Fatídicas noites
1 Café amargo e roupas limpas
Notas iniciais
Queridíssima @StarkA-,
Então... Você deixou a minha criatividade fluir bastante quando foi maravilhosa pedindo por algo com NejiTen. E aqui está!
Eu tinha postado essa história há algum tempo, mas tinha odiado o rumo dela, então adaptei todinha para esses dois nenês. Espero que goste!
Eu vi você falando na tl uns dias atrás que queria um drama e um romance NejiTen para ler e espero que esse drama + romance água com açúcar te agrade ♥3
Desejo um feliz natal para você e sua família, com muita comida e muito amor. Também já desejo um ano novo maravilhoso e feliz, que você alcance os seus objetivos, realize os seus desejos e seja plena. É nois!!!
Agradeço imensamente à capista @Wtsthay do blog Anime Design mais lindo do mundo (que eu vou deixar nas notas finais) pela paciência comigo e pela capa mAIS LINDAAAAAAA ♥33
O programa Hello Counselor é muito complicado em certos aspectos porque não trata alguns assuntos com o cuidado e seriedade que precisam, mas enfim... Aqui vai ser um tema mais leve. É uma pena que tratem certos problemas como brincadeira.
Boa leitura!
[MITSASHI TENTEN]
Virei a minha xícara devagar saboreando o amargor sutil do café recém-preparado. O silêncio do lado de fora era uma benção e eu conseguia fazer a leitura de um artigo com tranquilidade, cada palavra fazendo sentido e se encaixando, me deixando cada vez mais interessada na forma como a França estimula o turismo em seu território.
Desviei minha atenção do celular por alguns segundos, visualizando o perfil de Hyuuga Neji sentado na cadeira à minha frente. Os belos cabelos compridos presos de uma forma displicente, deixando alguns fios soltos em frente ao delicado rosto, e os grandes olhos claros mirando um livro vermelho de letras miúdas. Os primeiros botões da camisa preta estavam abertos, deixando uma parte de seu peitoral à mostra e o belo pingente de coruja que eu havia o dado.
Tão lindo, mas tão complicado; um sonho distante de mim.
A bebida preta pareceu ficar mais forte na minha boca antes mesmo de eu conseguir dar mais um gole e contorci meu rosto em uma careta, odiando aquilo. Bastava olhar para ele que todos os meus sentimentos ficavam descontrolados e eu não me sentia mais como eu mesma.
A cozinha apertada do goshiwon* tornou-se ainda mais sufocante e toda a satisfação anterior se esvaiu.
Levantei no mesmo instante e seus olhos curiosos acompanharam o meu caminho até a pia. Deixei a minha xícara e o meu prato para lavar depois e caminhei sem pressa até a área de serviço. Abri a grande porta que levava até o terraço e senti o vento frio congelar minhas bochechas. A minha blusa fina não estava adequada para o clima absurdamente gelado de março.
Esfregando-me como podia, fui até os varais do meio e comecei a puxar as minhas roupas secas, jogando-as no cesto de vinil no chão ao meu lado. Poucas roupas, como sempre.
Olhei para as outras peças estendidas e reconheci a grande maioria como sendo de Neji. Ele tinha um estilo muito único e padrão: calça escura e blusa básica, no máximo algum casaco preto quando fazia frio.
A quantidade exagerada de roupas dele no varal era porque saía toda noite enquanto os outros vinte moradores – incluindo eu mesma – ficavam trancados em seus quartos assistindo Netflix, usando o mesmo pijama por quase um mês e descansando de todo o estresse do dia.
Escutei um miado fino atrás de mim e não contive um sorriso por ser "interrompida” durante minha tarefa. Olhei para o bichano laranja me encarando com expectativa em cima da mureta e parei de organizar as roupas, voltando para a cozinha.
Hyuuga estava na mesma posição: o pé direito escorado na cadeira da frente e o outro embaixo de si, a atenção focada nos escritos do livro e o café frio em cima da mesa. Ignorei a tensão do ambiente assim que coloquei meus pés ali de novo e abri a geladeira, buscando pela caixa de leite com o meu nome que havia comprado no dia anterior.
Peguei um potinho colorido e coloquei um pouco de leite frio, deixando então o gato entrar na cozinha e saborear o seu líquido favorito. Cocei suas costas e depois o resto do corpo, trilhando um caminho calmo até seu rabo felpudo. O gato gordo se contorceu sob meu toque e ri baixo, sentindo uma felicidade genuína me inundar.
Passar alguns minutos com os gatos da dona do goshiwon eram como uma pílula de felicidade instantânea, capaz de me dar mais forças para começar o dia. Eu sentia que seria um longo dia pela frente, então toda a pontinha de alegria seria bem-vinda.
— Posso usar? — assim que escutei a voz de Neji soar tão repentinamente acima de mim pulei no lugar e, como consequência, chutei o pote de leite derramando todo o resto no piso. Respirei fundo algumas vezes seguidas, sentindo o meu rosto esquentar. O meu coração pulando cada vez mais forte no peito e eu não sabia denominar se era pelo susto ou pela proximidade. — Oh, des-desculpe. Não queria te assustar.
Levantei quando consegui me recompor e dei um passo para o lado, me mantendo um pouco mais distante dele e abrindo espaço para que pudesse gesticular melhor o que queria. Não ousei levantar muito a cabeça, fugindo do mar de emoções e confusões que eram os seus lindos olhos.
— Posso usar a máquina? — repetiu a pergunta, dessa vez mais claramente, e apontou para o cesto de roupas sujas que carregava nos braços. Eu nem havia o visto pegar aquilo.
Assenti no mesmo instante, movimentando a cabeça repetidas vezes como uma boba.
Assim que Neji passou por mim, soltei a respiração que eu não percebi estar prendendo. Todo o ar dos meus pulmões saiu de uma vez só e de um jeito nada sutil, fazendo com que o gato sumisse assustado para fora da cozinha e o moreno me olhasse com mais atenção.
Uh, isso não é nada bom.
Aqueles olhos atentos analisando cada centímetro do meu rosto me fazendo queimar. Por dentro e por fora.
— Hoje é o seu aniversário. — constatou o óbvio depois de parar com a análise e sorrir sem graça. Sua voz soou mais baixa e fraca do que o normal. — Vamos fazer algo para comemorar?
— Não precisa.
Eu não estava ligando muito para o meu aniversário; minha rotina continuava a mesma, os trabalhos precisavam ser terminados e as aulas precisavam ser assistidas da mesma forma. Já havia feito chamada de vídeo com os meus pais e recebido felicitações de alguns amigos logo de manhãzinha, era o que bastava e me deixava feliz. Hinata e Naruto haviam passado em meu quarto antes de irem para suas aulas, deixando dois presentes lindos e um bolinho de chocolate para acalmar o meu estômago esfomeado na madrugada.
Os 22 anos não mudavam muito a minha vida, preferia passar a noite comendo um pacotão de salgado de batata doce, bem quieta no meu quartinho, mas eu sabia que não poderia ficar apenas com isso...
— Podemos jantar fora mais tarde. A Hinata e o Naruto não vão aceitar o seu “não” como resposta.
Dei de ombros, me movimentando para pegar um pano no armário e secar o chão ainda sujo de leite. Eu sabia que o Hyuuga mais velho ficaria conversando apenas com os dois durante o jantar todo enquanto eu me encheria de comida. Isso não ajudava em nada a minha falta de vontade de sair para festejar.
Hoje podemos comemorar duas vezes: o meu aniversário de nascimento e o aniversário de um ano que eu e Neji não éramos mais os bons amigos de antes.
Durante um ano inteiro vinha sendo sempre da mesma forma, cada um no seu canto e se evitando ao máximo, esquivando dos olhares e das conversas, dos trabalhos em dupla e das perguntas dos nossos amigos preocupados.
Havíamos parado de comemorar nossos aniversários e datas festivas como deveríamos depois daquela fatídica noite, na qual ultrapassamos um pouco o limite da amizade. E, claro, foi a noite responsável por deixar tudo tenso e desconfortável entre nós dois.
Durante 365 dias, 8.760 horas e 525.600 minutos passamos a compartilhar menos refeições juntos, menos segredos cabeludos e menos conversas banais. Os olhares e sorrisos diminuíram muito também. Passamos de melhores amigos japoneses que dividiam um sonho lindo de estudar na Coreia do Sul, para colegas estranhos de goshiwon e da escola de idiomas.
Nem mesmo um “você está bem?” consegue sair da boca de Neji ou da minha sem que nossos rostos se contorçam. Eu não o reconheço e sei que ele também não me reconhece.
Nossos assuntos se restringiam a compras e contas a pagar normalmente, afinal ainda dividíamos as despesas entre nós quatro, como combinamos que faríamos desde o dia que fizemos os planos de prestar para uma bolsa de estudos em uma universidade de Seul.
Estamos na Coreia há quatro anos e tudo se transformou da noite para o dia. Em um ano a nossa amizade morreu.
Fiz a besteira de levantar a cabeça minimamente, encontrando seus olhos claros ainda fixos em mim. Mordi os lábios e senti meu coração explodir no peito mais uma vez enquanto fingia um sorriso amigável. Por que não conseguíamos conversar como seres humanos normais?
Eu entenderia a situação se ele não gostasse de mim, mas naquela noite foi ele quem me puxou para um beijo e disse que me amava mais do que apenas como amiga. E eu correspondi, tanto no beijo como no sentimento.
Então por que, há 365 dias, Hyuuga Neji vem fugindo do assunto? E por que eu também não consigo dizer uma palavra sobre isso? Por que fugimos disso? Por que deixamos chegar a tal ponto insuportável?
Estávamos apenas nós dois no meu quartinho confortável dele naquela fatídica noite, nada alcoolizados e completamente felizes, enquanto eu abria o presente que ele havia me dado. Era um colar bonito e comprido com um delicado pássaro dourado em seu fim, reluzindo pelo ambiente. Ficamos vários minutos rindo sem um motivo específico, até que Neji se aproximou devagar e caímos em um silêncio cheio de expectativas.
Então aconteceu...
Foi um beijo, um selar até meio selvagem de lábios, que colocou nossa “amizade” em risco. Eu sentia que não poderia haver maior ápice de felicidade na minha vida depois daquelas horas que ficamos juntos como dois apaixonados. Na cama dele, no chão, na minha cama, na cozinha e até na área de serviço. Beijamos como se não houvesse um amanhã.
E não foi ruim, afinal não paramos apenas em alguns beijos. Faltando poucas horas para o dia virar, entregamos o nosso corpo um para o outro, clamando um pelo nome do outro enquanto o prazer nos preenchia e em seguida nos abraçávamos satisfeitos, dormindo o sono dos justos.
No dia seguinte, tudo amanheceu estranho e eu queria que esse amanhã – de fato – não tivesse chegado. Não conseguíamos ficar no mesmo ambiente e muito menos conversar. Eu havia saído do quarto como um fugitiva, sem conversar com ele e nem ele comigo.
Tentávamos agir como se nada tivesse acontecido, porém foi ficando cada vez mais difícil disfarçar nosso constrangimento quando estávamos sozinhos e, principalmente, na frente dos nossos amigos curiosos. Eles perguntaram várias vezes por que parecíamos tão estranhos e nunca fomos capazes de externar aquela noite problemática.
Um segredo para morrer no túmulo, basicamente.
— Parabéns Tenten, tenha muita saúde e prosperidade. Desejo toda a felicidade do mundo para você. — disse de costas para mim, jogando algumas calças na máquina. — Mais tarde entrego o seu presente.
— Obrigada, mas… Você tem certeza de que não vai para o clube hoje? — a pergunta escapou de meus lábios, antes que pudesse segurar, de uma forma dolorida. Engoli em seco, ainda ajoelhada limpando a bagunça que havia feito, querendo me jogar da janela por ter soado tão magoada.
Óbvio que eu estava magoada!
Neji frequentou os mais variados tipos de clubes e casas noturnas durante esse um ano, sempre voltando de madrugada cheirando a cigarro e álcool. Às vezes a perfumes fortes e enjoativos também. Ele nunca havia feito nada parecido antes, não era um comportamento que combinava com sua personalidade.
O seu jeito reservado e quieto se tornando ainda mais torturante para mim, agora não me sentindo mais capaz de entender o que ele pensava ou que ele queria. Como se nunca tivéssemos sido melhores amigos por milhares de anos, em primeiro lugar.
Dois estranhos.
— Hoje é o seu aniversário. — repetiu mais convicto, tentando sorrir para mim. Parecia uma careta de quem comeu e não gostou, mas resolvi relevar. Como sempre relevava.
Eu sei que não conseguiríamos evoluir ou fazer algo diferente daquilo. Ele fugindo de mim e eu fugindo dele, contudo fingindo porcamente que tudo estava bem.
Notas finais
*Goshiwon são acomodações comuns e práticas da Coreia, geralmente utilizadas por estudantes e intercambistas, olha só: https://coisasdacoreia.wordpress.com/2013/03/31/viver-num-goshiwon/
E é isso. Todas as opiniões e comentários são muito bem vindos e beijão para a minha amiga secreta ♥33
ATÉ O PR?“XIMO CAPÍTULO!!!!
Link do blog lindão que fez a capa divina https://animesdesign-ad.blogspot.com/
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