem definidos. Esteve sempre perto. Porque eu nunca me dei conta antes.
Demorei um pouco para pegar no sono. Mas quando o fiz, entrei em um sono profundo.
/Reich/
Bia estava muito estranha, e eu me sentia culpado. Demorei tanto a pegar no sono que decidi não ir á escola. Mas em arrependi profundamente de telo feito.
_ Que horas são? – ela perguntou quando me viu sentado na poltrona bebendo café.
_ dez da manhã.
_ E por que não fomos para a escola?
_ Estava cansado. E achei que você também estaria.
Ela disse e se levantou ficando sentada na beira da cama, mostrado um bom pedaço de pele, suas pernas estavam completamente descobertas. Mesmo que fossemos amigos, e eu estivesse tendo um caso com um cara, eu era homem no fim das contas.
_ Bia, acho que você precisa vestir-se. – tentei manter um tom de brincadeira.
_ Porque? Está com vergonha? – ela disse isso e colocou o travesseiro no colo.
_ Eu já disse, não seja imprudente.
Ela sorriu.
_ Você está melhor?
_ Sim, muito. Obrigada. Na verdade eu nem sei direito porque estava tão deprimida.
_ Eu sei. Passar pelo que você passou não é brincadeira Bia. Porque não me disse mais cedo?
_ Eu estava meio... sensível acho.
_ Não fique me escondendo as coisas.
_ Eu não escondo nada. Ao contrário de você.
_ Como assim?
_ Você não esconde as coisas de mim também?
Por que ela estava falando essas coisas. Fiquei apreensivo na hora. Será que ela desconfiava de algo?
_ Não Bia. Você é minha amiga. Não poderia esconder nada de você.
_ Hum.
Bia então levantou da cama e caminhou até mim, sentou no meu colo e colocou a cabeça no meu ombro e disse com os lábios no meu ouvido:
_ você não vai acreditar Reich! Eu te amo!
_ O que foi? Como assim?
Acho que ela não me “viu” falar por causa do jeito que estava.
_ Nunca tinha reparado nisso. E antes que você diga “ah eu te amo também”, quero que tenha ciência que eu não falo de amizade agora. Eu te amo mesmo.
Ela ficou de frente para mim e me beijou. Apenas um toque de lábios. Mas não pareceu tímida. Parecia imponente como sempre.
_ E você estava chorando por causa disso?
_ Não.
_ Eu posso dizer que estou confuso?
_ À vontade! Também estou.
_ Mas...
Nesta hora ela me beijou pra valer, pensei em não corresponder, mas não resisti. Nossas línguas se encontraram. Foi um longo, intenso e estranho beijo. Estranho por que não pude tirar da cabeça que estava beijando Bia.
_ Espera Bia. Calma lá!
_ Estou super calma.
_ Você entende que eu te amo, muito, mas como minha amiga. Eu até poderia dizer que “você é uma irmã pra mim”, eu estaria mentindo visto que nunca me dei tão bem com meus irmãos. Mas enfim. Você é uma pessoa que preso muito. Não quero que aconteçam coisas que estraguem nossa amizade.
_ Podemos ser amigos. Nada muda. Só que agora um dos lados vai esperar sempre mais. O meu!
_ Mas eu não vou mais conseguir te dizer que “peguei geral na festa da escola”.
_ Por quê? Você está mais sério sobre isso do que eu. Vou tentar te explicar. – Ela falou como se eu fosse mentalmente incapaz — Vamos ser amigos, nada vai mudar. Se quiser pode até esquecer-se do fato de que eu te amo, pra valer. Mas se somos tão amigos há coisas que eu queria poder te pedir sem receber “nãos”.
_ Tipo?
_ Tipo beijos... – ela apenas me beijou em seguida. Um beijo incrivelmente bom. Ela parecia incrivelmente sexy aquele dia. Nunca pensei que iria olha-la daquele jeito.
_ O que me diz?
_ Eu não sei. E se um dia eu arrumar uma namorada?
_ Tudo bem você arrumar uma namorada!
Ela deu uma ênfase tão grande ao “a” que fiquei preocupado.
_ Bia, o que aconteceu com você? Você está estranha.
_ Nada além do que eu já disse. Um homem quase me estuprou. E eu descobri que te amo.
Eu tive que rir do jeito que ela colocou as coisas.
_ Não ria seu babaca.
Ela riu também e se levantou do meu colo.
_ Preciso digerir isso, com umas torradas e muito leite. – disse também me levantando da poltrona.
_ Espera. Tem mais uma coisa que eu posso querer além dos beijos.
Senti minha testa úmida quando olhei para ela, estava só de calcinha e sutiã em cima da minha cama. Não parecia envergonhada. E eu não pude olhar. Perderia para uma luta contra o desejo. Fechei os olhos e disse:
_ Já chaga Bia. Você está indo longe de mais.
_ Por quê? Quem sai ganhando na barganha é você. Pare de ser antiquado.
Eu apenas sai do quarto e bati a porta atrás de mim. Fui para o banheiro enxaguar o rosto. Sentia-me muito quente. Eu não iria ser tão firme na próxima vez. Saí do banheiro e fui à cozinha. Precisava comer. Bia já estava lá bebendo café.
_ Aqui está suas torradas Garoto. _ disse a governanta me passando meu café da manhã
Bia não parecia brava. Mas ela era mestra em esconder sentimentos.
_ Nunca vou achar ninguém que faça café e tortas como a Senhora – Disse bia para a governanta que nos viu crescer Sra. Rostfurt.
_ Ah menina, como é bom ouvir isso.
Tomamos nosso café pacificamente, Bia ainda falou sobre algum trabalho que tínhamos que fazer e até mesmo um que não existia que aparentemente eu e ela havíamos feito noite passada.
Quando minha mãe levantou e viu Bia ficou radiante. Bia era querida por toda minha família. Ela também partilhava da opinião de meu pai, de que Bia daria ótimos netos. Dei graças á Deus por ela ter colocado uma calça quando desceu.
_ Sra. Rochely, como é bom revê-la. Faz um tempinho acho. Desculpe a invasão.
_ Olá querida. Não é invasão. Você é da família. Mas acho que você veio pra cá tarde.
_ Desculpe de novo. Acontece que eu e Reich precisávamos fazer um trabalho e fui o único momento que pudemos fazê-lo. Acabamos faltando na escola. Ainda bem que o trabalho é pra amanhã.
Eu nunca havia percebido que Bia mentia tão bem. Mas as circunstancias eram aceitáveis.
Terminando o café voltei pro quarto e decidi tomar um banho. Deixei Bia conversando com minha mãe e tinha fé que ela iria embora. Que inocência a minha.
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