Notas iniciais
Último capítulo chegou! Não sei se vai ficar do agrado de todas ou se está como algumas meninas queriam que estivesse. Segui a proposta que eu trouxe desde início: uma história cujos diálogos são o foco. Sei que algumas leitoras preferem cenas detalhadas e acontecimentos múltiplos, mas eu só introduzi o que achei necessário para o desfecho. Foi escrito com muita minúcia e sensibilidade, apreciem!


Mary Margaret levou a mão ao peito quando toda a igreja se virou ao mesmo instante. Os suspiros de abalo ecoaram em uníssono. Emma tremeu da base aos pés e o peito quase explodiu. Vendo a amiga naquele estado, Margaret não poderia se calar e fingir que não sabia de nada o que estava havendo. Esquivou-se até Bele e sussurrou-lhe no ouvido:

— Lilian está chantageando Emma, ela não vai se casar por vontade própria! Está protegendo Regina!

Bele exasperou-se. O rosto ficou em tom de pó de arroz.

— Está falando isso somente agora? — tocou-lhe os ombros gorduchos. — Oh, céus, poderíamos ter feito algo, o que mais você sabe? Protegendo do-

— Não temos tanto tempo assim, o padre vai continuar a cerimônia. Venha — saiu pelo canteiro, levando a noiva de Gold com ela. —, vamos tentar impedir que uma catástrofe seja desencadeada.

Vendo-as correr em total desespero Emma se preocupou. Já não compreendia mais nada e novamente sentiu uma quina de estrelas contornarem o eixo de sua fronte.

— Para onde ela foi? — Mary perguntou ofegante, segurando o pé da barriga que muito lhe pesava. — Estava aqui há um segundo-

— Regina! — Bele exclamou assim que a avistou atravessando a avenida. — Ela está-Regina, Regina!

Só as chamadas não bastaram. Elas tiveram de atravessar em passos longos, Bele ia um pouco mais à frente.

— Regina, olha para cá! — a ruiva deu o seu maior grito estérico.

Ao virar-se, Regina se assustou, balançou a cabeça em agitação. O que diabos elas estavam fazendo ali? Deveriam estar em seus lugares, participando da cerimônia.

— O que quer, Bele, Margaret… Há mais alguém vindo para que eu cumprimente de uma vez?

— Não seja ríspida, Regina! — Bele a repreendeu. — Mary tem algo a dizer. É do seu interesse.

— E serei rápida, pois não há tempo o bastante! — parecia haver dor no tom em que a voz da moça saía. — Lilian tem fotos de vocês na cabine do ensaio. São umas fotos… Comprometedoras! São várias fotos e estão polêmicas. Ela tem usado isso para chantagear Emma a não ficar com você. Jurou que tornaria tudo público se Emma ousasse desmanchar o casamento.

De repente, um tornado enfurecido tonteou a mente embaralhada da morena. Regina teve de se segurar em Bele, pois sentiu uma moleza dormente nas pernas que quase a levou ao chão.

— Está falando sério? — disse, ainda tonta. — Emma está fazendo isso para proteger a minha carreira?

— Sim, está!

— Droga! — Regina respirou fundo. — Eu devia ter previsto que Emma poderia mesmo ser tão manipulável!

Margaret e Bele se entreolharam, ambas desentendidas.

— Ela só está fazendo isso porque a ama! — Bele estava desesperada. — Prove que a ama também e não a deixe-

— Calada, Bele! — Regina fez um gesto minucioso com a mão. — Preciso pensar! Se Lilian tem mesmo essas fotos, ela poderia destruir a minha carreira, a não ser que-

— O quê?

— Que… Onde está o meu celular? Inferno! Eu o esqueci no táxi!

— Use o meu, seja rápida!

Mary lhe deu o aparelho.

— Uau, você é mesmo muito tradicional! — a fotógrafa comentou naturalmente, analisando o modelo antigo da jovem. Nem mesmo em momentos de tensão, Regina era menos cínica ou ácida. — Espero que ela atenda logo!

Enquanto o telefone discava a ligação, Regina batia os pés em ansiosa espera, até que ouviu um rouco “Alô?!”

— Cruella? — respirou aliviada. — querida tia, sou eu, Gina! Olhe, não tenho muito tempo para cumprimentos, estou no meio de algo importante, preciso de uma equipe sua em frente à Igreja La Sonata, rápido! Preciso que seja uma das boas!

— Regina! — respondeu acalentada. — É para já, meu bem! Estou mandando minha melhor equipe e a melhor jornalista: eu própria! Chegamos em poucos minutos.

— Oh, obrigada, tia! Explico tudo quando chegar aqui.

Desligou.

— Ótimo, agora, preciso atrapalhar essa união! — Regina falou convencidamente, já atravessando a rua.

— Qual é o seu plano? — Bele perguntou, seguindo-a com Mary.

— Bem, inclui vocês! — disse simplesmente. — Enquanto acabo com essa farsa, esperem a minha tia por aqui, peça a ela que abra uma notícia ao vivo no jornal local e expliquem que a notícia será sobre uma das maiores fotógrafas de Chicago se declarando para uma de suas modelos. Ela saberá o que fazer, Cruella é ótima.

— Sério? — disse Bele, espantada. — Esse é o seu plano incrível? Não é nada muito diferente do que Lilian prometeu fazer, só que assim será você mesma a se destruir!

Regina se virou emburrada, olhando-a com desapontamento.

— Lilian acabar com a minha carreira não é uma opção. Eu arriscar o que levei anos para construir por amor à Emma é completamente diferente. — respirou, voltando a si. — Entendeu? Quero apostar essa chance em nós, não me importo com o resto.

Mary Margaret sorriu, deixando à mostra um belo par de dentes brancos.

— Seja rápida, não a deixe escapar — falou em tom lacrimoso. —, vocês podem fazer disso algo bom!

Regina não olhou para trás, seguiu determinada do que faria, seu sangue fervia e o coração batia incessantemente.

— Para amá-la e respeitá-la na dor e na tristeza, na saúde e na doen-

Lilian repetia diretamente para à noiva, quando Regina adentrou com fúria pela porta gigantesca que dava acesso à Igreja. Novamente, atraindo olhares demasiadamente curiosos.

— Oh, não…

Neal levou uma das mãos à altura da boca, prevendo a estadia de Regina ali.

— Emma, não faça isso! — vociferou atônita, caminhando apressada para o centro da Igreja. — Não faça!

Emma petrificou, nem tremia e nem movia. Seus olhos dilataram assustadoramente e a boca se abriu em espanto. Lilian a sacudiu, chamando-a de volta, mas ela não respondia.

— Como ousa entrar assim aqui? — disse escandalizada, avançando sobre a morena. — Se estiver pensando em fazer uma cena no dia do meu casamento, saiba que-

— Não estou com tempo para ouvir desaforo seu, Lilian! — desviou, indo para perto da loira.

— Emma — tocou-lhe o rosto genuinamente. — Não precisa ficar assustada, é real, eu estou aqui sendo estúpida e clichê, indo contra à minha filosofia de vida e arriscando uma reputação por você. Eu realmente estou aqui impedindo você de se casar com alguém que não a merece e que você não ama.

Emma ainda parecia distante da realidade. Ela só se manteve fixa ao chão e presa no olhar inundado de Regina.

— O que está havendo aqui? — o padre saiu de seu posto, enxugando uma noda de suor da testa. — Quem é essa moça? Não tenho tempo para imprevistos!

De repente, a Igreja inteira se pôs a cochichar, preenchendo o ambiente de calor e vozes.

— Emma! — Neal a tomou das mãos de Regina. — Reaja! Não pode se emudecer agora! Está todo mundo estérico, diga alguma coisa, minha irmã!

Seus ouvidos começaram a vibrar e ela foi recuperando os sentidos. Podia ouvir aqueles murmurinhos ao seu redor e enxergava o rosto aflito de Regina. Virou-se, encarando a noiva enraivecida à sua frente. Precisava dizer algo, mas não sabia o quê. Estava desolada e assustada, desentendida e nervosa. Só teve uma única reação: puxar o punho de Mills correr para fora da Igreja.

— Emma! — Lilian a repreendeu num tom gutural. — Não pode fazer isso! Emma!

Neal sorriu para Killian e os dois foram saindo de fininho, seguindo as duas mulheres. Emma parou na calçada, recuperando o fôlego e jogando para longe aquele maldito véu que lhe beliscava o couro cabeludo. Olhou para Regina, que também respirava ofegante e as duas sorriram.

— Você é mais maluca do que eu pensei que fosse. — disse a loira. — Não acredito que fez mesmo isso!

— Essa foi a parte fácil, acredite! — Regina queria tanto abraçá-la e fugir dali, deitar naquele corpo suave e se sentir protegida do mundo. — Senti saudade. Nós vamos aparecer na tevê.

Emma riu e depois se assustou.

— Nós vamos o quê?

Antes que a morena dissesse algo, uma Van estacionou próximo de onde as duas estavam. Uma porta se abriu e Mary Margaret saltou de lá, depois Bele, depois dois rapazes esguios, depois uma moça alta de cabelos avermelhados e, só então, Cruella desceu, arrastando seu sobretudo felpudo e cinza.

— O que você vai-

— O que eu já devia ter feito há muito tempo. — Regina caçou pelas duas mãos de Emma, enlaçando-as às suas, naquele toque unicamente sensível. — Só ouça, está bem? Não precisa dizer nada, se não quiser.

— Regina, não precisa fazer nada disso! Só me diga por que me fez desistir, me diga o que quer de mim, me diga que não haverá mais medo acima de todas as coisas lindas que sentimos. Eu só preciso que me dê um pouco disso e eu-

Os rapazes que saltaram da Van agora possuíam câmeras bem posicionadas e gravavam todo o momento. Eles estavam mais próximos de Emma e Regina, enquanto Cruella trocava algumas palavras com a mulher grávida que havia lhe explicado toda a história.

— Emma, veja só… — respirou intensa e profundamente, firmando bem os pés no chão. — Eu não quero ser uma mulher medíocre e covarde. Não quero chegar ao final da minha vida achando que não fiz absolutamente nada de bom para mim mesma. Não quero ter sido uma máquina social, que nasceu, cresceu, trabalhou, fez fama e morreu. Quero que a minha existência tenha mais de um significado. Quero partir em paz, sabendo que o meu corpo foi receptor de uma alma que sentiu amor e lutou por ele.

Emma ouvia atentamente, acariciando-lhe às costas das mãos com os polegares.

— Eu nunca tive um sonho. Vivi o sonho de outros, o sonho que eles tinham para mim, mas nunca o meu, e eu realmente nunca soube o que era ter um, até sentir você pela primeira vez. — agora, elas estavam mais próximas e o olhar de Regina era baixo e úmido. — Foi como tocar o céu, só que melhor, porque você era uma possibilidade real deitada sobre a minha cama. Sei que começamos de um jeito torto e esse caminho desalinhado nos feriu, mas não precisa doer mais… Nós já vivemos de juras e palavras em segredo uma vez, não precisamos mais nos esconder e negar que isso entre nós existe.

Emma levou a mão esquerda ao canto da face, limpando a lágrima morna que escorria copiosamente. Mexia a cabeça positivamente, ouvindo Regina declarar o que sentia para toda a cidade. Aos poucos, os convidados iam-se retirando da Igreja e ao notarem a movimentação, paravam e assistam a tudo.

— Você pode ter a mim, ao meu corpo e à minha alma, se quiser fazer parte de um sonho. Eu não entendo nada sobre sonhar, além de saber que começa a partir de um desejo incontrolável. Você me saiu do controle, você é esse desejo que eu não compreendo, mas sinto e aceito-

Regina teria falado mais e falaria por muito tempo, se Emma não a tivesse interrompido. O coração da loira já não residia dentro do corpo, flutuara para fora dele e dançava agitadamente com o descompassar sentido a cada frase dita por Mills. Não conteve a vontade insana de beijá-la ali mesmo na frente de quem quer que fosse; ela avançou com fúria e segurou o rosto de Regina com as duas mãos agitadas. Beijou-lhe com tanta veemência e saudade, que a boca derretia com as salivas saudosas de ambas. Não houve quem não aplaudisse e vibrasse de emoção ao vê-las tão bem encaixadas num beijo esperado e preciso.

— Não preciso ouvir mais nada, você já me tem. — Emma disse ao cessar vagarosamente o beijo intenso que havia lhe dado. — Eu quero qualquer sonho que te inclua dentro dele. Eu quero você e isso é o bastante.

Havia por ali muitos sorrisos e rostos corados, flashes por toda parte e corações que não se aguentavam dentro da caixa torácica.

— Mas — Emma se pronunciou. —, antes de te dar a mão, há alguém que preciso libertar. Só assim poderemos ter uma a outra, como deve ser, sem travas, sem segredos, sem relações mal resolvidas, sem-

— Vá, meu amor. — Regina a encorajou, olhando de soslaio para Lilian, que respirava descontroladamente perto dos pais. — Vá.

Emma sorriu, beijou-lhe rápido no canto da boca e saiu cabisbaixa.

— Podemos conversar? — perguntou com receio, notando o ar inóspito da ex-noiva. — Por favor, eu só quero que você enxergue isso da maneira que deve. Eu tentei, Lily… Juro, tentei todo e qualquer tipo de autonegação que me foi possível humanamente. Falhei, eu nunca a esqueci. Não foi só um caso.

Lambendo friamente os lábios, Lilian sorria inconformada.

— Não foi só um caso. — ela repetiu, depois bateu os pés, levantando o olhar magoado para Emma e lhe dando as costas.

— Lilian! — seguiu-a. — Eu amei você. Eu amei, outro tipo de amor, breve e confuso, rápido e ingênuo, mas amei. E você era tudo o que eu queria, quando eu era aquela menina submissa sob o caos de Paris. Não sou mais aquela menina, não amo mais aquilo que deixei para trás. Você não pode me perdoar por ser humana e ter seguido em frente?

— Por ter seguido sem mim, você quis dizer? — cuspiu tristemente. — Não, Emma. Não ainda. Gostaria de ser a mulher “excepcional” — dedilhou com desdém -, que há em Regina e que tanto lhe encanta, mas não posso me desculpar por ser apenas uma garota convencional, tampouco perdoá-la por ter crescido tanto sem que eu percebesse o conflito de interesses que isso traria para a nossa relação. — tirou da cabeça um um broche que lhe prendia as madeixas em um penteado. — Passei toda a manhã encontrando um jeito de suportar a dor dessa maldita jóia. — jogou a peça para longe, com gosto e força. Observou a própria brutalidade estilhaça-la até que houvesse pedaços de brilhante e prata por todo um vão. Finalmente, sorriu com a própria reflexão. — É incrível como algumas coisas parecem tão firmes e, de repente, com um mero gesto, destróem-se. É, nem tudo é tão forte quanto parece. Noivados, jóias…

Emma sorriu penosamente, no mais, sincera.

— Eu sinto tanto.

— Eu sei. — Lilian largou um suspiro pesado e a encarou.

— Espero que um dia eu encontre uma maneira honesta de perdoá-la por tudo isso e outra de me perdoar por ser tão egoísta ao ponto de atribuir toda a culpa a você. Seja feliz, Emma. Você merece.

Emma mostrou-se sensível e entregue, lacrimejando piedosa.

— Obrigada. — os olhos sorriam com uma visceralidade imperceptível aos supérfluos. — Encontre o seu lugar no mundo, Lilian. Seja feliz. Você também merece.

Despediram-se com uma mágoa quase desconstituída em mil e uma partículas. Lilian sentiu-se menos pesada e Emma mais segura. Depois, a loira retornou velozmente para perto do seu amor e lhe abraçou pela cintura, pondo ali uma força histérica que dizia “eu te amo, obrigada por não desistir”, sem sequer ter sido dito. Elas finalmente tinha uma a outra.

— Eu sabia que a mamãe amava a Regina! — Henry comentou cheio de convicção, ao lado do tio e do avô, que olhavam tudo de longe. — Vi mais fotos dela do que minhas no seu celular, quando baixei Candy Crush.

Neal riu, bagunçando-lhe o penteado.

— Garoto esperto! — comentou sorrindo. — Você não é o único que sabia que as duas se amavam. — desviou os seus olhos para Robert, que estava quieto e sereno. — Nós também sabíamos, talvez… Até mesmo antes delas.

Bele se aproximou, com sua face corada e olhos alegres. Estava satisfeita por ter participado daquilo, estava inconfundivelmente feliz por ver Regina ceder, finalmente, ao amor e à felicidade.

— Elas não são lindas juntas? — suspirava contentamento. — Veja só como estão radiantes!

De uma coisa Bele estava certa: o encontro de Emma e Regina fora algo transcendental. O céu iluminou-se e trouxe raios dourados de luz solar, preenchendo cada canto de Chicago. O olhar despido de medo de Regina se envolvia intensamente com os olhos apaixonados e doces de uma Emma embriagada de encanto. Quando se tocavam — não qualquer toque, mas toques lentos e penetráveis por uma força chamada “sintonia” -, uma aura incandescia sobre seus corpos, aquecendo o coração de ambas. Era pelo por pelo que subia e arrepiava, roçavam-se com leveza, saboreando aquele contato de quem não gostaria de estar em nenhum outro lugar do mundo. Nos braços de Emma, Regina se sentiu enlaçada por uma sensação apetitosa de estar em casa, de estar acolhida e desejada. Beijando a boca pintada de Regina, Emma sentiu que jamais se esqueceria o sabor que aquele gesto tinha, a saliva morna e o acelerar imparável do coração carregado da mais insana paixão.

Elas eram lindas juntas. E estavam.

Notas finais
the end! meninas, eu gostaria de dizer que sou muita grata por todas as mensagens/comentários carinhosos que recebi durante quase um ano de fanfiction. Escrever FA foi uma experiência bonita e engraçada, eu dei muita risada e também houve lágrima. Sou feliz por ter escrito algo que tocou um fandom que é muito querido por mim, todas as críticas e diálogos foram construtivos e queridos. Sinceramente, eu gostei do trabalho que fiz nesta história e sei que muitas leitoras também. Quero e pretendo melhorar bastante como autora e isso é um ciclo que não para. Gostaria de saber de quem chegou até aqui, o que achou da história e o que mais tiverem a dizer. Eu tenho outra proposta de escrita, uma fanfiction de Universo Paralelo, em período medieval (com bruxas, feiticeiras, enfim) e queria saber também se a ideia agrada. No mais, obrigada por acompanharem! Beijo em todas.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!